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Opinião: Marketagem, popularidade e classe mérdia fabricadas

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Jorge Serrão

A mídia amestrada ou abestada é o principal agente de influência para garantir a manutenção do atual modelo econômico globalizante (colonial-exportador, dependente e baseado em endividamentos crescentes). Por trás da ação dos meios de comunicação de massa se esconde um bem articulado esquema de marketagem política. A estratégia consiste em mostrar que, no Brasil, tudo está no melhor dos mundos possíveis, embora o mundo possível do capitalismo viva uma de suas mais graves crises cíclicas. Como o Brasil é estratégico para o futuro do globalitarismo, o poder real mundial quer mantê-lo “blindado”. Até quando viveremos este conto de fadas?

Embora tal processo de comunicação seja óbvio e ululante, praticamente passa despercebido da maioria dos “formadores de opinião”. Na verdade, a maioria parece cooptada pelo discurso que forma um “consenso” generalizado sobre um suposto “bem sucedido modelo econômico”. A grande maioria ajuda a “vender e revender” a idéia de que “tudo vai bem e melhorando”. O problema é de tradução da realidade. Contaminados por conceitos e mecanismos equivocados sobre economia – os dogmas da religião monetarista contaminam os cérebros dos brasileiros há décadas -, a imprensa e os economistas que ela elege como “especialistas” desenham o paraíso econômico tupiniquim.

A colaboração externa para essa cínica estratégia de marketagem é explícita. A Oligarquia Financeira Transnacional e seus veículos de mídia amestrados não perdem tempo. Ontem, a revista britânica The Economist destacou o crescimento da classe média no Brasil, “que hoje ultrapassa metade da população”. A reportagem tinha um jeitinho de “jabá” (termo técnico-jocoso para designar uma “matéria-paga”). Por quem? Os ingleses citam dados da Fundação Getúlio Vargas e proclamam: “O Brasil, antes notório por seus extremos, é agora um país de classe média. Esta escalada social é vista, principalmente, nos centros urbanos do país, revertendo duas décadas de estagnação econômica iniciada nos anos 80”.

A Economist destaca que a recente disponibilidade de crédito para a população, facilitado pela queda nas taxas de juros, ajudou a aumentar o poder de compra desta nova classe média. Os ingleses propagandeiam: “Junto com a transferência de renda para famílias pobres, isso ajuda a explicar o fenômeno – o que não ocorre com o desenvolvimento econômico e social da Índia ou da China. Com o crescimento da classe média brasileira, a desigualdade diminuiu no País”. A revista porta-voz da City de Londres aponta duas principais razões para o crescimento da classe média: a melhora no nível de educação, com os alunos permanecendo nas escolas por mais tempo do que no início dos anos 90, e a migração de empregos do mercado informal para a economia formal.

Mas o ponto alto da reportagem da The Economist é quando se refere ao fenômeno Luiz Inácio Lula da Silva – cujos marketeiros trabalham para transformar no maior Presidente da História do Brasil. A revista pergunta: “Mas que impacto esta classe média mais numerosa vai ter sobre a política?”. E marketeia uma resposta bem ensaiada: “De acordo com Mauro Paulino, do Datafolha, a popularidade pessoal de Lula e seus programas sociais de governo mexeram nessa equação. ‘Aqueles que subiram das classes C e D e experimentaram a ajuda do governo neste caminho, devem ficar com o PT’, diz ele.”. No final, os ingleses ainda fazem piada no estilo sem graça deles: “Mas permanece irônico que essa grande transformação social, conquistada em parte pela maior abertura comercial com o resto do mundo, pode acabar fortalecendo um partido que, até recentemente, era a favor da autarquia”.

O papo furado inglês coincide (ahahahahahah, coincide?) com a repercussão em todos os telejornais da recente pesquisa Datafolha proclamando que “a aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva bateu novo recorde, com 64% dos brasileiros considerando o governo ótimo ou bom”. As “reportagens” ou “notas” repercutindo a importante notícia insistem que “aprovação de Lula, que já era a melhor entre todos os presidentes eleitos desde a redemocratização com a eleição de Fernando Collor de Mello (1990-1992), subiu 9 pontos percentuais em relação aos 55% registrados na pesquisa anterior do Datafolha, realizada em março”.

O Datafolha ouviu 2.981 pessoas maiores de 16 anos em 212 municípios do País. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou menos. De acordo com a pesquisa, realizada entre os dias 8 e 11 de setembro e publicada ontem pelo jornal “Folha de S. Paulo”, 28% consideraram o governo regular, e 8% ruim ou péssimo – queda de 3 pontos em relação à pesquisa anterior. Lula foi considerado ótimo ou bom em todas as regiões do país – 65% no Norte e Centro-Oeste, 75% no Nordeste, 60% no Sul e 57% no Sudeste – e também entre as diferentes faixas de renda e escolaridade avaliadas. Especificamente no Sudeste, segundo a pesquisa, Lula pela primeira vez obteve apoio da maioria dos pesquisados nas regiões metropolitanas que têm curso superior e entre os que vivem em famílias com renda familiar mensal maior que 10 salários mínimos.

No embalo de pesquisas e matérias pré-fabricadas e recomendadas, a marketagem em favor da imagem do chefão Lula não pára. Ontem, nossa majestade batráquioetílica brindou em alto estilo porque ganhou um lugar na galeria de Presidentes da República que já praticaram a contradição histórica de visitar o Palácio Rio Negro, em Petrópolis, uma das sedes do nosso Império desmoronado em 15 de novembro de 1889. Uma pintura a óleo do presidente Lula, com moldura dourada, foi pendurada a partir de ontem na parede do palácio. Lula ganhou ainda abotoaduras douradas e um conjunto de louças com estampas dos pontos turísticos de Petrópolis. Foi a primeira vez em onze anos que um presidente visita o Rio Negro. Acostumado aos esquemas palacianos, Lula e a primeira-dama Marisa Letícia curtirão, ontem e hoje, as mordomias do lugar.

Lula é o Rei. Lula parece invencível. Mas não é. Ninguém é. Mas a markategem faz parecer. Inclusive a propaganda mal feita pelos adversários eleitorais. Vide a inserção comercial gratuita do PSDB ontem à noite, nas televisões em São Paulo: um rapaz negro, cabelinho rastafari, eleitor do Geraldo Alckmin, atacava a Marta, mas vinha com a conversa fiada na conclusão do seu discurso: “Com o Lula tudo bem… O problema é o PT…”. Ou seja, até os supostos adversários de Lula reforçam a imagem de liderança inabalável de Lula. Caíram na armadilha da marketagem oficial do Bolcheviquepropagandaminister? Ou não são oposição a coisa nenhuma? Burrice ou conivência conveniente?

Melhor que responder é rir da piada muito bem publicada por Josias de Sousa em seu blog. “Sua Excelência saía do banho. Estava enrolado em uma toalha. Deu de cara com uma das camareiras do Palácio da Alvorada. Súbito, descolando-se de sua cintura, a toalha foi ao chão. A camareira deu um salto: ´Ohhhh! Meu Deus!´. E o presidente: ´Sim, sim, claro. Mas pode me chamar de Lula´. A Pesquisa que acaba de sair do forno do Datafolha acomoda o brasileiro na posição da camareira da anedota.

Até quando seremos tementes ao “falso deus” da piada tupiniquim? É fadada ao amargo fracasso da História toda a oposição que não consegue formular e apresentar publicamente um Projeto de Nação, como alternativa ao capimunismo hoje ensaiado por aqui, na bem sucedida parceria entre a Oligarquia Financeira Transnacional (leia-se banqueiros e grandes corporações globais), seus socialistas fabianos e a turma do Foro de São Paulo. O Deus de verdade, que uns chamam de Grande Arquiteto do Universo, já deve estar de saco cheio de tanta inação e incompetência política, facilitando que o mal reine quase absoluto neste arremedo de república brasileira.

O mérito divino não é de Lula – embora o eterno sindicalista de resultados saiba muito bem cumprir o seu papel de personagem da novelinha global. O demérito infernal é dos patriotas – que não conseguem apontar um outro caminho para o Brasil que seja entendido facilmente pela suposta maioria pragmática que hoje “endeusa” o chefão Lula com os louros da popularidade. Lula não é invencível. Mas parece que ganha o jogo político por WO. Os adversários não entram em campo para valer, com garra para vencer.

Ou se pratica um discurso a favor do Brasil – e não contra o Lula -, ou a farra do Boi vai continuar além de 2010, com sério risco de retorno triunfal em 2014, na rabeira da Copa do Mundo de Futebol da Fifa. A bola política está com os patriotas que amam o Brasil de verdade. Ou vão deixar que Lula a leve todo dia para o seu campinho no Palácio Celestial? Alerta Total

Written by Abobado

13 de setembro de 2008 às 13:38

Publicado em Sem categoria

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