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Archive for outubro 1st, 2008

Bancos e financeiras restringem crédito, e BC só lança pacotinho se Senado dos EUA não aprovar socorro

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Jorge Serrão

As financeiras no Brasil começaram a restringir a liberação de crédito direto aos clientes. A medida atinge os empréstimos pessoais, parcelamento de carros e crediários usados na compra de eletrodomésticos. Ontem, o desgoverno pensava se lançava ou não, na véspera da eleição, um pacotinho para restringir o crédito e facilitar a vida dos bancos, como os leilões de câmbio, a redução do compulsório depositado diariamente e a oferta de linhas de redesconto.

O Banco Central não precisou agir tão radicalmente, porque os bancos agiram por conta própria. As instituições diminuíram os prazos para pagamento das parcelas. Para aquisição de veículos, o total de parcelas caiu de 72 para 60 meses. No caso dos eletrodomésticos e crédito pessoal, esse número caiu de 36 para 24 meses. Os juros dessas linhas subiram, em média, para 7,39%. Antes, o percentual era de 7,35%.

A Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) admite que as financeiras encontram dificuldades de captar recursos no exterior. Por isso, a orientação é segurar a onda da farra do crédito. O Panamericano suspendeu a liberação de crédito para novos clientes. Mesma medida adotada pelo banco BMG. A restrição é uma tendência entre as financeiras de menor porte.

A greve dos bancários por tempo indeterminado – que afeta hoje o Rio e outras regiões do País, como Brasília e São Luís – é bastante conveniente à equipe econômica. Na tese do Banco Central, quanto menor o movimento no sistema financeiro, melhor. Os bancários reivindicam reajuste de 13,23% – inflação acumulada em 12 meses, mais aumento real de 5%. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ofereceu 7,5%.

O dia é de expectativa. A tendência é de bolsas de valores com índices estáveis, pelo menos hoje. O amanhã depende do Senado norte-americano que votará, no final da tarde desta quarta-feira, o plano de resgate do setor financeiro proposto pelo governo do presidente George W.Bush.

O pacote de medidas incluirá uma cláusula sobre reduções tributárias, rejeitada segunda-feira pela Câmara dos Representantes do Congresso. Também incluiria um aumento no valor dos depósitos bancários segurados pelo FDIC (Federal Deposit Insurance Corp, um órgão governamental) para US$ 250 mil, contra US$ 100 mil previstos anteriormente.

A votação acontecerá antes de ser submetida novamente à Câmara, que a rejeitou na segunda-feira por 228 contra 205 votos. A rejeição despencou as bolsas de valores. O índice Dow Jones caiu 770 pontos – a maior queda em número de pontos em toda a sua história.
A decisão de votar depressa foi tomada por Harry Reid, líder da maioria democrata, e Mitch McConell, líder da minoria republicana. Os candidatos à presidência dos EUA, Barack Obama e John McCain, estarão em Wasington para acompanhar a sessão extraordinária convocada pelo Senado para votar as alterações no pacote do governo. Alerta Total

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1 de outubro de 2008 at 09:05

Florianópolis – Afrânio propõe investir em transporte coletivo

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O candidato do PSOL à prefeitura de Florianópolis, Afrânio Boppré, acredita que investimentos em malha viária não são a melhor solução para o problema de congestionamentos na Capital e aposta em transportes de massa. Afrânio disse que pretende legalizar o uso de vans para transporte entre os bairros.

O candidato encerrou a série de entrevistas online do diario.com.br nesta terça-feira e teve 45 minutos para responder perguntas de 23 internautas que participaram do chat. Mais de 40 dúvidas não foram respondidas por falta de tempo.

A ordem das entrevistas foi definida por sorteio. A primeira candidata a ser sabatinada pelos internautas foi Angela Albino (PCdoB), seguida de Cesar Souza Junior (DEM), Dário Berger (PMDB), Nildomar Freire (PT), Joaninha de Oliveira (PSTU) e Esperidião Amin (PP). A entrevista com o candidato Afrânio Boppré (PSOL) encerrou a série.

Confira os principais pontos discutidos na entrevista:

Ocupação desordenada da Ilha

O candidato do PSOL disse que não há como impedir o livre acesso de novos moradores em Florianópolis, mas acredita que é possível tomar medidas para conter o crescimento, como, por exemplo, controlar a verticalização da cidade.

Saúde

Afrânio Boppré quer lutar contra a privatização do Hospital Universitário (HU) e garantir um atendimento de qualidade no Sistema Único e Sáude (SUS).

Transporte

Para resolver os congestionamentos em Florianópolis, Afrânio acredita que investimentos na malha viária, como duplicações e elevados, não são são a melhor opção e aposta em investimentos em transportes de massa. O candidato pretende priorizar o transporte coletivo, criar faixas exclusivas para ônibus, licitar novas empresas e legalizar o uso de vans.

Congresso das Cidades

A democratização da gestão pública é o objetivo estratégico do PSOL e o Congresso das Cidades é uma proposta de mobilizar a sociedade em torno de uma agenda de defesa e desenvolvimento sustentável do município. ClicRBS

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1 de outubro de 2008 at 08:43

Opinião no Estadão: Pirotecnia terceiro-mundista

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O Mercosul é, em tese, um projeto saudável. Sua rota, do curto ao longo prazo (livre comércio/integração infra-estrutural-união aduaneira e, num futuro por ora utópico, algum grau de associação similar à União Européia), está sendo tumultuada, mas seus tropeços internos e nas posições em negociações abrangentes são suscetíveis de acomodação, embora nem sempre fáceis. Entretanto, esse otimismo, realisticamente moderado, correrá risco caso seja ratificado o ingresso pleno da Venezuela na organização, com os direitos dos sócios fundadores. Na verdade, o risco não decorre propriamente do país Venezuela, de potencial promissor em princípio bem-vindo, mas do regime que o controla. Por que isso?

A Venezuela está vivendo uma situação singular, caracterizada pela visão messiânico-salvacionista de sua política bolivariana ou socialista do século 21- uma versão de nacionalismo populista-distributivista permeada por nuanças de democracia delegativa e limitada: Congresso submisso, politização do Judiciário, restrições à liberdade de imprensa, eleição popular do líder que, entendido como intérprete e representante do povo, personaliza o Estado. Permeada pelo clientelismo e assistencialismo cevados na receita do petróleo e – característica dos regimes dessa natureza – pela hostilidade a um bode expiatório culpado de tudo: o “império”, protagonizado pelos EUA. Finalmente, como todo ideário messiânico-salvacionista, também sua versão bolivariana precisa expandir-se, tornar-se supranacional, como pretendia Trotski para o comunismo soviético, criar satélites e neles exercer influência, a exemplo da situação evidenciada na Bolívia hoje.

Nesse quadro dinâmico – novamente, à sombra da receita do petróleo, em grande parte resultante da sua venda ao “império” -, o presidente Hugo Chávez procura criar e liderar um (neo)terceiro-mundismo anacrônico, que cultua a luta de classes entre países mais e menos desenvolvidos, mobiliza psicopoliticamente o povo e ajuda a anestesiar problemas internos. Agora mais centrado na América do Sul, já que os países relevantes do velho terceiro-mundismo do tempo da guerra fria, em particular os asiáticos, estão preferindo se aproximar do Primeiro Mundo, ou até mesmo nele entrar, a se opor a ele (é o caso da Índia), com o presidente Chávez tentando cooptar a simpatia russa, usando para isso sua condição de grande comprador de material bélico russo que, na retórica bolivariana, destinar-se-ia à defesa contra o “império”. O programado exercício naval conjunto Venezuela-Rússia no Caribe é parte desse enredo psicodélico: vazio sob a perspectiva estratégica, mas útil ao teatro venezuelano anti-EUA, que a Rússia vê com discreta satisfação…

Num regime assim caracterizado é natural a tendência à politização viciosa da economia, é natural que a conveniência econômica seja influenciada por parâmetros da sua política redentora, entendidos como legitimados pelo ideário salvacionista. Nessas circunstâncias, e dadas as regras do Mercosul, já rotineiramente problemáticas (igualitarismo e consenso), uma vez ratificado o ingresso pleno da Venezuela, muito provavelmente as negociações internas e as do Mercosul com outros países ou organizações supranacionais estarão um tanto reféns das perspectivas políticas do redentorismo (neo)terceiro-mundismo venezuelano (mais propriamente “chavista”), mesmo que em detrimento da lógica econômica. O avanço do Mercosul poderá vir a ser cerceado não só por divergências internas, de solução complicada, mas viável, e mais pela pressão das idiossincrasias petromilagrosas do socialismo do século 21, a que o ingresso pleno terá dado condições de tumultuar a vida da organização. Em razão da sua condição de maior economia, naturalmente interessado na integração supra-regional, conveniente à sua ascensão no quadro global, o Brasil é candidato a ser particularmente atingido.

Na sua decisão sobre a ratificação do ingresso da Venezuela, nosso Congresso deve pensar a respeito: é aceitável para o Brasil, o país de maior peso na organização, sujeitar sua conveniência sensatamente avaliada e a de seus sócios originais às perspectivas redentoras do socialismo bolivariano do século 21? É aceitável para o Brasil (e para os demais sócios originais) admitir que tais perspectivas ameacem o avanço orgânico do Mercosul e de seu relacionamento com o mundo desenvolvido, onde realça o “império” satanizado? Os ganhos econômicos, que provavelmente existirão, do ingresso pleno da Venezuela no Mercosul compensarão os também prováveis embaraços que advirão do condicionamento da organização ao tempero da ideologia visionária do socialismo bolivariano do século 21? Enfim, compartilhar soberania e regras por força da racionalidade econômica é diferente de compartilhá-las por força de posições políticas visionárias. Cabe, portanto, a dúvida: convém-nos mais ratificar o ingresso ou a cautela coerente com a condição do Brasil de país que, em vez de ser parte de uma política “antiimpério”, tem condições para se aproximar do Primeiro Mundo, até de ingressar nele? É melhor para o Brasil a pirotecnia ou o pragmatismo que promova seu progresso?

Se já temos tido problemas com a Argentina no tocante às posições de natureza econômica no campo interno (mercado comum, união aduaneira) e nas complicadas negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), imaginemos quão mais difíceis serão eles, internamente e em negociações do Mercosul com outras organizações ou países, quando as posições comuns do bloco em temas econômicos passarem a ser influenciadas por humores políticos que tendem a pôr a América Latina em confronto com o mundo mais desenvolvido. O Mercosul – o atual e o cautelosamente ampliado – ver-se-á bloqueado já em seus passos hoje possíveis, no longo caminho para algo que o aproximasse algum dia do que é hoje a União Européia.

Mário Cesar Flores é almirante-de-esquadra (reformado)

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1 de outubro de 2008 at 08:25