Abobado

Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

Archive for outubro 7th, 2008

A vingança: Agripino critica presidente Lula por "insultos" na campanha eleitoral em Natal

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Depois de tratar da crise financeira internacional, o senador José Agripino (DEM-RN) completou seu discurso criticando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter “insultado a oposição”, e a ele próprio, ao participar da campanha eleitoral em Natal (RN). Para o senador, as palavras e os “insultos” do presidente caracterizam uma “tentativa de calar e intimidar a oposição”. Em apartes, 15 senadores comentaram o pronunciamento e solidarizaram-se com o colega.

De acordo com o senador, o presidente Lula, em comício na capital potiguar, proferiu insultos contra ele, contra a oposição, e contra a então candidata Micarla de Sousa (prefeita eleita de Natal, pelo PV, com apoio de Agripino).

– O presidente da República demonstrou mais uma vez para a Nação que é presidente pelos êxitos da sua política econômica, porque pelas suas virtudes pessoais ele estaria numa posição de muito menor destaque – disse Demóstenes Torres.

Para Agripino, a grande vencedora da eleição foi Micarla de Sousa, tendo ele apenas apoiado a candidata.

– O mérito é dela. Eu fui o apoiador cuidadoso, eu tenho a preocupação em que ela tenha êxito administrativo. Agora, uma preocupação que tive e que continuo a ter: não nacionalizar fatos municipais. O presidente foi lá com o objetivo claríssimo de, julgando-se acima do bem e do mal, nacionalizar um pleito para transformar a disputa municipal em uma disputa entre o presidente Lula e o senador José Agripino – disse o líder do DEM.

Rosalba Ciarlini disse que não existe democracia sem oposição e que as eleições municipais demonstraram que a democracia brasileira está mais fortalecida.

– O objetivo de esmagar a oposição não foi alcançado por uma razão muito simples: a democracia, que é o melhor sistema político que até hoje se inventou, dá ao povo o direito de escolher, e o povo escolheu e vai seguir o seu caminho – afirmou Agripino.

Garibaldi enseba mas defende Lula

O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, preferiu apartear o colega falando do Plenário, e não da Mesa. Garibaldi apoiou a candidata Fátima Bezerra (PT), que perdeu para Micarla de Sousa a Prefeitura de Natal. Garibaldi concordou que Agripino tem razões para queixar-se do presidente Lula, porém disse que o presidente também tem motivos para discordar de Agripino, pelas diversas críticas que o líder do DEM faz ao seu governo nos discursos em Plenário.

– Eu apenas queria dizer, como seu colega de bancada, seu companheiro, que acho que vossa excelência, como vitorioso, deveria ser mais generoso. A generosidade é um traço, faz parte do sentimento daqueles que ganham uma eleição. Tripudiar sobre os vencidos não é o melhor caminho dos vencedores e nem faz parte do seu perfil, que tem exercido, na vida pública do Rio Grande do Norte, papel moderador, conciliador – disse Garibaldi.

– Não estou me vangloriando de vitória nenhuma. Apoiei alguns candidatos e quem ganhou a eleição foram os candidatos. Agora, o que estou denunciando é a tentativa de esmagamento da oposição. O que foi feito, em Natal, para mim é claríssimo: a tentativa de me excluir da vida pública numa atitude patrocinada pelo presidente. E a raivosidade dele, pessoal, que não cabe num pronunciamento público, traduz esse sentimento que guardo; guardo, mas não tenho nenhum rancor – respondeu Agripino. Agência Senado

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7 de outubro de 2008 at 22:59

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Brasil, um país deles!

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Minha filha perguntou semana passada quantos ministérios tinha o governo Lula. Não soube responder, até porque muda todos os dias. Lembrei então de um pronunciamento de Mão Santa (PMDB/PI) esses dias na tribuna do Senado. Contou 37 os ministros da atual estrutura federal.

Como esse ministério muda de acordo com o vento, estou publicando hoje a lista atualizada. Por favor não me peçam para conferí-la semanalmente porque não vou me dar a esse trabalho.

Faço isso hoje com um esforço sobre-humano. Mas depois tomo um banho frio com sal grosso e arruda. Saravá!

Ministério

Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Titular

Reinhold Stephanes
Filiação

PMDB

Cidades

Márcio Fortes

PP

Ciência e Tecnologia

Sérgio Machado Rezende PSB

Comunicações

Hélio Costa

PMDB

Cultura

Juca Ferreira

PV

Defesa

Nelson Jobim PMDB

Desenvolvimento Agrário

Guilherme Cassel PT

Indústria e Comércio Exterior

Miguel Jorge  

Combate à Fome

Patrus Ananias PT

Educação

Fernando Haddad PT

Esporte

Orlando Silva Junior

PCdoB

Fazenda

Guido Mantega PT

Integração Nacional

Geddel Vieira Lima

PMDB

Justiça

Tarso Genro PT

Meio Ambiente

Carlos Minc

PT

Minas e Energia

Edison Lobão

PMDB

Planejamento, Orçamento e Gestão

Paulo Bernardo

PT

Previdência Social

José Pimentel

PT

Relações Exteriores

Celso Amorim  

Saúde

José Gomes Temporão PMDB

Trabalho e Emprego

Carlos Lupi

PDT

Transportes

Alfredo Nascimento PR

Turismo

Luiz Barretto Filho  

Secretaria de Aqüicultura e Pesca

Altemir Gregolin PT

Secretaria de Comunicação Social

Franklin Martins  

Secretaria dos Direitos Humanos

Paulo Vannuchi  

Secretaria Promoção da Igualdade Racial

Édson Santos PT

Secretaria de Políticas para as Mulheres

Nilcéia Freire PT

Secretaria Especial de Portos

Pedro Brito PSB

Secretaria-Geral da Presidência

Luiz Dulci

PT

Secretaria de Relações Institucionais

José Múcio Monteiro PTB

Advocacia-Geral da União

José Antônio Toffoli  

Banco Central

Henrique Meirelles  

Casa Civil da Presidência da República

Dilma Rousseff PT

Controladoria-Geral da União

Jorge Hage Sobrinho  

Núcleo de Assuntos Estratégicos

Roberto Mangabeira Unger PRB

Gabinete de Segurança Institucional

Jorge Armando Felix  

As secretarias citadas têm status de ministério e a foto acima não espelha a realidade dos atuais titulares de todas as pastas.

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7 de outubro de 2008 at 22:29

No Rio, PT vai declarar apoio à candidatura de Eduardo Paes

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eduardo_paes_no_psdb

O PT do Rio de Janeiro deve fechar, nos próximos dias, apoio ao candidato do PMDB à prefeitura da cidade, Eduardo Paes. A orientação foi transmitida nesta segunda-feira pela Executiva Nacional do partido ao Diretório Municipal do PT no Rio.

A Folha apurou que o que pesou em favor do peemedebista foi o passado de divergências explícitas do candidato do PV à prefeitura, Fernando Gabeira, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a política social do governo federal.

Na primeira fase do governo Lula, Gabeira ainda estava no PT, mas trocou de legenda pelo PV, depois de criticar publicamente o governo e seus integrantes.

No entanto, oficialmente, o discurso que será adotado pelos petistas para fechar o apoio a Paes será de que Gabeira fez parceria com o PSDB e DEM – partidos que fazem dura oposição ao governo Lula no cenário nacional – o que inviabilizaria um acordo no Rio de Janeiro.

No entanto, esse argumento de que seria impossível uma aliança em torno de partidos que fazem oposição a Lula não se sustenta porque há vários municípios em que PT, DEM e PSDB se uniram em torno de um único nome.

O comando nacional do PT se reuniu hoje para discutir as eleições municipais e as estratégias para o segundo turno. Na reunião, as principais discussões ficaram em torno de Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Minas Gerais e Salvador.

Integrantes do PT que participaram da reunião nesta segunda-feira informaram que outro aspecto que será adotado no discurso oficial em favor de Paes é que há uma relação positiva e sólida construída na união do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), com o presidente Lula. Folha Online

Comentário meu: Esse PT é um partido safado mesmo. Quem mais do que esse Eduardo Paes malhou o presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores quando era deputado federal pelo PSDB. É mentira? Então vamos rememorar:

Eduardo Paes começou a carreira de forma relâmpago, pulando do PV para o PFL para ser subprefeito e depois secretário do Meio Ambiente do prefeito do Rio César Maia. Ambicioso, Paes queria mais. Ele traiu seus maiores apoiadores, tornando-os seus inimigos e bandeou-se para o PSDB. No PSDB foi líder do partido na Câmara e teve atuação forte na CPI dos Correios, batendo forte e raivosamente no Governo Lula. Se apresentou como a cara da oposição na TV e jornais, até que finalmente traiu o partido, que contava com ele para ser seu candidato à Prefeitura do Rio e foi para o PMDB de Garotinho e Cabral. Hoje ele é candidato a Prefeito pelo PMDB, base do Governo Lula.

Na verdade, eles se merecem. Tanto o PT como Eduardo Paes são farinha do mesmo saco.

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7 de outubro de 2008 at 19:41

Cala a boca, Magda: ‘Cadê o FMI agora?’, diz Lula sobre crise financeira

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira, 7, o Fundo Monetário Internacional (FMI) pela falta de atuação na crise internacional. “Quando era o Brasil ou a Argentina que apresentava uma crise, o FMI sempre dava palpite e ditava o que fazer ou não fazer. Cadê o FMI agora?”, indagou. Lula ressaltou que se a turbulência chegar ao Brasil, “chega mais leve” e voltou a negar a existência de um pacote anticrise no País.

Em discurso a uma platéia de cerca de três mil trabalhadores metalúrgicos em Angra dos Reis, Lula garantiu que a crise econômica mundial não chega ao Brasil. “Esta é a primeira vez que um governo não precisa explicar ao povo que a crise é internacional e não local. Todos estão cansados de ouvir isso. Mas muitos acham que é prepotência minha dizer que esta crise não chega ao Brasil. Digo e insisto: se chegar, chega mais leve, mesmo que haja quem esteja torcendo para ela chegar logo e causar estragos”, disse.

Inspirado por parábolas e por frases chavões, Lula abusou da retórica para cravar ao público local: “Todo mundo sabe que o que está acontecendo se deve a especulação financeira que começou nos Estados Unidos. Eles brincaram com a economia mundial e na hora que a porca entorta o rabo, sobra pra nós”, disse, para lembrar em seguida que “desta vez será diferente”, por que o País fez como “na história da cigarra e da formiga: enquanto eles cantavam, a gente trabalhava”. A citação foi feita com relação ao fato de o Brasil ter conseguido quitar sua dívida internacional e hoje estar endividado apenas em real e não mais em dólar.

“A crise americana é muito profunda. talvez seja a maior crise nos últimos 50 anos. Só teve igual a esta em 1929. E ela está chegando na Europa. porque os bancos europeus participaram do cassino imobiliário dos Estados Unidos”, disse o presidente, lembrando que nas crises do México, Ásia e Rússia, os “rombos” da economia mundial foram bem menores, em torno de US$ 50 bilhões e o Brasil “quase quebra”. “Mas esta, nos Estados Unidos, enquanto o rombo já é de US$ 1 trilhão só lá dentro. A mágoa deles e de alguns aqui dentro é de que o Brasil não quebrou. Eu não estou dizendo que não teremos dificuldades, mas que até agora estamos em pé”.

Andando de um lado para o outro, em cima de um palanque montado em meio ao estaleiro Brasfels, onde foi batizada a plataforma P-51 da Petrobras, Lula afirmou ainda que tanto os Estados Unidos quanto a Europa, “fingiram que não tem crise”. “Eles são iguais aquelas pessoas que não gostam de pobre. Vão para a reunião do G8, querem falar da Amazônia, mas não falam de crise”.

Pacote

O presidente foi bastante enfático ao afirmar que a atual crise não deverá motivar a formação de um pacote econômico no País. “Não haverá nenhum pacote econômico”, disse. Ele ainda reiterou que “todas as vezes em que houve um pacote econômico no Brasil, o trabalhador é que foi prejudicado.”

O presidente ressaltou que foram tomadas medidas econômicas de apoio aos bancos pequenos e aos exportadores. “Cada medida será tomada conforme ela for exigida no dia-a-dia”, disse. Falando em tom paternal aos presentes, Lula acusou os Estados Unidos de terem feito a “farra do boi” com o dinheiro público. “O trabalhador sabe que se fizer a farra do boi com seu salário, quem vai pagar é o seu filho. E a gente não deve governar um país, mas cuidar de um país, como se cuida de uma família, sabendo que quem vai sofrer as conseqüências são os nossos filhos”, disse.

Ele destacou que espera que o “pacote americano ajude a resolver o problema deles”. “Mas pelo amor de Deus, agora que deixamos de comer o pão que o diabo amassou e começamos a comer um pãozinho com mortadela, eles que não venham querer se socializar com a gente. Este tipo de socialismo não queremos. Queremos socializar a bonança e não a miséria.”

Ainda falando sobre a crise, o presidente defendeu à platéia que é preciso que “ninguém se abale com a crise”. “É preciso que cada um de nós acredite que o País se encontrou com seu destino e não há nada no mundo que vai fazer com que reapareçam o desemprego, a miséria e o abandono. A crise gera especulação, gera desconfiança e depois cidadão fala que não vai gastar seu dinheiro e vai guardar. Peço a vocês que não façam isso, e continuem fazendo a mesma coisa que estavam fazendo.” Estadão Online

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7 de outubro de 2008 at 15:33

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Volnei Morastoni – Itajaí se livrou de um caco. Assista ao vídeo e perceba o nível!

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A “vaca” ao que o ilustrado prefeito se refere, é sua vice, Eliane Neves Rebello Adriano, e o “cú largo” é Jandir Bellini, que veio a ser eleito no pleito que já se encerrou em Itajaí. Dás um banho, Morastoni!

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7 de outubro de 2008 at 13:01

César Velente: Diarinho tem poder?

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morastoni

Alguns leitores me escreveram perguntando minha opinião sobre o estrago que as reportagens do Diarinho talvez tenham causado nas campanhas do Décio Lima e do Volnei Morastoni.

Ontem ouvi o colega Moacir Pereira comentar a eleição em Blumenau e ele destacava vários fatores que foram importantes para produzir aquele resultado. A boa administração do JPK, o arco de alianças, o apoio entusiasmado de vários líderes de peso, por exemplo.

É muito provável que o resultado da eleição fosse exatamente o mesmo, se o Diarinho não tivesse publicado a parte do inquérito que citava o nome do candidato. Bom, talvez não exatamente o mesmo, mas muito próximo. Essas histórias criam uma marola no dia, mas em geral não causam danos permanentes.

Vai muito da forma como o candidato lida com elas. O João Rodrigues, em Chapecó, recebeu uma traulitada de peso, com a divulgação daqueles vídeos onde ele aparece fazendo imbecilidades. Mas se abraçou com seus eleitores, tentando explicar o que dava pra explicar, colocando-se como vítima. E, se dano houve, não atrapalhou o resultado.

A diferença de votos que JPK teve sobre Décio não é fruto de eventos isolados, de alcance duvidoso. Aparentemente, não foi só JPK que fez uma boa campanha. Décio, por seu lado, não fez uma boa campanha. E pode ter reagido mal às denúncias, complicando-se além do necessário.

Já em Itajaí estou com a Samara, diretora deste jornal, na avaliação que fez no editorial da edição de ontem: Volnei perdeu o foco. Dirigiu tempo e esforço para outros alvos que não o seu adversário e a sua campanha.

O que o jornal divulgou a respeito do prefeito, em si, acredito que tenha mexido pouco com a campanha. Mesmo porque dificilmente um jornal muda voto com fatos negativos sobre o candidato (falar bem e elogiar, em todo caso, podem ajudar a criar uma imagem positiva que influi na eleição).

Se alguma coisa aconteceu, foi a partir da publicação, na internet, via YouTube, do áudio das fitas gravadas pela PF. É muito diferente ler que fulano disse alguma coisa e ouvir o som da voz da pessoa, falando aquilo tudo. O que foi dito até pode nem ser muito importante, mas o tom da voz é marcante. Essas fitas podem ter causado algum estrago.

Mas, novamente, a forma como o candidato reagiu diante desses contratempos não ajudou. Ao contrário.

Viva a ficha suja!

Todos (ou quase todos) os candidatos que respondem a processos ou que já foram condenados (embora estejam recorrendo), tiveram boas votações. O eleitor não está nem aí para a folha corrida dos políticos. Parece mesmo que tem uma certa atração por malfeitores. Lamentavelmente, todas as campanhas feitas pelas mais diversas entidades, pela moralização das escolhas, alertando para o fato de alguns candidatos terem a ficha suja, revelaram-se um retumbante fracasso. Até aquelas imagens do irresponsável João Rodrigues brincando com a morte dos mendigos e outras sem-gracices, passaram em branco. Não é exatamente uma surpresa, mas é, sem dúvida, uma triste confirmação dos nossos piores pesadelos: o eleitor não leva em conta essas “miudezas” éticas. Pode roubar o quanto quiser, desde que faça alguma coisa. Ademar de Barros ficou famoso pelo slogan “rouba mas faz”. Parece que, mesmo passadas tantas décadas, o eleitor ainda continua achando que é isso que vale.

E este é o fato que torna ainda mais curiosas as derrotas de Volnei e Décio: por que o eleitor, que não ligou para acusações relacionadas a outros candidatos, deixou-os na mão? Ora, porque os problemas não foram só as denúncias. O peso delas sozinhas não seria suficiente para virar uma eleição. Não no atual estado de torpor ético da maioria dos eleitores. De Olho na Capital

Written by Abobado

7 de outubro de 2008 at 12:50

Opinião do Estadão: A autonomia do eleitor

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Os resultados do primeiro turno das eleições municipais confirmaram a expectativa de que a maioria do eleitorado das principais cidades estava propensa a premiar os seus prefeitos com um segundo mandato. O exemplo das capitais é eloqüente. Dos 20 titulares (em 26) aptos a disputar um novo período de governo, nada menos de 13 o conseguiram já na rodada inicial e todos os demais passaram para a prova do próximo dia 26. Os números confirmaram também a recuperação do PMDB como o maior dos “partidos municipais” do Brasil e a tendência histórica do PT de fazer, a cada eleição, um número maior de prefeitos do que na disputa precedente. Nas 79 cidades com mais de 200 mil eleitores, o PT emplacou 13 candidatos e terá outros 15 no segundo turno (11 dos quais saíram na frente no domingo). Seguiram-se o PMDB e o PSDB, que formam com o PT o consolidado trio de frente do sistema partidário nacional.

Contrastando com esses fatos esperados, a ultrapassagem da petista Marta Suplicy pelo prefeito Gilberto Kassab, do DEM, em São Paulo; a ida do candidato Fernando Gabeira, do PV, ao segundo turno, deixando para trás o “bispo” Marcelo Crivella, no Rio de Janeiro; o fracasso do projeto do governador tucano de Minas Gerais, Aécio Neves, e do prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, de eleger no primeiro turno o seu candidato, Márcio Lacerda; e ainda a derrota de ACM Neto, o herdeiro político de Antonio Carlos Magalhães, em Salvador, foram as mais comentadas surpresas do pleito – embora, em graus variados, representem a consumação de tendências que se vinham configurando na reta final da campanha. Em conjunto, compõem um retrato alentador da autonomia do eleitorado – em quatro das maiores capitais brasileiras – na hora da decisão. Prova de que os candidatos, seus operadores e apoiadores podem muito, mas não podem tudo, em matéria de indução do voto.

Os casos de Belo Horizonte e São Paulo são especialmente significativos. Na capital mineira, Lacerda, secretário de Planejamento do Estado, era desconhecido da grande maioria, o que se refletia nas pesquisas anteriores ao horário gratuito. Quando o horário eleitoral começou no rádio e na TV e o público ficou sabendo que Lacerda era o candidato do governador e do prefeito aos quais tem dado formidável aprovação, ele disparou nas sondagens. Aos poucos, porém, boa parte do eleitorado – que acompanha, sim, o horário eleitoral – foi se decepcionando com o desempenho do apadrinhado de Aécio e Pimentel e se fixando no rival Leandro Quintão, do PMDB, deputado federal mais votado na cidade. Além disso, desmentindo a crendice de que os eleitores não dão a menor importância à questão partidária, a perplexidade com a aliança entre o governador tucano e o prefeito petista provocou uma migração de preferências para o candidato cujo partido integra a base de apoio do presidente Lula. E a vitória de Lacerda no primeiro turno, que chegou a ser tida como certa, ficou, na melhor das hipóteses, adiada por 3 semanas.

Muitos paulistanos também conheciam mal a figura do prefeito Gilberto Kassab – mas aqui o horário político funcionou notavelmente a seu favor. Mais ainda, pelo visto, quando passou a ser alvo de duros ataques do tucano Geraldo Alckmin. Gradativamente, o eleitorado antipetista, majoritário na cidade, passou a ver em Kassab o nome viável contra Marta, cuja rejeição só não é maior do que a de Paulo Maluf. A divulgação das pesquisas mostrando-o à frente do ex-governador – e, não menos do que ele, capaz de vencê-la no segundo turno – sustentou a ascensão do prefeito e a tendência da queda de Marta. Por fim, no dia da eleição, os indecisos se decidiram, levando às últimas a tendência que vinha se acentuando. Agora, a petista pretende nacionalizar a disputa, contando com a força de Lula – um recurso duvidoso, a julgar pela campanha do primeiro turno que, não só em São Paulo, escancarou os limites da chamada transferência de votos.

O presidente Lula, por exemplo, se empenhou em derrotar o líder da oposição no Senado, José Agripino, do DEM, patrono da candidata Micarla de Sousa, do PV, em Natal. Ela afinal venceu com 193 mil votos (ou 50,8% do total válido). Não serão poucos, entre esses eleitores, os que votaram em Lula e o aprovam. Mas, a cada eleição, maior parcela do eleitorado se move por critérios que lhe são próprios.

Written by Abobado

7 de outubro de 2008 at 10:10