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Opinião do Estadão: A tragédia fluminense

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altTragédia no Rio de Janeiro: Equipes de resgate levam sobrevivente das chuvas em Teresópolis para hospital

Desastres naturais de proporções assustadoras, como os que ocorreram na região serrana do Rio de Janeiro, geralmente são causados por uma rara combinação de fatores, como uma chuva de intensidade anormal, a existência de solo encharcado e instável em decorrência de chuvas anteriores, declives acentuados, falta de vegetação adequada, entre outros. Mas desastres como esses só se transformam em tragédias humanas porque, com a tolerância e até o estímulo irresponsável do poder público, áreas sob risco permanente de deslizamentos são ocupadas desordenadamente. Na região serrana fluminense, nas encostas e nas áreas devastadas pela avalanche de lama e pedras encontram-se desde favelas até residências de padrão elevado, sítios de lazer e hotéis de luxo.

A ocorrência, há décadas, de tragédias semelhantes à registrada agora em Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis e Sumidouro – os municípios mais afetados pelos deslizamentos que, além das centenas de mortes, provocaram o caos, com a interrupção dos serviços urbanos essenciais, o que dificultou ainda mais o socorro às vítimas – deveria ter servido de alerta às autoridades no sentido de adotar medidas preventivas para, pelo menos, reduzir os efeitos das tempestades de verão. Em 1967, a região de Petrópolis foi duramente castigada por um temporal que provocou a morte de 300 pessoas. No ano passado, deslizamento em Angra dos Reis matou 53 pessoas e desalojou outras 3.500. Em todo o Estado do Rio, desastres naturais decorrentes das chuvas provocaram a morte de 74 pessoas em 2010.

A liberação imediata de R$ 780 milhões do governo federal – por meio de medida provisória assinada pela presidente Dilma Rousseff -, para auxiliar os Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo e os municípios mais afetados pelas chuvas recentes, permitirá o início rápido de obras e serviços de recuperação da infraestrutura danificada ou destruída. O dinheiro se destinará também a socorrer as vítimas e, na medida do possível, restabelecer a normalidade nas localidades mais atingidas. Certamente essa verba é insuficiente para tudo isso, mas sua rápida liberação – da mesma forma que a liberação de 7 toneladas de remédios e materiais médicos e o envio de homens da Força Nacional de Segurança Pública para auxiliar no socorro às vítimas – autoriza a esperança de que as coisas mudem com o novo governo.

O que não houve, até agora, foi a decisão de impedir que as tempestades que açoitam a região serrana todos os verões produzam tragédias como a de quarta-feira. Desde sempre, as autoridades locais, às quais compete regulamentar e fiscalizar o uso do solo e impedir a construção de moradias em áreas de risco, como as encostas e as regiões sujeitas a inundações, assistiram impávidas à ocupação desordenada dessas áreas.

Na esfera federal, a verba reservada no orçamento do ano passado do Ministério da Integração Nacional para o Programa de Prevenção e Preparação para Emergência e Desastres era de R$ 425 milhões, mas apenas R$ 167,5 milhões foram aplicados, de acordo com levantamento da organização não governamental Contas Abertas, com base em dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo.

Nenhum centavo dos R$ 450 mil previstos para “apoio a obras preventivas de desastres/contenção na estrada Cuiabá” (em Petrópolis, uma das áreas onde houve deslizamentos) foi aplicado. Nova Friburgo, que registrou o segundo maior número de mortes na quarta-feira, deveria receber R$ 21,5 milhões para “obras de pequeno vulto de macrodrenagem”, mas nada recebeu, de acordo com reportagem do jornal O Globo.

Foi graças à imprevidência das autoridades – para não dizer descaso – que se repete em 2011 a tragédia de 1967. Além de afetar dolorosamente a vida das famílias, a falta de projetos e ações destinadas a evitar a ocorrência de desastres naturais em áreas ocupadas por residências tem um forte impacto financeiro. Por não aplicar o que pode em prevenção, o governo acaba tendo de gastar muito mais em obras de recuperação. Que a presidente Dilma aproveite este primeiro desafio a que é submetida para demonstrar que não veio apenas para continuar o que Lula fez.

3 Respostas

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  1. A chuva ainda não deu trégua, o sol não raiou
    As pessoas ainda juntam os cacos do que restou
    É preciso força para retomar a vida, o mundo
    Depois de se perder quase tudo num segundo

    Tragédia natural não é exclusividade, é verdade…
    Por que, então, sofremos mais com as tempestades?
    Deus é brasileiro, não temos terremotos nem furacão
    Mas pecamos no planejamento, vontade e organização

    Portugal passou por suplício como o que se apresenta
    Em falecimentos, só 10% daqui: pouco mais de quarenta
    Na terra que zombamos ter pouca inteligência
    Governos dão de goleada quando há urgência

    A Austrália, do outro lado, foi ainda mais exemplar
    Como mostrou, na TV, um brasileiro que lá foi morar
    Eles monitoram o nível dos rios com grande precisão
    Por carta, avisaram todos com 24 horas de antecipação

    Mas aqui o relevo é outro, uns dirão
    Por si só não justifica, não é explicação
    Populismo, impregnado, responde por esse mal
    Ah, se nossa inteligência fosse a de Portugal…

    (http://noticiaemverso.blogspot.com)
    Twitter: @noticiaemverso

    Bruno Rabelo

    14 de janeiro de 2011 at 23:26

  2. Já temos 510 anos de governos coniventes, oportunistas, corruptos, acomodados, ladrões, enganadores, submissos ou bananas; ou então, não seriamos mais um país de terceiro mundo, e tão explorados! Pois o Brasil tem condições de ser o melhor, e mais rico país do planeta em todos os sentidos!
    A pretensão é esclarecer a população, e não criticar este ou aquele candidato ou governo, porem, para se exigir comprometimento dos políticos e o cumprimento das leis, precisamos esclarecer a realidade e demonstrar as falcatruas cometidas por todos!
    Alguns dizem, que uns e outros fizeram isso ou aquilo!
    Então digam, se entre tudo que uns, e outros governos fizeram, não foi mais em benefícios próprios, ou o de suas corruptelas e familiares?
    Alguns só embolsaram e mexeram no dinheiro que já estava ganho!
    Mas nada fizeram, para aumentar a produção, à renda, e melhorar o nível de vida do cidadão!
    Muitos prometeram empregos, mas nunca cumpriram a meta prometida!
    Muitos roubaram os direitos dos aposentados; e outros que criticaram os ladrões anteriores, continuam roubando os velhinhos!
    Milhões de moradias sempre foram promessas!
    Sempre ouvimos reportagens a respeito de melhora na Educação, na Saúde, e na Segurança, mas o tempo passa e nos mostra que na realidade só existe regressão em todos os sentidos!
    Muitos falam em pagar a divida externa, e outros até vivem se vangloriando por tê-la pago; mas na realidade, as dividas só aumentam!
    Mas as conversas, as promessas e os papos furados continuam a todo vapor!
    E o preço do combustível, que dizem pertencer ao povo, tornou-se um absurdo!
    Para o povo, também tem aumento, de despesas e de impostos!
    E com a maior cara de pau, ainda tem descarado usando o dinheiro dos trabalhadores, “FGTS” para financiar a copa do mundo!
    Qual é a vantagem para o trabalhador?
    Se o trabalhador precisa emprestar, tem que pagar altos juros, mas quando usam seu dinheiro do FGTS, ele não tem lucro! Isso é justiça?
    E os políticos descarados e hipócritas continuam pregando, igualdade social e uma justa distribuição de renda, mas a realidade, o que estamos vendo é só injustiça!
    E o governo federal segue perdoando as dividas dos países que devem ao Brasil!
    Fazer cortesia com o que não lhe pertence, e não suou para ganhar é fácil!
    Quais os benefícios, que este procedimento pode gerar ao país e a população?
    Isso é patriotismo?
    E as palavras incertas sobre democracia continuam, pois no Brasil, os políticos sempre se colocaram acima da mesma lei, que criaram e cidadão é obrigado a respeitar!
    Este procedimento nada tem de Democrático, e definitivamente é injusto!

    João Cirino Gomes

    19 de janeiro de 2011 at 22:46

  3. boa noite.
    muitos foram os morto na tragedia do rio.
    porque nao reverter o fundo de garantia para construçao de moradia dos que ficaram.

    gloria maria ferreira rodrigues

    20 de janeiro de 2011 at 22:56


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