Abobado

Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

Archive for junho 16th, 2011

Atenção, senadores! ONG americana publica documento que defende com todas as letras: "Fazendas nos EUA e florestas no Brasil"

leave a comment »

Fazendas lá, florestas aqui – Documento de ONG americana defende com todas as letras que o certo é o Brasil conservar as florestas, enquanto os EUA têm de cuidar da produção agrícola. O estudo tem um subtítulo: ‘O desmatamento tropical e a competitividade da agricultura e da madeira americanas’

Sim, eu sei que fica parecendo teoria da conspiração, xenofobia, essas coisas. Mas eu sou obrigado a acreditar naquilo que estou vendo, que está bem aqui e que vou tornar disponível para todos vocês.

Existe uma ONG americana chamada “Union of Concerned Scientists”, algo assim como “União dos Cientistas Preocupados”. Preocupados com o quê? Ora, com o meio ambiente. Tanto é assim que um lemazinho vem agregado ao nome da ONG: “Cidadãos e Cientistas por (em defesa de) Soluções Ambientais”. Vocês sabe que já há alguns anos ninguém perde tempo e, sobretudo, GANHA MUITO DINHEIRO defendendo o meio ambiente, não é? A UCS tem um aura quase divina porque nasceu no lendário MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge, nos EUA. Como falar deles sem que nos ajoelhemos em sinal de reverência?

Marina Silva, Alfredo Sirkis e congêneres são amigos da turma, como vocês poderão constatar numa rápida pesquisa feita no Google. A UCS tem uma excelente impressão sobre si mesma. No “About us”, diz combinar pesquisa científica com a atuação de cidadãos para que se desenvolvam soluções seguras e inovadoras em defesa de um meio-ambiente mais saudável e de um mundo mais seguro. Certo! A gente acredita em tudo isso. Quem haveria de duvidar de “cientistas independentes” e de “cidadãos preocupados” que só querem o bem da humanidade? Marina, por exemplo, não duvida. O endereço da dita ONG está aqui.

Eu juro! É verdade!

Pois acreditem! O site da UCS publica um documento cujo título é literalmente este: “Fazendas aqui; florestas lá”. O “aqui” de lá são os EUA; o “lá” de lá são o Brasil e os demais países tropicais. Sim, o texto defende com todas as letras que o certo é o Brasil conservar as florestas, enquanto os EUA têm de cuidar da produção agrícola. O estudo tem um subtítulo: “O desmatamento tropical e a competitividade da agricultura e da madeira americanas”. Não faço como Marina Silva; não peço que vocês acreditem em mim. O documento está aqui.

Notem que eles não escondem seus objetivos, não! Os verdes brasileiros é que buscam amoitar a natureza de sua luta. O documento tem duas assinaturas: David Gardner & Associados (é uma empresa) e Shari Friedman. Tanto o escritório como a especialista auxiliam, lê-se no perfil de ambos, ONGs e empresas a lidar com o meio ambiente… Shari fez parte da equipe do governo americano que negociou o Protocolo de Kyoto, que os EUA não assinaram!

É um texto longuíssimo. O que se avalia no estudo é o impacto do “desmatamento” — ou do que eles tratam como tal — no setor agropecuário e madeireiro dos EUA. Conservar as nossas florestas, eles dizem, preserva a competitividade da agricultura americana e, atenção!, também baixa os custos de produção local.

As pessoas que sabem somar dois mais dois perguntarão: “Ué, mas se a gente fica com as florestas, e eles, com as fazendas, haverá menos comida no mundo, certo?” Certo! Mas e daí? O negócio dos agricultores americanos estará assegurado, e as nossas matas também, onde Curupira, Anhangá, a Cuca e a Marina Silva podem curtir a nossa vasta solidão!

É uma baita cara-de-pau! Mas, ao menos, está tudo claro. O documento é ricamente ilustrado, tanto com imagens dos “horrores” que nós praticamos contra a natureza com tabelas dos ganhos de cada área do setor agropecuário americano, estado por estado, se houver o “reflorestamento” tropical.

Espero que deputados e senadores leiam esse documento. Está tudo ali. São muitos bilhões de dólares. Parte da bolada financia as ONGs lá e aqui. Como se nota, os cientistas e cidadãos da UCS estão muito “preocupados”… com os setores agropecuário e madeireiro americanos. Eles estão certos!

Enquanto lutam em defesa da sua agricultura, os vigaristas daqui lutam para destruir a nossa. E são tratados como santos!

Por Reinaldo Azevedo

Governo Dilma: Brasil com miséria e sem lógica

leave a comment »

Roberto Macedo* – O Estado de S.Paulo

A presidente Dilma demonstra maior cuidado ao falar, mas adotou o novo lema aparentemente sem maior reflexão. A pobreza existe mesmo em países ricos, seja pelo critério de rendimentos, seja pelas demais condições de vida, como o acesso à educação e a serviços de saúde de boa qualidade. É muito fácil demonstrar que na sua generalidade a afirmação do novo lema é falsa, pois basta um exemplo em contrário. Tomemos um país ricaço onde há pobreza: os Estados Unidos.

No site www.presidencia.gov.br, bem no alto à direita, no desenho que incorpora o lema, passei o cursor e este adquiriu a forma de mãozinha, indicando que levaria a outra página. Cliquei e veio uma em branco, sintomática de um significado vazio.

Na busca de seu lema-sonho, a presidente lançou no início deste mês o Plano Brasil sem Miséria (PBSM). Ora, sonhar acordado também tem sua eficácia se impulsionar uma ação que, embora sem alcançar um objetivo inatingível, permita torná-lo mais próximo.

Ótimo! Para compensar o uso de sofisma, um tanto professoral, eu diria tô nessa, pois também sonho com um Brasil sem miséria. Interessado, cliquei com o cursor mãozinha na figura do plano e cheguei a uma página com várias conexões de informações sobre o PBSM.

A primeira página é encimada pelas fotos de dois jovens. O primeiro segura um cartaz com esta afirmação: "O Brasil cresceu porque a pobreza diminuiu". Aí já pensei tô fora, pois entendo que com as mesmas palavras o correto seria dizer que a pobreza diminuiu porque o Brasil cresceu. O segundo cartaz se assenta no primeiro e incorpora a sua fragilidade lógica ao dizer: "Já pensou quando acabarmos, de vez, com a miséria?".

Esses cartazes me trouxeram à lembrança um anúncio de duas páginas com o mesmo teor nos seus títulos, que o governo fez publicar nos jornais ao anunciar o PBSM. A sensação que seus títulos me trouxeram é a de que os publicitários que os prepararam devem ser os mesmos do governo anterior, ou da sua campanha sucessória, pois insistem em sofismar, desta vez assim: o Brasil cresceu, e isso foi – inegavelmente – acompanhado pela passagem de milhões de pessoas para classes de rendimentos mais elevados, e com diminuição das desigualdades entre classes. Mas daí se conclui, pelo primeiro cartaz, que a também inegável redução da miséria foi o que fez o Brasil crescer economicamente.

Pela ordem: esse crescimento veio principalmente do impulso dado pela expansão da economia mundial no período. Aí estamos falando de estímulos de fora para dentro, de centenas de bilhões de reais, e que, no seu total no período, devem ter entrado pela casa dos trilhões. Houve também o estímulo do crédito interno, que numa conta aproximada cresceu perto de R$ 1 trilhão entre o início e o fim do governo Lula. Com isso a economia cresceu mais, fortaleceu-se, a arrecadação de impostos aumentou muito, e isso permitiu ao governo ampliar programas sociais como o Bolsa-Família e o piso do valor de benefícios permanentes do INSS.

Ora, ao realizar esses programas o governo retirou recursos de segmentos da sociedade e transferiu-os para outros grupos. Se esse processo implicou maior crescimento, isso precisaria ser demonstrado, se ainda não o foi por pesquisadores que se dedicam ao assunto. Mesmo supondo já demonstrado – e, se não fosse, também se poderia argumentar pelo mérito social de programas como o Bolsa-Família -, vale lembrar que a escala desses programas é mínima, se comparada com os estímulos anteriormente citados. Por exemplo, os recursos do Bolsa-Família alcançam perto de R$ 15 bilhões, muitíssimo distantes das cifras dos estímulos inicialmente citados. E, vale insistir, sem estes últimos não haveria os mesmos recursos para programas mais voltados para a pobreza. Ou seja – e talvez meus colegas economistas me critiquem por elaborar sobre o óbvio -, sem crescer bastante não se avançará com maior rapidez no alívio da miséria.

Há mais problemas na concepção do PBSM, a começar pela sua definição dessa mesma miséria, pelo critério renda, pois é direcionado às pessoas que vivem em lares cuja renda familiar é de até R$ 70 por pessoa por mês, estando nessa situação 16,2 milhões de brasileiros. Ora, pode-se dizer que pessoas com renda um pouco ou mesmo bem acima desse valor também estão numa situação miserável. E não apenas pela renda em si, mas, entre outros aspectos, por não terem acesso adequado a uma boa educação e a bons serviços de saúde, estes a começar do saneamento básico, cuja carência leva a uma vida miserável. E, repita-se, mesmo com renda bem superior a míseros R$ 70 por mês. Mas isso é assunto para futuros artigos.

Dada a minha ênfase nas questões econômicas, lembro que o crescimento dos anos recentes não deverá repetir-se nos próximos, pois, em particular, o estímulo externo não deverá ser o mesmo. Assim, há que concentrar atenção em planos e recursos que nos livrem de míseros 4% de crescimento do produto interno bruto (PIB) nesse período à frente. Sem isso o sonho da presidente Dilma e de todos nós continuará muitíssimo distante.

*Economista, professor associado à FAAP, é consultor econômico e de ensino superior