Abobado

Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

Archive for outubro 28th, 2012

Pouco importa quem vença, urna nem condena nem absolve corruptores e quadrilheiros

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É evidente que o PT já está com o discurso na ponta da língua. Caso seu candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, vença a disputa, o partido tentará transformar essa vitória numa espécie de absolvição dos mensaleiros. Tudo muito de acordo com a moral da tropa: até o último voto ser digitado na urna, cumpre sustentar que eleição e mensalão são como água e óleo e não se misturam. Em caso de vitória, aí é o caso de fazer a mistura homogênea e apontar o dedo para o Supremo…

Vamos ver como decidirá a maioria do eleitorado paulistano. Qualquer que seja o resultado, ele tinha todos os elementos necessários para decidir. Não será o resultado a definir se o tucano José Serra fez bem ou mal em tratar do mensalão na campanha. Fez bem! Tivesse ignorado o tema, alguns eventuais insatisfeitos de agora diriam: “Mais uma campanha despolitizada!”. De resto, não faltaram propostas para os problemas da cidade — às pencas. A questão é bem maior e bem mais ampla do que a campanha na TV.

Se uma vitória em São Paulo corresponderia à absolvição dos mensaleiros, as derrotas do partido (de Lula e da presidente Dilma Rousseff), Brasil afora, são, então, o quê? A condenação? Ora… É bom ter princípios. É bom pensar segundo fundamentos. Meu texto de estreia na VEJA, na edição de 6 de setembro de 2006, tem este título: “Urna não é tribunal. Não absolve ninguém”.

Quem absolve e quem condena é a Justiça, não as ruas ou as urnas. Essa Justiça pode estar ou não de acordo com as expectativas de amplas maiorias. Isso é irrelevante. Sim, é saudável que um tribunal tenha ciência de que a percepção média do brasileiro — fundada em fatos — é a de que há impunidade no país. Há muitos motivos, de várias naturezas, que concorrem pra isso. Ter o tribunal essa consciência, sabedor de que o Poder Judiciário lida com os anseios, aspirações e utopias de milhões de pessoas, é um dever. A Justiça não existe no vácuo nem existe para si mesma. As pessoas é que lhe dão sentido. O Judiciário não é uma celebração de códigos frios, que vivam de reverenciar uns aos outros. É o mais encarnado dos Poderes. É ele que permite que vivamos, efetivamente, em sociedade.

No julgamento do mensalão, vários ministros demonstraram ter clareza de seu papel. Entenderam que a ordem jurídica não pode aceitar que os “marginais do poder”, como os definiu Celso de Mello, assaltem os cofres e a institucionalidade. A maioria dos membros do Supremo parece atenta aos anseios de milhões, que querem um país mais digno, e todas as suas decisões, por isso mesmo, foram pautadas PELAS LEIS.

Decisões do Poder Judiciário nem são referendadas nem são revogadas pelas urnas.

Vença Serra ou vença Haddad, o fato inequívoco é que José Dirceu e José Genoino foram condenados, com base nos autos e nas leis democráticas do Brasil, por corrupção ativa e formação de quadrilha. E ponto!

Tanto é assim que o advogado de Dirceu encaminhou ao Supremo um pedido de pena mais branda para seu cliente em razão de sua suposta relevância social. Fosse como quer o PT, poder-se-ia esperar a eventual vitória de Haddad e encaminhar a solicitação ao eleitorado…

Por Reinaldo Azevedo

É preciso ter propostas – e princípios

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José Serra, Folha de S.Paulo

Ao longo das últimas semanas, São Paulo debateu duas propostas de futuro. Durante a campanha, nossos adversários tiveram de dividir suas atenções entre a cidade e o julgamento do STF, que colocou à vista seus métodos e práticas ilegais.

O PSDB, por outro lado, chega à reta final da eleição de cabeça erguida, confiante e certo de ter feito uma campanha limpa, comprometida com a cidade e focalizada em ideias capazes de melhorar a vida dos 11 milhões que constroem com talento e suor a grandeza paulistana.

Estudo e trabalho sempre estiveram em nosso DNA. O paulistano quer vencer com esforço, empenho e dedicação. São Paulo valoriza o mérito. Não é terra de patotas, de quem acredita que filiação partidária é o caminho mais curto para ascender. A cidade aplaude quem arregaça as mangas e ganha a vida honestamente.

Para quem acredita que é possível crescer na vida trabalhando duro e com correção, dirigimos nossas propostas. Para nós, o papel do governo não é tutelar ninguém, mas dar a quem mais precisa condições para desenvolver suas potencialidades.

Foi com esse espírito e por essas pessoas que apresentamos nossas ideias: a rede municipal de ensino técnico, o Bilhete Único de seis horas, o investimento decidido da prefeitura na expansão do metrô, a transformação de favelas em bairros pela reurbanização, o fortalecimento das parcerias entre prefeitura e organizações sociais, incluindo bons hospitais como o Albert Einstein e o Sírio-Libanês, a ampliação da carga horária do ensino fundamental para sete horas, a valorização do professor, entre tantas. Falamos muito de meio ambiente, cultura, pessoas com deficiência, esporte e lazer.

Além de propostas, para nós também é importante falar de princípios. Partidos precisam ter compromisso com a ética e com a decência. Não é slogan, é uma divisa para nortear a atividade cotidiana da política. A política existe para o bem comum. Quem entra na vida pública deve servir às pessoas, não se servir delas. Sem esse compromisso, a democracia é deturpada, virando instrumento de abusos que a comprometem.

Por isso, o tema é tão relevante. O STF foi claro: os métodos e práticas de nossos adversários de hoje são os mais deletérios e baixos da vida pública. Polícia Federal, Ministério Público e STF mostraram que o mensalão se fez com desvio de dinheiro público, compra de votos no Congresso, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha. Condenou os responsáveis à cadeia.

A quadrilha em questão, que tenta dizer o que o paulistano deve fazer com o voto, era a cúpula do governo Lula e do PT – à frente, o ex-presidente e sempre homem forte do partido José Dirceu. O mensalão e suas consequências apequenam e desmerecem a política e os eleitores. Resumem o pior da vida pública do país.

Além de fraudar a democracia – compra de votos no Congresso é um atentado grave contra o eleitor -, o mensalão teve um efeito devastador e pouco falado. O desvio de dinheiro público pela quadrilha significa que verbas que deveriam estar em hospitais, escolas, estradas, novos portos ou na agricultura foram ao bolso dos beneficiários do esquema.

O paulistano, arguto e esclarecido, sabe que com o candidato vem todo o seu partido. Partidos têm a sua maneira de encarar a política. A nossa é clara, como demonstra a história. A de nossos adversários também, como demonstram a polícia e a Justiça.

De coração leve e peito aberto, chegamos a esta votação: em paz com nosso passado, orgulhosos do presente e esperançosos do futuro. O PSDB já teve a honra de trabalhar muito pelo povo de São Paulo e do Brasil. Continuamos nos esforçando todo dia para melhorar a vida das pessoas. Temos muito ainda para conquistar juntos. O futuro nos espera.

JOSÉ SERRA, 70, é mestre e doutor em economia. Foi, no governo FHC, ministro do Planejamento (1995-1996) e da Saúde (1998-2002), além de prefeito da capital (2005-2006) e governador de São Paulo (2007-2010), candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo