Abobado

Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

Archive for fevereiro 2013

A miséria mora ao lado

with one comment

Na semana em que a presidente dentuça e incompetente anunciou o fim da pobreza extrema no país, famílias que ganham Bolsa-Família catavam comida no lixo da Esplanada — o que nos leva à pergunta: o que é ser miserável no Brasil?

A faxineira porca discursa em evento que amplia o Bolsa Família e a família de Maria Madalena

Às 11h da manhã de terça-feira, o sol abrasador do verão brasiliense invadia, com raios e calor, as frestas do barraco de papelão da catadora de papel Maria Madalena. Ela preparava a refeição das cinco filhas e do marido. O almoço seria farto na favelinha conhecida como invasão da garagem do Senado: havia uma panela com arroz branco, outra com feijão e uma terceira com carne moída. Lá, cerca de 50 almas vivem distribuídas em oito barracos de madeira e papelão, montados sobre um pequeno chão de terra — menor, por exemplo, do que o plenário do Senado. Quase todos pertencem à mesma família, que emigrou de Tabira, em Pernambuco, para a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, há 25 anos. Maria Madalena, uma mulher de 28 anos e poucos dentes, e Rodrigo, seu marido, calculam ganhar R$ 300 reais por mês com a venda de lixo reciclável, além de receber R$ 394 do programa Bolsa Família. Rosa, irmã de Maria Madalena, que também mora na invasão, não recebe Bolsa Família e tira R$ 130 reais com a venda de lixo. Para o governo, Rosa, Maria Madalena e Rodrigo não são miseráveis.

Miserável, ou “extremamente pobre”, pelos critérios dos burocratas de Brasília, é quem sobrevive com menos de R$ 70 por mês. Naquela manhã de terça, a menos de um quilômetro dali, a presidente Dilma Rousseff anunciava, numa cerimônia no Palácio do Planalto, que o governo aumentaria os gastos com o Bolsa Família, de modo que todos inscritos no programa venham a receber ao menos R$ 70 reais a partir de março. “Com o ato que assino hoje, o Brasil vira uma página decisiva na nossa longa história de exclusão social. Nessa página, está escrito que mais 2 milhões e 500 mil brasileiros e brasileiras estão deixando a extrema pobreza”, disse Dilma. Enquanto ministros, governadores e parlamentares aplaudiam Dilma, as meninas de Maria Madalena — as pequenas Giuli, de oito meses, Pamela, de 3 anos, Giovana, de seis anos, Kevelyn, de 9 anos, e Juliana, de 11 anos — preparavam-se para comer o pratinho do dia. Não era comida de supermercado. Era comida achada num lixo da Esplanada, no dia anterior. “A ideia inicial por trás deste ato hoje é esta: por não termos abandonado o nosso povo, a miséria está nos abandonando”, disse Dilma. Mais aplausos.

É do lixo que os não-miseráveis, ou pobres — ou seja lá como o governo queira qualificar agora as famílias como a da invasão — sobrevivem. Do lixo eles tiram o sustento — e do lixo, amiúde, tiram também as calorias. Homens e mulheres catam papel nas lixeiras dos ministérios da Esplanada. Cada um tem seu carrinho para fazer o serviço, feito de madeira e pneus velhos. Não há cavalos para empurrar o carrinho: é um trabalho braçal. Começa às seis da manhã e não tem hora para terminar. A cada quinze dias, eles vendem o lixo a uma empresa de reciclagem. Ganham R$ 0,26 por cada quilo de papel branco e R$ 0,10 por cada quilo de papel de jornal ou papelão. O quilo do plástico paga melhor: R$ 0,30 o quilo. Dependendo do mês, pode render R$ 150. Para os catadores, é um bom dinheirinho. Nada que se compare, vá lá, aos gastos de publicidade do governo com o ato que anunciou o fim da miséria. Somente no evento de terça no Planalto, o governo gastou R$ 275 mil, na criação de banners, folders e na decoração do palco — a conta desconsidera os gastos com publicidade. À guisa de ilustração, esse gasto bancaria um mês de Bolsa Família para 1.900 ex-miseráveis. Rosa, por exemplo, teria que trabalhar 176 anos para ganhar algo parecido. Isso nos meses de maior movimento em Brasília. Em janeiro e fevereiro, quando os parlamentares pouco ou nada trabalham, a produção de lixo cai muito — e, com ela, o sustento das famílias. “Se eles (parlamentares) não trabalham, não tem trabalho para nós”, diz Maria Madalena.

O que é ser miserável no Brasil? O governo tem razão em definir a miséria, como fazem muitos países, por um critério meramente econômico? E, ademais, R$ 70 são suficientes como piso para sobreviver? São perguntas difíceis, cujas respostas dizem muito sobre o país que queremos ser. Por um lado, é inegável que as famílias que vivem do lixo da Esplanada são gratas ao dinheiro que recebem do Bolsa Família. Mas isso não resolve a questão — a não ser que se considere aceitável alguém viver de comida achada no lixo. “A escolha da linha da extrema pobreza é política e não técnica. Decidir o nível da linha é decidir o esforço que vai se fazer para combater a miséria”, diz Marcelo Medeiros, um sociólogo da Universidade de Brasília que estuda o tema. No caso da linha adotada pelo governo brasileiro, dos R$ 70, Medeiros acrescenta: “Essa linha facilita a solução do problema, porque engloba menos gente do que se fossem R$ 150, por exemplo. Atende realmente quem tem prioridade absoluta, quem está numa condição tão extrema que pode realmente morrer de fome. Mas deixa de fora outros aspectos do que é realmente ser miserável.”

Não há régua consensual de medida da pobreza. Os árabes foram os primeiros a definir, em 1290, na enciclopédia Lisan al-Arab, que ser miserável era “não vestir roupas honradas”. Era uma forma de relacionar miséria à dignidade, não só à subsistência, como fariam os europeus tempos depois. Na tentativa de combater a pobreza em Londres, em 1870, Charles Booth decidiu mapear os pobres, criar estatísticas do que as pessoas comiam — em detrimento da dimensão humana da miséria. “Não é que ele só estivesse preocupado com a subsistência, mas é o que ele conseguia medir. É difícil medir dignidade”, diz Medeiros. Essa dificuldade, tanto conceitual quanto prática, não significa que o estado possa abandonar a busca pela dignidade dos homens. Pouco antes de Booth dedicar-se ao mapa da pobreza, a dignidade como direito inalienável de qualquer homem já havia se consagrado como um dos maiores avanços da civilização ocidental. Hoje pode parecer uma platitude, mas a ideia de que as pessoas têm o direito à vida, e portanto à dignidade, apenas por serem pessoas é uma conquista recente, que se consolidou com o Iluminismo. Um dos pensadores que melhor estabeleceram esse direito foi o alemão Immanuel Kant, na Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Para Kant, a dignidade era “algo absoluto”, e a defesa dela um imperativo moral de todos os homens: “O sentido de valor absoluto representa o que está acima de todo preço, e, por conseguinte, o que não admite equivalente, isto é, o que tem uma dignidade”.

Pastel de lixo

Rosa Maria dos Santos come restos de um pastel que achou no lixo

Rosa dos Santos, a irmã de Maria Madalena, que também mora na invasão da garagem do Senado, não conhece a dignidade de Kant. Na tarde ensolarada de quinta-feira, ela buscava o que comer no lixo da Marinha. Não demorou a encontrar sobras de pastel de carne de queijo num dos sacos pretos de lixo. Comeu com gosto, sem hesitar. E ainda deu uns pedaços à sobrinha Kevelyn. Não parou por aí. Continuou chafurdando. Achou um punhado de carne de porco. Comeu um pedaço, e dividiu os restos com a cadela Raimunda. O ritual da cata naquela lixeira é diário. São nove contêineres de lixo atrás do anexo da Marinha, no Ministério da Defesa. “A Marinha é pai e mãe de gente”, diz Rosa, enquanto traça os pastéis do lixo. “Aqui é o lixo mais rico.” Alguns funcionários do restaurante da Marinha separam o arroz, o feijão e a carne em sacos diferentes, sabendo que alguém sempre vem buscar. O cunhado de Rosa, Neto, também catador de papel, já estava ali antes, recolhendo a “lavagem”, como eles chamam os restos de comida misturada. Neto vende o que encontra na “lavagem” para um conhecido que cria porcos.

Rosa tem 36 anos e nunca estudou. Vive ali com três de seus quatro filhos — Leandro, de 17, Leonardo, de 12, e Daniel, de 11. Daiane, de 16, já se juntou com um rapaz e mudou. O marido de Rosa, José, preso há dois anos por roubo, está no regime semiaberto. Visita nos finais de semana. Os R$ 130 que Rosa ganha catando lixo são gastos com comida e remédios. Ela tem asma, e não é sempre que consegue o remédio gratuitamente. A bombinha custa R$ 40. Toma banho com pedra de sabão de soda, que compra da mãe, e com a água que busca diariamente nas torneiras dos ministérios. Enche oito galões e os empurra por meia hora num carrinho de supermercado. O banheiro são duas cabaninhas com uma caixa no meio. Ou no mato. Rosa não tem muitas esperanças de uma vida melhor: “Eu não tenho estudo, mas se tivesse ajuda para morar direito, talvez conseguisse… Do jeito que é hoje, não tenho coragem. É um desespero. Minha única alegria na vida é ver meus filhos estudando”. Rosa acha que o primeiro passo para sair da condição de miserável seria morar dignamente. Sair do lixão e do barraco de um cômodo só, em que cozinha com lenha e assiste à TV com energia roubada por meio de uma gambiarra.

Maria Madalena já tentou. Mudou-se com o companheiro e as cinco filhas para Valparaíso, na periferia de Brasília, onde alugou uma casa de dois cômodos, pela qual pagava R$ 250 de aluguel e R$ 120 de luz. Vendia marmitex no zoológico. “Com o que eu gastava de aluguel, luz e transporte, não estava dando pra pagar comida”, diz Maria. Num dia de miséria visível, colheu o capim-santo que dava no mato atrás da casa, fez um chá e refogou farinha branca com cebola para alimentar as filhas. Voltou para a invasão em outubro do ano passado. Voltou para os domínios de Dona Francisca, a matriarca da família e espécie de prefeita da invasão. Dona Francisca é uma senhora que aparenta ter 70 anos. Fala alto, bebe muito e admite não gostar das filhas. Prefere os homens. Foi ela quem trouxe a família para Brasília. Vieram todos os nove filhos, fugindo da seca e da fome. Hoje, come carne do lixo e vende sabão de soda a R$ 2 a pedra e fumo a R$ 4 para os próprios filhos — nada ali é dado, tudo é negociado, mesmo entre parentes. E quando um dos moradores recebe mais ajuda de quem passa ali para doar mantimentos e roupas ou do governo, a ciumeira se instala e irmãos se estapeiam. A escassez é também de atenção.

O governo Dilma, apesar de ter bordejado com o triunfalismo político na cerimônia de terça-feira, reconhece os limites dos critérios econômicos para a definição de miséria. Reconhece também que ainda há muito a se fazer. “A linha dos R$ 70 envolve uma discussão mais complexa, de qual o grau de solidariedade da população brasileira, qual o nível de desenvolvimento que se espera. Esse é um debate que fica daqui para frente”, diz Tiago Falcão, secretário do Ministério do Desenvolvimento Social, que cuida de programas como Bolsa Família. Enquanto esse debate não vem, as famílias da invasão do Senado são gratas à solidariedade que vasculham no lixão da Marinha.

Flavia Tavares – Época Online

Anúncios

Esquerdistas arruaceiros voltam a interromper evento com Yoani

leave a comment »

Blogueira cubana teve de abandonar bate-papo e sessão de autógrafos em uma livraria em São Paulo. "Eles gritam porque não têm argumentos", disse

Manifestantes interromperam evento com a blogueira Yoani Sánchez, em livraria em São Paulo.

Um grupo de manifestantes esquerdistas voltou a impedir de maneira agressiva na noite desta quinta-feira um evento com a presença da ativista cubana Yoani Sánchez. Desta vez, uma mesa redonda marcada no auditório de uma livraria paulistana foi cancelada meia hora depois de jovens vestidos com camisestas estampadas por símbolos comunistas passarem a interromper sistematicamente todas as perguntas feitas à blogueira. "Fascista, imperialista, mercenária", gritavam.

As ofensas só foram interrompidas por gritos do restante do público, que pedia silêncio. Yoani se manifestou diretamente aos agressores. “Gritam quando não têm argumentos”, disse.

A manifestação foi liderada por membros da União da Juventude Socialista (UJS), um grupo ligado ao PC do B. Antes do evento, nos corredores de um centro comercial da avenida Paulista, os esquerdistas se depararam com o protesto de um grupo estudantes a favor da cubana. Com faixas e cartazes onde se podia ler “Trocamos Yoani por Zé Dirceu” e “Fidel usa Adidas”, eles ironizaram e bateram boca com os membros da UJS.

O evento previa que o público mandasse perguntas por meio de folhas previamente distribuídas. Depois de cinco minutos, o método teve de ser interrompido porque os militantes não deixavam nem que as perguntas fossem lidas.

A mediadora do bate papo começou então a ler uma lista de perguntas que está circulando pela internet e são supostamente incômodas para blogueira, mas nem isso satisfez os manifestantes, que voltaram a interromper o evento. “Isso não é um comportamento civilizado”, disse a mediadora. André Tokarski, presidente da UJS, que estava presente no local e ficou visivelmente satisfeito quando Yoani abandonou o auditório.

Pouco depois, a organização desistiu do evento e uma sessão de autógrafos do livro de Yoani, De Cuba — Com Carinho, foi montada. A cubana não chegou a autografar nenhum exemplar porque o grupo impedia a aproximação de quem havia comprado a publicação. “Isso é um absurdo. Eles falam em liberdade de expressão, mas não deixam a moça falar. Eles não têm a mínima ideia do que é uma ditadura. Em Cuba, eles teriam sido fuzilados por promover uma manifestação dessas”, disse o cubano naturalizado americano Rafael Alvarez, de 60 anos, que fugiu da ilha aos 12 anos e vive em São Paulo há duas décadas.

Eventos

Mais cedo, Yoani conseguiu finalmente se expressar pela primeira vez em quatro dias sem ser interrompida. Em um debate realizado pela manhã na sede do jornal O Estado de S. Paulo, em que criticou a mudez do governo brasileiro com relação à questão dos direitos humanos em Cuba. "Há muito silêncio", disse a cubana. "Recomendaria uma posição mais enérgica."

Durante a tarde, ela gravou uma participação no programa Roda Viva, da TV Cultura. Durante a gravação Yoani disse que não acredita que o ditador Raúl Castro vai promover reformas profundas no governo autoritário do país.

“Eu não acredito que o sistema cubano seja capaz ou queira a reforma. É um sistema baseado no imobilismo. É como uma casa velha que já resistiu à falta de manutenção, a dezenas de ciclones, mas na hora em que alguém vai fazer um pequeno reparo, ela desaba por completa. Se Raul Castro reformar, ele mata sua própria criatura”, disse.

A blogueira também disse não esperar que a população se revolte à exemplo do que aconteceu durante a recente “Primavera Árabe”, quando ditaduras do Oriente Médio foram derrubadas por revoltas populares. Há uma frase em Cuba que diz que ‘um jovem prefere mostrar sua valentia enfrentando um tubarão a caminho da Flórida, do que enfrentando a repressão’”.

Yoani também reclamou da campanha de difamação que vem sofrendo, dentro e fora de Cuba, que repetidamente a acusa de ser uma agente da CIA ou trabalhar para o imperialismo americano.

“É uma estratégia para desviar a atenção. É uma estratégia fabricada. Chega a ser infantil. Quando comecei o blog, vários jornalistas me procuraram, e as pessoas chegavam e me diziam ‘ele é agente da CIA’. Eu ficava com medo e não falava. Mais tarde, quando o governo passou a me acusar da mesma coisa, eu vi que era tudo mentira, que eles eram inocentes como eu”, disse.

Veja Online

Inconformado com a visita da inimiga cubana, o PT exige que o terrorista de estimação discurse na tribuna da Câmara

leave a comment »

Em meio à discussão do requerimento encaminhado pelo DEM ao Ministério da Justiça, reivindicado medidas que garantam a segurança da blogueira Yoani Sánchez, o deputado acreano Sibá Machado, vice-líder do PT na Câmara, resolveu explicar o que o partido acha da ditadura dos irmãos Castro ─ e da visita ao Congresso da perigosa cubana. Seguem-se três dos melhores-piores momentos do besteirol em dilmês silvícola:

“Nós somos favoráveis, é a posição do nosso partido, ao governo cubano. É um governo e um partido que têm procurado uma relação diplomática com todos os países do mundo, inclusive o Irã e a Coreia do Norte, chamando para o caminho da paz e para a solidariedade”.

“Todos os regimes e sistemas de governo e econômicos do mundo têm os seus ‘a favor’ e ‘contra’, mas não se está desestabilizando nem a democracia cubana, e muito menos a brasileira”.

“Uma pessoa que discorda do governo de Fidel Castro chega ao nosso país e vira motivo de festa para o PSDB? Desculpe, mas isso é mesquinhez, baixaria, é puxar para baixo e crescer que nem rabo de cavalo na política brasileira”.

Feito o que chamou de “esclarecimento”, Sibá completou o monumento à cretinice com mais uma pirueta mental: ele acha que o convite a Yoani Sánchez foi um erro que só será reparado se a Câmara oferecer uma recepção de gala ao terrorista italiano Cesare Battisti, homiziado no Brasil para escapar da prisão perpétua no país de origem. “Vamos trazer Battisti aqui”, insistiu o porta-voz do PT, que assim justificou a sugestão:

“Que ele venha também, deem direito também até ao espaço de tribuna para a gente falar sobre esse assunto. Se for para falar de firulas de matérias internas de outros países, temos matéria de sobra para tratar nesta Casa.”

A reportagem no site de VEJA seria apenas mais uma prova de que os idiotas estão por toda parte, e abundam no PT, se o parlamentar do Acre não tivesse discursado em nome do partido (que, nesta quarta-feira, comemorou o 10° aniversário da conquista do Palácio do Planalto). Constrangedoramente tosco, o companheiro que se elegeu suplente de Marina Silva, e virou senador quando a titular se tornou ministra de Lula, pelo menos é sincero. Agora deputado federal, continua revelando o que partido prefere esconder.

É dos battistis que o PT gosta, confirmou Sibá Machado. São as yoanis que o PT não quer. Enquanto ela  conspira contra a democracia mais avançada do planeta, ele luta pela derrubada de uma ditadura feroz. Entre a Itália e Cuba, o PT fica com a ilha-presídio. Entre uma mulher que vive em busca da liberdade e um homem que matou para sufocá-la, os companheiros preferem o homicida. Faz sentido. Os petistas e os battistis nasceram uns para os outros.

Augusto Nunes

Aécio Neves: ‘Não existe monopólio do povo brasileiro’

leave a comment »

Aécio no Senado: ‘Não é mais a presidente quem governa. Hoje quem governa o país é a lógica da reeleição’

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi à tribuna, na tarde desta quarta-feira, para enumerar 13 fracassos da gestão do Partido dos Trabalhadores (PT) no governo federal. No dia em que petistas realizam evento para lembrar a marca de dez anos à frente do Palácio do Planalto, o parlamentar tucano criticou a falta de humildade e autocrítica da legenda. “Ao contrário do que quer fazer crer a propaganda oficial, o Brasil não foi descoberto pelo ano de 2003. Fato é que, no governo, deram continuidade às políticas criadas e implantadas pelo presidente Fernando Henrique. E fizeram isso sem jamais reconhecer a enorme contribuição dada pelo governo do PSDB na construção das bases que permitiram importantes conquistas alcançadas no período de governo do PT”, afirmou, enfatizando que não existe monopólio do povo brasileiro, como julgam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus aliados.

De acordo com o tucano, a data seria uma excelente oportunidade para que o PT revisitasse a sua história e reconhecesse a contribuição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para o desenvolvimento do Brasil. Lembrou que os petistas sempre optaram por um projeto de poder em detrimento do bem do povo brasileiro, em diversas ocasiões. Na presença do presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE), do líder no Senado, Aloysio Nunes e de parlamentares da bancada no Congresso, Aécio recordou que o PT negou apoio a Tancredo no Colégio Eleitoral, renegou a constituição cidadã de Ulysses Guimarães e foi contra o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

“Mas afinal, qual é o PT que celebra aniversário hoje? O que fez do discurso da ética, durante anos, a sua principal bandeira eleitoral, ou o que defende em praça pública os réus do mensalão? O que condenou com ferocidade as privatizações conduzidas pelo PSDB ou o que as realiza hoje, sem qualquer constrangimento? O que discursa defendendo um Estado forte ou o que coloca em risco as principais empresas públicas nacionais, como a Petrobras e a Eletrobras”, questionou.

Ao concluir, o senador, que foi aplaudido e cumprimentado por parlamentares tucanos e de outros partidos, afirmou que o PSDB, diferentemente do que fez o PT no governo FHC, faz uma oposição responsável e fiscalizadora. “Não fizemos oposição ao Brasil e aos brasileiros. Jamais fizemos.”

A íntegra do discurso do senador Aécio Neves

Senhor presidente,

Senhoras e senhores senadores,

Aproveito a oportunidade, extremamente emblemática, em que o Partido dos Trabalhadores festeja os seus 33 anos de existência – e uma década de exercício de poder à frente da Presidência – para emprestar-lhes alguma colaboração crítica.

Confesso que o faço neste momento completamente à vontade, haja vista a cartilha especialmente produzida pela legenda para celebrar a ocasião festiva. Nela, de forma incorreta, o PT trata como iguais as conjunturas e realidades absolutamente diferentes que marcaram os governos do PSDB e do PT.

Ao escolher comemorar o seu aniversário falando do PSDB, o PT transformou o nosso partido no convidado de honra da sua festa. Eu aceito o convite até porque temos muito o que dizer aos nossos anfitriões.

Apesar do esforço do partido em se apresentar como redentor do Brasil moderno, é justo assinalar algumas ausências importantes na celebração petista.

Nela não estão presentes a autocrítica, a humildade e o reconhecimento. Essas são algumas das matérias primas fundamentais do fazer diário da política e que, infelizmente, parecem estar sempre em falta na prática dos nossos adversários.

Mas afinal, qual é o PT que celebra aniversário hoje?

O que fez do discurso da ética, durante anos, a sua principal bandeira eleitoral, ou o que defende em praça pública os réus do mensalão?

O que condenou com ferocidade as privatizações conduzidas pelo PSDB ou o que as realiza hoje, sem qualquer constrangimento?

O que discursa defendendo um Estado forte ou o que coloca em risco as principais empresas públicas nacionais, como a Petrobras e a Eletrobrás?

O Brasil clama por saber: qual PT aniversaria hoje?

O que ocupou as ruas lutando pelas liberdades ou o que, no poder, apoia ditaduras e defende o controle da imprensa?

O PT que considerava inalienáveis os direitos individuais ou o que se sente ameaçado por uma ativista cuja única arma é a sua consciência?

A verdade é que hoje seria um bom dia para que o PT revisitasse a sua própria trajetória, não pelo espelho do narcisismo, mas pelos olhos da história. Até porque, ao contrário do que tenta fazer crer a propaganda oficial, o Brasil não foi descoberto em 2003.

Onde esteve o PT em momentos cruciais, que ajudaram o Brasil a ser o que é hoje?

Como já disse aqui, todas as vezes que o PT precisou escolher entre o PT e o Brasil, o PT escolheu o PT. Foi assim quando negou seu apoio a Tancredo no Colégio Eleitoral para garantir o nosso reencontro com a democracia. Foi assim quando renegou a constituição cidadã de Ulysses. Quando eximiu-se de qualquer contribuição à governabilidade no governo Itamar Franco e quando se opôs ao Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Em todos esses instantes o PT optou pelo projeto do PT.

Fato é que, no governo, deram continuidade às políticas criadas e implantadas pelo presidente Fernando Henrique. E fizeram isso sem jamais reconhecer a enorme contribuição dada pelo governo do PSDB na construção das bases que permitiram importantes conquistas alcançadas no período de governo do PT.

No governo ou na oposição temos as mesmas posições. Não confundimos convicção com conveniência. Nossas convicções não nos impedem de reconhecer que nossos adversários, ao prosseguirem com ações herdadas do nosso governo, alcançaram alguns avanços importantes para o Brasil.

Da mesma forma, são elas, as nossas convicções, que sustentam as críticas que fazemos aos descaminhos da atual gestão federal.

Senhoras e senhores senadores,

A presidente Dilma Rousseff chega à metade de seu mandato longe de cumprir as promessas da campanha de 2010. Há uma infinidade de compromissos simplesmente sublimados. A incapacidade de gestão se adensou, as dificuldades aumentaram e o Brasil parou. Os pilares da economia estão em rápida deterioração, colocando em risco conquistas que a sociedade brasileira logrou anos para alcançar, como a estabilidade da moeda.

Senhoras e Senhores,

Sei que a grande maioria das senadoras e senadores conhece as dezenas de incongruências deste governo, que têm feito o país adernar em um mar de ineficiência e equívocos.

Mas o resultado do conjunto da obra é bem maior do que a soma de suas partes.

Nos poucos minutos de que disponho hoje gostaria de convidá-los a percorrer comigo 13 dos maiores fracassos e das mais graves ameaças ao nosso futuro produzidos pelo governo que hoje comemora 10 anos.

Confesso que não foi fácil escolher apenas 13 pontos.

1. O comprometimento do nosso desenvolvimento
Tivemos um biênio perdido, com o PIB per capita avançando minúsculo 1%. Superamos em crescimento na região apenas o Paraguai. Um quadro inimaginável há alguns anos.

2. A paralisia do país: o PAC da propaganda e do marketing
O crítico problema da infraestrutura permanece intocado. As condições de nossas rodovias, portos e aeroportos nos empurram para as piores colocações dos rankings mundiais de competitividade. O Brasil está parado. São raras as obras que se transformaram em realidade e extenso o rol das iniciativas só serve à propaganda petista.

3. O tempo perdido: a indústria sucateada
O setor industrial – que tradicionalmente costuma pagar os melhores salários e induzir a inovação na cadeia produtiva – praticamente não tem gerado empregos. Agora começa a desempregar, como mostrou o IBGE. Estamos voltando à era JK, quando éramos meros exportadores de commodities.

4. Inflação em alta: a estabilidade ameaçada
O PT nunca valorizou a estabilidade da moeda. Na oposição, combateu o Plano Real. O resultado é que temos hoje inflação alta, persistentemente acima da meta, com baixíssimo crescimento. Quem mais perde são os mais pobres.

5. Perda da Credibilidade: a contabilidade criativa
A má gestão econômica obrigou o PT a malabarismos inéditos e manobras contábeis que estão jogando por terra a credibilidade fiscal duramente conquistada pelo país. Para fechar as contas, instaurou-se o uso promíscuo de recursos públicos, do caixa do Tesouro, de ativos do BNDES, de dividendos de estatais, de poupança do Fundo Soberano e até do FGTS dos trabalhadores. Recorro ao insuspeito ministro Delfim Neto, próximo conselheiro da presidente da republica que publicamente afirmou: “Trata-se de uma sucessão de espertezas capazes de destruir o esforço de transparência que culminou na magnífica Lei de Responsabilidade Fiscal, duramente combatida pelo Partido dos Trabalhadores na sua fase de pré entendimento da realidade nacional, mas que continua sob seu permanente ataque”. A quebra de seriedade da política econômica produzidas por tais alquimias não tem qualquer efeito pratico, mas tem custo devastador.

6. A destruição do patrimônio nacional: a derrocada da Petrobras e o desmonte das estatais
Em poucos anos, a Petrobras teve perda brutal no seu valor de mercado. É difícil para o nosso orgulho brasileiro saber que a Petrobras vale menos que a empresa petroleira da Colômbia. Como o PT conseguiu destruir as finanças da maior empresa brasileira em tão pouco tempo e de forma tão nefasta? Outras empresas estatais vão pelo mesmo caminho. Escreveu recentemente o economista José Roberto Mendonça de Barros: “Não deixa de ser curioso que o governo mais adepto do estado forte desde Geisel tenha produzido uma regulação que enfraqueceu tanto as suas companhias”.

7. O eterno país do futuro: o mito da autossuficiência e a implosão do etanol
Todos se lembram que o PT alçou a Petrobras e as descobertas do pré-sal à posição de símbolos nacionais. Anunciou em 2006, com as mãos sujas de óleo, que éramos autossuficientes na produção de petróleo e combustíveis. Pouco tempo depois, porém, não apenas somos importadores de derivados como compramos etanol dos Estados Unidos.

8. Ausência de planejamento: o risco de apagão
No ano passado, especialistas apontavam que o governo Dilma foi salvo do racionamento de energia pelo péssimo desempenho da economia, mas o risco permanece. Os “apaguinhos” só não são mais frequentes porque o parque termoelétrico herdado da gestão FHC está funcionando com capacidade máxima. A correta opção da energia eólica padece com os erros de planejamento do PT: usinas prontas não operam porque não dispõem de linhas de transmissão.

9. Desmantelamento da Federação: interesses do pais subjugados a um projeto de poder
O governo adota uma prática perversa que visa fragilizar estados e municípios com o objetivo de retirar-lhes autonomia e fazê-los curvar diante do poder central. O governo federal não assume, como deveria, o papel de coordenador das discussões vitais para a Federação como as que envolvem as dividas dos estados, os critérios de divisão do FPE e os royalties do petróleo assistindo passivamente a crescente conflagração entre as regiões e estados brasileiros. Assiste, também, ao trágico do Nordeste, onde faltam medidas contra seca.

10. Brasil inseguro: insegurança pública e o flagelo das drogas
Muitos brasileiros talvez não saibam, mas apesar da propaganda oficial, 87% de tudo investido em segurança publica no brasil vêm dos cofres municipais e estaduais e apenas 13% da União. Os gastos são decrescentes e insuficientes: no ano passado, apenas 24% dos R$ 3 bilhões previstos no Orçamento foram investidos. E isso a despeito de, entre 2011 e 2012, a União já ter reduzido em 21% seus investimentos em segurança. Um dos efeitos mais nefastos dessa omissão é a alarmante expansão do consumo de crack no país. E registro a corajosa posição do governador Geraldo Alckmin nessa questão.

11. Descaso na saúde, frustração na educação
O governo federal impediu, através da sua base no Congresso, que fosse fixado um patamar mínimo de investimento em saúde pela esfera federal. O descompromisso e as sucessivas manobras com investimentos anunciados e não executados na área agridem milhões de brasileiros. Enquanto os municípios devem dispor de 15% de seus recursos em saúde, os estados 12%, o governo federal negou-se a investir 10%. As grandes conquistas na área da saúde continuam sendo as do governo do PSDB: Saúde da Família, genéricos, política de combate à AIDS. Com a educação está acontecendo o mesmo. O governo herdou a universalização do ensino fundamental, mas foi incapaz de elevar o nível da qualidade em sala de aula. Segundo denúncias da imprensa, das 6 mil novas creches prometidas em 2010 , no final de 2012, apenas 7 haviam sido entregues.

12. O mau exemplo: o estímulo à intolerância e o autoritarismo
Setores do PT estimulam a intolerância como instrumento de ação política. Tratam adversário como inimigo a ser abatido. Tentam, e já tentaram por… cercear a liberdade de imprensa. E para tentar desqualificar as críticas, atacam e desqualificam os críticos, numa tática autoritária. Para fugir do debate democrático, transformam em alvo os que têm a coragem de apontar seus erros. A grande verdade é que o governo petista não dialoga com essa Casa, mantendo-o subordinado a seus interesses e conveniências, reduzindo- o a mero homologador de Medidas Provisórias.

13. A defesa dos maus feitos: a complacência com os desvios éticos
O recrudescimento do autoritarismo e da intolerância tem direta ligação com a complacência com que setores do petismo lidam com práticas que afrontam a consciência ética do país. Os casos de corrupção se sucedem, paralisando áreas inteiras do governo. Não falta quem chegue a defender em praça pública a prática de ilegalidades sobre a ótica de que os fins justificam os meios. Ao transformar a ética em componente menor da ação política, o PT presta enorme desserviço ao país, em especial às novas gerações.

Senhoras e senhores,

A grande verdade é, nestes dez anos, o PT está exaurindo a herança bendita que o governo Fernando Henrique lhe legou. A ameaça da inflação, a quebra de confiança dos investidores, o descalabro das contas públicas são exemplos de crônica má gestão.

No campo político, não há mais espaço para tolerar o intolerável. É intolerável, Senhoras e Senhores, a apropriação indevida da rede nacional de rádio e TV para que o governante possa combater adversários e fazer proselitismo eleitoral.

É intolerável o governo brasileiro receber de representantes de um governo amigo do PT informações para serem usadas contra uma cidadã estrangeira em visita ao nosso país.

Diariamente, assistimos serem ultrapassados os limites que deveriam separar o público do partidário.

E não falo apenas de legalidade. Falo de legitimidade. Vejo que há quem sente falta da oposição barulhenta, muitas vezes irresponsável feita pelo PT no passado.

Pois digo com absoluta clareza: não seremos e nem faremos esta oposição.

Agir como o PT agiu enquanto oposição faria com que fôssemos iguais a eles. E não somos.

Não fazemos oposição ao Brasil e aos brasileiros. Jamais fizemos.

Tentando mais uma vez dividir o país entre o nós e o eles, entre os bons e os maus, o PT foge do verdadeiro debate que interessa ao Brasil e aos brasileiros.

Como construiremos as verdadeiras bases para transformarmos a administração diária da pobreza em sua definitiva superação?

Como construiremos as bases para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável e solidário com todos os brasileiros?

A esta altura, parece ser esta uma agenda proibida, sem qualquer espaço no governismo.

Até porque, Senhoras e Senhores, se constata aqui o irremediável: não é mais a presidente quem governa. Hoje quem governa o país é a lógica da reeleição.

Muito obrigado.

Informações do site nacional do PSDB

O velho e mensaleiro PT

with one comment

O velho PT oposicionista — raivoso, sectário e, principalmente, desonesto — reacende na comemoração pelos seus dez anos no poder. Mas, a realidade é que, não tivessem Lula e Dilma sido antecedidos no cargo por Fernando Henrique, o país certamente não seria o que é hoje e o PT provavelmente teria naufragado na primeira esquina. Numa coisa o PT é, de fato, imbatível: nenhum outro partido tem em seus quadros uma turma de mensaleiros condenados à prisão.

O PT está armando um tremendo oba-oba para marcar seus dez anos de chegada ao poder. Tem todo direito de comemorar. Desde que não recorra às mistificações, mentiras e invencionices que tanto caracterizam suas mais de três décadas de trajetória. Mas esperar honestidade dos petistas é querer demais.

Há dez anos, o partido dos mensaleiros tenta vender aos brasileiros a ideia de que nossa história começou em 1° de janeiro de 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência da República Federativa do Brasil e, oito anos depois, foi sucedido por Dilma Rousseff. Tudo o que antecedeu ao reinado dos petistas é tratado como escória.

É o que o PT volta a fazer agora por meio de uma cartilha recheada de adjetivos e palavras de ordem que em tudo lembra o velho PT oposicionista: raivoso, sectário e, principalmente, torpe e desonesto. Nem dez anos no comando de uma das mais importantes nações do mundo deram aos petistas a serenidade e o decoro necessários.

A realidade é que, não tivessem Lula e Dilma sido antecedidos no cargo por Fernando Henrique Cardoso, o país certamente não seria o que é hoje. Não tivesse a gestão tucana legado à petista um país com moeda estabilizada, contas fiscais geridas em regime de responsabilidade e uma estrutura produtiva em processo de modernização, o PT provavelmente teria naufragado na primeira esquina.

Recorde-se que tanto a estabilização obtida com o Plano Real quanto a adoção da Lei de Responsabilidade Fiscal foram duramente combatidas pelo PT oposicionista, seja nos palanques, nas tribunas, no Parlamento ou na Justiça. Para os petistas, o que sempre valeu foi a máxima do hay gobierno, soy contra ou, ainda, a do “quanto pior, melhor”.

Nestes dez anos de poder, o PT valeu-se sobejamente da herança bendita tucana. Mas tudo que é bom não perdura para sempre. A falta de um novo ciclo de reformas e o mau uso que os petistas fazem das instituições estão levando à exaustão o que lhe foi legado. Como os governos petistas foram incapazes de dar novo sopro renovador ao Brasil, o país ora rateia.

Não é outra coisa o que está ocorrendo com a inflação, numa séria ameaça de descontrole dos preços que desponta no horizonte e põe em risco o orçamento familiar, principalmente o das famílias mais pobres. O mesmo acontece com as contas públicas, em franco processo de deterioração e retrocesso. E o que faz o governo do PT para se contrapor a esta situação? Simplesmente bate cabeça.

O que se passa no lado real da economia brasileira também evidencia a falência dos propósitos petistas. O estatismo anacrônico do partido dos mensaleiros conduziu o país a um gigantesco nó logístico e de infraestrutura que só timidamente ora começa a ser deslindado. Mas como? Com as privatizações — como acontece agora com os portos, as ferrovias e as rodovias — que o PT outrora tanto demonizou.

É legítimo reconhecer que os governos petistas promoveram avanços importantes na área social. Mas, para uma análise honesta, é forçoso constatar que o germe que floresceu na ascensão social, na disseminação do Bolsa Família e na recuperação do salário-mínimo foi semeado na gestão tucana.

Mas há uma coisa em que o PT é, de fato, imbatível: nenhum outro partido tem em seus quadros uma turma de mensaleiros condenados à prisão pela mais alta corte de Justiça do país. Nas comemorações pelos dez anos de poder petista, Lula e Dilma Rousseff poderão se irmanar gostosamente a José Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha, Delúbio Soares e outros tantos — enquanto, claro, eles ainda não cumprem suas penas na cadeia. Esta exclusividade ninguém tira deles.

Instituto Teotônio Vilela

FHC diz ao PT: “O Brasil não começou agora”

leave a comment »

Fernando Henrique Cardoso diz que o PT, para comemorar os dez anos na Presidência, deveria estar satisfeito com o que fez e não ficar falando o que os outros não fizeram

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) criticou nesta terça-feira, 19, a comemoração organizada pelo PT ao completar dez anos no governo federal e disse que os petistas fazem "picuinha" ao criticar a gestão tucana no País (1995-2002). Em um vídeo publicado no site Observador Político, mantido pelo Instituto FHC, o ex-presidente diz que mudou "o rumo do Brasil" e que seus sucessores não reconhecem os avanços de seu governo.

"Uma coisa engraçada é o modo de o PT comemorar. Em vez de ficar satisfeito com o que fez, não: ficam falando o que o outro não fez. Eles pensam que o Brasil começou agora. Não começou. No meu governo, eu mudei o rumo do Brasil, que estava muito desorganizado", afirma FHC.

O PT realiza nesta quarta-feira, 20, em São Paulo, um evento para celebrar seus dez anos à frente do governo federal. São esperados discursos que defendem as políticas públicas adotadas pela sigla, em comparação com marcas alcançadas no governo FHC.

O ex-presidente tucano diz no vídeo que reconhece avanços do governo do PT, mas ataca falhas nas administrações de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2014). "Eu sei reconhecer o que no passado se fez de bom no Brasil. Cada vez que o PT acerta, é bom para o Brasil. O mal é quando ele erra. Quando atrapalha a Petrobrás, atrapalha a Eletrobrás. Aí, complica. Complica não é a mim, complica o Brasil."

FHC também diz que está maduro o suficiente para "deixar para lá" as críticas de seus adversários. "A gente deve comemorar a vitória do Brasil, e não ficar o tempo todo olhando pra trás. Isso é coisa de criança, parece picuinha", afirma.

Informações do Estadão Online

Cauby Peixoto e Fafá de Belém cantam ‘Bastidores’

leave a comment »

Cauby, 60 anos de música, gravado no Teatro Fecap, São Paulo, abril de 2011

Written by Abobado

18 de fevereiro de 2013 at 01:50