Abobado

Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

Archive for maio 2013

Caxirola e a facilidade desse governo ordinário de fabricar micos

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Chocalho de Carlinhos Brown está proibido até na Copa de 2014

Os atrasos e falhas ainda preocupam, mas pelo menos de um mico o Brasil já se livrou antes da Copa do Mundo de 2014. A caxirola está oficialmente fora dos estádios da competição, anunciou nesta sexta-feira o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O chocalho de plástico inventado pelo cantor Carlinhos Brown já tinha sido descartado para a Copa das Confederações por decisão do chefe de segurança do Comitê Organizador Local (COL).

Agora, o governo se manifesta publicamente sobre o projeto bilionário que ele próprio tinha autorizado — e admite que permitir a entrada do objeto nos estádios seria arriscado. A caxirola continuará sendo vendida nas lojas, mas é improvável que o objetivo ambicioso de Brown e seus sócios — produzir até 50 milhões de unidades — seja alcançado.

A "vuvuzela brasileira" tem tudo para se confirmar como um grande fiasco, mesmo depois de ser anunciada como instrumento oficial do Mundial de 2014 durante um evento realizado no Palácio do Planalto, com a presença da presidente Dilma Rousseff, entusiasta da novidade. "Houve uma análise técnica sobre a segurança da caxirola e viu-se que não é objeto adequado. Essa posição vai ser mantida", disse Cardozo, em referência à posição já anunciada pelo COL. A empresa que fabrica a caxirola chegou a tentar mudar o projeto, deixando o objeto mais leve e flexível, mas isso não foi o bastante para convencer o governo.

No mês passado, durante uma partida entre Bahia e Vitória, torcedores da equipe tricolor protestaram atirando no gramado as caxirolas que tinham sido distribuídas gratuitamente antes do jogo. Os jogadores do Bahia tiveram de retirar os objetos de plástico do campo para que a partida pudesse ter sequência, num episódio que acabou ficando conhecido como "a revolta das caxirolas".

O chocalho de plástico foi vetado no clássico seguinte, depois de uma reunião que contou com a participação de representantes da PM, da prefeitura, da Federação Baiana de Futebol, da Justiça e de torcidas organizadas. O uso das caxirolas como arma despertou a preocupação da Fifa e do COL, que já estudava banir o objeto das partidas do Mundial para evitar qualquer tipo de risco.

Na segunda, o chefe de segurança do COL, Hilário Medeiros foi categórico ao comentar o assunto. "Não é permitida a entrada de torcedores com qualquer instrumento musical, e a caxirola entra neste quesito", avisou Medeiros em entrevista coletiva no Rio de Janeiro. "Estamos adotando isso já nos jogos-testes e, na Copa das Confederações, a regra também vai valer."

O governo federal, através do Ministério do Esporte, avisou que não tinha se pronunciado oficialmente a respeito do assunto. A pasta chancelou o projeto de Brown como uma das ações culturais oficiais do Mundial, abrindo a porta para que Brown iniciasse a captação de recursos para a empreitada.

Veja Online

Conversa com os Brasileiros

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Programa do PSDB – 30/05/13

Em seus dez minutos de duração, o programa partidário em rede nacional mostra o modo de governar do PSDB, cuidando das pessoas e fazendo bom uso do dinheiro público. Quem faz a apresentação é o presidente nacional do partido, senador Aécio Neves, e cidadãos comuns, beneficiados por ações das administrações tucanas.

Inserções abordam portas de saída para o Bolsa Família

Como narrador do programa semestral de dez minutos do PSDB, o presidente nacional do partido e pré-candidato a presidente Aécio Neves (MG) volta nesta quinta-feira em horário nobre de rádio e TV ao lado do ex-governador José Serra, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. De olho em 2014 e empenhados no projeto do partido de voltar ao poder central do país, os tucanos vão abordar os programas que deram origem ao Bolsa Família e conquistas dos governos do PSDB na área de Educação e no combate à inflação. Protagonista das inserções, que continuam no ar até o sánhado, Aécio fez questão de dar espaço no grande programa a José Serra, que será mostrado discursando na convenção nacional do último dia 18, sobre a busca da convergência não só do PSDB, mas de todas as forças da oposição para derrotar o PT.

“Vou mostrar para vocês o jeito do PSDB cuidar das pessoas”, diz Aécio, abrindo o programa que exibe pessoas simples falando do resultado de programas bem-sucedidos em várias cidades, inclusive Diamantina, reduto do senador mineiro. Em São João Del Rei, sua terra natal, Aécio aparece contando um pouco de sua história, que remete ao avô Tancredo Neves.

O programa, feito pelo publicitário Renato Pereira, sofreu ajustes de última hora para atualizar alguns temas. Quando a polêmica em torno dos pagamentos antecipados do Bolsa Família é abordada, Aécio fala da necessidade de portas de saída para os beneficiários, para que não fiquem tão dependentes: “não pode ser o objetivo de um pai deixar de herança para um filho um cartão do Bolsa Família”.

O pré-candidato tucano também abordará a importância da parceria do governo com o setor privado para o Brasil avançar nas áreas de infraestrutura: “O setor privado não é inimigo, é parceiro”.

Como nas inserções que já estão no ar desde semana passada, o programa é dirigido às classes C e D, com linguagem simples e direta. No contraponto com o PT, em vez de Lula e Dilma, que falam dos programas do partido, será mostrado o cidadão comum falando de como sua vida foi impactada com programas de gestões tucanas nos estados.

O programa vai tentar reforçar o vínculo do público com Aécio, já que as pesquisas feitas mostram que as pessoas não se identificam muito com os partidos, mas com as pessoas. Ele é conhecido praticamente só no Centro-Sul do país, depois de dois mandatos como governador de Minas. Para tentar evitar o distanciamento, ele sempre aparece sem terno, de camisa branca, e, muitas vezes, conversando com pessoas comuns.

Respostas dos jovens

Segundo a assessoria do PSDB, os grupos testados em pesquisas qualitativas mostraram uma grande empatia por Aécio mesmo entre os que não o conheciam. E essa empatia é bem explorada no programa.

A propaganda partidária do PSDB evita explorar a miséria e a pobreza, como nos programas do PT, dizem os tucanos envolvidos no projeto. Vão ser mostradas pessoas simples, mas estruturadas, trabalhando. Nas pesquisas feitas para orientar os publicitários do PSDB, principalmente os jovens mostraram grande interesse em alternativas e portas de saída para os programas assistenciais. Por isso haverá um enfoque forte em programas de emancipação dos beneficiários de bolsas.

Vai haver um foco grande também no sucesso dos programas de Educação nas gestões do PSDB. Especificamente em Minas Gerais, que, segundo os tucanos, apresenta o melhor resultado de ensino fundamental do país, de acordo com dados do Ideb.

Com informações de O Globo Online

Derrapagem na curva

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Foi mentira [da Caixa] dizer que o adiantamento deveu-se aos saques em quantidade anormal quando se sabia que a antecipação fora ordenada na véspera

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

Até pela prática autoritária e centralizadora da presidente da República, conhecida por não dar autonomia nem aos ministros "da casa", não é crível que o governo tenha deixado para o terceiro escalão uma decisão como a antecipação dos pagamentos aos beneficiários de programa tão estratégico (sob todos os aspectos) como o Bolsa Família.

Se algo tão importante quanto alterações no cronograma de liberação do dinheiro foi feito sem ao menos se informar à diretoria específica (Habitação), pior ainda. Quer dizer que nem a joia da coroa está a salvo da impressão de bagunça — política e administrativamente falando — que assola o governo de Dilma Rousseff. Sob qualquer ângulo que se olhe, a história é uma peneira.

Recapitulando: nos dias 18 e 19 de maio houve uma corrida aos caixas eletrônicos da Caixa Econômica Federal devido a boatos sobre o fim do programa. No dia seguinte, a CEF anunciou que antecipara os pagamentos para segunda-feira, 20, a fim de aplacar os ânimos dos beneficiários.

Em seguida, mudou a versão: segundo o vice-presidente responsável pela área, os saques haviam na verdade sido antecipados para o fim de semana, mas ele não sabia. Horas depois, a ministra do Desenvolvimento Social confirmou que os pagamentos haviam sido liberados por causa dos boatos.

Uma semana depois, o presidente da Caixa informou que o calendário na verdade fora alterado no dia anterior aos boatos, 17 de maio, e atribuiu a decisão à área operacional da CEF, que nada lhe comunicara.

Nesse meio tempo, a ministra dos Direitos Humanos saiu dizendo que o falatório era coisa da oposição e o ministro da Justiça declarou que havia sinais de "ação orquestrada".

Como se viu, o maestro da cacofonia foi o próprio governo. Junto a versões difundidas pela assessoria de imprensa do Palácio do Planalto sobre a "irritação" da presidente com o episódio — que, aliás, havia sido qualificado por ela como ato criminoso — , o presidente da CEF nesta segunda-feira deu uma entrevista para supostamente esclarecer as coisas.

Disse que levou uma semana para falar porque precisava "entender com clareza" o que acontecera. Ora, se real a explicação fornecida por ele, não precisava de muito esforço de compreensão.

Disse que a Caixa cometeu uma "imprecisão" decorrente do nervosismo diante do corre-corre e dos boatos. Não foi uma imprecisão, foi mentira mesmo dizer que o adiantamento deveu-se aos saques em quantidade anormal quando se sabia que a antecipação fora ordenada na véspera.

Disse que a CEF não considerou necessário avisar a ninguém — e aqui falamos dos "clientes" do programa — porque em média "apenas" 70% dos beneficiários fazem saques nos dias marcados nos respectivos cartões. Ou seja, a ampla maioria, que por si só justificaria um aviso.

O dado concreto e o efeito substantivo de uma confusão dessas é o abalo da confiabilidade do governo numa parcela da população que até agora estava alheia ao debate, digamos, de elite, sobre a ineficácia da administração federal.

O que era conversa de políticos insatisfeitos com a desarticulação no Congresso e com o trato dado a partidos aliados; o que era tema de empresários agastados com o travamento dos negócios devido à falta de infraestrutura; o que era assunto de economistas sobre alta de inflação e maquiagem de dados estatísticos, chegou àquele setor da sociedade que assegura altos índices de popularidade à presidente.

Uma derrapagem na curva capaz de abrir o mais sério flanco por onde os adversários de Dilma encontrem matéria-prima para estabelecer diálogo com o grosso da população sobre a qualidade da gestão daqueles que comandam e pretendem comandar por muito tempo o Brasil.

Opinião do Estadão: Os petralhas e a bagunça e incompetência de costume

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A presidente Dilma se vê mais uma vez no papel constrangedor de espectadora inerte da bagunça que reina no seu governo

Depois de insinuar que foram propositais os boatos sobre a extinção do Bolsa Família, que levaram multidões a agências da Caixa Econômica Federal em 13 Estados no penúltimo fim de semana — quando, em meio a filas e tumultos, R$ 152 milhões foram sacados em cerca de 900 mil operações eletrônicas —, o governo e o banco oficial continuam devendo uma explicação convincente para o ocorrido. Enquanto isso, robustecem-se as evidências de que a presidente Dilma Rousseff não sabia o que dizia quando afirmou que o rumor sobre o término do programa foi "criminoso". O mesmo vale, naturalmente, para o seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, que saiu falando em "ato de vandalismo" e "brincadeira estúpida", sem esquecer da titular da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, que atribuiu a boataria a uma "central de notícias da oposição" e precisou se retratar.

Os fatos, na realidade, apontam para a clássica combinação de incompetência e tosca tentativa de acobertamento de seus resultados — no que a gestão Dilma é pródiga. Na segunda-feira seguinte aos dois dias de pânico disseminado, um alto funcionário da Caixa, o vice-presidente de Governo e Habitação, José Urbano Duarte, apareceu na TV Globo para dizer que, diante da aflição da clientela do Bolsa Família, a instituição decidiu liberar os pagamentos a todos os inscritos, quaisquer que fossem as datas autorizadas para os saques (conforme o último dígito dos respectivos cartões). A alegação se revelou falsa. No último sábado, a Folha de S.Paulo relatou que na véspera do caos, quando apenas os portadores de cartões com final “1” poderiam receber o benefício do mês, uma surpreendida dona de casa da região metropolitana de Fortaleza já tinha conseguido sacá-lo. Só então a Caixa reconheceu que os depósitos de maio, no valor total de R$ 2 milhões, precederam a corrida às agências — e não o contrário.

A quebra da rotina correu de boca em boca, desencadeando o medo — característico em tais circunstâncias, como ensina a psicologia do rumor — de que a mudança era presságio de más notícias. No caso, o encerramento do programa que transfere R$ 151 mensais, em média, a 13,8 milhões de famílias pobres. (O Bolsa Família custa ao erário quase R$ 24 bilhões por ano.) Essa hipótese parece mais plausível do que a teoria conspiratória segundo a qual alguém, não se sabe quando, teria acionado uma empresa de telemarketing do Rio de Janeiro para difundir gravações mentirosas anunciando o fim do benefício. O que pressupõe, entre outras coisas, que a firma teria ou recebeu os números dos telefones de uma parcela, ao menos, da população assistida.

Mas por que a Caixa resolveu mudar dessa vez o sistema de pagamento? Numa entrevista, anteontem, em que pediu desculpas pelo "erro" de sustentar dias a fio a versão desmascarada sobre a data da liberação antecipada do dinheiro, o presidente da Caixa, Jorge Hereda, deu uma resposta inverossímil.

Segundo ele, o banco havia descoberto que 692 mil famílias assistidas tinham mais de um cadastro, o Número de Identificação Social (NIS), que serve para definir o dia de recebimento do Bolsa Família. Apenas o NIS mais antigo foi revalidado. "Para garantir que esses beneficiários não estivessem impedidos de buscar os seus benefícios nas datas que usualmente tinham por referência", argumentou Hereda, escolheu-se liberar tudo para todos.

O nexo entre uma coisa e outra é difícil de entender, assim como o fato de o órgão responsável pela decisão, o comitê operacional do programa, não ter se dado ao trabalho de avisar a tempo nem a direção da Caixa, muito menos a população interessada. Fica no ar a suspeita de que a instituição — antes por incompetência do que por malevolência — cometeu uma falha que se recusa a admitir e de cujos efeitos tenta se distanciar a todo custo.

O Planalto, de seu lado, está numa enrascada. Tendo reagido pavlovianamente ao episódio, ao culpar a oposição pela boataria, sem procurar saber, primeiro, qual teria sido a verdadeira origem dos saques em massa, a presidente Dilma se vê mais uma vez no papel constrangedor de espectadora inerte da bagunça que reina no seu governo.

O título da matéria foi editado.

Fim do Bolsa Família: Mentira desumana e criminosa

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Apelar para mentiras, boatos, mistificações está no DNA do PT. É um traço marcante de um grupo acostumado a agir nos subterrâneos, no submundo da política, na contramão da ética

Uma semana atrás, durante discurso em Ipojuca (PE), Dilma Rousseff classificou como “desumana” e “criminosa” a boataria envolvendo o suposto fim do Bolsa Família. O que a presidente tem a dizer agora que ficou provado que quem protagonizou a lambança foram órgãos de seu próprio governo, que por dias escondeu a verdade da população?

A Caixa Econômica Federal admitiu ontem que mentiu sobre os acontecimentos que detonaram uma corrida a agências bancárias no fim de semana retrasado. Tanto a cúpula do banco, quanto o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, já sabiam disso desde a segunda-feira passada, 20, mas só na sexta-feira, 24, apanhados pela imprensa, começaram a reconhecer o erro.

O banco antecipou, deliberadamente, o pagamento dos 13,8 milhões de benefícios do Bolsa Família para o dia anterior aos episódios que se alastraram por 13 estados. No entanto, no auge da confusão, divulgou que só fizera isso depois que os boatos já estavam correndo, no sábado, 21. Mentira. Só agora, uma semana depois, apanhada pela imprensa, a Caixa admitiu a imprecisão.

Com a vida de milhões de brasileiros, principalmente dos mais vulneráveis, não se brinca. Pelo menos, assim seria se tivéssemos um governo sério. Mas com o PT nada é como deveria ser: o partido dos mensaleiros e também dos mentirosos acusa primeiro, para investigar depois. É sua velha prática. Desta vez, porém, o tiro saiu pela culatra.

Tão logo a boataria veio a público, na semana passada, petistas de todos os calibres dispararam suas leviandades. Em Ipojuca, Dilma exaltou-se e ainda deu um jeito de dizer que a confusão interessava a quem queria trazer “intranquilidade aos milhões de brasileiros que nos últimos dez anos estão saindo da pobreza extrema”.

Maria do Rosário, ministra de Direitos Humanos, viu a atuação de uma “central de notícias da oposição”. O que ela teria a dizer agora sobre a central de lambanças do governo? Lula acusou “gente do mal”: será que estava se referindo ao presidente da Caixa e ao ministro Cardozo? Ruy Falcão denunciou “terrorismo eleitoral”. É o mesmo que seu partido se notabiliza em executar às vésperas de eleições?

Ontem, o ex-presidente insistiu: o episódio foi um “ato de vandalismo” e uma “brincadeira estúpida”. Lula está coberto de razão: ambos protagonizados por gente do mais alto escalão da República e que, portanto, merece ser responsabilizada pelo mal que causou a milhões de famílias.

Há claros indícios de que a mentira em torno das barbeiragens da Caixa e suas nefastas consequências para a vida de brasileiros atendidos pelo Bolsa Família foi sustentada por vários órgãos de governo ao longo de vários dias. Não foi somente um equívoco da Caixa; foi, para ficar nas palavras do ministro Cardozo, uma “ação orquestrada”.

Subordinada ao Ministério da Justiça, a Polícia Federal, por exemplo, desde o dia em que a história verdadeira começou a vir a público, na sexta-feira, espalha uma versão que, passados dez dias do episódio, não consegue comprovar: a de que uma central de telemarketing disseminou o boato.

Ontem, o ministro Cardozo disse que não sabe sequer se é mesmo uma central de telemarketing ou um jabuti. “Se é uma empresa, se não é uma empresa, se é de telemarketing, isto está sendo objeto de investigação”, disse ele. Agora, o ministro diz que a informação chegou à PF por intermédio de um repórter de TV…

Aparentemente, pelo menos desde o fim de semana, Dilma também já sabia que o caldo da mentira tinha entornado. Da África, no domingo, ela afirmou que a operação do Bolsa Família tem “falhas”. Provavelmente, a presidente estava se referindo às versões falsas que seu governo disseminou ao longo de mais de uma semana e que a imprensa cuidou de desmascarar.

Apelar para mentiras, boatos, mistificações está no DNA do PT. É um traço marcante de um grupo acostumado a agir nos subterrâneos, no submundo da política, na contramão da ética. O mais deplorável de tudo isso é constatar que nem o sofrimento de milhões de famílias é capaz de constranger a sanha pelo poder do partido da mentira e dos mensaleiros.

Instituto Teotônio Vilela

Uma mentira engole a outra, que engole a outra…

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O que foi que na semana passada a ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, atribuiu à central de notícias da oposição?

O que Dilma, por sua vez, chamou de “desumano e criminoso”?

Lula, de ação praticada por “gente do mal”?

José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, de “manobra orquestrada”?

E Ruy Falcão, presidente nacional do PT, de “terrorismo eleitoral”?

No sábado 18, e no dia seguinte em 13 estados, um milhão de clientes do programa Bolsa Família invadiu agências lotéricas para sacar suas mesadas fora do dia marcado. Boatos davam conta de que o programa seria extinto ou suspenso. Ou que Dilma autorizara o pagamento de um bônus.

Houve quebra-quebra. A polícia foi acionada.

A ministra Maria do Rosário corrigiu-se poucas horas depois de ter pendurado na conta da oposição as consequências dos boatos. Qualificou de “singela” sua própria opinião — não mais do que "singela". E garantiu com a inocência que Deus lhe deu: “Não quero politizar”.

Ora, ora, ora…

Quem por meio de uma “manobra orquestrada” poderia fazer “terrorismo eleitoral”? Aliados do governo? Claro que não.

Uma vez politizado o episódio, politizado está. Só que aos poucos ameaça se voltar contra o governo. Na melhor das hipóteses teria sido um caso de má gestão polvilhado com mentiras.

Entre as tardes do sábado e do domingo, quando pessoas em desespero se empurraram e depredaram agências lotéricas na caça ao tesouro do Bolsa Família, dois gerentes regionais da Caixa Econômica sugeriram que um erro do sistema de pagamento seria o responsável pela liberação do dinheiro em desacordo com o calendário do programa. Um deles, Hélio Duranti, do Maranhão, foi preciso.

“Os boatos surgiram após um atraso no pagamento do benefício ocorrido em todo o país. A situação foi normalizada, mas muita gente procurou os caixas eletrônicos ao mesmo tempo e o dinheiro acabou”, disse ele. “Quem não encontrou ficou revoltado e quebrou os caixas”.

A ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social, preferiu observar: “Não existe qualquer motivação para que a gente pudesse gerar esse tipo de intranquilidade para a população”.

Será?

A direção da Caixa Econômica atravessou a semana negando que tivesse mexido no calendário de pagamento. Até que na última sexta-feira, a Folha de S. Paulo encontrou em Caucaia, região metropolitana de Fortaleza, a dona de casa Diana dos Santos, 34 anos. Na sexta anterior ela fora a um caixa eletrônico sacar os R$ 32,00 do Bolsa Família referentes a abril. Ao inserir seu cartão, sacou os R$ 32,00 de abril e os R$ 32,00 de maio.

“Recebo o Bolsa Família há anos e nunca pagaram antecipadamente”, comentou Diana. “Acho que outras pessoas receberam também, avisaram aos conhecidos e virou essa confusão”.

A Caixa inventou então outra história depois que se desmanchou no ar a história que ela vinha contando. Soltou uma nota dizendo:

— A Caixa Econômica esclarece que vem realizando, desde março, diversas melhorias no Cadastro de Informações Sociais. Em consequência desse procedimento, na sexta-feira (17), primeiro dia do calendário de pagamentos de benefícios do Bolsa Família do mês de maio, o banco disponibilizou o saque independentemente do calendário individual.

O pagamento é feito levando-se em conta o último número do cartão magnético de cada bolsista. A Caixa liberou o dinheiro para pagar de vez a todo mundo, mas não avisou a ninguém. De resto, não explicou como uma operação dessa natureza pode melhorar seu Cadastro de Informações Sociais.

É razoável desconfiar que a Caixa mentiu outra vez.

Para mudar o sistema de pagamento do Bolsa Família permitindo saques em outras datas, o Conselho Deliberativo da Caixa teria de ser obrigatoriamente consultado — e não foi, segundo me contou um dos seus membros. Ou informado — e também não foi.

A Caixa esconde que houve uma falha no sistema, o que tornou possíveis os pagamentos fora de hora.

No dia em que a Folha pegou a mentira da Caixa, uma fonte da Polícia Federal, mediante a garantia prévia de anonimato, revelou ao O Globo em Brasília que fora localizada no Rio de Janeiro a central de telemarketing responsável pela difusão dos boatos.

Não disse o nome da central. Nem do seu proprietário. Não disse quem a contratou. Nem como a central teve acesso aos números de telefones de inscritos no Bolsa Família.

Sem acesso aos números de telefones como a central poderia disseminar boatos?

Enquanto a Polícia Federal não revelar o nome da empresa e não apresentar o criminoso que encomendou o serviço, sobreviverá a suspeita de que ela mente para livrar a cara da Caixa Econômica.

Ricardo Noblat

Tem orelha e rabo de petralha: Caixa alterou calendário do Bolsa Família na véspera de boato sobre fim do programa

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Um dia antes do início dos boatos que causaram filas e tumultos em 13 Estados brasileiros, a Caixa Econômica Federal alterou, sem aviso prévio, todo o calendário de pagamento do Bolsa Família. Todos os benefícios, em um total de R$ 2 bilhões, foram liberados de uma só vez nas contas das 13,8 milhões famílias atendidas. A informação, confirmada pela Caixa ontem, contraria a versão que o banco estatal vinha divulgando desde o início do caso.

Leia mais:
Dona de casa fez saque na sexta-feira anterior ao corre-corre

A liberação de todos os benefícios se deu na sexta-feira da semana passada, dia 17. No dia seguinte, movidas por boatos sobre o fim do programa e um suposto pagamento extra pelo Dia das Mães, entre outros, milhares de pessoas foram a agências para sacar o benefício. O tumulto — que incluiu depredação de caixas eletrônicos — levou petistas a acusar a oposição de estar por trás dos boatos sobre o fim do programa.

Mudança

Segundo a regra oficial, o pagamento do Bolsa Família é feito de forma escalonada, seguindo a ordem do último número no cartão. Em maio, por exemplo, aqueles com cartão de final "1" receberiam o pagamento a partir do dia 17, e, assim por diante, até os com o final "0", no dia 31.

A Folha descobriu essa mudança no calendário, negada durante toda a semana pela Caixa, por meio de uma dona de casa da região metropolitana de Fortaleza. Diana dos Santos, 34, do município de Caucaia, apresentou à reportagem comprovante do saque do benefício na sexta-feira, o que mostra a antecipação do pagamento em 12 dias.

É muita coincidência: Diana dos Santos — Tem cartão com final "9". Ela só poderia receber o benefício em 29 de maio, mas sacou o dinheiro no dia 17. Pagamento antecipado em 12 dias

“Recebo Bolsa Família há anos e nunca pagaram antecipado. Aí achei estranho, mas fiquei feliz e peguei o dinheiro. Acho que outras pessoas também conseguiram receber antecipado, foram avisando aos conhecidos e virou essa confusão", disse.

Confrontada pela Folha a Caixa mudou a versão oficial. Afirmou que, por causa de ações em busca de "melhorias no Cadastro de Informações Sociais", o banco "optou por permitir o saque pelos beneficiários independentemente do calendário individual" na sexta-feira, dia 17.

A Caixa disse que antecipou o benefício em outras ocasiões, como em calamidades, e disse que não informou os beneficiários sobre essa antecipação do pagamento.

Carro-chefe social da gestão petista, o Bolsa Família tem orçamento anual de R$ 23,95 bilhões. Cada família recebe R$ 151,09 em média.

Ainda no domingo, o Ministério do Desenvolvimento Social, responsável pelo Bolsa Família, divulgou nota para negar o fim do programa e afirmar que o calendário de pagamentos estava mantido. No dia seguinte, a presidente Dilma Rousseff chamou de "criminoso" e "desumano" o responsável pelos boatos. Dois dias depois, o ex-presidente Lula associou a boataria a "gente do mal".

Após ordem do governo, a Polícia Federal começou a investigar a história. Entre os casos investigados, estão o de pessoas que dizem ter recebido ligações com gravação eletrônica falando sobre o fim do programa.

Folha Online