Abobado

Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

Archive for junho 8th, 2013

Opinião do Estadão: Puro vandalismo

with one comment

O prefeito Fernando Haddad, PT, em vez de condenar o vandalismo promovido pelo Movimento Passe Livre, se apressou a informar que está aberto ao diálogo

Não passou de um festival de vandalismo a manifestação de protesto contra o aumento da tarifa de ônibus, metrô e trem, que na quinta-feira paralisou importantes vias da capital paulista, entre 18 e 21 horas.

Esse é mais um dia que vai entrar para a já longa lista daqueles em que a maior cidade do País ficou refém de bandos de irresponsáveis, travestidos de manifestantes. Apesar de há muito o atrevimento desses grupos não ser uma novidade para os paulistanos, desta vez a população teve motivos para se assustar mais do que por ocasião de outros protestos, por causa de sua fúria destrutiva.

Comandados pelo Movimento Passe Livre (MPL) — integrado principalmente por estudantes das alas radicais dos partidos PSOL e PSTU —, os integrantes do protesto começaram as depredações por volta das 18 horas, quando saíram de frente da sede da Prefeitura, no Anhangabaú, em direção às Avenidas Paulista, 23 de Maio e 9 de Julho. Encapuzados, os integrantes dos grupos mais violentos puseram fogo em sacos de lixo no meio dessas vias, para interromper o trânsito e aterrorizar os passantes.

Em sua caminhada, atacaram viaturas da São Paulo Transportes (SPTrans), empresa estatal que gerencia o serviço de ônibus, destruíram lixeiras, arrancaram fiação de iluminação pública e, na Paulista, depredaram guaritas da Polícia Militar (PM) e as estações Brigadeiro e Trianon-Masp do Metrô. Várias lojas e o Shopping Paulista tiveram de fechar as portas, por orientação da polícia, para evitar invasões e saques. O Movimento Passe Livre não parou inteiramente a cidade, como prometera, mas conseguiu perturbar a vida de boa parte dela e assustar a população.

A PM, recebida a pedradas, tentou conter a baderna, ainda no Anhangabaú, com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha. Mas não conseguiu. Sua ação só foi mais eficiente na liberação das pistas da Paulista, tomadas nos dois sentidos pelos manifestantes. Um dia de fúria, que deixou saldo de 50 pessoas feridas e 15 presas, entre elas o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres.

Para tentar entender esse protesto, é preciso levar em conta as muitas coisas que estão por trás dele. Uma delas é o fato de o Movimento Passe Livre ser pura e simplesmente contra qualquer tarifa, ou, se se preferir, a favor de uma tarifa zero. Ele não se opõe ao aumento da tarifa de R$ 3 para R$ 3,20, mas a ela própria. Ou seja, não há acordo possível e, como seus militantes são radicais, qualquer manifestação que promovam só pode acabar em violência. As autoridades da área de segurança pública, já sabendo disso, deveriam ter determinado à polícia que agisse, desde o início do protesto, com maior rigor.

Não se pode deixar de considerar também que o aumento da inflação e o clima de insegurança e insatisfação que ele cria certamente desempenharam um papel nesses protestos, porque o reajuste de tarifas de transporte público, mesmo modesto como o de São Paulo, é sempre visto com maus olhos nessa circunstância. Tanto é assim que houve manifestações semelhantes, embora menos violentas, no Rio, em Goiânia e em Natal. Em nenhuma dessas cidades consta que existam movimentos como o MPL, pelo menos não com nível de organização e capacidade de mobilização como em São Paulo.

Deve-se levar em conta ainda que a capital paulista está pagando o preço da falta de firmeza das autoridades — ao longo das últimas décadas — diante de manifestações selvagens como a de quinta-feira. Pequenos grupos aguerridos — o protesto do MPL reuniu apenas cerca de mil manifestantes — param quando querem a Avenida Paulista e outras vias importantes da cidade, desconhecendo solenemente as proibições existentes nesse sentido.

Para não ficar mal com os chamados movimentos sociais, por razões políticas, as autoridades têm tolerado os seus desmandos. Agora mesmo, o prefeito Fernando Haddad, em vez de condenar o vandalismo promovido pelo Movimento Passe Livre, se apressou a informar que está aberto ao diálogo. Vai discutir com esse bando de vândalos a tarifa zero?

Devolve meu dinheiro, petralha vagabundo: Justiça abre ação ligada ao mensalão para cobrar Dirceu

leave a comment »

A Justiça Federal em Brasília abriu o primeiro processo de improbidade contra o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) para cobrar a devolução dos valores que teriam sido desviados, sob seu comando, para o esquema do mensalão. Também respondem ao processo o deputado federal José Genoino (PT-SP), o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e outras 18 pessoas.

O Ministério Público deu início à ação em 2007, mas só agora a Justiça a aceitou. A decisão foi tomada no início do mês passado, dias depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) publicar o acórdão com a sentença do julgamento do mensalão, que condenou Dirceu a dez anos e dez meses de prisão.

A ação de improbidade pede a devolução do dinheiro que o STF concluiu ter sido distribuído a parlamentares de cinco partidos — PMDB, PT, PL (atual PR), PTB e PP — para garantir apoio do Congresso ao governo do ex-presidente Lula. Dirceu chegou a ser acusado em 2007 em uma ação de improbidade, mas foi excluído ainda na fase anterior ao processo. Na ocasião o juiz entendeu que a ação não poderia ser aplicada a um ministro de Estado.

Valores

No atual processo, o Ministério Público acusa o núcleo político do mensalão, chefiado por Dirceu, de comprar o voto de parlamentares ligados ao PP — José Janene (PR), já morto, Pedro Corrêa (PE) e Pedro Henry (MT). O pedido não fixa o valor a ser devolvido, mas acusa os parlamentares do PP de terem recebido ilegalmente R$ 4,1 milhões do esquema.

A lei da improbidade prevê a devolução do dinheiro desviado e o aplicação de multa equivalente a três vezes o valor, corrigido a partir da época dos repasses. Há ainda outras quatro ações de improbidade contra os condenados do mensalão, mas elas ainda não foram aceitas pela Justiça.

Ao todo, o STF condenou 25 réus. O valor aproximado dos repasses aos partidos alcança R$ 23,2 milhões, segundo o Ministério Público, o que, com a multa, elevaria a R$ 100 milhões o total do eventual ressarcimento.

O processo na área cível utiliza os mesmos argumentos que a Procuradoria-Geral da República usou durante o julgamento no Supremo (área criminal).

Outro Lado

A defesa de José Dirceu afirmou que o Ministério Público cometeu erro na ação e diz que ele voltará a ser excluído do processo como ocorreu na fase preliminar da outra ação de improbidade na qual ele era acusado.

O advogado de Delúbio, Sérgio Renault, afirmou que ele não cometeu nenhuma ilegalidade em suas funções partidárias e não obteve nenhuma vantagem no cargo.

Marcelo Leal, defensor de Pedro Corrêa, disse que o dinheiro repassado ao PP não configurou ato criminoso e teve como finalidade pagar o advogado de um deputado e financiar a campanha eleitoral de 2004.

A reportagem não encontrou o advogado de Pedro Henry em seu escritório no final da tarde de ontem. Procurado por meio da assessoria de seu gabinete na Câmara, Genoino não comentou.

Folha Online

Dilma informa: só pode exercer a Presidência da República gente nascida e criada em todos os estados brasileiros

leave a comment »

“Queria também comprimentá o presidente da CUT do Rio Grande do Sul, José Rodrigues Sobrinho”, tropeça Dilma Rousseff na abertura do vídeo de 53 segundos que registra um dos momentos mais delirantes da discurseira em Natal. Murmúrios na plateia avisam que a oradora errou de novo o nome do lugar em que está. “Da CUT do Rio Grande do Norte”, corrige. Em seguida, pisa no acelerador para atropelar impiedosamente a lógica, a sensatez e a língua portuguesa:

Agora, gente, vocês me desculpem, mas é que eu fui batizada recente, o batismo é recente. Lá também eu fui batizada, porque eu sou mineira de nascimento e vivi até uns 20 anos em Minas Gerais. Mas agora que me batizaram, eu estou muito feliz de ser potiguar. Sou gaúcha, potiguar, amazonense. São os três estados que eu recebi a naturalidade, que é a naturalidade no fim, ao cabo, de ser brasileira. Uma presidenta tem de ser nascida e criada em todos os estados da Federação.

Desde Jânio Quadros, o gabinete localizado no terceiro andar do Palácio do Planalto já abrigou napoleões de hospício, generais de exército da salvação, perfeitas cavalgaduras, messias de gafieira, gatunos patológicos, um ex-operário que nunca leu um livro nem sabe escrever e uma mulher que não diz coisa com coisa. Todos chegaram lá por atenderem às seis pré-condições impostas pela Constituição: ser brasileiro nato, ter a idade mínima de 35 anos, ter o pleno exercício de seus direitos políticos, ser eleitor e ter domicílio eleitoral no Brasil, ser filiado a uma agremiação ou partido político e não ter substituído o atual presidente nos seis meses antes da data marcada para a eleição.

A última frase do vídeo acrescentou ao texto constitucional uma sétima (e complicadíssima) exigência: só pode exercer a Presidência da República gente nascida e criada nos 26 estados brasileiros. Pela tranquilidade com que tratou do tema, Dilma preencheu também esse pré-requisito. É possível que o velho Rousseff, originário da Bulgária, tivesse um lado cigano que o animou a morar durante algumas semanas em todos os pedaços do país, do Oiapoque ao Chuí, das margens do Atlântico às lonjuras do oeste. Mas como nascer em lugares diferentes?

A menos que tenha atravessado a infância colecionando reencarnações, o falatório só serviu para reforçar a suspeita de que já não é preciso ter cérebro para ser presidente.

Augusto Nunes