Abobado

Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

Archive for janeiro 2014

Mais trapalhadas das faixas de ônibus

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Se as faixas exclusivas para ônibus são mesmo tudo o que dizem, por que Fernando Haddad e Gilmar Tatto não exibem estudos sérios e confiáveis provando isso?

A cada dia surgem novos sinais de que a implantação — aos trancos e barrancos — de mais de 300 quilômetros de faixas exclusivas de ônibus, no curto espaço de um ano, está muito longe de ser a maravilha que o governo de Fernando Haddad vive alardeando. Os transtornos causados pela faixa do Viaduto Pacaembu, mostrados em reportagem do Estado, são exemplo das consequências de decisões dessa importância tomadas sem estudos prévios. Se existem, permanecem guardados a sete chaves.

Desde que foi inaugurada no final do ano, estava evidente para qualquer observador minimamente atento que era praticamente impossível que aquela faixa trouxesse os benefícios dela esperados. Se fossem mantidas as faixas de rolamento ali existentes, destinando apenas aos ônibus a da esquerda, já por eles usada habitualmente, os resultados seriam no mínimo duvidosos. Com a explicação de que era preciso deixar um espaço para os pedestres, protegido por barreira, as faixas foram reduzidas a três. Como já existia um espaço para os pedestres — e tanto era suficiente que não se conhecem registros de acidentes ali acima da média —, tudo indica que a redução se deve à forma atabalhoada e improvisada com que a Prefeitura vem implantando as faixas.

O resultado da eliminação de uma faixa só poderia ser o afunilamento do tráfego, que dispõe de quatro faixas na Avenida Pacaembu e desemboca no Viaduto. O congestionamento nessa via e suas adjacências é inevitável e vai ficar muito pior com o aumento do tráfego no fim das férias escolares. Como os técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) não viram isso? Ou então eles viram, sim, mas foram atropelados pela pressa e o improviso do secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, e do prefeito Haddad.

Para resolver o problema, a CET diz que "estão sendo desenvolvidos estudos para identificação e efetivação dos ajustes necessários para aumentar a eficiência e a eficácia do sistema de transporte público coletivo e diminuir o impacto gerado pela faixa exclusiva". Deixando de lado a linguagem arrevesada da CET, o que se deseja saber é por que, diabos, esses estudos não foram feitos antes, já que era evidente que o afunilamento aconteceria.

Essa falta de planejamento fica também evidente na mais recente faixa implantada, nas Ruas Cerro Corá e Heitor Penteado. Ela é exclusiva para os ônibus de segunda a sexta-feira das 6 às 9 horas, no sentido centro, e das 17 às 20 horas, no sentido bairro. Nesses horários o comércio se ressente fortemente da limitação, porque, como essas faixas são à direita, os carros não podem nem parar para deixar os clientes.

Além disso, nessas duas ruas os carros dispõem agora de apenas uma faixa naqueles horários, o que está congestionando o trânsito. Chamar a implantação das faixas de Operação Dá Licença para o Ônibus é uma forma demagógica e irresponsável de iludir a população, criando a falsa impressão de que para fugir dos congestionamentos basta trocar os carros pelos ônibus. Seria muito bom que isso fosse verdade, porque a prioridade deve ser mesmo para o transporte coletivo. Mas, já superlotados, os ônibus não têm condições de absorver nem mesmo uma pequena parcela dos usuários de carros, veículos que são responsáveis por um terço dos deslocamentos feitos diariamente na capital.

Se as faixas são mesmo tudo o que dizem, por que Haddad e Tatto não exibem estudos sérios e confiáveis provando isso? Divulgar declarações isoladas de um ou outro usuário contente não significa nada.

A menos que a Prefeitura tenha aderido à tese do SP-Urbanuss, o sindicato das empresas de ônibus, segundo a qual "o ganho maior está relacionado à sensação dos usuários, no que se refere à melhoria da qualidade do serviço e à percepção da importância que as autoridades passaram a dar ao transporte coletivo". Essa tese da "sensação" seria cômica, se não fosse antes uma agressão à inteligência dos paulistanos.

Editorial do Estadão

Debilidade mental crônica: Haddad, agora, admite que ação policial não atrapalhou seu programa na Cracolândia

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Prefeito volta a elogiar "parceria" com a Polícia Militar e o governo do Estado depois de ter feito duro ataque à ação policial do Denarc para prender traficantes

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), voltou a dar sinais nesta quarta-feira de que se arrependeu dos ataques contra a ação da Polícia Civil para prender traficantes na Cracolândia, no centro da capital paulista, na semana passada. Após a ação, que terminou em confronto entre policiais e usuários de crack, Haddad adotou um discurso beligerante contra a polícia e disse que a ação sabotava seu programa recém-implantado para viciados. No dia seguinte, o tom já era outro: o petista afirmou que era preciso retomar a "grande parceria" com o Estado. E nesta quarta admitiu: "Não houve prejuízo na continuidade do programa”.

“Estamos há dez dias trabalhando em conjunto para o sucesso dessa operação. [Após o conflito] Nós não perdemos a confiança dos beneficiários. Não houve prejuízo na continuidade do programa”, disse o prefeito ao apresentar um balanço do programa "Braços Abertos" — para ser beneficiado com a hospedagem em um hotel e receber 15 reais por dia, o viciado deve trabalhar quatro horas no serviço de varrição das ruas do Centro.

Haddad também voltou a elogiar a atuação da Polícia Militar: “Trata-se de agir nas duas pontas do processo, no ponto de vista do usuário em relação à sua recuperação, e no trabalho permanente e bem sucedido que a Polícia Militar vem executando com a prefeitura, usando a inteligência para proceder nas prisões em flagrante. Isso só é possível com essa parceria inédita”.

O secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella, disse que o atrito entre a administração municipal e o governo estadual está “superado”. Segundo ele, cem pessoas foram presas na Cracolândia em janeiro – 66 detenções foram efetuadas pela Polícia Civil, e 44 restantes pela Polícia Militar.

A prefeitura informou que até agora já cadastrou 370 viciados no programa, mas apenas 53 aceitaram frequentar os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), onde os dependentes químicos recebem tratamento médico para se livrar do vício.

Relembre a nota divulgada por Haddad na semana passada:

A administração municipal foi surpreendida pela ação policial repressiva realizada hoje na região da Cracolândia pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Policia Civil. A prefeitura repudia esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química. A “Operação de Braços Abertos” é uma política pública municipal pactuada com o governo estadual, que preconiza a não violência e na qual a prisão de traficantes deve ser feita sem uso desproporcional de força. Agentes da Prefeitura trabalham há seis meses para conquistar a confiança e obter a colaboração das pessoas atendidas. A administração reafirma seu empenho na solução deste problema da cidade e manifesta sua preocupação com este tipo de incidente, que pode comprometer a continuidade do programa. E expressou essa posição diretamente ao Governo do Estado.

Veja Online

Em resposta ao corrupto João Paulo Cunha, Barbosa diz que condenados devem ficar no ostracismo

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Joaquim Barbosa: ‘A imprensa brasileira presta um grande desserviço ao país ao abrir suas páginas nobres a pessoas condenadas por corrupção. Pessoas condenadas por corrupção devem ficar no ostracismo. Faz parte da pena’

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, criticou nesta segunda-feira, 27, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), condenado pelo mensalão. Para o magistrado, "condenados por corrupção devem ficar no ostracismo" e não ter espaço em "páginas nobres" de jornais. As declarações, feitas em sua chegada a Londres, foram uma resposta ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, que em entrevista publicada no domingo disse que o magistrado fez um "gesto de pirotecnia" ao decretar sua prisão no início de janeiro, mas não assinar o mandado.

As declarações de João Paulo foram feitas ao jornal Folha de S. Paulo no domingo. "Excluindo a falta de civilidade, humanidade e cordialidade do ministro, foi um gesto de pirotecnia", disse o deputado, referindo-se à decisão tomada por Barbosa no dia 6, véspera de suas férias, quando ele decretou a prisão, mas não assinou o mandado – segundo o magistrado, por falta de tempo hábil.

Nesta segunda Barbosa foi incisivo em sua crítica. "Esse senhor foi condenado pelos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal. Eu não tenho costume de dialogar com réu. Eu não falo com réu", disse, reiterando: "Não faz parte dos meus hábitos, nem dos meus métodos de trabalho ficar de conversinha com réu."

A seguir, o magistrado criticou a imprensa, sem citar nomes de publicações, por entrevistar os condenados. "A imprensa brasileira presta um grande desserviço ao país ao abrir suas páginas nobres a pessoas condenadas por corrupção. Pessoas condenadas por corrupção devem ficar no ostracismo. Faz parte da pena", entende. "A imprensa tem de saber onde está o limite do interesse público. A pessoa, quando é condenada criminalmente, perde uma boa parte dos seus direitos. Os seus direitos ficam hibernação, até que ela cumpra a pena."

Para Barbosa, entrevistas como a concedida por João Paulo Cunha passam uma imagem errada dos condenados. "No Brasil, estamos assistindo à glorificação de pessoas condenadas por corrupção à medida que os jornais abrem suas páginas a essas pessoas como se fossem verdadeiros heróis", argumentou.

Na sexta-feira, o advogado de João Paulo, Alberto Toron, já havia atacado o presidente do STF por sua decisão de decretar a prisão sem assinar o mandato. "É o fim da picada. Eu acho que não tem que dizer muito mais do que isso. E ele confortavelmente dando seu rolezinho em Paris", disse ele, referindo-se à viagem de Barbosa por Paris e Londres, onde, em meio a suas férias, teve compromissos oficiais. Então o magistrado respondeu: "Um advogado vir a público fazer grosserias preconceituosas contra um membro do Judiciário que julgou seu cliente é prova de um déficit civilizatório".

A troca pública de farpas com o deputado faz parte da controvérsia sobre a não expedição do mandado de prisão. Outro viés da polêmica foi a postura dos ministros que sucederam Barbosa na presidência interina do STF. Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski não assinaram o mandado de prisão por não considerarem a medida de acordo com o regimento interno do supremo e por não verem a urgência no caso.

Barbosa chegou a Londres no início da tarde de hoje. Ainda hoje, tinha previsto em sua agenda um encontro a portas fechadas com o parlamentar Kenneth Clarke, ex-secretário britânico de Justiça, e especialista em programas anticorrupção. Sua agenda na capital se estende até a quarta-feira, quando vai palestrar no tradicional Kings College.

Antes chegar à Inglaterra, o presidente do STF passou cinco dias em Paris, onde discursou no Conselho Constitucional – espécie de supremo francês. Pelas diárias na Europa, que misturaram compromissos oficiais com férias, o STF previu um total de R$ 14 mil em diárias de viagem.

Estadão Online

Há 50 anos, Nelson Rodrigues constatou que os idiotas estão por toda parte. Maria do Rosário confirma que já são amplamente majoritários no ministério de Dilma Rousseff

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Em maio de 2013, milhares de fregueses do Bolsa Família congestionaram as agências da Caixa Econômica Federal antes do prazo combinado para a entrega da mesada. Também surpreendida pelas correrias daquele sábado estranho, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, sacou da bolsa o Twitter e mandou bala nos suspeitos de sempre: “Boatos sobre fim do bolsa família deve (sic) ser da central de notícias da oposição. Revela posição ou desejo de quem nunca valorizou a política”. Logo se descobriu que a confusão fora provocada pelos próprios gerentes do maior programa oficial de compra de votos do mundo.

Na versão divulgada pelo alto comando da CEF, um diretor afoito ordenara, sem pedir licença aos superiores hierárquicos, que o dinheiro fosse colocado antes da hora à disposição da clientela. Retransmitida em cadeia pelos dependentes da esmola federal, a notícia da antecipação da esmola federal espalhou-se pelo país e conferiu dimensões amazônicas às filas dos beneficiários. As coisas se agravaram quando surgiu a desconfiança de que o presente inesperado era um sinal de que o programa seria encerrado. Simples assim. A oposição não teve nada com isso. Maria do Rosário nem pediu desculpas pela mensagem imbecil. E não demoraria a deixar claro que não tem cura.

Em outubro de 2013, Joselito Müller, editor de um blog humorístico, informou que a ministra, depois de confrontada com um vídeo em que um assaltante é baleado por um policial, tomara as dores do bandido. Colérica com a brincadeira, Maria do Rosário revidou com uma nota oficial beligerante. Além de encarregar a Polícia Federal da “criteriosa investigação e responsabilização dos autores da notícia mentirosa publicada”, a companheira gaúcha “solicitara à empresa que hospeda o site que retire o conteúdo difamatório do ar”.

Como a Polícia Federal tem mais o que fazer, e como o controle social da mídia ainda é só um brilho no olhar da seita lulopetista, os pedidos deram em nada. Mas Maria do Rosário não consegue viver longe das primeiras páginas. Reapareceu em novembro no cemitério de São Borja, para exaltar a exumação dos restos mortais de João Goulart: “A investigação é uma missão de Estado, humanitária, cumprida com total isenção”, caprichou a sherloque empenhada em provar que o presidente deposto em 1964 não morreu de enfarte: foi envenenado por sicários de tiranos brasileiros e uruguaios. Uma proeza dessas não tem preço, informou: “Custa menos do que uma ditadura, porque essa custou vidas, exílio, significou a morte. Estamos valorizando a democracia”.

Jango já foi devolvido à sepultura. Mas é improvável que descanse em paz enquanto a camelô de teorias amalucadas continuar em ação. Neste janeiro, Maria do Rosário confirmou que nada lhe parece tão excitante quanto a aparição de cadáveres que podem ser transformandos em cabos eleitorais. Entusiasmada com a história do jovem gay cujo corpo foi encontrado sob um viaduto no centro de São Paulo, nem esperou que a polícia começasse as investigações para incorporar simultaneamente três personagens: o delegado que identifica culpados em cinco minutos, o promotor que dispensa provas para exigir a punição dos carrascos e o juiz que condena sem sequer folhear os autos.

Maria do Rosário resolveu tudo com outra nota oficial cuja essência é reproduzida a seguir:

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República vem a público manifestar solidariedade à família de Kaique Augusto Batista dos Santos, assassinado brutalmente no último sábado (11/01). (…) “As circunstâncias do episódio e as condições do corpo da vítima indicam que se trata de mais um crime de ódio e intolerância motivado por homofobia. (…) Diante desse quadro, reiteramos a necessidade de que o Congresso Nacional aprove legislação que explicitamente puna os crimes de ódio e intolerância motivados por homofobia no Brasil, para um efetivo enfrentamento dessas violações de Direitos Humanos.

Nesta terça-feira, a mãe de Kaique admitiu que o filho cometeu suicídio, hipótese robustecida por mensagens escritas por Kaique, filmes e depoimentos. Os que embarcaram nas fantasias de Maria do Rosário vão caindo fora da nau dos insensatos. Maria do Rosário continua por lá. E continua ministra. É o Brasil.

Foi Nelson Rodrigues quem constatou que os idiotas estavam por toda parte. Menos de 50 anos depois da descoberta, os cretinos fundamentais são amplamente majoritários no primeiro escalão do governo federal.

Augusto Nunes

Meritocracia na Polícia de São Paulo

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O prêmio à competência é um importante mecanismo de estímulo para que haja trabalho em equipe e, principalmente, para que os bons policiais se sintam verdadeiramente prestigiados por sua dedicação

O governo de São Paulo está no caminho certo ao adotar a meritocracia na segurança pública, conforme o programa recentemente anunciado pelo governador Geraldo Alckmin. De acordo com o plano, os policiais que atingirem determinadas metas de redução de criminalidade receberão bônus de até R$ 2 mil por trimestre.

A medida consta de projeto que foi enviado à Assembleia Legislativa no mês passado e que deve ser aprovado em fevereiro, com efeito retroativo a janeiro — os primeiros bônus devem ser pagos já em abril. "O bônus vem para premiar aqueles que vão além do cumprimento do dever", disse o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira.

Segundo o Instituto Sou da Paz, responsável pela elaboração do plano de metas, o modelo resultou de amplo debate com especialistas e "é uma aposta de que é possível reduzir o crime por meio de práticas de gestão que valorizem o policial e enfrentem o desafio da integração das polícias, ao mesmo tempo que profissionalizam e controlam sua atividade cotidiana". Experiências semelhantes, razoavelmente bem-sucedidas, já ocorrem no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

Vieira explicou que os indicadores criminais serão divididos em três núcleos estratégicos, que vão compor as metas: crimes "que tiram a vida", isto é, homicídios e latrocínios (roubos seguidos de morte); crimes de "impacto social", como assaltos; e "crimes importantes na cadeia da economia", como roubo de veículos. Este último teve aumento significativo em 2013, atingindo, em novembro, a maior incidência em 12 anos.

Para mensurar os indicadores de atribuição dos bônus, haverá uma divisão geográfica dos resultados. Será aferido o desempenho em todo o Estado, nas regiões de cada unidade policial e, finalmente, nas chamadas "áreas compartilhadas", onde devem atuar, em conjunto, as diversas polícias do Estado.

As metas a serem atingidas, que sofrerão revisão periódica, serão específicas para cada uma dessas divisões e levarão em conta suas singularidades, como perfil demográfico, tipo de localidade (se residencial ou comercial) e incidência da criminalidade.

O sistema de premiação considera os resultados locais e estaduais em conjunto. Por exemplo: o policial receberá o bônus máximo (R$ 2 mil) se fizer parte de uma área que atingir integralmente sua meta e se o Estado também conseguir atingir a sua. O prêmio cai para R$ 1,5 mil se sua área atingir a meta, mas o Estado ficar até 3% abaixo dela. O piso da bonificação é de R$ 250, pago quando tanto o Estado quanto os policiais atingirem apenas dois dos três indicadores que formam a meta.

Se o policial fizer parte de uma das cinco áreas com a maior redução em relação à meta estabelecida no trimestre, receberá outros R$ 3 mil de bônus. Por ano, a premiação pode representar R$ 20 mil a mais na remuneração dos policiais. No caso de policiais de unidades especializadas, o bônus será pago somente conforme o resultado do Estado. Agentes de áreas administrativas e oficiais em postos de comando estão fora do programa de incentivos.

Para o primeiro trimestre, a meta de redução de homicídios dolosos e de latrocínios é de 7%, enquanto o objetivo em relação aos demais crimes é ao menos evitar o crescimento. Haverá desconto progressivo nos bônus se os indicadores de latrocínio crescerem, o que dá a dimensão da importância dada a esse tipo de crime — que, nas palavras do secretário Vieira, "abala demais a sensação de segurança". Também haverá desconto na premiação se houver mortos por ação da polícia, mas a aplicação desse redutor dependerá da avaliação do secretário de Segurança, que levará em conta as circunstâncias de cada caso.

É evidente que apenas o bônus não basta para melhorar o trabalho de segurança pública. Faltam, entre outras coisas, um plano de carreira para os policiais e maior cooperação entre as diversas polícias. No entanto, o prêmio à competência é um importante mecanismo de estímulo para que haja trabalho em equipe e, principalmente, para que os bons policiais se sintam verdadeiramente prestigiados por sua dedicação.

Editorial do Estadão

Petralhas no comando – Obra de ferrovia no Piauí já consumiu R$ 1 bilhão, parou e vai atrasar 6 anos

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Orçamento da obra saltou de R$ 4,5 bilhões, em 2007, para R$ 7,5 bilhões. Transnordestina foi prometida para 2010, mas a nova previsão é para 2016

13/12/2010 – O maior picatera do país e as obras de papel

As obras da ferrovia Transnordestina no sertão do Piauí, que já consumiram R$ 1,075 bilhão e deveriam ter sido entregues em 2010, estão paralisadas e abandonadas desde setembro de 2013, quando o contrato entre a concessionária Transnordestina Logística S/A (TLSA) e a construtora Odebrecht foi rescindido. O valor investido no trecho piauiense corresponde a mais de dois terços do total de R$ 1,456 bilhão previsto após um recente financiamento complementar feito pelo governo federal.

O G1 visitou trechos da ferrovia em obras nas cidades de Paulistana e Curral Novo do Piauí e não viu trabalhadores ou máquinas em ação. O nome da empreiteira contratada para o trabalho já não consta mais nas placas.

Segundo o Ministério dos Transportes, foram executados apenas 42% dos trabalhos de infraestrutura e 35% das obras de arte especiais – pontes e viadutos – nos 420 quilômetros da linha entre as cidades de Eliseu Martins (PI) e Trindade (PE).

O orçamento total para a construção nos três estados saltou de R$ 4,5 bilhões, em 2007, para R$ 7,5 bilhões, em 2013. O G1 procurou a Transnordestina Logística S.A. por telefone e e-mails entre os meses de novembro e dezembro do ano passado, mas a empresa não detalha o que já foi feito no trecho com o dinheiro. O Tribunal de Contas da União disse que não encontrou irregularidades até o momento.

A ferrovia começou a ser construída em junho de 2006, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e deveria ter ficado pronta quatro anos depois, ao final do mandato. De acordo com o governo federal, o projeto prevê 2.304 quilômetros de ferrovia, beneficiando 81 municípios – 19 no Piauí, 28 no Ceará e 34 em Pernambuco.

O atraso na conclusão da ferrovia Transnordestina prejudica a expansão do agronegócio e da mineração no Piauí, que vê nesse empreendimento a chance de potencializar o transporte de cargas, escoando grãos e minérios até o mar a custos mais baixos. O estado já tem ferrovias que vão até os portos de Pecém (CE) e Itaqui (MA), mas a Transnordestina ligaria as regiões de agronegócios e de mineração ao porto de Suape (PE).

Inicialmente, a ferrovia seria construída pelo governo federal, mas por falta de verba e a entraves burocráticos, o projeto foi entregue para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que criou a empresa Transnordestina Logística S.A. (TLSA) para ser concessionária da obra. O governo federal então firmou compromisso de garantir financiamentos de bancos e órgãos públicos. Já os estados envolvidos ficaram responsáveis pelas desapropriações.

A ferrovia Trasnordestina não faz parte do Programa de Investimento em Logística (PIL), criado em agosto de 2012 para destravar gargalos históricos do transporte e aquecer a economia brasileira em meio à crise internacional. A previsão era investir R$ 91 bilhões na construção de 10 mil quilômetros de ferrovias, mas, até agora, nenhum trecho foi leiloado.

Um dos motivos para o fracasso foi a desconfiança do empresariado em relação aos projetos, principalmente por conta da participação da estatal Valec no negócio. Para reverter o quadro, o governo decidiu terceirizar a produção de projetos para construção de novas ferrovias, que agora serão elaborados pelo setor privado.

Além disso, o Tribunal de Contas da União (TCU) pediu uma série de correções no projeto para reduzir custos e só aprovou o novo modelo de concessão no fim de 2013. A empresa; vencedora do leilão vai apenas construir, manter e operar as linhas. Toda a capacidade de transporte de carga por esses trilhos será comprada pela Valec. O plano garante livre acesso aos trilhos, o que deve levar a concorrência e queda de preço no transporte de cargas, mas a estatal assume o risco de prejuízo caso a demanda das empresas transportadoras seja menor que o previsto.

O governo espera fazer o primeiro leilão até março de 2014.

Dinheiro público jogado no lixo e muita pilantragem: Estrutura da ferrovia no sertão do Piauí está abandonada com paralisação da obra

Atraso de seis anos

Segundo o Ministério dos Transportes, greves depois do descumprimento de acordo coletivo relativo ao pagamento de gratificações aos operários, quebra de acordos e atrasos nas desapropriações são alguns dos fatores que contribuíram para o atraso na Transnordestina. Ao G1 o ministério disse que o governo não tem qualquer participação ou intervenção nas relações contratuais entre a concessionária e as construtoras que executam a obra, e garantiu que cobra os resultados estabelecidos nos acordos de financiamento e no contrato de concessão, firmado e fiscalizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Em nota, a construtora Odebrecht informou que a rescisão com a Transnordestina Logística S.A. foi feita de maneira amigável, mas não disse o que motivou a empreiteira a romper o contrato. A Transnordestina também foi procurada, mas não quis comentar nada sobre o assunto.

O governo federal afirmou que, após a saída da Odebrecht, a Transnordestina Logística está contratando novas empresas para a retomada das obras. A previsão da concessionária era de reiniciar os trabalhos em dezembro de 2013 e entregar a ferrovia concluída em setembro de 2016, com seis anos de atraso em relação ao prazo inicial e cinco anos além do previsto no cronograma do balanço quadrimestral do PAC 2, divulgado dia 17 de outubro de 2013.

Até o último balanço, o governo ainda via a possibilidade de ter a Transnordestina concluída no fim de 2015. Em setembro, no entanto, o acordo dos acionistas foi renegociado e novas cláusulas foram impostas, depois das discussões entre a Companhia Siderúrgica Nacional e o Ministério dos Transportes.

O único trecho com possibilidade de ser concluído ainda em 2014, segundo balanço do PAC, fica entre Salgueiro (PE) e Trindade (PE). O pedaço tem 163 km de extensão e está previsto para setembro. Os demais trechos, que somam mais de 90% da extensão total da ferrovia, só vão ficar prontos entre junho e setembro de 2016.

Atraso para o agronegócio

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico (Sedet), a ferrovia vai dobrar o volume de exportações da soja no estado. O atraso na construção e a ausência de um porto no estado são os maiores problemas para o desenvolvimento do agronegócio no Piauí. Entre 2009 e 2011, foram exportados mais de R$ 183 milhões pelo Porto de Itaqui, em São Luís (MA), e R$ 156 milhões pelo Porto de Pecém, em São Gonçalo do Amarante (CE).

Para o secretário de Desenvolvimento, Warton Santos, a conclusão da ferrovia é esperada com ansiedade pelos setores produtivos. "A ferrovia Transnordestina vai cortar mais de 1 mil km da região dos Cerrados Piauienses, que mais cresce na produção de soja, algodão e milho, além de minérios. Para se ter uma ideia, a mineradora Bemisa, que tem projetos implantados na Bahia, Minas Gerais, Goiás, Pará e Mato Grosso, instalou-se recentemente na região a investiu mais de US$ 5 milhões", afirmou.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja do Piauí (Aprosoja), Moysés Barjud, disse que a Transnordestina possibilitará a redução de custos, já que o transporte rodoviário aconteceria somente até a cidade de Eliseu Martins. No entanto, a associação ainda não tem um cálculo sobre o tamanho da redução, que dependerá do preço do transporte ferroviário até o porto.

"Os benefícios dessa obra são imensos e evidentes: facilitação da chegada dos insumos agrícolas até as fazendas – o que, indiretamente, gera um incremento tecnológico e produtivo dos empreendimentos agrícolas – e, é claro, no escoamento da produção", afirmou Barjud.

Apesar de toda a expectativa dos produtores e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico, a ferrovia não é bem vista pelo secretário estadual de Transportes, Avelino Neiva, que chegou a declarar durante a apresentação do Plano de Desenvolvimento Econômico Sustentável (PDES), que aconteceu na última semana de novembro, que a obra é um projeto mal traçado e que não agregará valor nenhum ao estado.

"O Piauí se transformará em um mero exportador de matéria-prima. Não teremos nenhum valor agregado com essa obra. Poderíamos ter 30% do valor que está sendo investido nela, algo em torno de R$ 2,5 bilhões, para construir 700 km de ferrovia partindo do ponto onde foi iniciada a Transnordestina no Piauí até o Porto de Luís Correia. Dessa forma não iríamos apenas fazer o transporte de produtos, mas agregar valor econômico aqui e gerar riquezas. Se eu tivesse sido ouvido na época do seu traçado, nunca teria aprovado essa obra, mas já é um fato consumado e temos que aprender a viver inteligentemente com isso", declarou.

Abandono: A reportagem do G1 visitou trechos da obra da ferrovia e não encontrou trabalhadores ou máquinas

Portal G1

Mulher de malandro decidirá eleição

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O eleitorado diz que quer mudança, mas pretende reeleger Dilma. É puro chavismo

O Brasil está fazendo tudo certo para se tornar, em 2014, um país pior. Segundo uma pesquisa Datafolha, 66% dos brasileiros querem mudanças no governo. É um dado novo e expressivo. Parece mostrar que a população enfim percebeu como é governada, descobriu o engodo administrativo que avacalha as contas públicas brasileiras. E como o Brasil quer mudar esse estado de coisas? Elegendo Dilma Rousseff no primeiro turno. É o que dizem o Datafolha e todos os institutos de pesquisa. Ou seja: o eleitorado brasileiro concorre ao troféu mulher de malandro 2014.

E esse eleitorado que quer mudanças no governo tem uma carta na manga. É um não candidato, mas que, se entrar no páreo, torna-se o único nome nacional capaz de derrotar Dilma: Lula. Como se vê, o Brasil quer mudar mesmo.

Esse fenômeno tem uma explicação muito simples, que os cientistas políticos negam desesperadamente, numa espécie de otimismo avestruz. O fenômeno se chama chavismo. É ele, e só ele, que explica o paradoxo da insatisfação com o governo versus apoio eleitoral ao governo. A colossal propaganda populista do petismo conseguiu dissociar nome e pessoa, conseguiu inventar o binômio do crioulo doido — administração desastrosa e governantes bonzinhos. E a culpa não é dos parasitas do PT. Eles estão no papel deles. Fazem o que sabem fazer: parasitar. A culpa é do povo. Resta apenas escolher qual a parte pior do povo: a que não enxerga ou a que faz vista grossa.

Recentemente, Dilma declarou que o IBGE faria a revisão do PIB de 2012, para cima. Antecipou que o índice de crescimento daquele ano passaria de 0,9% para 1,5% — um aumento expressivo e surpreendente. A notícia repercutiu forte, apesar do mal-estar com o fato de a presidente da República ter vazado uma informação do IBGE, uma falta grave na política de sigilo dos dados do instituto. Teoricamente, Dilma nem poderia saber daquele índice — justamente para que não haja tráfico político de estatísticas. Mas o mal-estar seria duplo.

Não bastasse o vazamento, o informante dela estava mal informado. A revisão do PIB foi de 0,9% para 1%, quase nula. Os chavistas venezuelanos e argentinos são mais eficazes na manipulação dos índices que seus governos destroem.

Esses 66% de brasileiros que sentem a inflação morder seus calcanhares não notam nada disso. Deveriam estar olhando para o outro lado quando o governo bateu cabeça em público, para o mundo inteiro ver, discutindo a melhor forma de abafar os preços dos combustíveis — para mascarar a inflação febril dos preços livres, encostando em 10% ao ano. É um imenso contingente de brasileiros divididos entre os que não veem e os que fingem que não veem a demagogia tarifária arrebentando a Petrobras e as elétricas. Assim é o chavismo: a realidade é o que o governo bonzinho diz.

Dizem que haverá nova série de manifestações durante a Copa do Mundo. Entre as pautas dos protestos estará, provavelmente, o reajuste das passagens de ônibus — porque a mentira bondosa da manutenção dos preços das passagens não poderá durar mais muito tempo. E aí já se sabe, pelo nível de esclarecimento dessa geração de manifestantes e seus amigos black blocs, que teremos mais um capítulo da já famosa Primavera Burra brasileira: quebradeira geral e risco zero para os amigos de José Dirceu que comandam o carnaval no Planalto.

O Brasil não se importou de ver um ministro da Educação panfletário e negligente usando o cargo para virar prefeito de São Paulo. Não se importa de ver um ministro da Saúde em comício permanente para ganhar o governo do Estado de São Paulo — segundo Lula, seu mentor, para tirar “os conservadores” do poder. Eles usarão para sempre a bandeira de revolucionários oprimidos, mesmo já sendo os donos quase absolutos do aparelho de Estado. Enquanto colar, está valendo — e o mensaleiro Delúbio poderá se autodenominar preso político, sem que isso seja uma piada. O Brasil não se importa que o ministro da Justiça, aquele que gritou contra o regime fechado para os mensaleiros, remeta ao Ministério Público um relatório pirata incriminando adversários políticos.

Quem acha que isso não é chavismo que vote em Dilma pela mudança. Basta de conservadorismo.

Guilherme Fiuza, ÉPOCA Online