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Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

Archive for março 23rd, 2014

Como a pilantra Ideli Salvatti usa a máquina do governo para fazer politicagem

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No comando das Relações Institucionais, ela é uma das responsáveis pela liberação de verbas para o Congresso. Os deputados de seu Estado, Santa Catarina, estão felizes com seu desempenho. Só eles
 

É muita vagabundagem: A Ideli Salvatti e o secretário da Agricultura João Rodrigues (PSD). Ela entrega um trator em Chapecó, Santa Catarina

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, parecia à vontade ao desembarcar, mais uma vez, de um jato da Aeronáutica em Joinville, Santa Catarina. Era sexta-feira, dia 7 deste mês, e Ideli pousava como ministra em sua base eleitoral — onde agiria, em seguida, como candidata às vésperas de campanha. Enquanto o pau cantava em Brasília, com deputados do Blocão fazendo fila no gabinete de Ideli, ela participava de uma cerimônia de entrega de terrenos do governo federal a famílias pobres da região. Também lançava ali o programa Minha Casa Minha Vida. Uma semana antes, Ideli estivera em Santa Catarina com o mesmo propósito eleitoral. Entregara tratores, motoniveladoras e caminhões a prefeituras do Estado. Anunciara que, em breve, o governo duplicará a principal rodovia federal de Santa Catarina. Quase toda semana é assim. Em Brasília, Ideli, a ministra que deveria controlar a base aliada do governo no Congresso, diz “não” a deputados em busca das benesses do poder: emendas parlamentares, indicação de cargos na Esplanada, participação em eventos eleitoreiros do governo — tudo o que poderia lhes dar voto neste ano. De volta a Santa Catarina, Ideli diz “sim” a si mesma e concede-se as vantagens que nega aos outros em Brasília. Ela ainda não sabe se concorrerá a uma vaga de deputada ou senadora pelo PT. Se perder, não será por falta do maior cabo eleitoral que ela tem nestas eleições: seu gabinete no Planalto.

Deputados e senadores morrem de inveja de Ideli. Falta-lhes, no entanto, um tratorzinho comprado com dinheiro público para tirar fotos. Parte da culpa, segundo eles, é da própria Ideli. Sem a canetada da Secretaria de Relações Institucionais, os R$ 15 milhões do Orçamento que cada parlamentar pode indicar anualmente para realizar obras, comprar equipamentos, pagar cursos e festas ficam congelados ou sofrem cortes significativos. “Mal conseguimos ser atendidos por ela”, diz um deputado federal do PMDB de Minas Gerais. “Até agendar uma audiência com um assessor da Ideli é difícil.” Já virou rotina no Congresso reclamar de Ideli. Alguns até relevam — dizem que Dilma não dá autonomia suficiente a ela. Segundo eles, Ideli ouve, promete e não tem como entregar. Na busca desesperada pela sobrevivência, alguns deputados fazem o impensável. Até ficam em Brasília no final do ano para tratar com Ideli. Enquanto a maioria dos colegas deixou a capital antes de 18 de dezembro do ano passado, para voltar só em fevereiro, o deputado Júlio César, do PSD do Piauí, resistiu. Com a promessa de Ideli de liberar uma emenda de R$ 1 milhão, foi ao gabinete dela nos dias 27, 30 e 31 de dezembro. Passou algumas horas na porta. Não conseguiu ser recebido por ela nem pelo secretário executivo, Claudinei do Nascimento. Desiludido, Júlio César partiu de Brasília na tarde de 31 de dezembro. Passou o Réveillon sem a emenda.

Inconformados em não ser recebidos nem por funcionários de segundo escalão, revoltados por não poder contar com o dinheiro das emendas num ano em que têm de conquistar eleitores, deputados da base aliada fizeram um levantamento para averiguar se havia dinheiro sobrando — e onde o governo investia. Descobriram que, em dezembro, mês em que o caixa do governo está mais tranquilo, o ministério de Ideli autorizou os ministérios do Turismo, das Cidades e da Agricultura a investir mais recursos no Maranhão, na Paraíba e em Minas Gerais — não por acaso, os Estados de origem, respectivamente, dos antigos ministros do Turismo, das Cidades e da Agricultura. E, claro, para a Santa Catarina de Ideli. No Ministério do Turismo, quase 13% dos recursos destinados a projetos de infraestrutura turística foram para Santa Catarina. Em valores: R$ 61 milhões, mais do que receberão outros Estados com forte vocação turística, como Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro.

No Ministério das Cidades, Santa Catarina abocanhou 10% das verbas — praticamente um empate com São Paulo, Estado com sete vezes a população catarinense. A cidade mais aquinhoada foi Brusque, que receberá quase R$ 10 milhões para duplicar estradas. O prefeito de Brusque, Paulo Eccel, é aliado de Ideli dentro do PT catarinense. O Ministério da Agricultura aprovou mais recursos para Santa Catarina do que para Estados também com forte tradição agrícola, como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O tratorzinho de Ideli é tão poderoso que colheu até a oposição. “Não posso ser injusto com a Ideli. Ela tem atendido a nossos pedidos”, afirma Marco Tebaldi, único deputado federal catarinense filiado ao PSDB, rival do PT no cenário nacional. “Fazemos uma oposição responsável.” No final de 2013, Ideli intercedeu no Ministério da Saúde por um pedido dos deputados — entre eles Tebaldi — para construir um hospital especializado no atendimento às mulheres em Joinville. O Ministério da Saúde garantiu a obra.

As incursões catarinenses são um prazer para Ideli, mas causam problemas. No ano passado, a oposição denunciou Ideli à Comissão de Ética da Presidência da República pelo uso de um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal. Equipada para resgatar vítimas de acidentes nas estradas, a aeronave foi usada para levar Ideli a inaugurações e anúncios de repasses federais no interior do Estado. A Comissão de Ética arquivou o caso. O Ministério Público Federal pretendia denunciar Ideli por improbidade administrativa e exigir que ela devolvesse R$ 35 mil aos cofres públicos. Na semana passada, arquivou a investigação por julgar que não houve irregularidade.

O episódio não tirou o ímpeto de Ideli de viajar. Em janeiro, ela dedicou cinco dias seguidos a Santa Catarina: recebeu título de cidadã honorária, visitou obras, encontrou prefeitos, prometeu mais dinheiro e acenou com uma visita da presidente Dilma Rousseff. Por meio de sua assessoria de imprensa, Ideli afirma ter cumprido, em 2013, agendas similares em todos os Estados. Diz que a aprovação de recursos repassados pelos ministérios para municípios não sofre interferência de sua Pasta. Ideli não sabe se será candidata na eleição deste ano. “Não há definição”, afirma sua assessoria. Ela gostaria de ser candidata ao Senado, mas o PT catarinense não quer apoiá-la. Existe a alternativa de ser candidata a deputada federal. A opção mais arriscada é tentar permanecer como ministra, já que o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, invade sua seara. Por via das dúvidas, Ideli segue entregando tratores, inaugurando e indo a Santa Catarina. O spa político catarinense é irresistível.

ÉPOCA Online

Roubalheira e incompetência petralha fazem Petrobrás viver inferno astral

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Pressionada por uma avalanche de denúncias de corrupção, a Petrobrás vive sua mais grave crise de credibilidade e governança. São pelo menos cinco inquéritos abertos na Polícia Federal, além de investigações no Ministério Público Federal e no Tribunal de Contas da União (TCU). A crise é também financeira, com perdas acumuladas de R$ 185 bilhões, cerca de 51% do seu valor de mercado, em três anos

Aberta às pressas na quinta-feira, a sala de crise da empresa não tem data para fechar. O clima é de desconforto, para a presidente Graça Foster, ao ver voltarem à cena as denúncias de corrupção na compra da refinaria de Pasadena, de 2006. E pelo próprio punho da presidente Dilma Rousseff, que atribuiu a aprovação da compra a falhas em relatório da empresa.

"É uma situação sem igual em 60 anos. Há um clima de revolta na empresa", avalia o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). "Não me lembro de nenhum diretor da Petrobrás que tenha sido preso", completa, citando o ex-diretor Paulo Roberto da Costa, detido pela Polícia Federal na quinta-feira.

À frente da Diretoria de Refino e Abastecimento em 2006, Costa é apontado como responsável pelo acordo de compra da refinaria de Pasadena, ao lado de Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da companhia. Cerveró, que atuava como diretor financeiro da BR Distribuidora, foi demitido na sexta-feira, em meio a uma operação do governo para blindar a presidente. Ambos os cargos teriam sido preenchidos por indicação do PMDB.

A compra de Pasadena está sendo investigada há mais de um ano pelo TCU. Após a revelação de que Dilma, então presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, votou a favor da aquisição, o relator do caso, ministro José Jorge, disse que pode convocar os conselheiros para depor. "Como regra geral do TCU, eles podem ser chamados a se explicar", afirmou.

O caso da refinaria foi o ponto de partida para abertura de cinco inquéritos somente na PF. Agentes da instituição foram aos EUA e a países vizinhos para investigar o caso. Na Holanda, eles apuram o pagamento de US$ 139 milhões pela SBM Offshore em propinas a funcionários da estatal.

O Ministério Público Federal no Rio também começou a investigar se houve irregularidade nesse pagamento, a pedido do deputado Antonio Imbassahy, líder do PSDB na Câmara.

Mercado

À crise política se somam insatisfações do mercado. Entre outubro de 2010 e dezembro de 2013, ela perdeu R$ 185 bilhões do valor de mercado. Nos últimos três meses, o tombo foi de 18%, segundo cálculos da consultoria Economática.

Há decepção com perdas causadas por defasagem no preço dos combustíveis. "O mercado esperava que a presidente retomasse o caminho de lucratividade", diz Adriano Pires. "O comportamento das ações nesta semana indica que o mercado está precificando o efeito Dilma."

Somente no ano passado as dívidas subiram mais de US$ 22 bilhões, alta de 30% em relação a 2012. A situação levou o Conselho Fiscal da empresa a registrar em ata um alerta. Em fevereiro, seus integrantes sugeriram um risco de rebaixamento pelas agências de classificação.

No Conselho de Administração houve divergências quanto às demonstrações financeiras. O conselheiro independente Mauro Cunha se opôs à sua aprovação, questionando operações contábeis que seriam usadas para encobrir as dívidas. Outros conselheiros também teriam expressado críticas.

A crise chamou atenção dos investidores internacionais, que formalizaram uma chapa para concorrer às vagas de conselheiros independentes. Encabeçado pelo fundo britânico Aberdeen Asset, o grupo avalia a governança da empresa como "crítica" e capaz de comprometer "a capacidade de investimento e expansão da Petrobrás no longo prazo". O movimento foi apoiado por duas consultorias internacionais que orientam investidores globais sobre as assembleias.

Há desconfianças ainda quanto à capacidade da Petrobrás de ampliar a produção. Na segunda-feira, em recado direto dirigido aos estaleiros nacionais, a presidente Graça Foster disse que "nada pode atrasar a curva de produção" da empresa. No mercado, a fala foi entendida como um ultimato.

Estadão Online