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Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

Archive for abril 4th, 2014

Propina na Petrobras

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As empresas de fachada, as contas em paraísos fiscais, a lista de empreiteiras — e os indícios de corrupção que o ex-diretor Paulo Roberto Costa não conseguiu destruir antes de ser preso
 

ARQUIVO: Paulo Roberto Costa, ex-executivo da Petrobras. Ele guardava provas de suas transações

Desde que a Polícia Federal prendeu Paulo Roberto Costa, o ex-executivo mais poderoso da Petrobras, há duas semanas, Brasília não dorme. Dezenas de grandes empresários, entre eles diretores das maiores empreiteiras do país e das gigantes mundiais do comércio de combustíveis, todas com negócios na Petrobras, também não. Paulo Roberto Costa era diretor de Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012. Era bancado no cargo por um consórcio entre PT, PMDB e PP, com o aval direto do ex-presidente Lula, que o chamava de “Paulinho”. Paulo Roberto Costa detém muitos dos segredos da República — aqueles que nascem da união entre o interesse de empresários em ganhar dinheiro público e do interesse de políticos em cedê-lo, mediante aquela taxa conhecida vulgarmente como propina. E se Paulo Roberto fosse descuidado e guardasse provas desses segredos? E se, uma vez descobertas pela PF, elas viessem a público? Pois Paulo Roberto guardou. Tentava destruí-las quando a Polícia Federal chegou a sua casa, há duas semanas. Mas não conseguiu se livrar de todas a tempo.

ÉPOCA obteve cópia, com exclusividade, dos principais documentos desse lote. Foram apreendidos nos endereços de Paulo Roberto no Rio de Janeiro, onde ele mora. Esses documentos — e outros que faziam parte da denúncia que levou Paulo Roberto à cadeia e ainda não tinham vindo a público — parecem confirmar os piores temores de Brasília. Paulo Roberto e o doleiro Alberto Youssef, também preso pela PF e parceiro dele, acusado de toda sorte de crime financeiro na Operação Lava Jato, eram meticulosos. Guardavam registros pormenorizados de suas operações financeiras, sem sequer recorrer a códigos. Era tudo em português claro, embora gramaticalmente sofrível. Anotavam os nomes de lobistas e empresários, quase sempre os associavam a negócios e a valores em dólares, euros e reais. Os registros continham até explicações técnicas e financeiras das operações. Os valores milionários mencionados nos documentos, suspeita a PF — uma suspeita confirmada por três envolvidos ouvidos por ÉPOCA —, referem-se a propinas pagas pelas empresas, nacionais e estrangeiras, que detinham contratos com a área da Petrobras comandada por Paulo Roberto. Os papéis já analisados pela PF (há muitos outros que ainda serão periciados) sugerem que as maiores empreiteiras do país e as principais vendedoras de combustível do planeta pagavam comissão para fazer negócio com a Petrobras.

Para compreender o esquema, cuja vastidão apenas começa a ser desvendada pela PF, é necessário entender a função desempenhada por cada um dos principais integrantes dele. Como diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto fechava, entre outros, contratos de construção e reforma de refinarias (do interesse das empreiteiras brasileiras) e de importação de combustível (do interesse das multinacionais que vendem derivados de petróleo). Paulo Roberto assinava os contratos, mas devia, em muitos momentos, fidelidade aos três partidos que o bancavam no cargo (PT, PP e PMDB). Paulo Roberto garantia a Petrobras; lobistas como Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, e Jorge Luz, ligado ao PT e ao PMDB, cujos nomes aparecem nos papéis apreendidos, garantiam as oportunidades de negócio com as grandes fornecedoras da Petrobras — e, suspeita a PF, garantiam também possíveis repasses aos políticos desses partidos. Para a PF, a Youssef cabia cuidar do dinheiro. Segundo envolvidos, essa tarefa também cabia a Humberto Sampaio de Mesquita, conhecido como Beto, genro de Paulo Roberto. Ele o ajudava nos negócios e é sócio de uma empresa que tem contrato de R$ 2,5 milhões com a Petrobras. Eram uma espécie de banco do esquema, ao providenciar empresas de fachada para receber as propinas no Brasil e nos paraísos fiscais, ao gerenciar as contas secretas e a contabilidade e ao pagar no Brasil, quando necessário, a quem de direito.

ÉPOCA Online
Diego Escosteguy e Marcelo Rocha, com Murilo Ramos, Hudson Corrêa e Leandro Loyola

PSDB e DEM vão denunciar petralha vagabundo André Vargas ao Conselho de Ética

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Oposicionistas vão entrar com representação contra o vice-presidente da Câmara por relação com doleiro preso pela PF, suspeito de participar de esquema de lavagem de dinheiro

As lideranças do PSDB e do DEM na Câmara anunciaram, nesta sexta-feira (4), que vão entrar com representação no Conselho de Ética contra o vice-presidente da Casa, André Vargas (PT-PR), por quebra de decoro parlamentar. O deputado viajou em jatinho pago pelo doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal, sob a suspeita de participar de um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 10 bilhões.

“A cada dia surgem mais elementos que comprovam a ligação dele com o doleiro preso. E a explicação que deu não convenceu. É uma situação extremamente grave, que expõe e desmoraliza o Parlamento”, afirma o vice-líder do PSDB, Nilson Leitão (MT).

De acordo com as investigações da Polícia Federal, o doleiro pediu ajuda a André Vargas numa sondagem sobre eventuais contratos do laboratório Química Fina e Biotecnologia (Labogen) com o governo federal.

Os oposicionistas alegam que o petista não foi convincente ao negar que soubesse dos negócios do doleiro, de quem se diz amigo há 20 anos. Na representação que será protocolada no início da próxima semana, o PSDB e o DEM vão sustentar que o uso da aeronave pode configurar recebimento de vantagem indevida, procedimento incompatível com o decoro parlamentar e punível com a perda do mandato.

Ontem, o líder do PSOL na Câmara, Ivan Valente (SP), pediu ao presidente Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) que acionasse a Corregedoria para investigar a conduta de André Vargas, “em nome da transparência e da imagem pública do Parlamento”.

Imprudência

Na quarta-feira (2), o vice-presidente da Câmara discursou em plenário para tentar explicar o episódio, revelado pela Folha de S. Paulo. Youssef foi preso pela Operação Lava-Jato.

Em seu discurso de defesa, o deputado negou saber dos negócios do amigo e afirmou que foi “imprudente” ao voar, durante as férias, para João Pessoa, em um jatinho do doleiro. “Claro que, com relação ao avião, eu reconheço, fui imprudente. Foi um equívoco, deveria ter evitado. Peço desculpas aqui e à minha família”, declarou.

Congresso em Foco