Abobado

Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

Archive for setembro 3rd, 2014

Petralha covarde e incompetente: Dilma falta a entrevista ao ‘Jornal da Globo’ e programa revela perguntas

leave a comment »

Com a recusa da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, de participar da série de entrevistas do "Jornal da Globo", a direção do telejornal revelou as perguntas que seriam realizadas à candidata.

"A entrevista de hoje, decidida por sorteio, será com a candidata do PT Dilma Rousseff, mas ela se recusou a dar entrevista, naturalmente, um direito dela", disse William Waack, um dos apresentadores, que ainda lembrou que desde 2002 o "JG" realiza entrevistas com os candidatos que disputam o Palácio do Planalto.

De acordo com a assessoria da TV Globo, a decisão de revelar as perguntas quando o candidato não aparece é um procedimento realizado desde 2002, como já aconteceu com candidatos que disputavam o governo do Estado ou à prefeitura.

No telejornal, a apresentadora Christiane Pelajo afirmou que "esta é a primeira vez que isso ocorre em se tratando de candidatos à Presidência". "Somente na última sexta-feira, a assessoria [de Dilma], lamentando muito, disse que a decisão final era não gravar a entrevista. Nada disso desmente a realidade de que a candidata se recusou a dar a entrevista", afirmou a Globo.

A entrevista com os candidatos à Presidência é gravada horas antes de o programa ir ao ar. Segundo a assessoria da TV Globo, a gravação foi uma solicitação dos candidatos, que pediram ainda que a entrevista fosse exibida na íntegra, sem qualquer tipo de edição ou corte.

De acordo com a TV Globo, os representantes dos candidatos participaram de duas reuniões para definir o sorteio e as datas em que seriam realizadas as entrevistas nos telejornais da emissora.

"Em 14 fevereiro de 2014, a TV Globo reuniu os partidos para explicar como seria a cobertura e seus critérios. Nessa ocasião, os partidos tomaram conhecimento das semanas em que as entrevistas seriam feitas no ‘Jornal Nacional’, no ‘Jornal da Globo’, no ‘Bom Dia Brasil’ e no ‘Jornal das Dez’ da Globo News. Na ocasião, os representantes assinaram um documento com esses dados, inclusive o representante do PT. Em 21 de julho, a TV Globo voltou a se reunir com os representantes dos partidos para o sorteio da ordem das entrevistas. Nenhum partido disse que deixaria de comparecer. Ao contrário, assinaram o documento do sorteio, sem ressalvas, inclusive o representante do PT", disse a emissora.

Nesta quarta-feira (3), será a vez de o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, participar da série de entrevistas.

PERGUNTAS QUE SERIAM FEITAS A DILMA

1. Os últimos índices oficiais de crescimento indicam que o país entrou em recessão técnica. A senhora ainda insiste em culpar a crise internacional, mesmo diante do fato de que muitos países comparáveis ao nosso estão crescendo mais?

2. A senhora continuará a represar os preços da gasolina e do diesel artificialmente para segurar a inflação, com prejuízo para a Petrobras?

3. A forma como é feita a contabilidade dos gastos públicos no Brasil, no seu governo, tem sido criticada por economistas, dentro e fora do país, e apontada como fator de quebra de confiança. Como a senhora responde a isso?

4. A senhora prometeu investir R$ 34 bilhões em saneamento básico e abastecimento de água até o fim do mandato. No fim do ano passado, tinha investido menos da metade, segundo o Ministério das Cidades. O que deu errado?

5. Em 2002, o então candidato Lula prometeu erradicar o analfabetismo, mas não conseguiu. Em 2010, foi a vez da senhora, em campanha, fazer a mesma promessa. Mas foi durante o seu mandato que o índice aumentou pela primeira vez, depois de 15 anos. Por quê?

6. A senhora considera correto dar dentes postiços para uma cidadã pobre, um pouco antes de ser feita com ela uma gravação do seu programa eleitoral de televisão?

Folha Online

Petralhas sem ter o que prometer

leave a comment »

Entra debate, sai debate, entra entrevista, sai entrevista, e uma coisa não acontece no coração da campanha eleitoral — a presidente Dilma Rousseff dizer ao perplexo eleitor o que ela pretende fazer se as urnas de outubro a mantiverem por mais quatro anos no governo do País. É uma omissão espantosa, por onde quer que se a encare. Admitindo, apenas para raciocinar e na contramão de todas as evidências, que o seu mandato tenha sido a maravilha que ela alega e que só não foi a maravilha das maravilhas por culpa de uma persistente perversão do sistema econômico mundial — a sua suposta incapacidade de se recuperar da crise financeira de 2008, ou seja, de seis anos atrás —, soa no mínimo estranho que a candidata peça um crédito de confiança válido até 2018 lastreado exclusivamente no que apregoa ser o seu meritório desempenho passado.

Quanto mais não seja, o crescimento da candidatura Marina Silva nas pesquisas, a ponto de emparelhar com ela na liderança das intenções de voto, e a perspectiva de uma vitória da rival no segundo turno deveriam fazê-la enxergar o raquitismo da estratégia adotada, segundo a qual os feitos que ela não se cansa de alardear seriam suficientes para levar a maioria do eleitorado a renovar o seu contrato de locação do Planalto. Ora, os seus fracassos como líder nacional (haja vista a sua liderança nas sondagens no quesito "rejeição") e gestora da economia (haja vista a recessão a que ela derrubou o sistema produtivo, sem conseguir derrubar igualmente a inflação) não autorizam que se conclua que ela fracassa também em entender que as expectativas de futuro são o fator determinante das escolhas eleitorais. Não é por aí, portanto.

Toda votação, no limite, é um cotejo entre manter ou mudar. Mesmo quando a tendência da maioria é manter, esse desejo depende de algo mais do que da insistência dos incumbentes em prometer que continuarão no caminho que deu tão certo. Para persuadir o público de que "o bom vai ficar ainda melhor", têm de apresentar os seus projetos para tanto. Imagine-se então o que teria de prometer uma candidata à reeleição que, além de ter contra si os 35% dos eleitores que dizem que não votarão nela "de jeito nenhum", foi posta diante do desafio de se haver com os 80% do eleitorado que exige mudanças na condução do governo — dos quais apenas uma minoria acredita que elas virão com ela. Apesar disso, é ensurdecedor o silêncio de Dilma em relação ao que pretende fazer pelo País nos próximos quatro anos.

O que a presidente tem dito — além de acusar Marina de acenar com projetos da ordem de R$ 140 bilhões sem explicar de onde virá esse dinheiro e de profetizar que os planos do tucano Aécio Neves provocarão o desemprego — é quão difícil é ser presidente ("tenho de matar um leão por dia, escalar um Himalaia por dia"), que a imprensa não divulga as majestosas realizações de seu governo no campo da infraestrutura e que "o pessimismo" impede que a economia esteja ainda melhor do que está, apesar da "crise" no exterior — sem recessão nem inflação. No debate de anteontem, Marina foi ao ponto quando disse que a rival, por ser incapaz de reconhecer qualquer erro que tenha cometido, é também incapaz de se corrigir. E, acrescente-se, de trazer ideias concretas e inovadoras para o debate sobre o futuro imediato.

Ajuda a complicar as coisas para Dilma o fato de ela não ter do que se gabar em matéria de avanços sociais comparáveis aos de seu antecessor. Quando fala das "nossas" conquistas, apropria-se indevidamente do legado de Lula. A propaganda enganosa inclui também ela creditar a si a redução da pobreza e o advento da nova classe média — a qual, aliás, passou a consumir menos em razão da alta dos preços e da incerteza em relação aos empregos que respaldaram o seu endividamento familiar. Eis por que, se o eleitor do Bolsa Família (renda familiar de até 2 salários mínimos) ainda continua majoritariamente fiel à presidente, dando-lhe 48% das preferências, ante 43% para Marina, no estrato emergente e cada vez mais ressabiado (de 2 a 5 salários), a ex-senadora leva a melhor por 54% a 36%.

Dilma tem cada vez menos o que prometer para um número cada vez maior de eleitores.

Editorial do Estadão