Abobado

Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

Archive for janeiro 2015

O petralha incompetente e sua revolução

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O prefeito Fernando Haddad parece encantado com as suas ideias, com a sua visão de cidade, e esqueceu de que governar uma cidade é muito mais do que pintar ruas e calçadas

A cidade de São Paulo tornou-se refém de um prefeito que parece brincar de governar, e pelo jeito não gosta de brincar sozinho. Convidou agora três amigos do filho a participarem da brincadeira. Fernando Haddad ainda não se deu conta de que São Paulo é uma cidade com quase 12 milhões de habitantes e enfrenta situações complexas que exigem mais do que slogans. Exigem competência administrativa. Mas para Fernando Haddad tudo isso não passa de uma crítica barata, de gente que ainda não entendeu as mudanças que a sua gestão vem promovendo na cidade. Mudanças estruturais, de concepção de cidade, de cultura urbana, de modo de vida – nada mais nada menos que uma verdadeira revolução.

A mais recente novidade do prefeito foi a nomeação de três bacharéis em Direito, recém-formados, para trabalhar em cargos comissionados da Prefeitura. Segundo a Prefeitura, os profissionais são "de renomadas universidades, com experiência profissional de estágio em escritórios de advocacia e atuação em entidades representativas estudantis". De fato, os três têm ampla participação no movimento estudantil, e dois deles presidiram o Centro Acadêmico 11 de Agosto, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Mas eles têm também outro ponto em comum em seus currículos — são amigos do filho do prefeito. Interessante essa revolução de Haddad…

Outra novidade para o ano que começa é que, aproveitando a sua experiência como prefeito, Fernando Haddad irá dar aulas na USP. Serão seis aulas sobre a cidade e a elite, o desenvolvimento capitalista, a urbanização e a dominação não legítima. Temas sem dúvida muito interessantes, que caem como uma luva no objetivo da disciplina: investigar a dinâmica atual do desenvolvimento urbano. Naturalmente, não deixa de ser motivo de orgulho para a cidade ter um prefeito professor. Além do mais, por que desprezar a possibilidade de que a preparação dessas aulas seja ocasião para que o prefeito se aproxime ao menos um pouco dos reais desafios da cidade?

Mas não são apenas os alunos da USP que estão precisando de Fernando Haddad. Os 12 milhões de habitantes da cidade estão à espera de um prefeito. Estão à espera de uma gestão que enfrente corajosamente os problemas e os desafios da cidade.

Nenhum prefeito, por menor que seja o seu município, pode ignorar a gestão da coisa pública e se contentar em fazer retórica. Mas, infelizmente, parece que isso vem ocorrendo no maior município brasileiro. O prefeito Fernando Haddad parece encantado com as suas ideias, com a sua visão de cidade, e esqueceu de que governar uma cidade é muito mais do que pintar ruas e calçadas.

Se de fato o prefeito tem a pretensão de realizar alguma melhoria na cidade nos próximos dois anos, o trabalho da Prefeitura precisa alcançar outro patamar de qualidade. O ano de 2014 foi pródigo em projetos lançados com estardalhaço pela Prefeitura, mas que logo depois foram suspensos pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). Para ter uma ideia, em outubro de 2014 os recursos somados de todas as obras suspensas pelo TCM chegavam a R$ 6,3 bilhões. Nesse montante estavam obras e reformas em prontos-socorros, creches e escolas, a compra de radares e câmeras de monitoramento e fiscalização do trânsito, a construção de um data center para o Bilhete Único e para a inspeção veicular, além de uma das meninas dos olhos do prefeito: a construção de 150 km de corredores de ônibus. A cidade de São Paulo merece mais da sua administração, especialmente de uma que se proclama revolucionária e inovadora.

Pela frequência com que fala sobre esse tema, Fernando Haddad parece mesmo acreditar que a sua gestão será lembrada no futuro como um marco na história da cidade. Só o tempo dirá, ainda que faixa pintada no asfalto não tenha em geral grande durabilidade. Até agora, o presente tem dado sinais noutra direção. De que simplesmente será lembrado como o último poste de Lula. São Paulo não é para amadores, mesmo aqueles que se graduaram nas melhores universidades.

Opinião do Estadão

Roubalheira petralha: PF prende Nestor Cerveró ao desembarcar em aeroporto no Rio

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Ex-diretor de Internacional da Petrobrás acusado de movimentar propina para o PMDB, na Operação Lava Jato, foi detido após desembarcar de viagem a Londres; acusado já foi transferido para Curitiba

A Polícia Federal prendeu na madrugada desta quarta-feira, 14, por volta das 0h30, o ex-diretor Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró ao desembarcar no Aeroporto do Galeão, no Rio. A Justiça Federal decretou a prisão preventiva do acusado por novos fatos revelados nos autos da Operação Lava Jato. Para a procuradoria, existem “fortes indícios” de que o ex-diretor continue praticando crimes.

O ex-diretor prestaria depoimento ao Ministério Público Federal do Rio nesta quinta-feira e chegava de uma viagem a Londres. Ele é um dos principais envolvidos no caso da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos — mais emblemático caso dos escândalos envolvendo a Petrobrás.

Em nota divulgada nesta madrugada, a Lava Jato informou que havia indícios de que Cerveró não só poderia atuar para ocultar patrimônio como dificultar as investigações. No pedido de prisão, o MPF diz ter identificado transferências de R$ 500 mil para a conta de uma filha, além da transferência de três imóveis a familiares “em valores nitidamente subfaturados”. A transação foi declarada por R$ 560 mil, o que caracteriza, no entender da procuradoria, a continuidade da prática de crimes. A PF fez buscas na tarde dessa terça, 13, também na casa do ex-diretor no Rio e em outros endereços ligados a ele.

O ex-diretor de Internacional e o lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, operador do PMDB, são réus em uma ação penal em Curitiba (PR) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Eles são acusados de terem recebido US$ 30 milhões em propina de um dos executivos denunciados, que fez acordo de delação premiada.

Cerveró e Baiano seriam os responsáveis dos valores arrecadados para o PMDB no esquema de cartel e corrupção na Petrobrás, que arrecadou de 1% a 3%.

O advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, informou que ficou surpreso com a prisão e que não vê motivos para a preventiva. “As autoridades foram comunicadas que ele viajaria e onde ele estaria”. O advogado viaja nesta quarta-feira para Curitiba, para onde Cerveró será levado. Fernando Baiano está preso desde novembro na sede da PF em Curitiba.

Estadão Online

Álvaro Dias: ‘O PT é um partido em frangalhos’

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O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou à Agência Estado que a entrevista da senadora e ex-ministra Marta Suplicy (PT-SP) ao jornal O Estado de S.Paulo, na qual a petista critica a presidente Dilma Rousseff e ataca o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o presidente do PT, Rui Falcão, "reflete o cenário atual" e mostra que o PT é um "partido em frangalhos". "A casa está caindo literalmente. Nessas horas, aqueles que não tinham coragem de fazer oposição se tornam corajosos e os que só tinham o sentimento do adesismo, da cumplicidade e do fisiologismo se sentem encorajados em abrir dissidência", afirmou Dias.

"Será uma tempestade esse período de governo do PT, o vendaval vai soprar com muita força. O racha interno, o fogo amigo, as dissidências acentuadas, tudo isso vai se tornando rotina. (A entrevista) mostra que o PT é um partido enfraquecido, tumultuado, nervoso e que vive a tensão dos grandes escândalos", acrescentou Dias.

Em entrevista publicada neste domingo, a senadora e ex-ministra da Cultura chama Mercadante de "inimigo do Lula" e "candidatíssimo" a presidente em 2018. Sobre Falcão, alega que ele "traiu o partido e o projeto do PT". Marta tampouco poupa em suas declarações a gestão Dilma e argumenta que "não se engendraram as ações necessárias quando se percebeu o fracasso da política econômica liderada por ela". Marta encerra fazendo um alerta: "ou o PT muda ou acaba."

O tucano disse que "é um pouco tarde" para pedir mudanças no PT. "O partido está na descendente e é irreversível. Quem vai promover mudança é o povo na primeira oportunidade eleitoral", disse. "É um partido em frangalhos. Nesta hora, é fácil aceitar que o PT é um fracasso no governo. Não sei qual a motivação dessas críticas, mas elas atingem o alvo. As palavras dela estão em concordância com o que tem sido dito pela oposição há vários anos. Pena que tenha sido só agora", concluiu.

Estadão Online

Roubalheira Petralha – Funcionários alertaram para documentos da Gasene: ‘Favor retirar a logomarca da Petrobras’

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Minuta de procuração da transportadora foi feita na própria estatal, cuja área jurídica alertou que os documentos não poderiam ter qualquer tipo de marca da estatal

Até as procurações que a Transportadora Gasene passava para a Petrobras eram rascunhadas, discutidas e escritas pela própria estatal. Documentos obtidos pelo GLOBO mostram que pelo menos três rascunhos de procuração da empresa privada, criada para construir a rede de gasodutos Gasene, passaram pela estatal. A área jurídica da Petrobras se sentiu até na obrigação de lembrar aos dirigentes da transportadora que os documentos dela não poderiam ter qualquer tipo de logomarca da Petrobras.

“Favor atentar para a necessidade de retirar a logomarca da Petrobras”, registraram os responsáveis pelo parecer jurídico no cabeçalho de um parecer de setembro de 2006 sobre uma minuta de procuração analisada a pedido de uma das gerências da Petrobras responsáveis por controlar as atividades da Transportadora Gasene. A minuta de procuração repassava à Petrobras poderes exclusivos para gerenciar a contratação da empresa que montaria o sistema de fibra óptica entre Rio e Espírito Santo.

TRINCA DE PILANTRAS
José Sérgio Gabriele, Lula e Jaques Wagner inauguram estação do Gasene (Gasoduto do Nordeste), obra da Petrobras que foi superfaturada em mais de 1.800%

O parecer jurídico propôs algumas alterações na minuta. “Sugerimos que seja alterada a procuração em apreço, de forma que a Transportadora Gasene outorgue poderes diretamente à Petrobras, e não a empregados desta companhia.” Outra sugestão foi a exclusão do termo “licitação”, instrumento existente para a administração pública. Como a transportadora era uma sociedade de propósito específico (SPE), com aspecto privado, a área jurídica recomendou o uso da expressão “processo seletivo para busca da melhor proposta”.

Outra minuta repassa à Petrobras os poderes de gerenciamento de compra de quaisquer equipamentos, materiais e serviços necessários para construção, montagem e implementação do gasoduto, além de negociar e alterar contratos como os firmados com a empresa chinesa que gerenciava a obra, a Sinopec.

Um diferente modelo de procuração não trazia a assinatura do diretor-presidente da Gasene, Antônio Carlos Pinto de Azeredo. Pelo documento, a transportadora “nomeia e constitui” como sua procuradora a Petrobras, com “poderes exclusivos” no gerenciamento da contratação de empresas que construiriam o trecho entre Cacimbas (ES) e Catu (BA).

O Globo Online

Dilma 2.0 – Pior do que se poderia esperar

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O que se viu na tribuna do Congresso Nacional transformada em palanque no dia 1º de janeiro foi a prepotência e o desapreço pelo contraditório democrático de uma presidente que, como o seu PT, se considera monopolista da virtude e defensora única dos fracos e oprimidos

O discurso de posse do segundo mandato de Dilma Rousseff perante o Congresso Nacional foi uma lamentável exibição de soberba, desrespeito à verdade e ao discernimento dos brasileiros e uma ducha de água fria para quem imaginava que, na hora de assumir a continuidade do comando de um país que deixou pior do que quando o recebeu quatro anos atrás, a chefe do governo tivesse um mínimo de humildade para estender a mão à metade do País que não lhe deu o voto, mas faz parte da unidade dentro da diversidade que compõe a Nação brasileira.

O que se viu assomar à tribuna do Congresso Nacional transformada em palanque no dia 1º de janeiro foi a prepotência e o desapreço pelo contraditório democrático de uma presidente que, como o seu PT, se considera monopolista da virtude e defensora única dos fracos e oprimidos. Uma presidente e um partido que não se pejam de, contrariando a evidência dos números, das estatísticas e da própria lógica de sua estratégia de manutenção do poder, proclamar que em 12 anos eliminaram "a tragédia da fome", superaram "a extrema pobreza" e, de quebra, "apurou e puniu com tanta transparência a corrupção", como se isso dependesse apenas da vontade de Lula, Dilma & Cia. e não de instituições sólidas que a sociedade brasileira está aprendendo a construir. E, principalmente, como se o PT não tivesse tido a desfaçatez de promover a "guerreiros do povo brasileiro" seus dirigentes-delinquentes condenados no julgamento do mensalão.

O discurso de 40 minutos de Dilma parece ter saído direto do caldeirão de prodígios do marqueteiro a quem, em substituição ao Lula de 2010, coube o mérito de transformá-la em presidente reeleita. "Fui reconduzida para continuar as grandes mudanças do País e não trairei este chamado." "Este projeto de nação triunfou e permanece devido aos grandes resultados que conseguiu até agora." "É a inauguração de uma nova etapa neste processo histórico de mudanças sociais do Brasil."

Empolgada com um desempenho que imagina absolutamente prodigioso nos seus primeiros quatro anos de governo, Dilma não foi capaz de admitir sequer o menor erro entre os muitos que cometeu e dos quais a nação é testemunha, muito especialmente na área econômica e fiscal. Admitiu, no máximo, breves referências a "correção de distorções e eventuais excessos". Nem foi capaz, como seria absolutamente necessário diante da gravidade da situação, de cumprir satisfatoriamente o que prometera no discurso de diplomação: "O detalhamento das medidas que vamos tomar, para garantir mais crescimento, mais desenvolvimento econômico e mais progresso social para o Brasil".

Ao invés de esclarecer, confundiu, contrariando a equipe que nomeou para botar ordem nas contas do governo, gabando-se da redução da dívida líquida do setor público, obtida graças à "contabilidade criativa". Joaquim Levy e companheiros já deixaram claro — se Dilma permitir, é claro — que pretendem trabalhar com o conceito de dívida bruta, que traduz fielmente a realidade. Pior, Dilma não demonstrou o menor constrangimento ao garantir que sempre orientou suas ações "pelo imperativo da disciplina fiscal".

A retórica palanqueira, contudo, não obstante esmerada em arroubos de autoglorificação, não conseguiu evitar que a verdade transparecesse através das frestas da mistificação. "Mais que ninguém sei que o Brasil precisa voltar a crescer", cometeu a imprudência de admitir, assinando a confissão de que sob o seu comando o Brasil parou de crescer. Só faltou, como sempre fez, atribuir os fracassos de seu governo não à própria inépcia, mas a uma situação internacional adversa.

Mas Dilma não se poupou de, no melhor estilo petista, inventar inimigos imaginários que precisam ser combatidos: "Vamos, mais uma vez, derrotar a falsa tese que afirma existir um conflito entre estabilidade econômica e o crescimento social".

A fala presidencial é rica, enfim, em meias-verdades, inverdades inteiras, obviedades e platitudes, mistificação, preconceitos, retórica oca. Reflete, infelizmente para a Nação, o pouco que tinha a dizer. Para completar, Dilma apresentou-se como campeã da luta anticorrupção e disse pretender estimular "uma nova cultura fundada em valores éticos profundos". Como atribuiu a roubalheira na Petrobrás à ação de funcionários miúdos e a uma conspiração internacional, já se sabe o que virá.

Opinião do Estadão

Petrolão petralha: Os predadores internos ‘são os corruptos nomeados pelo PT da Dilma e do Lula’, diz oposição

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A oposição reagiu especialmente à parte do discurso da presidente Dilma Rousseff, em que ela atribui a crise da Petrobras a ataques de “predadores internos e inimigos externos”. Segundo o líder e presidente do Democratas, senador José Agripino Maia (RN), essa “pérola” tira a credibilidade de todo o resto do discurso.

— A completa insinceridade da presidente Dilma, quando fala da Petrobras, tira toda a credibilidade de sua fala. Se tem predador interno na Petrobras são os corruptos nomeados pelo PT para destruir a empresa. E se tem inimigos externos, isso se dá pela fragilidade dos gestores do PT em perceber isso — disse Agripino.

Ele diz que, como a Nação não leva mais a sério o que a presidente diz, ela aproveitou a oportunidade para fazer um discurso para agradar o PT e sua base.

— A presidente, quando foi falar que precisa da ajuda do Congresso, falou em “minha base”. Essa é a democracia dela, o Congresso como instituição não interessa. Quer dizer que ela endereça as coisa para a sua base aprovar? Com essa fala Dilma revelou o motivo do loteamento do ministério — criticou Agripino.

O democrata também criticou o novo lema do governo, anunciado por Dilma na posse no Congresso: Brasil, Pátria educadora.

— Ela nunca foi presidente? Está assumindo o mandato pela primeira vez? E o Haddad, não foi ministro da Educação? Ou Dilma passou uma descompostura nos ministros da Educação nesses 12 anos, ou acha que está assumindo pela primeira vez.

Promessas

O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira, disse que não se interessou em ver o discurso da presidente Dilma Rousseff, no Congresso, porque ela não cumpre o que fala. O tucano disse que prefere ver suas ações para colocar em prática as promessas de campanha repetidas no discurso.

— Eu não ouvi e não gostei. Eu tenho na memória o discurso inaugural do primeiro mandato. As propostas se revelaram falsas. O primeiro discurso de posse de Dilma , ela esqueceu, eu não — disse Aloysio Nunes.

O líder do PSDB disse que , em geral, não se interessa por discursos inaugurais. Sobre a parte em que Dilma diz que vai fazer os ajustes sem tirar direito dos trabalhadores, Aloysio Nunes lembrou que ela falou isso uma semana depois da divulgação do pacote trabalhista com corte de benefícios para trabalhadores e aposentados.

— Dilma é uma pessoa versátil.O que ela fala não pode ser levado a sério. É preciso ver suas ações — disse o líder tucano.

Presidente desacreditada

O líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), criticou os apelos por apoio feito pela presidente Dilma Rousseff em seu discurso . O tucano, que fez questão de não comparecer à posse, comparou a presidente Dilma a um náufrago que pede ajuda "antevendo as consequências de problemas criados por ela mesma — não apenas na área econômica, mas especialmente quanto ao seu envolvimento com o Petrolão". Segundo a assessoria de Imabassahy, não há tradição na oposição comparecer a posses presidenciais no Congresso, mas neste caso, a campanha pesada e de baixo nível promovida pela campanha de Dilma acabou reforçando o sentimento contrário a prestigiar a solenidade.

Para Imbassahy, o discurso de Dilma "não inspira confiança e evidencia um governo carcomido pelo descrédito, a partir de métodos condenáveis e velhas promessas nunca cumpridas”.

— Assistimos hoje a posse de uma presidente desacreditada, desorientada e sem foco. Como um náufrago, apelou a pedidos de apoio, certamente antevendo as consequências de problemas criados por ela mesma — Parece patológico ela agora falar em corrigir erros na Petrobras e reconhecer tardiamente que a empresa foi assaltada, como se não tivesse ela própria participação e responsabilidades relevantes nos últimos 12 anos da vida da estatal — disse Imbassahy, acrescentando:

— Ao dizer que alguns servidores causaram o escândalo da Petrobras, finge esquecer que participou de todas as decisões, primeiro como ministra de Minas e Energia, depois chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da estatal e, por fim, como presidente da República. Quem nomeou os comandantes da organização criminosa que se apoderou da Petrobras foram ela mesma e Lula.

Numa referência à medida provisória editada pelo governo que tornar mais rigoroso o acesso a alguns benefícios trabalhistas, como o seguro-desemprego, o líder tucano afirmou que a presidente Dilma mentiu na campanha eleitoral e volta a mentir em sua posse, ao reafirmar compromisso com a manutenção dos direitos trabalhistas e previdenciários:

— Justamente aqueles que sofreram alterações desastrosas em sua primeira canetada após a eleição. Nem ela mesma acredita naquilo que diz, como indicou a leitura sem entusiasmo de um discurso artificial e carente de conteúdo, mais uma vez elaborado por seu marqueteiro. É um discurso dissonante do Brasil real, ambíguo e com sinais de que o banqueiro-ministro terá ações limitadas. Quem ainda tinha esperança do suposto governo novo com ideias novas certamente teve a sua definitiva frustração.

O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), disse que priorizou a posse de seu aliado no governo de Pernambuco, Paulo Câmara. Para ele, a presidente erra ao querer justificar a corrupção na Petrobras como obra de"forças ocultas" quando eles são fruto dos problemas que ela criou no primeiro mandato: aparelhamento do governo.

— É uma data super inconveniente. Sobre o discurso, a corrupção tomou conta do governo dela pelo aparelhamento. Não é o discurso, mas atitude que vai combater a corrupção e a Dilma, ao nomear os ministros para satisfazer os partidos mostra que não modificou, neste segundo mandato, a prática do primeiro mandato que levou à corrupção desenfreada – disse Mendonça Filho.

O Globo Online