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O legado da Copa – Superdimensionados, três estádios correm risco de virarem elefantes brancos após Mundial

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O apogeu durante a Copa, quando seus assentos foram disputados por milhares de torcedores, vai, em breve, virar apenas uma boa lembrança. Passada a euforia do Mundial, pelo menos três arenas construídas para os jogos, num custo total de R$ 2,8 bilhões, correm o risco de tornarem-se verdadeiros elefantes brancos. Superdimensionados, com capacidade muito maior do que exigem os campeonatos locais, os estádios de Manaus, Cuiabá e Brasília têm pela frente o desafio de continuarem tendo serventia no pós-Copa. O risco de ociosidade é grande: a Arena Pantanal, por exemplo, tem capacidade para 44 mil torcedores, mas os 46 jogos do campeonato mato-grossense deste ano atraíram apenas 36.397 pessoas, o que dá uma média de apenas 791 torcedores por partida. Os números são ainda piores se ficarem restritos apenas aos times da capital. O Cuiabá, que foi campeão estadual, teve uma média de 393 pagantes por disputa. Já o Mixto, clube mais tradicional da cidade, levou 910 pessoas aos seus jogos, em média.

Diante do problema, o governo do Mato Grosso estuda alternativas para o uso da Arena Pantanal. Na última sexta-feira, foi publicada no Diário Oficial do Estado uma portaria da Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) criando uma comissão especial, encarregada de preparar um processo licitatório para que o estádio passe a ser operado pela iniciativa privada. O governo espera lançar o edital ainda este ano. E está esperançoso.

— Vai haver disputa. Isso eu lhe garanto — afirma o secretário Maurício Guimarães, referindo-se ao número de empresas que já estariam interessadas em participar da licitação, entre elas um grupo do qual fariam parte o ex-atacante Ronaldo Fenômeno e o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez.

Embora as regras da licitação ainda não estejam definidas, dois itens já estão assegurados. O primeiro deles obriga o concessionário a manter a estrutura externa da Arena Pantanal livre para o uso da população, sem cobrança. O outro impõe condições diferenciadas aos clubes mato-grossenses, em caso de aluguel para jogos.

— A Arena precisa ser um indutor do desenvolvimento do futebol regional. Uma forma de beneficiar os clubes locais seria cobrar apenas os custos pelo uso da Arena — diz o secretário, que nega que o espaço vá ser usado para rodeios e shows sertanejos e também descarta a possibilidade de reduzir a capacidade do estádio de 44 mil para 28 mil pessoas, a fim de cortar custos.

Em Brasília, depois que acontecer a disputa pelo terceiro lugar na Copa, no dia 12 de julho, o estádio Mané Garrincha corre o risco de receber poucas partidas do campeonato local e continuar sendo um estádio secundário a nível nacional, mesmo tendo a segunda maior capacidade de público do país. O governo propõe que a arena seja multiuso, com shows e grandes eventos, para tentar recuperar o alto valor investido: é o campo mais caro da Copa, com cifras que chegam a R$ 1,9 bilhão, segundo estimativa do Tribunal de Contas do Distrito Federal. A Secretaria da Copa do DF (Secopa) afirma, porém, que o gasto teria sido de R$ 1,4 bilhão.

Até agora, quatro shows utilizaram a estrutura do estádio: o maior deles foi o da cantora norte-americana Beyoncé. Além disso, nove eventos institucionais aconteceram na arena. O governo afirma que “uma série de eventos” no estádio está em processo de agendamento após a Copa, mas diz que eles ainda não podem ser divulgados. Outra esperança para que o Mané Garrincha não seja sacramentado como um elefante branco são dois eventos esportivos internacionais, mas que ainda estão num futuro distante: Brasília foi confirmada como sede do futebol nas Olimpíadas de 2016, do Rio, e da Universíade, maior competição universitária mundial, em 2019.

No quesito futebol, o estádio pode não dar o retorno esperado. De acordo com pesquisa realizada no ano passado pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), 97,65% dos entrevistados que se declararam torcedores têm como time de coração as grandes equipes do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Minas Gerais. O desinteresse pelos clubes locais se reflete no público do campeonato Candangão, historicamente escasso, que neste ano teve uma média de 1.036 torcedores.

Em Manaus, modelo de gestão é incerto

Em Manaus, o destino da Arena da Amazônia, construída ao custo de R$ 594 milhões, também é incerto. Um estudo para avaliar o melhor modelo de gestão para o espaço, que recebeu quatro jogos na primeira fase da Copa do Mundo, foi encomendado pelo governo amazonense à empresa Ernest & Young ao custo de R$ 1 milhão e será entregue em agosto, segundo a Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP-Copa) em Manaus. Por enquanto, a única certeza é que a arena continuará sendo gerida pela Fundação Vila Olímpica (FVO), órgão vinculado Governo do Estado.

Mesmo sem o modelo de gestão estar decidido, a UGP-Copa enxerga muito potencial na Arena da Amazônia e está otimista. Segundo a assessoria de imprensa da entidade, “os primeiros jogos com os times locais na Arena da Amazônia renderam um faturamento excelente aos clubes locais e levaram muitos torcedores ao estádio”. Antes mesmo da realização da Copa, o estádio já teria movimentado R$ 5,5 milhões com eventos-teste, que renderam ao estado, por meio da Fundação Vila Olímpica, R$ 740 mil. “Isto nos deixou muito tranquilos em relação ao futuro da Arena da Amazônia, pois o resultado foi muito positivo, mesmo com o governo realizando uma quantidade mínima de eventos”, informou a UGP-Copa.

De acordo com a entidade, a Arena da Amazônia é um espaço multiuso e não será usada apenas para o futebol, mas também para eventos como shows, feiras e concertos. Não à toa. A realidade do futebol do Amazonas não condiz com um estádio como o construído para a Copa. Diretor técnico da Federação Amazonense de Futebol (FAF), Ivan Guimarães, destaca que o estado conta apenas com um time, o Princesa do Solimões, competindo no Campeonato Brasileiro deste ano, na série D.

O Globo online

Presidente do TCU diz que Brasil passará vergonha na Copa

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Presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Augusto Nardes, diz que o Brasil vai passar "vergonha" na Copa do Mundo por causa da série de obras inacabadas

Corredor de BRT em Cuiabá: uma das várias obras que só deve ser inaugurada depois da Copa da Roubalheira

Nardes afirmou que "boa parte das cidades" da Copa não vão conseguir receber bem os torcedores. Em seu discurso, o ministro chegou a declarar que Cuiabá "parece uma praça de guerra" em virtude da série de obras inconclusas na capital do Mato Grosso às vésperas da abertura do Mundial.

"Claro que temos ainda algumas situações de constrangimento e atrasos… estamos vigilantes para que não passemos [nos Jogos Olímpicos de 2016] uma vergonha como infelizmente vamos passar na Copa do Mundo em algumas cidades que não estão preparadas para receber os cidadãos", afirmou o ministro, ao participar do lançamento do portal "Fiscaliza Rio 2016". O site reunirá dados coletados pelos três tribunais de contas: município, Estado e União. A iniciativa é dar mais transparência sobre os gastos dos recursos públicos com os Jogos Olímpicos.

"Diante das circunstancias, boa parte das cidades [envolvidas na Copa] estão com grande dificuldade. Com certeza, não teremos a recepção adequada nestas cidades", acrescentou. Além de Cuiabá, Nardes citou São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Fortaleza como exemplo de cidades que não conseguirão concluir as suas obras até a abertura da Copa.

O presidente do TCU criticou a "cultura do jeitinho" dos governantes e disse que o país precisa aprender a ter planejamento na preparação para os Jogos Olímpicos de 2016. "Precisamos avançar como nação, apesar dos erros que teremos. Temos que mudar a cultura de improvisação e do jeitinho, aprender a planejar o país", disse. "Temos que avançar mais na governança. Essa é a grande tragédia", concluiu o ministro.

Segundo Nardes, foram economizados cerca de R$ 700 milhões para os cofres públicos graças à atuação do tribunal na fiscalização dos contratos do Mundial. Ele citou que a Copa do Mundo terá que servir de exemplo para a organização dos Jogos Olímpicos do Rio. "Espero que esses problemas não se repitam", contou Nardes.

O presidente do TCU disse que a sua principal preocupação para a Olimpíada do Rio é com a conclusão das obras da nova linha do metrô, que chegará a Barra da Tijuca, na zona oeste. A obra deverá ser entregue no primeiro semestre de 2016. O bairro vai concentrar os atletas e uma série de eventos esportivos durante os Jogos.

Folha Online

Protestos contra a Copa no Brasil ganham repercussão em jornais e revistas no exterior

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Revista alemã “Der Spiegel” faz previsão sombria sobre jogos, mostra atraso em obras e insatisfação dos brasileiros com custos do evento

Os protestos contra a realização da Copa do Mundo no Brasil ganharam repercussão internacional. A um mês dos jogos, a revista “Der Spiegel”, a mais importante da Alemanha e os site do jornal “El País”, da Espanha, e da inglesa “The Economist”, trazem reportagens sobre a insatisfação dos brasileiros com a realização dos jogos. A mais contundente é a reportagem da “Der Spiegel”, que traz em sua capa uma imagem da bola oficial do torneio caindo em chamas sobre o Rio de Janeiro. Em três reportagens, que somam dez páginas, o semanário apresenta um retrato dos atrasos em obras, da insatisfação dos brasileiros com os altos custos do evento e dos prováveis embates nas ruas das cidades-sede. Segundo o texto, assinado pelo jornalista alemão Jens Glüsing, justamente no país do futebol, a Copa do Mundo pode virar um fiasco por conta de “protestos, greves e tiroteios em vez de festa".

O jornalista faz um retrato sombrio da situação do Brasil às vésperas da Copa. E diz que, enquanto os alemães estão comprando camisas da sua seleção, “nas favelas do Rio, policiais e traficantes se enfrentam de maneira sangrenta. Em São Paulo, gangues queimam ônibus quase todas as noites”, afirma. A “Der Spiegel” indaga ainda se o país viverá uma onda de violência caso a seleção brasileira não ganhe: "Os jogos vão terminar em pancadaria nas ruas? Políticos e funcionários da Fifa serão perseguidos por uma multidão enfurecida?"

A revista ressalta os valores gastos com a construção de novos estádios, "cerca de 2,7 bilhões de euros (…), talvez até mais, ninguém sabe ao certo", e não poupa sequer o Maracanã. Apontado como um símbolo contra o racismo e a ditadura, o estádio é descrito agora como um shopping center com grama no meio. “Os franceses tinham a Torre Eiffel. Os americanos, a Estátua da Liberdade. Os brasileiros, o Maracanã."

“The Economist” diz que Brasil é país do improviso

O site da “The Economist” diz que a Copa mostra que o improviso ainda é uma marca do Brasil e que, a menos de um mês dos jogos, os organizadores ainda lutam para ter tudo pronto a tempo. Ele cita que, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, por exemplo, um novo terminal foi aberto, mas somente oito companhias aéreas vão utilizá-lo, e não as 25 previstas. O site também diz que o secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, descreveu que lidar com autoridades brasileiras é infernal.

O espanhol “El País” também publica no seu site uma reportagem sobre a insatisfação dos brasileiros com a Copa. Sem falar das manifestações que acontecem hoje no país, o jornal cita uma pesquisa, publicada na semana passada pela Unicarioca, que mostra que somente 55% da população do Rio de Janeiro apoiará a selação brasileira durante os jogos. O texto lembra que na última Copa, realizada na África do Sul, as ruas do Rio estavam enfeitadas com bandeiras e cartazes de apoio à seleção brasileira, fenômeno que não se repete agora. No entorno do Maracanã, diz a publicação, há poucos postes pintados de verde e amarelo. Em Copacabana e Ipanema, não se nota nenhuma decoração especial.

— Há quatro anos havia mais ambiente, disse ao jornal espanhol Pedro Trengrouse, professor da Fundação Getulio Vargas. — O governo não se preocupou com a inclusão do povo na Copa. Primeiro, vendeu como obras do Mundial infraestruturas de transporte que nada têm a ver com a Copa, gerando muitas expectativas. Em segundo lugar, muito poucos têm entradas para as partidas, não participam da festa. O governo prometeu demais e entregou de menos. A consequência é um clima de desânimo e frustração.

Os protestos contra a realização da Copa do Mundo, que acontecem desde a manhã desta quinta-feira em cidades-sede dos jogos no país, também ganharam destaque. O site do jornal “The New York Times” publicou uma reportagem, com o título “Onda de protestos contra o governo começa no Brasil”, dizendo que pneus foram furados e avenidas bloqueadas em manifestações que tentam chamar a atenção para os problemas de habitação e educação, às vésperas da competição. O jornal americano afirma que centenas de pessoas, incomodadas com os bilhões de reais gastos para sediar a competição, protestaram em São Paulo, perto do Itaquerão, um dos estádios construídos para o Mundial. Um dos entrevistados diz que vários moradores foram forçados a sair de suas casas por conta do aumento do valor dos aluguéis na vizinhança do Itaquerão.

Segundo a reportagem, as manifestações são um teste para o governo brasileiro, que tem que mostrar sua habilidade em garantir a segurança durante a Copa do Mundo. O jornal também afirma que os líderes brasileiros esperavam que sediar a Copa e, depois as Olimpíadas, em 2016, seria uma forma de chamar atenção positiva ao Brasil e mostrar avanços em relação à década passada, com a melhoria da economia.

O jornal argentino “El Clarín” também destacou as manifestações em seis cidades brasileiras durante a manhã. Segundo a reportagem, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Fortaleza tiveram ruas bloqueadas por ativistas que reivindicavam “Um dia de luta contra a Copa”. O site do jornal destaca que os manifestantes têm demandas diversas, mas que todos são contrários aos gastos públicos com o Mundial. De acordo com o jornal, a Copa era vista pelo governo Dilma Rousseff como uma forma de desenvolver e ampliar uma infraestrutura urbana que requeria intervenções urgentes. Até agora, porém, ela não teria trazido os benefícios econômicos esperados.

O Globo Online