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Archive for the ‘Governo Dilma’ Category

Isso é o PT no poder – Maioria da população reprova serviços públicos de saúde

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A maioria da população brasileira de 16 anos ou mais classifica como ruins e péssimos os serviços públicos e privados de saúde, mostra pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta terça-feira pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em Brasília. Segundo o levantamento, 60% dos entrevistados deram notas de 0 a 4 para a saúde brasileira, na escala até 10. Esse percentual de descontentamento chega a 92%, se considerada a parcela dos entrevistados que deu nota de 5 a 7, que é classificada pelo Datafolha como indicativo de avaliação regular, segundo o CFM.

Do total de entrevistados, 30% disseram estar esperando algum tipo de atendimento na rede pública, como consultas, exames ou cirurgias, no momento da pesquisa, que foi realizada em junho. O levantamento mostra que, nesse grupo de pessoas que declararam estar esperando algum tipo de atendimento, quase um terço delas estava aguardando havia mais de seis meses.

Ainda no grupo de quem disse estar na fila à espera de algum tipo de atendimento, 22% revelaram possuir plano de saúde privado. Mesmo assim, recorreram ao SUS. Isso, segundo o CFM, sugere algum tipo de problema nos planos de saúde dessas pessoas. Um deles seria a não cobertura de determinados procedimentos, levando os clientes a buscarem o SUS.

Com relação à avaliação feita pelos entrevistados, o percentual de notas ruins ou péssimas atribuídas ao SUS é menor do que as atribuídas ao sistema de saúde em geral. Segundo a pesquisa, 54% da população ouvida classificou como ruins e péssimos os serviços do SUS – notas 0 a 4 -, ante 60% do sistema em geral. Considerando as notas de 5 a 7, classificadas como regulares, o percentual de desaprovação do SUS a 87%, ante 92% do sistema em geral.

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O presidente do CFM, Roberto Luiz D’ávila, disse que a pesquisa retrata a percepção dos brasileiros acima de 16 anos e não é novidade para a classe médica. Para ele, o governo precisa investir mais no setor e administrar melhor os recursos.

— Nós temos certeza absoluta que esse atendimento é insatisfatório e prejudicial. Pacientes estão sendo penalizados. Mas, sempre que nós falamos, é levantada a possibilidade de um viés corporativo. Meu sentimento, como brasileiro, é que isso vai mal e precisa mudar. Não na base de decisões não estruturantes, paliativas, midiáticas — disse D’ávila.

Ele criticou a atuação dos governos da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que a saúde piorou no Brasil nos últimos 12 anos.

Contrário ao programa Mais Médicos, o presidente do CFM disse que a pesquisa não tratou especificamente dessa iniciativa, que ele classifica como “eleitoreira”. D’ávila afirmou que evita falar sobre o assunto:

— Cada vez que a gente fala (no Mais Médicos), o ibope do Padilha, da presidente sobe.

O levantamento foi encomendado ao Datafolha pelo CFM e pela Associação Paulista de Medicina, que definiram os temas perguntados.

A pesquisa abordou a percepção dos entrevistados sobre o atendimento em postos de saúde e outros oito tipos de serviço, como cirurgias, exames de laboratório e internações hospitalares. Em relação aos postos de saúde, que é o local de atuação dos profissionais contratados pelo Mais Médicos, os entrevistados que relataram ter procurado postos de saúde nos últimos dois anos, 50% deles classificaram o acesso como difícil ou muito difícil.

D’ávila fez referência à entrevista concedida ontem por Dilma ao Jornal Nacional, da TV Globo, quando a presidente admitiu que o sistema de saúde no Brasil não pode ser classificado como minimamente razoável. O presidente do CFM ironizou a declaração de Dilma:

— Já que a nossa presidente falou ontem que concorda que a Saúde não é minimamente razoável, acho até que ela teve acesso a esta pesquisa do Datafolha. Se não é minimamente razoável, é abaixo de razoável, é ruim e péssimo.

O Globo Online

O PT já era – Com recepção fria, Dilma recicla propostas para o setor agrícola. Aécio foi aplaudido de pé

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Presidente sequer usou todo o tempo destinado a sua apresentação. Sabatina evidenciou desgaste da petista com empresários do agronegócio

A participação da presidente Dilma Rousseff na sabatina organizada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), nesta quarta-feira, em Brasília, expôs o desgaste dela com o setor. Dilma teve uma recepção fria da plateia de empresários do ramo agrícola e nem mesmo usou todo o tempo destinado a sua apresentação.

A petista foi a terceira e última candidata a falar. Eduardo Campos (PSB), o primeiro, foi aplaudido por quinze vezes. Aécio Neves (PSDB), ainda mais — e de pé, no fim de sua fala. Dilma ouviu apenas cinco aplausos. Ela nem mesmo preencheu os 30 minutos destinados a sua exposição inicial: acabou seu discurso, lido, quando faltavam mais de sete minutos para o fim do tempo. E, mesmo informada de que poderia continuar sua apresentação optou pelo início da fase de perguntas.

Nessa etapa, novamente, Dilma parecia não ter muito o que dizer. Em um dos casos, a apresentadora que conduzia a sabatina avisou: "A senhora ainda tem três minutos e 41 segundos". Dilma respondeu: "Mais do que isso eu não tenho o que falar não, viu?". Depois, acabou improvisando um complemento à resposta. Dilma apresentou um apanhado das realizações e promessas de seu governo para o setor. Mencionou o aumento do crédito agrícola e as obras de logística, como a construção de 2.000 quilômetros de ferrovias. Disse que herdou um passivo tão grande que é impossível extinguir em quatro anos. A presidente também afirmou que a BR-163, o principal eixo de escoamento da soja no país, "está sendo duplicada em toda sua extensão", o que não é verdade. As obras incluem um pequeno trecho da estrada, que tem uma parte considerável onde nem mesmo o asfalto chegou.

Na categoria das promessas reeditadas, está a de licitar a construção de 900 quilômetros da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), de Lucas do Rio Verde (MT) a Campinorte (GO). O início das obras era um compromisso do primeiro mandato, mas não aconteceu. A presidente falou pouco de ideias para um segundo mandato. Uma delas é a aproximação com a CNA: "Proponho a criação sistemática de um diálogo permanente, um grupo ou uma mesa de diálogo com a CNA para aprofundar o debate em torno das propostas que nos foram apresentadas", disse ela. Dilma também admitiu fragilidades: "Eu assumo aqui o compromisso de melhorar nossa defesa agropecuária. Ela está aquém da necessidade do país", afirmou.

A candidata à reeleição levou o vice, Michel Temer, e seis ministros à sabatina. Quando esteve na CNI, na semana passada, ela estava acompanhada de sete ministros. Isso motivou o PSDB a apresentar uma representação à Justiça Eleitoral. A presidente também concedeu uma entrevista coletiva depois da sabatina. Confrontada com as críticas feitas pelos adversários sobre a tímida reforma agrária de seu governo, ela recorreu ao expediente de somar os números de seu governo com os de Luiz Inácio Lula da Silva: "Nós fizemos a maior reforma agrária do Brasil", afirmou.

Veja Online

Padrão PT: TCU aponta falhas generalizadas em ações do governo

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Tribunal de Contas da União realizou 23 auditorias em programas como o Minha Casa Minha Vida, grandes projetos e concessões

É MUITA INCOMPETÊNCIA
Conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida sendo demolido em Niterói (RJ). Dinheiro público jogado no  lixo pela irresponsabilidade de um governo corrupto

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou falhas generalizadas na gestão de algumas das principais vitrines eleitorais do governo Dilma Rousseff. Em relatório concluído nesta semana, em que consolida o resultado de 23 auditorias pelo País, o tribunal concluiu que "há falhas que devem ser consideradas sob um prisma sistêmico, afetando diversos segmentos e com reflexos negativos sobre o desempenho e a qualidade da infraestrutura".

No documento, o TCU checou o desempenho da administração pública na condução de iniciativas como o programa Minha Casa Minha Vida, além da atuação de órgãos como a Infraero e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) à frente de projetos de grande porte. Paralelamente, o tribunal investigou como se desenrolaram as concessões realizadas nas áreas de energia, rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, entre outros projetos.

Foram analisados 44 processos de concessão. Nestes casos, afirma o TCU, predomina a falta de parâmetros para ajudar na elaboração de estudos técnicos mais confiáveis. Essa lacuna, aponta, fica mais evidente quando se trata de fazer previsões sobre custos das obras. Outra falha comum aos projetos de infraestrutura é a ausência de controle interno nos órgãos públicos responsáveis por acompanhar os empreendimentos, além da falta de padrão para medir a qualidade das execuções e o desempenho das empresas contratadas.

Projetos mal feitos

O TCU destaca, ainda, problemas como serviços de baixa qualidade, projetos mal feitos e deficiências de planejamento ao se referir ao programa Minha Casa Minha Vida e a obras portuárias. Outro exemplo de ineficiência são as unidades de pronto atendimento (UPAs 24h), ligadas ao Ministério da Saúde.

Entre janeiro e agosto de 2013, segundo o TCU, o governo havia repassado cerca de R$ 2 bilhões para construção, reforma e ampliação de 1.027 UPAs, além de bancar um valor mensal para custeio do funcionamento das unidades. Ao fiscalizar a situação das UPAs em 11 localidades, os auditores encontraram problemas básicos como rachaduras e fissuras nas unidades, além de infiltrações e afundamentos de piso.

Energia

No setor elétrico, as avaliações se concentraram no desempenho do Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), durante as etapas de planejamento e execução de obras para garantir o suprimento de energia nas sedes da Copa.

"Alguns dos problemas como deficiências nos controles, inadequações na gestão de riscos e necessidade de aprimoramento da estrutura organizacional foram identificados em diversos trabalhos", afirma o TCU.

Em cada uma das auditorias, o tribunal faz recomendações e determinações para corrigir os problemas. O relatório consolidado foi enviado ao Ministério do Planejamento e à Casa Civil.

Estadão Online

A estatização do futebol

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Ficaria melhor na Dilma Bolada — a falsa página da presidente nas redes sociais — do que na CNN, onde apareceu na quinta-feira, o que provavelmente foi o mais tosco chutão da chefe do governo nestes três anos e meio no Planalto. Numa entrevista gravada no dia seguinte à catástrofe do Mineirão, ao defender uma "renovação" do futebol brasileiro, Dilma disse que "o Brasil não pode mais continuar exportando jogador". E, para deixar claro que o "não pode" seria uma proibição pura e simples, ela emendou de bico: "Um país, com essa paixão pelo futebol, tem todo o direito de ter seus jogadores aqui e não tê-los exportados".

Em um surto provocado por uma mistura tóxica de oportunismo — para que o pó da derrota em campo não se deposite sobre o projeto da reeleição — e conhecido vezo autoritário, Dilma falou como quem quer cassar o direito constitucional dos brasileiros de ir e vir, dentro ou para além das fronteiras nacionais, como se o Brasil fosse uma Cuba ou Coreia do Norte. Para justificar a enormidade, deu uma pisada na bola de envergonhar um perna de pau. "Exportar jogador", caraminholou, "significa não ter a maior atração para os estádios ficarem cheios." Revelou involuntariamente, portanto, saber muito bem que boa parte ou o grosso dos US$ 4 bilhões despejados na construção e reforma das arenas da Copa serviu apenas para legar ao País uma manada de elefantes brancos.

Aprisionar os nossos jovens mais promissores — como se isso fosse possível — absolveria, nos descontos, a megalomania dos governos petistas de mostrar ao mundo o que o Brasil, sob a sua iluminada condução, é capaz de fazer. Pura má-fé. O fato singelo é que, no mundo globalizado, assim como profissionais de outras áreas, jogadores migram para países onde o seu trabalho se inscreve em um negócio extraordinariamente bem-sucedido. Ali podem ganhar em um mês o que aqui levariam anos. Isso porque a estrutura do futebol brasileiro é sabidamente arcaica, corrupta e falida. O povo não esperou a seleção ser goleada para desprezar os cartolas que enfeudam clubes, associações e, claro, a CBF.

Faz uma eternidade que essa estrutura precisa ser "renovada", como Dilma parece ter descoberto. Mas não a submetendo à tutela estatal, como prega o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, do PC do B. Invocando nada menos do que o interesse da Pátria, ele defende uma "intervenção indireta" (sic) numa atividade da qual a própria lei (no caso, a Lei Pelé, promulgada em 1998) aparta o poder público. Para começar, como ele deveria saber, a Fifa proíbe a intromissão de governos nas federações nacionais. Agora mesmo a Nigéria foi suspensa por ter o governo removido dirigentes de sua entidade futebolística. De resto, a promiscuidade entre autoridades e cartolas multiplicaria os focos de corrupção, sem modernizar o esporte.

O Estado pode, sim, impor aos clubes uma série de condições para rolar as suas intermináveis dívidas com o erário, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) faz com os governos que lhe pedem socorro. O projeto da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, pronto para ser votado na Câmara, condiciona o acesso dos clubes ao crédito oficial à arrumação de suas finanças, reforma administrativa e pagamento em dia dos salários de seus contratados. O Estado também pode — e deve — controlar a migração de menores de 18 anos. Embora a Fifa proíba que sejam importados por clubes estrangeiros, estes driblam a barreira contratando formalmente um de seus parentes. Como no gramado, bastam regras e juízes que punam os transgressores.

No mais, que o Brasil aprenda com o que os dirigentes e jogadores alemães fizeram para renovar o futebol nacional depois da sua vexatória eliminação da Eurocopa em 2004. Eles traçaram e foram fiéis a um plano de renovação de quadros, no qual investiriam ao longo do tempo US$ 1 bilhão. Minguaram as contratações de estrangeiros em benefício do talento local. Os ingressos foram congelados. Ainda assim, o campeonato alemão é o mais rentável da Europa. Os clubes são prósperos. O Bayern de Munique tem 11 times completos — fora a equipe principal. E o Estado não teve nada com isso.

Editorial do Estadão

Isso é o PT no comando: Dilma e Wagner inauguram linha de metrô incompleta em Salvador

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Com idas e vindas, percurso de cinco quilômetros custou R$ 1 bilhão e demorou 14 anos para ficar pronto

A reportagem do vídeo é de março de 2013

A primeira etapa do metrô de Salvador será inaugurada incompleta na manhã desta quarta-feira pela presidente Dilma Rousseff e pelo governador Jaques Wagner. Dilma e Wagner vão percorrer um trecho de cinco quilômetros entre as estações do Campo da Pólvora e Acesso Norte. A linha 1 que segue até a Estação de Pirajá e tem 12 quilômetros só deve ser concluída em janeiro de 2015. Para fazer esse pequeno percurso, foi preciso 14 anos e mais de R$ 1 bilhão.

Só foi possível colocar os trens em funcionamento após o metrô ser transferido da prefeitura para o governo do estado, no ano passado. Com o gerenciamento do sistema, o governo firmou uma Parceria Público Privada com a empresa CCR, que venceu a licitação pública para completar a linha 1, construir a linha 2 e operar o metrô. O projeto é orçado em mais R$ 4 bilhões, cabendo cerca de R$ 1,8 bilhão ao governo estadual e o restante ao federal. A CCR aplicará R$ 127, 6 milhões por ano, e terá a obrigação de concluir Linha 1 além de implantar a Linha 2, de Salvador até o município de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, trecho de 33,4 quilômetros e 19 estações. O contrato de concessão para operação do sistema é de 30 anos.

Nessa primeira fase, os trens irão percorrer o trecho liberado em esquema “assistido” até setembro, gratuitamente. Na Copa do Mundo, o metrô dará prioridade a quem possuir ingressos para a Arena Fonte Nova. Após a fase experimental, a passagem custará R$ 3,10 e R$ 3,90 com integração com o sistema de ônibus da cidade, mas essa operacionalização ainda está sendo finalizada. Pelo contrato, o Estado vai subsidiar o metrô em R$ 150 milhões por ano.

Apesar dos transtornos e prejuízos que o projeto já provocou aos cofres públicos, o governador considera a inauguração do metrô mais importante que o começo da Copa do Mundo. No seu programa de rádio, Wagner disse: “essa é minha grande alegria de começar, finalmente, a melhorar a questão do tráfego e da mobilidade”.

O deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB), que era prefeito de Salvador quando o projeto do metrô foi aprovado e as obras iniciadas, entre o final de 1999 e 2000, não vê motivo para festa, ante os inúmeros problemas da obra. “A presidente Dilma está correndo atrás do prejuízo após a queda nas pesquisas, para participar de uma solenidade como essa”, criticou. Lembrou que quando o projeto foi aprovado pelo governo federal, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, a configuração inicial era uma linha de 12 quilômetros que ligaria as estações da Lapa ao Retiro. “Mas quando o presidente Lula assumiu a obra foi paralisada e depois encurtada para 6,5 quilômetros”.

Já o deputado Nelson Pelegrino (PT), que acompanhou toda a movimentação das obras do metrô, contesta Imbassahy. “O projeto era ruim, tinha muitos erros e só começou porque tinha sido promessa de campanha”, disse, explicando que a modalidade do antigo contrato previa o pagamento da obra e a entrega dos 12 quilômetros, sem qualquer tipo de estudo de operação. Ele argumentou que Lula determinou a paralisação das obras dos metrôs para “acertar” o projeto.

Pelegrino acredita que o metrô é peça fundamental de todo o sistema de transporte que está sendo implantado em Salvador. “O trem do subúrbio vai ser transforma em VLT, linhas de BRT estão sendo implantadas e tudo vai ser integrado. O Estado e a União estão aplicando R$ 8,5 bilhões na mobilidade urbana de Salvador”, disse.

Ação

O Ministério Público Federal entrou com uma ação de improbidade administrativa no início de 2010 por supostas irregularidades no processo licitatório e na execução das obras do metrô de Salvador. Seis construtoras e onze pessoas físicas foram acionadas, mas o processo foi suspenso porque uma das empreiteiras processadas entrou com recurso acolhido pelo desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal de Brasília. O argumento da defesa era de que a ação não teria suporte em provas válidas devido a escutas telefônicas da Operação Castelo de Areia, consideradas ilegais pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O MPF afirmou que as provas do caso do metrô de Salvador não são derivadas das escutas da Castelo de Areia, mas sim do material apreendido na sede de uma construtora em São Paulo, no curso dessa operação, cujas buscas foram legalmente autorizadas por um juiz federal, mas o caso permanece subjúdice. Além disso, o Supremo Tribunal Federal ainda não julgou o recurso que o Ministério Público Federal impetrou contra a decisão do STJ que anulou a Operação Castelo de Areia.

O Globo Online

Oito ou oitenta

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Na pesquisa do instituto Pew Research Center, o governo Dilma não existe

Dora Kramer – O Estado de S. Paulo

A pesquisa do instituto americano Pew Research Center traduz em números e ajuda a organizar um pouco o raciocínio sobre os humores da sociedade brasileira que passou da euforia algo míope — para não dizer abobalhada — para um estado de mau humor à deriva.

É sempre salutar o despertar de consciências, mas, como aponta a responsável pela pesquisa, Juliana Horowitz, chama atenção a mudança tão radical. Segundo ela, nos 82 países pesquisados desde 2010, oscilações semelhantes só foram observadas naqueles abatidos por graves crises ou rupturas institucionais.

"Antes" (dos protestos de junho de 2013 ou do quê?) não havia nada de errado, estava tudo na mais santa paz; agora o clima é de véspera de fim do mundo.

Ainda que pipocassem escândalos de corrupção por todos os lados e que a cúpula do partido do governo estivesse denunciada e prestes a ser julgada por comprar maioria no Congresso, este mesmo governo foi reeleito e ainda ganhou o direito a mais um período dando ao então presidente o cheque em branco pedido por ele para a eleição da sucessora.

Os números sobre o desempenho do governo são de impressionar: 86% desaprovam o combate à corrupção, 85% estão insatisfeitos com a situação de insegurança pública, 85% repudiam o serviço de saúde, 76% desaprovam o sistema de transportes, 71% não concordam com a política externa, 71% acham ruim a educação, 67% estão contra as preparações para a Copa do Mundo, 65% revoltam-se com a pobreza e 63% estão em desacordo com a situação da economia.

Justamente a economia, o item apontado como o grande vilão da insatisfação, o fator ao qual se atribuiu o agrado ou desagrado em relação a um governo, é o que tem o índice menos alto. No entanto, é o setor que mais se deteriorou. Os outros já vinham devidamente degradados. Mesmo no tempo da euforia com o consumo desenfreado, do Brasil que dava lições aos Estados Unidos e à União Europeia, do ilusionismo dos sucessivos PACs cujas obras atrasadas ou não iniciadas não serviram de sinais de alerta para a incapacidade objetiva de fazer acontecer de maneira decente uma Copa e uma Olimpíada.

Era evidente que a farra não duraria para sempre. A situação externa não explica tudo, porque países em desenvolvimento como o Brasil saíram-se muito melhor nesse período porque fizeram outras escolhas. As ações aqui foram todas referidas no imediatismo da conquista da unanimidade com fins da obtenção de hegemonia política, social e cultural.

Para ganhar eleições, vende-se otimismo. Mas, para que o poder perdure é preciso entregar o prometido e, da maneira como as coisas foram conduzidas desde o início, era evidente que a conta chegaria.

Não viu quem não quis ou quem achou que a bonança é eterna e não tem preço. Um palpite para o motivo da irritabilidade à deriva? A retirada do palco de Lula como exímio animador de plateias. Levou a maioria na conversa até quando era evidente o vazio, quando não a enganação, da conversa. Saiu de cena o ilusionismo e o País se viu no convívio diário com a realidade.

E o produtor daquela euforia extrema, o homem das metáforas futebolísticas, o líder das massas, a alegria do povo, o presidente que trouxe a Copa para o Brasil onde estará nos jogos do Mundial, inclusive na abertura no estádio de seu Corinthians do coração? Segundo ele, em casa, vendo tudo pela televisão.

A fim de não correr o risco de ser alvo do mau humor à deriva nos estádios aonde o brasileiro "vai a pé, descalço e de jumento".

Refinaria Abreu e Lima: minucioso preparo do desastre

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Por tudo que já se sabe sobre ela, a Refinaria Abreu e Lima parece um modelo do governo petista

LULA E PAULINHO
Visita ao canteiro da corrupção da Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco

As causas do espantoso encarecimento da Refinaria Abreu e Lima, que a Petrobrás está concluindo com grande atraso em Pernambuco, não foram, nem poderiam ter sido, meras casualidades, decisões baseadas em critérios equivocados ou outros fatores inesperados que eventualmente oneram projetos de grande porte. O que produziu o aumento de pelo menos dez vezes do custo desse empreendimento — de uma estimativa inicial de cerca de US$ 2 bilhões para mais de US$ 20 bilhões efetivamente despendidos — foi uma sequência de decisões deliberadas, formalizadas em documentos oficiais e avalizadas por seus responsáveis.

As 123 atas das reuniões do Conselho de Administração da refinaria realizadas entre março de 2008 e dezembro de 2013 — às quais o jornal Valor teve acesso e sobre as quais publicou (em 15/3) extensa reportagem — não deixam dúvidas quanto à maneira desleixada como foram autorizadas despesas bilionárias, sem haver sequer estudos prévios de viabilidade financeira, econômica e técnica, indispensáveis em projetos dessas dimensões.

Não é simples coincidência o fato de, no período em que foram tomadas decisões desastrosas para o País, o presidente do conselho ter sido o notório ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, preso desde março por seus vínculos com a Operação Lava Jato, que apura as ações de uma organização acusada de lavagem de R$ 10 bilhões. Também não deve ser coincidência o fato de uma das empresas beneficiadas por revisões de contratos para construção da refinaria ter sido a Jaraguá Empreendimentos Industriais, também sob investigação na Operação Lava Jato e listada entre as que doaram dinheiro para o PT em 2010.

Por tudo que já se sabe sobre ela, de sua concepção ao modo como vem sendo construída, a Refinaria Abreu e Lima parece um modelo do governo petista. O empreendimento foi anunciado pelo ex-presidente Lula como a primeira grande parceria com seu aliado e companheiro ideológico Hugo Chávez, da Venezuela. Era mais um gesto para inflar as ambições políticas do ex-presidente brasileiro, que queria estender sua influência para outros países latino-americanos. Era previsível que, com o agravamento da crise venezuelana em decorrência dos erros da política bolivariana de Chávez, o parceiro lulista não honraria sua parte – o que só foi admitido pelo governo Dilma no ano passado.

Além do erro político de sua concepção, Abreu e Lima foi submetida por seus dirigentes a muitos outros, alguns dos quais, se analisados por conselheiros e auditores efetivamente independentes, talvez caracterizassem gestão temerária.

Contratos de serviços de terraplenagem foram assinados em 2007 sem que houvesse nenhum projeto de execução, o que propiciou ao consórcio contratado a oportunidade de reclamar um aditamento, com o qual concordou a empresa constituída pela Petrobrás para a construção da refinaria. Esse aditamento foi questionado por auditores do Tribunal de Contas da União (TCU), que ainda não decidiu sobre o caso.

Como mostram as atas das reuniões do Conselho de Administração, um empréstimo de R$ 10,9 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi tomado pouco depois de constituída formalmente a empresa que administraria a construção, mas havendo até então apenas um "projeto básico". Não foram informadas as garantias oferecidas ao banco pela empresa, que foi absorvida no ano passado por sua controladora, a Petrobrás, após a formalização da saída do governo venezuelano do projeto.

Só em janeiro de 2010 o Conselho de Administração examinou o estudo de viabilidade econômico-financeira de Abreu e Lima, peça indispensável para um administrador prudente e cauteloso — como se imagina devessem ser os conselheiros da refinaria — decidir sobre a contratação de obras. Então, o conselho já havia autorizado não apenas a assinatura de contratos bilionários, mas até o aditamento de outros, entre os quais o da citada Jaraguá. O desastre financeiro de Abreu e Lima já estava em pleno andamento.

Editorial do Estadão