Abobado

Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

Posts Tagged ‘Banco do Brasil

Após empréstimo à socialite, presidente do BB pede demissão

leave a comment »

Val Marchiori foi favorecida com empréstimo suspeito autorizado pelo petralha Aldemir Bendine

Desgastado por denúncias de favorecimento a uma amiga em empréstimos concedidos pelo Banco do Brasil (BB) e BNDES, o presidente do BB, Aldemir Bendine, entregou o cargo ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. Mas a saída dele só será anunciada oficialmente depois da nomeação do novo ministro da Fazenda. O secretário executivo da pasta, Paulo Rogério Caffarelli, deve ser convidado a assumir o comando do BB, de onde é funcionário de carreira. Entre assessores palacianos, Cafarelli é visto como o substituto natural de Bendini.

Segundo interlocutores do Planalto, Caffarelli só não ocupará o posto se não quiser ou se estiver interessado em outra colocação. A avaliação do governo é que ele conquistou espaço e pode escolher para onde quer ir, porque desenvolveu um bom trabalho na pasta.

— O cargo será oferecido a ele e só não será dele se ele não quiser — garante um interlocutor do Planalto.

Bendine foi alvo de denúncias recentes, como o financiamento concedido pelo BB à socialite Val Marchiori em condições favorecidas e o relato de seu ex-motorista, ao Ministério Público Federal, confessando que fez diversos pagamentos em dinheiro vivo a mando do chefe. Com as denúncias, Bendine ficou desgastado demais para fazer o seu sucessor.

Até o nome de Caffarelli surgir como cotado à presidência do Banco do Brasil, as apostas eram de que o vice-presidente de Varejo do BB, Alexandre Abreu, herdaria a cadeira. Entre os funcionários, era dada como certa a ascensão de Abreu porque, desde as denúncias, Bendini afastou-se das atividades do dia a dia do banco. Com isso, o vice-presidente — responsável pelo programa Bom Pra Todos — ganhou mais espaço e, na prática, é quem toca a instituição.

A indefinição deixou o BB em compasso de espera. Projetos foram interrompidos neste ano, e, por enquanto, a ordem é cortar despesas para aumentar o resultado. Até viagens dos executivos foram limitadas para melhorar o balanço. Outra decisão é esperar 30 dias para repor funcionários que saíram do cargo. A contenção de pequenas despesas é cada vez mais importante, já que o banco diminuiu os juros há dois anos, a pedido da presidente Dilma. E não deve elevar tarifas para recompor a margem.

— Do (programa) Bom Pra Todos para cá, todo ano é isso. Os outros bancos podem demitir para aumentar lucro, o BB não. Tem de fazer economia onde dá — pondera um especialista.

O Globo Online

A bandidagem petralha não descansa – Ex-motorista do BB diz que Gilberto Carvalho quis impedir depoimento ao Ministério público

leave a comment »

QUEM TEM, TEM MEDO 
Sebastião Ferreira da Silva, o Ferreirinha, está com receio de se tornar um novo Celso Daniel

O motorista Sebastião Ferreira da Silva, que trabalhou cinco anos para a Presidência da República no governo Lula e outros seis anos para o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, disse ao Ministério Público Federal que se "sente ameaçado" por pessoas do governo federal.

Ferreira afirmou à Folha que foi pressionado pelo ministro Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria-Geral da Presidência, de quem foi motorista, para não levar adiante acusações contra Bendine. O ministro usou um número do Palácio do Planalto para telefonar a Ferreirinha, como o motorista é conhecido.

Conforme a Folha revelou no domingo (31), Ferreirinha prestou depoimento ao Ministério Público Federal em São Paulo no dia 5 de maio. Ele disse que fez pagamentos em dinheiro vivo a mando do presidente do BB no período em que trabalhou para o banco e o ajudou a transportar uma sacola de dinheiro uma vez.

Bendine afirma que as alegações de Ferreirinha são falsas. Denúncia anônima com teor semelhante ao depoimento do motorista foi arquivada pelo Ministério Público Estadual de São Paulo e por órgãos de fiscalização do governo federal antes que ele falasse ao Ministério Público Federal.

Segundo Ferreirinha, Carvalho costuma lhe telefonar, muitas vezes para falar amenidades. No meio da semana anterior ao depoimento, o motorista informou ao ministro sua intenção de ir ao Ministério Público depor sobre Bendine. Nesse primeiro contato, disse Ferreirinha, o ministro tentou demovê-lo da ideia.

O motorista diz que o ministro voltou a ligar no dia 2 de maio, quando teria lhe perguntado se atenderia Bendine e estaria disposto a desistir do depoimento se recebesse um pedido de desculpas. Ferreirinha diz que Bendine telefonou no dia seguinte.

Segundo o motorista, Bendine pediu desculpas e o convidou a ir a sua casa para conversarem pessoalmente. Ferreirinha disse ter aceitado encontrá-lo numa padaria, mas depois desistiu e não apareceu no horário combinado. Ferreirinha afirma que recebeu outra ligação de Gilberto Carvalho no dia 5. O aparelho celular do motorista registra uma chamada às 10h43 de um número pertencente à Presidência da República.

Loucura

Segundo o motorista, Carvalho disse que Ferreirinha cometeria uma loucura se levasse adiante o depoimento, que poderia prejudicar a campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição. O ministro teria dito também que o motorista poderia ser processado e perder seus bens, ou até mesmo parar na cadeia.

No depoimento prestado ao Ministério Público, Ferreirinha não menciona Carvalho, mas afirma que "o interlocutor" lhe disse para "parar com isso". À Folha Ferreirinha identificou o "interlocutor" como Gilberto Carvalho. Procurado pela reportagem, o ministro preferiu não se manifestar sobre o caso.

Ferreirinha contou que o vice-presidente de varejo do BB, Alexandre Abreu, foi três ou quatro vezes à sua casa, em Guarulhos (SP), para tentar convencê-lo a parar com as acusações contra Bendine. Por meio de sua assessoria de imprensa, o BB negou que "tenha existido qualquer tipo de ameaça ou pressão sobre o ex-motorista Sebastião Ferreira, por parte do presidente ou do vice-presidente".

Folha Online

Ferro na petralhada imunda – Ministro do Supremo diz que País vive ‘apagão de gestão’ e que escândalos da Petrobrás causam constrangimento

leave a comment »

Em São Paulo, Gilmar Mendes condena ‘dimensão e repetição’ de denúncias envolvendo a estatal petrolífera

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta segunda feira em São Paulo que o País vive “um apagão de gestão” e que a sucessão de escândalos na Petrobrás o constrange. “Pela dimensão e repetição os escândalos realmente constrangem”, declarou o ministro.

“Basta saber qual é o próximo (escândalo), isso é sem dúvida muito sério”, alertou Gilmar Mendes. “Temos graves problemas aqui (na Petrobrás), são repetidos os casos de corrupção, muitos deles associados à questão política, a campanhas.”

A estatal petrolífera brasileira está no centro de uma crise sem precedentes desde que seu  ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, foi preso pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Costa é acusado de lavagem de dinheiro a partir de crimes contra a administração pública, corrupção e peculato.

“É preciso que se dê a atenção devida (aos escândalos na Petrobrás)”, prosseguiu Mendes. “Temos um aparato de repressão que vem se mostrando pelo menos ativo, senão eficaz, mas os escândalos realmente constrangem. Pela dimensão e pela repetição. Era a grande empresa brasileira. E há pouco tivemos o caso do Mensalão com referências a uma outra grande empresa brasileira, o Banco do Brasil, envolvido nesse episódio lamentável.”

Ao comentar a onda de violência que se espalha pelo País, Gilmar Mendes alertou para o que chama de “grave crise de gestão”.

“Quero dizer que nós estamos vivendo um momento de apagão de gestão. Precisamos pensar claramente: que tipo de legado estamos deixando para os nossos filhos? Quanto piorou a gestão pública no Brasil? É um quadro de anomia muito preocupante e má qualidade dos serviços prestados. As demandas que são formuladas não são atendidas minimamente. Isso é muito sério.”

Para o ministro, o quadro de “má gestão” afeta também a segurança pública. “Temos um déficit enorme no que concerne à segurança pública. Isso é notório. Basta ver o tema que está na agenda hoje, a má gestão dos presídios, todos esses problemas que se acumularam ao longo dos anos que é uma parte do tema Segurança Pública. Tomamos medidas importantes no que diz respeito à ocupação dos morros no Rio, as UPPs, mas com grandes déficits. A União tem que participar mais ativamente do tema da segurança pública. É preciso que isso entre na própria agenda da disputa presidencial. O cidadão perdeu a liberdade, o cidadão normal é um prisioneiro porque ele não pode sair à rua nas nossas grandes cidades.”

Para o ministro, “juntamente com a Educação e a Saúde, a Segurança Pública certamente é tema prioritário”.
“A gente não percebe, a não ser medidas paliativas propostas com forte caráter simbólico, a gente não percebe articulação de medidas que possam afetar de fato esse quadro de insegurança pública ao qual estamos submetidos.”

O ministro do Supremo atribui negligência aos órgãos públicos ante os ataques de vândalos em manifestações de rua. “Temos muitos conflitos que têm sido talvez negligenciados e que precisam merecer a devida atenção de todos os segmentos incumbidos de regular, de aplicar a lei, os setores investidos de poder público, de poder estatal.”

Gilmar Mendes advertiu para a forte carga tributária imposta ao contribuinte, sem contrapartida do poder público. “É notório que o País tem hoje uma cobrança, uma participação financeira por parte do cidadão que é bastante elevada, a tributação, a carga é muito elevada. E os serviços que são devolvidos são precários. Então, nós temos tributos em padrão da Suécia e serviços de alguns países africanos. É preciso que a gente perceba que nós estamos vivendo um quadro realmente de má gestão. Eu fico um pouco envergonhado quando eu vejo essa situação generalizada de má prestação dos serviços.”

Estadão Online

Mensaleiros: a tática do deboche

with one comment

Mensaleiro fugitivo é preso na Itália com passaporte de um morto, enquanto no Brasil seus companheiros adotam a estratégia do escárnio à Justiça, com demonstrações de deselegância, grosseria e poder econômico
 

LADRO: Condenado a doze anos e sete meses de prisão, Henrique Pizzolato começou a planejar a fuga cinco anos antes do julgamento, fraudando documentos e usando a identidade de seu irmão, Celso, morto há mais de trinta anos. Preso na Itália, ele aposta que conseguirá escapar da Justiça brasileira por ter dupla cidadania — e seguir livre, leve e solto

O bancário Henrique Pizzolato sempre foi um militante exemplar para os padrões do PT. Quando o partido era oposição, ele fazia parte de um grupo cuja especialidade era cavar na surdina denúncias de malfeitos contra o governo, trabalho que exercia com competência. No poder, Pizzolato foi indicado para a diretoria de marketing do Banco do Brasil, posto estratégico para executar uma missão muito mais delicada: alimentar com dinheiro público o esquema montado pelo PT para subornar congressistas e comprar apoio político. Apesar da aparente contradição, Piz­zolato também cumpriu a tarefa com sucesso, desviando 77 milhões de reais do banco para as contas do partido e, como qualquer ladrão, reservando uma parte do dinheiro para melhorar o próprio padrão de vida — comprando apartamentos luxuo­sos, casas, carros, lotes… Em 2005, o crime foi descoberto. Assim como seus colegas de partido, ele foi condenado à prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, mas fugiu do Brasil assim que o veredito foi confirmado. Pizzolato foi preso na semana passada na cidade de Maranello, no interior da Itália. Na linha imaginária que divide o Brasil em dois — o civilizado e o que ainda se arrasta pelos séculos passados —, pode-se dizer que o mensalão, o maior escândalo de corrupção da história do país, tem um pé em cada lado.

Antes de partir para Maranello, Pizzolato morou em Porto Venere, uma das enseadas mais belas — e caras — da Riviera italiana. Chegou com a mulher em meados de novembro do ano passado e instalou-se num residence chamado I Gabbiani. Às pessoas com quem conversava, contava que estava ali, naquele “pedaço de paraíso”, para gozar a aposentadoria depois de uma vida dedicada ao trabalho. Ao cabo de algumas semanas, perguntou ao proprietário do hotel, o senhor Giovanni, se não poderia morar no apartamento em que se hospedara. O proprietário lhe respondeu que não gostaria de ter moradores no residence, porque isso não seria tão lucrativo para ele e sairia muito caro ao “senhor Celso”. Mas que alugaria com gosto uma casa sua, localizada na mesma rua, Via Olivo, só que mais acima, igualmente com vista para o mar. Pizzolato e a sua mulher adoraram a pequena “villa” (como são denominadas na Itália as casas maiores, cercadas por jardim), em que o tom de rosa das paredes externas faz um belo contraste com as oliveiras ao redor e o azul do Mediterrâneo, ao fundo. Fecharam o negócio por 2 000 euros por mês, fora as despesas de manutenção.

Antes de fugir do Brasil, Pizzolato assumiu a identidade de seu irmão, Celso, que morreu há 35 anos. Tirou documentos novos, votou nas eleições de 2008 e escondeu o patrimônio milionário. Em Porto Venere, ele e a mulher levavam uma vida, se não luxuosa, bastante agradável graças ao dinheiro roubado do contribuinte brasileiro: jantares em restaurantes locais, aperitivos ao cair da tarde em Le Grazie, um recanto de Porto Venere, e idas à vizinha Cinque Terre. O casal ganhou a atenção dos policiais de La Spezia, capital da província da qual Porto Venere faz parte, em janeiro, depois que a seção italiana da Interpol, baseada em Roma, lhes comunicou que havia um “Celso Pizzolato” domiciliado por lá. “Esse foi o seu maior erro: registrar-se na prefeitura de Porto Venere, a fim de obter uma carteira de identidade”, afirma o capitão Armando Ago, que comanda a seção de investigação da polícia de La Spezia. Quando o sobrenome “Pizzolato” foi registrado na prefeitura de Porto Venere, o alarme soou na Interpol — e as autoridades de La Spezia foram acionadas. Ao longo de janeiro, uma dezena de policiais monitorou o cotidiano de “Celso”. Queriam, a princípio, saber se ele estava dando guarida ao fugitivo brasileiro, mas o fato é que não havia outro homem morando na casa de Via Olivo. A certeza de que “Celso” era Henrique Piz­zolato veio depois que a Polícia Federal, em Brasília, descobriu que, para obter o passaporte em nome do irmão morto, o mensaleiro havia falsificado os papéis brasileiros necessários para a obtenção do documento. “Ao ser interpelado, ele fingiu não saber italiano, falava apenas em português”, ri o capitão Ago.

O destino do mensaleiro está, agora, nas mãos da Corte de Apelo de Bolonha, onde se travará a batalha judicial em torno da sua extradição e dos crimes que cometeu como italiano. O primeiro deles é “substituição de pessoa”, uma modalidade de falsidade ideológica mais branda que pode render até um ano de prisão (o passaporte, ao contrário do que vem publicando a imprensa, não é falso em si, pois foi efetivamente emitido por representantes consulares). O segundo, mais grave, é o fornecimento de documentos falsos para a confecção do passaporte — e contabilize-se aí uma pena de mais dois anos, pelo menos. O terceiro, pesadíssimo, é reciclagem de dinheiro e fraude fiscal. Como pagava todas as suas despesas em espécie, Pizzolato precisa justificar a origem dos milhares de euros ao Ministério da Fazenda da Itália. No Brasil, sabe-se qual é. O fato: apesar de tudo isso, por ter dupla nacionalidade, ele tem grandes chances de escapar da Justiça brasileira — e ficar livre, leve e solto.

DESRESPEITO: O petista André Vargas, vice-presidente da Câmara, escreveu que gostaria de dar uma "cutovelada" no ministro Joaquim Barbosa

A prisão de Pizzolato aconteceu dias depois de os mensaleiros desencadearem uma série de ações para fustigar a Justiça. O deputado João Paulo Cunha, na iminência de ter a prisão decretada, o que acabou ocorrendo na terça-feira, participou de um protesto em defesa dos criminosos promovido por petistas em frente ao Supremo Tribunal Federal. Depois, já na cadeia, anunciou que não pretendia renunciar ao mandato. Mais: queria autorização da Justiça para continuar exercendo a atividade parlamentar durante o dia — um insulto. Pressionado, ele renunciou na noite de sexta-feira. Na solenidade de abertura do Congresso, foi a vez de o vice-presidente da Câmara, o petista André Vargas, dar sua contribuição à República. Descortês, para dizer o mínimo, ele provocou o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, repetindo na frente dele o gesto feito pelos mensaleiros ao serem presos no ano passado. Grosseiro, também foi flagrado escrevendo uma mensagem em que revela ao interlocutor a vontade de dar uma “cutovelada” (sic) no ministro. Os petistas mostraram mais uma vez a elevada estima e o respeito que muitos deles reservam às instituições.

Em todo o mundo, há pessoas presas por ter tomado dinheiro alheio. No Brasil, há agora encarcerados que conseguem levantar boladas a partir da cela. Mandados à prisão no fim do julgamento do mensalão, José Genoino e Delúbio Soares também foram condenados a pagar multas como parte da punição. Em um prazo incrivelmente curto, a dupla levantou o dinheiro a partir de campanhas de doação divulgadas pela internet. O PT comemorou o feito, visto como um grito vindo da sua militância. O montante e a velocidade com que se juntou tanto dinheiro chamam atenção. Genoino reuniu 761 962 reais em onze dias (média de 290,82 por doador). Delúbio amealhou 1 013 657 (média de 607,70), mais do que o dobro do necessário, em oito dias. O que sobrou será doado ao ex-ministro José Dirceu. Até o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu uma investigação, já em curso em dois estados, sobre as operações. “Qualquer um pode fazer a doação. O que a gente quer compreender é a origem do dinheiro.” O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, foi mais longe: “Será que não há um processo de lavagem de dinheiro aqui?”.

Lideranças do PT tentaram convencer os incautos de que a arrecadação foi uma forma indireta de reprovação do julgamento do mensalão. Se for verdade, os insatisfeitos são pouquíssimos. A despeito da euforia partidária, os números divulgados mostram que o total de participantes das duas vaquinhas foi de modestas 4 288 pessoas. Trata-se ainda de uma hipótese generosa, já que é provável que entre os 2 620 apoiadores de Genoino e os 1 668 de Delúbio haja gente em comum. Portanto, a voz que se ergue contra o julgamento não passa de 0,002% da população, ou 0,003% dos eleitores. Ainda assim, surpreende que tantas pessoas se disponham a pôr a mão no bolso para pagar a multa devida por gente que, após pôr a mão no mesmo lugar, foi condenada pela Justiça.

Mario Sabino, de La Spezia (Itália), e Rodrigo Rangel, com reportagem de Renata Honorato e Claudia Tozetto

Veja Online

Uma bóia para Lula

with one comment

Um pequeno e próspero empreiteiro de obras, que tem talento para cantor sertanejo e não ingere uma gota de álcool, aproveitou a festa de revellion em um hotel na Costa do Sol para contar causos curiosos de sua vida. Um deles foi a experiência dramática com uma imensa bóia de câmara de ar de trator durante um fim de semana com amigos de praia. O relato serviria de alegoria sobre a conjuntura político-econômica do Brasil, sob gestão da turma da Republiqueta Sindicalista e seus parceiros no Governo do Crime Organizado.

O empreiteiro, que não sabia nadar, sentiu uma aguda dor de barriga. Sua solução imediatista foi pular para o centro da grande bóia, baixar o calção e se aliviar no azul do mar. O incauto poluidor só não imaginava o efeito colateral de sua decisão. A bosta liberada — resultado da liquefação de uma feijoada — veio totalmente à tona. Formou uma ilha dentro da imensa roda. O negócio fedeu mais ainda porque os companheiros do desarranjado resolveram, de repente, tomar o flutuante de assalto. No desespero, diante da conjuntura escatológica, todos jogaram a culpa no cabra. Na prática, pelo vexame passado, a reputação dele quase afundou no mar de sujeira.

Se Luiz Inácio Lula da Silva contasse essa mesma história — eventualmente se passada com ele — seríamos forçados a ficar com pena de sua vexatória situação. Lula é hoje um político que precisa de uma bóia gigante, para não morrer afogado no oceano de imundícies em volta dele e do seu governo que ainda não terminou. A Operação Porto Seguro da Polícia Federal revelou as relações intestinas de Lula com grandes esquemas de corrupção coordenados por sua melhor amiga e apadrinhada, Rosemary Nóvoa Noronha, junto com os Irmãos Vieira (que bem poderiam ser personagens da banda maldosa-trapalhona de Walt Disney).

A revista Veja lança novas revelações bostejantes dentro da grande bóia do companheiro de Rose. Informações da agenda da “segunda-dama”, apreendida pela Polícia Federal, vêm à tona com mais fedor que a caganeira relatada no começo deste escatológico artigo. Já ficou confirmado que Rose intermediava pleitos do Banco do Brasil junto ao então presidente. O ex-vice-presidente do BB, Ricardo Oliveira, confirmou que “Rose levava as demandas instituição do banco para o presidente”. Indiciada pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de influência e corrupção passiva, Rose teve 39 reuniões com ocupantes de altos cargos do BB, entre os anos de 2007 e 2010.

Salvo milagrosamente de ligação direta com o mensalão, será muito difícil dissociar Lula do Rosegate — pela intimidade pública entre ambos. Pouco importa se ela era amante ou não de Lula (como insinuam amigos e inimigos do ex-presidente). O fato objetivo é que Rose era secretária do gabinete presidencial em São Paulo e assessora de total confiança de Lula — que a apadrinhou na gestão Dilma Rousseff. Rose cuidava de assuntos importantes com Lula. Logo, se ela estava envolvida em maracutaias (como indica o inquérito da Operação Porto Seguro), fica impossível salvar Lula no meio da bóia de corrupção.

Lula não é santo, mas opera milagres. A maior parte da mídia — amestrada pelas verbas de publicidade oficial e por jogos de pressão nos bastidores — vinha silenciando sobre o Rosegate. A Veja voltou a mexer na privada relação de Lula com sua melhor amiga e super-assessora. O negócio continuará fedendo, embora o PT patrocine toda uma ação psicológica para tentar diminuir os danos contra a sagrada imagem do Chefe — que continua bem na fita, principalmente entre os desinformados ou deformados pela opinião petralha. Nas redes sociais e entre os segmentos esclarecidos da sociedade brasileira, o filme de Lula está queimado. Na internet, ele é mais que filho do Brasil…

Apesar das denúncias, a blindagem de Lula só cairá se houver agravamento dos problemas na gestão da economia. O timoneiro dele e dos grandes negócios petistas, o ministro Guido Mantega, sofre do mesmo desarranjo intestinal do rapaz da grande bóia. Investidores internacionais (principalmente os contrariados com os prejuízos gerados pelas ordens de Mantega na Petrobrás e na Eletrobrás) cada vez vociferam mais alto contra o ministro da Fazenda que já está na roça (como se diz na gíria caipira). Atirar em Mantega significa atingir Lula mortalmente. O tiroteio tende a se intensificar nos próximos dias.

O cagaço é geral. Ainda mais com a recente denúncia feita pelo deputado federal Miro Teixeira (PDT/RJ) de que existe uma rede de escutas ilegais contra membros do governo Dilma Rousseff e grandes empresários que fazem negócios com a máquina federal. O que ninguém está revelando é que a arapongagem é promovida por empresas transnacionais de segurança e inteligência. Elas são contratadas pelos maiores investidores internacionais que estão com interesses de negócios contrariados pela petralhada. Os prejudicados ou lesados sabem dar o troco em quem os prejudica. Usando formas legais ou ilegais. O jogo de poder econômico não tem regras limpas em seus bastidores.

Imagine se os arapongas revelarem que a doutora Rose torrou R$ 9 mil em compras no luxuoso Shopping Iguatemi, em São Paulo, nas vésperas do Natal deste ano, como se nada tivesse acontecido e a vida estivesse mais que bela para ela?

O negócio para Lula é se agarrar na bóia. Mas é preciso tomar cuidado porque muita cagada já foi e ainda está por ser feita por aqueles que perderam completamente a noção de como se portar na vida pública — sem imitar o que se faz na privada…

Jorge Serrão – Alerta Total

Pilantragem petralha: Rosemary Noronha intermediava pleitos do BB junto a Lula

leave a comment »

Agenda da ex-secretária da Presidência em SP mostra 25 reuniões com vice-presidentes da instituição

A ex-secretária da Presidência da República em São Paulo de Rosemary Noronha intermediava pleitos do Banco do Brasil junto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre 2007 e 2010, Rose, como era conhecida, teve 39 reuniões com ocupantes de postos importantes na instituição, 25 delas com vice-presidentes. As informações foram divulgadas pela “Veja” e, segundo a revista, as reuniões constam na agenda de Rose, apreendida durante a Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. Rose foi indiciada pela PF pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de influência e corrupção passiva.

A atuação de Rose como intermediária entre diretoria do Banco do Brasil e Lula foi confirmada à revista pelo pelo ex-vice presidente do Banco do Brasil, Ricardo Oliveira: "A Rose levava as demandas instituição do banco para o presidente. Esse contato direto foi muito positivo", disse Oliveira à revista. Na agenda da ex-secretária constam 16 reuniões com Oliveira, que seria um dos aliados de Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil.

Oliveira disse ainda, segundo a revista, que Rose foi acionada, por exemplo, para convencer o presidente a aprovar a compra da Nossa Caixa pelo banco, um negócio bilionário, de R$ 5,3 bilhões.

O escritório da Presidência da República em São Paulo funciona no prédio do Banco do Brasil. De acordo com a reportagem, Rose teria usado seu prestígio para interceder por dois candidatos a presidente do banco em 2009 — Bendine e Ricardo Flores, que acabou alçado à presidência da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do BB. À Veja, Flores disse não se lembrar das reuniões com Rose. Tanto Oliveira quanto Flores foram demitidos pela presidente Dilma Rousseff.

O Banco do Brasil informou em nota encaminhada à revista que a relação da instituição com Rose sempre foi institucional. A revista afirma que Rose cobrava, em troca, ingressos para shows, eventos em resorts e almoços em restaurantes caros, que eram pagos pelo banco.

A Operação Porto Seguro revelou que, além de receber "pequenos agrados", Rose foi beneficiada duas vezes pelo Banco do Brasil. Seu ex-marido José Cláudio Noronha foi nomeado para o conselho de administração da Aliança Brasil Seguros, a seguradora do BB que hoje se chama Brasilprev, usando um diploma falso de curso superior. O atual marido, João Batista de Oliveira, dono da pequena empresa New Talent, conseguiu um contrato de R$ 1,1 milhão com a Cobra Tecnologia, subsidiária do banco, para uma obra de reforma. Também neste caso, houve documento falso: um atestado de capacidade técnica emitido para a New Talent pela Associação Educacional e Cultural Nossa Senhora Aparecida, mantenedora da faculdade Facic, que pertencia a Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas também indiciado pela PF.

A agenda de Rose registra ainda reuniões com José Salinas, vice-presidente do BB até junho de 2010, e pelo menos um encontro com José Antonio Dias Tóffoli, em março de 2009, quando ele era ministro da Advocacia Geral da União (AGU). Rose teria participado da posse de Tóffoli no Supremo Tribunal Federal. A secretária teria ainda realizado cinco reuniões com Newton Carneiro, diretor administrativo e financeiro da Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, e duas com um representante da Funcef, o fundo de pensão dos servidores da Caixa Econômica Federal.

A revista diz ainda que Rose recebia até mesmo representantes de empresas estrangeiras que chegavam ao país, como a francesa Boiron, do setor de medicamentos, com quem manteve dois encontros. À revista, a empresa informou que os encontros foram para apresentar seu projeto para o Brasil.

A Assessoria de Imprensa do Instituto Lula informou que as informações contidas na reportagem não atingem o ex-presidente Lula. Em relação à declaração do ex-vice-presidente do BB que, segundo a revista, teria dito que Rose "levava demandas institucionais do banco para o presidente", a assessoria comunicou que essa era uma das atribuições do cargo de Rose como chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo e que não vê irregularidades nisso. A assessoria informou ainda que o ex-presidente não é objeto de investigação da Operação Porto Seguro.

O advogado de Rose, Celso Vilardi, disse que as reuniões citadas na reportagem faziam parte da rotina de trabalho dela.

— São compromissos que dizem respeito ao dia a dia de trabalho dela. O restante trata-se de ilações da revista Veja que não condizem com a realidade — afirmou.

O Globo Online

Rose e a sedução do poder

leave a comment »

De onde vinha a influência de Rosemary de Noronha, a mulher que se apresentava como “namorada” de Lula – e, com isso, nomeava afilhados, interferia em órgãos do governo e recebia recompensas
 
DIEGO ESCOSTEGUY E ALBERTO BOMBIG, COM LEOPOLDO MATEUS, MARCELO ROCHA, MURILO RAMOS, FLÁVIA TAVARES E LEANDRO LOYOLA
 

No Peru: Luiz Inácio Lula da Silva em viagem ao Peru, em maio de 2008, com Rosemary no detalhe. Ela viajou 23 vezes ao exterior na comitiva do presidente (Foto: Celso Junior/Estadão)

 

Uma triste passagem de bastão marcou a política brasileira na semana passada: saiu de cena um escândalo político; entrou outro. De um lado, o Supremo Tribunal Federal fez história ao definir as penas dos condenados do mensalão. Treze dos réus, incluindo o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, vão para a cadeia em tempo integral – uma rara ocasião na história brasileira em que poderosos pagarão por seus crimes. De outro lado, uma nova personagem irrompeu na cena política nacional: Rosemary Nóvoa de Noronha, ou Rose. Falando em nome de um padrinho político poderoso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Rose trabalhou pela nomeação de vários afilhados no governo federal. Ao se dirigir a diretores de empresas estatais ou órgãos do governo, Rose frequentemente se apresentava como “namorada” do ex-presidente. Um dos afilhados de Rose, Paulo Vieira, foi preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Porto Seguro, acusado de chefiar uma quadrilha que cobrava propinas de empresários, em troca de pareceres jurídicos favoráveis em Brasília – fosse no governo, nas agências reguladoras ou no Tribunal de Contas da União. Rubens Vieira, diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), irmão de Paulo e outro dos afilhados de Rose, também foi preso. Tão logo o caso veio a público, na sexta-feira dia 23 de novembro, Rose foi exonerada do cargo que exercia, como chefe do gabinete da Presidência em São Paulo.

"Chefão" – Em e-mail, Rosemary avisa Paulo Vieira que falou com o “chefão” sobre sua nomeação para a diretoria da Agência Nacional de Águas. O chefão era o presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Como foi possível que Rose, uma simples secretária do PT, acumulasse tanto poder e prestígio, a ponto de influenciar nos rumos do governo federal – e causar tamanho salseiro? “A investigação demonstra que o poder de Rose advinha da relação dela com Lula. Não há elementos, entretanto, de que o ex-presidente soubesse disso ou tivesse se beneficiado diretamente do esquema”, afirma uma das principais autoridades que cuidaram do caso. “Lula cometeu o erro de deixar que essa secretária se valesse da íntima relação de ambos”, afirma um amigo do casal Lula e Dona Marisa. “Deveria ter cortado esse caso há muito tempo.” Os autos do processo, de que ÉPOCA obteve uma cópia integral, e entrevistas com os principais envolvidos revelam que:

1) Lula, ainda presidente da República, prestou – mesmo que não soubesse disso – três favores à quadrilha. Por influência de Rose, indicou os irmãos Paulo Vieira e Rubens Vieira para a direção, respectivamente, da ANA e da Anac. Lula, chamado em e-mails de “chefão” ou “PR” por Rose, também deu um emprego no governo para a filha dela, Mirelle;

2) A quadrilha espalhou-se pelo coração do poder – e passou a fazer negócios. Os irmãos Vieira, aliados a altos advogados do PT que ocupavam cargos no governo, passaram a vender facilidades a empresários que dependiam de canetadas de Brasília;

3) Rose, gabando-se de sua relação com Lula, tinha influência no Banco do Brasil. Trabalhou pela escolha do atual presidente do BB, Aldemir Bendine, indicou diretores (um deles a pedido de Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT condenado no caso do mensalão), intermediou encontros de empresários com dirigentes do BB e obteve um contrato para a empresa de construção de seu marido;

4) Despesas do procurador federal Mauro Hauschild, do PT, ex-chefe de gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e, depois, presidente do INSS, foram pagas pela quadrilha. É uma situação similar à do recém-demitido número dois da Advocacia-Geral da União (AGU), José Weber Holanda – que, segundo a PF, recebeu propina;

5) A PF, mesmo diante das evidências de que Rose era uma das líderes da quadrilha, optou por não investigá-la. Não pediu o monitoramento das comunicações de Rose e não quis detonar a Operação Porto Seguro no começo de setembro, quando a Justiça autorizara as batidas e prisões. Esperou até o fim das eleições municipais.

De acordo com o relato feito a ÉPOCA por um alto executivo que trabalhou na Companhia das Docas do Porto de Santos (Codesp), Rose evocava sua relação com Lula para fazer indicações e interferir, segundo seus interesses, nos negócios da empresa. Nessas ocasiões, diz o executivo, Rose se apresentava como “namorada do Lula”. “Ela jogava com essa informação, jogava com a fama”, diz ele.

_lead_epocaUma história contada por ele ilustra o estilo de atuação de Rose. Em 2005, uma funcionária da Guarda Portuária passou a dizer na Codesp que fora indicada para o cargo porque era amiga da “namorada do Lula”. O caso chegou ao conhecimento da direção do Porto de Santos. Um diretor repreendeu a funcionária e chegou a abrir uma sindicância para apurar o fato – e ela foi demitida. O executivo conta que, contrariada, Rose ligou para executivos para cobrar explicações e reafirmou o que a amiga havia dito: “Eu sou a namorada do Lula”. Os executivos acharam que ela blefava. “No começo, a gente não sabia que ela era tão forte”, diz um deles. No Porto, ela foi responsável pelas indicações de Paulo Vieira e do petista Danilo de Camargo, ligado ao grupo do ex-ministro José Dirceu no PT. Os dois passaram a atuar em parceria com Valdemar Costa Neto, o deputado pelo PR condenado à prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do mensalão, responsável por indicar o presidente da Codesp.

Um dos interesses desse grupo era perdoar uma parcela da dívida da empresa transportadora Libra com a Codesp. O valor da dívida era de R$ 120 milhões. O acordo foi fechado no Ministério dos Transportes, então controlado pelo grupo ligado a Costa Neto, e contou com o aval de Camargo, presidente do Conselho de Administração. O PT de Santos, liderado pela ex-prefeita Telma de Souza, ficou revoltado com os termos do acordo e resolveu cobrar explicações de Camargo. Novamente Rose entrou em ação para defender os interesses da Libra, do PR de Costa Neto e de Paulo Vieira. Na ocasião, diz o alto executivo, ela evocou novamente o nome de Lula. Nos telefonemas que dava aos petistas contrários ao perdão da dívida, afirma ele, Rosemary sempre mencionava o então presidente.

Rose tem 57 anos, começou jovem na militância política e sua turma, dentro do PT, é uma turma das antigas. Seus principais interlocutores no partido, além de Lula, são Paulo Frateschi, secretário de organização do PT, e os já mencionados Camargo e Dirceu. Rose trabalhou como assessora de Dirceu nos anos 1990. Acompanhou de perto sua ascensão à presidência do PT. No total, foram 12 anos de parceria. Foi no período em que trabalhava com Dirceu que Rose conheceu Lula. Em fevereiro de 2003, com Lula no Planalto, Rose se tornou assessora especial do gabinete regional da Presidência em São Paulo. Em 2005, tornou-se chefe da unidade. Seu poder no partido foi crescendo. Ela fazia triagem informal dos currículos de candidatos a cargos do segundo escalão. Nessa época, começou a exercer influência também no Banco do Brasil. Rose trabalhou, de acordo com políticos e executivos do setor bancário, pela indicação de Aldemir Bendine para a presidência do BB.

A proximidade com Bendine permitiu que Rose, em 2009, conseguisse um emprego para José Cláudio Noronha, seu ex-marido. Noronha ganhou a vaga de suplente no Conselho de Administração da Aliança Brasil Seguros, atual Brasilprev. De acordo com as investigações da PF, Paulo Vieira forjou um diploma de curso superior para que Noronha cumprisse uma exigência da Brasilprev e assumisse a vaga. Em agosto do ano passado, o mandato de Noronha foi renovado.

Rose era também próxima de Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT condenado a oito anos e 11 meses de prisão no caso do mensalão. Os dois costumavam tomar café no Conjunto Nacional, centro comercial próximo ao prédio do gabinete da Presidência. A pedido de Delúbio, segundo executivos do BB, ela usou sua proximidade com Bendine para conseguir a nomeação de Édson Bündchen para a superintendência do BB em Goiás, em setembro passado.

Rose circulava tão bem no BB que pairava acima das disputas fratricidas entre seus diretores. Era próxima também de Ricardo Flores, ex-vice-presidente de crédito e ex-presidente da Previ, o bilionário fundo de pensão dos funcionários do banco. Flores e Bendine travaram embates corporativos constantes e são considerados inimigos. Isso nunca impediu Rose de se sentir segura para pedir favores a ambos. Em 25 de março de 2009, Rose pediu a Flores que examinasse um pedido de empréstimo de cerca de R$ 48 milhões da empresa Formitex. Era um desejo de Paulo Vieira – na época, ele ainda não era diretor da ANA. “Gostaria que encaminhasse esses dados técnicos ao Dr. Ricardo (Flores) e, se possível, conseguisse uma agenda para o Dr. César Floriano”, diz Paulo em e-mail para Rose que consta do inquérito policial. Floriano era um dos empresários que bancavam a quadrilha. Em 17 de agosto de 2009, Rose encaminha outro e-mail a Paulo em que pergunta se “aquele assunto do Flores foi resolvido”. Poucos minutos depois, Paulo responde: “As coisas com o Flores estão caminhando bem, ele tem sido muito legal e parece que vamos avançar bastante” (leia o e-mail abaixo).

De acordo com a investigação da PF, além do emprego para o ex-marido, Rose usou seus contatos no BB para ajudar o atual, João Vasconcelos. Documentos apreendidos pela polícia na casa de Rose, em São Paulo, mostram que a construtora de Vasconcelos, a New Talent, obteve um contrato de R$ 1,1 milhão – sem licitação – com a Cobra Tecnologia, subsidiária do BB. Tratava-se de uma obra de adequação e reforma do novo centro de impressão da empresa em São Paulo. Mais uma vez, Rose recorreu a Paulo Vieira para forjar documentos. A Associação Educacional e Cultural Nossa Senhora Aparecida, mantenedora da faculdade de propriedade de Vieira em Cruzeiro, São Paulo, emitiu um falso atestado de capacidade técnica para a New Talent conseguir o contrato com a Cobra. Em maio de 2010, funcionários da Cobra encaminharam a Vasconcelos o contrato com a New Talent.

ÉPOCA Online