Abobado

Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

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Se aparecer no local de trabalho com mais frequência, Haddad será lembrado para sempre como o pior prefeito da história

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Há um ano e meio no cargo, o prefeito Fernando Haddad acaba de conceder-se o segundo período de férias. Em outubro, foi festejar o aniversário de casamento na Itália. Nesta semana, refugiou-se em algum canto do mundo para convalescer do divórcio litigioso noticiado pelo Datafolha: quase metade do eleitorado de São Paulo nem quer conversa com o encarregado de administrar a maior metrópole brasileira.

Foi uma ruptura e tanto: segundo a pesquisa que o Ibope ainda não teve tempo de retocar, 47% da população acha “ruim” ou “péssimo” o desempenho do prefeito. Só dois antecessores conseguiram ir mais longe que Haddad em 18 meses de governo: Jânio Quadros (66%, em 1987) e Celso Pitta, que em 1998 embolsou a medalha de prata com 54% de desaprovação.

O Datafolha também constatou que o prefeito percorre a rota do naufrágio mais pelo que andou fazendo e menos pelo que deixou de fazer. Os insatisfeitos com Haddad pouco se importam, por exemplo, com o sumiço do Arco do Futuro, codinome do colosso de “intervenções urbanas” que fariam de São Paulo uma Paris com pastel e caldo de cana. A imensidão de indignados é fruto das sucessivas demonstrações de incompetência político-administrativa.

Os 47% de impopularidade se devem às faixas exclusivas semidesertas, às linhas de ônibus que desaparecem misteriosamente da noite para o dia, aos coletivos em decomposição, à subordinação aos “movimentos sociais” (sobretudo ao liderado por Guilherme Boulos e sua trupe sem-teto armada de telefones celulares), à transformação das principais avenidas em parque de diversões em poder dos black blocs, à expansão da Cracolândia e a tantos outros monumentos ao amadorismo amalucado. Sempre que a luz acesa no poste instalado por Lula na prefeitura informa que vem aí mais uma ideia, a cidade se prepara para outro curto-circuito.

Jânio e Pitta são concorrentes respeitáveis, mas Haddad não demoraria a derrotá-los se aparecesse com mais frequência no local do emprego. Ele chegou aos 47% trabalhando só em dias úteis, reservando todas as noites ao convívio com a família e saindo de férias quando lhe dá na telha. Caso se livre da laborfobia, a produção de projetos e ideias lhe permitirá superar, antes que o mandato chegue ao fim, o recorde estabelecido por Jânio há 27 anos.

A façanha eternizará o jovem campeão na memória paulistana como o pior prefeito da história. Não é pouca coisa.

Augusto Nunes

Paulistanos ingratos

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Ao transformar a cidade de São Paulo em um laboratório de experiências esdrúxulas e marqueteiras, o prefeito Fernando Haddad demonstrou, em menos de dois anos de gestão, que não governa para todos, mas apenas para grupos minoritários estridentes, e que se preocupa somente com os eventuais ganhos eleitorais de suas decisões. Como resultado, Haddad é considerado um mau prefeito por nada menos que 47% dos paulistanos, segundo a mais recente pesquisa Datafolha sobre a qualidade de sua gestão.

Com esse índice, Haddad passou a fazer companhia aos piores prefeitos que São Paulo já teve desde a redemocratização do Brasil. Ele não está muito longe, por exemplo, de Celso Pitta (1997-2000), cuja administração, após 1 ano e 6 meses, foi considerada ruim ou péssima por 54% dos paulistanos. Como os paulistanos hão de se recordar, Pitta foi aquele prefeito que chegou a ser afastado do cargo em razão de denúncias de corrupção e que destroçou as finanças do Município.

As vicissitudes de Haddad, porém, são de outra ordem, ao menos por enquanto. Dizem respeito ao trato destrambelhado da coisa pública. Quando se candidatou, Haddad prometia o "futuro". Seu slogan era "Chegou a hora do novo". Eleito, o prefeito mostrou o que entendia por "novo": um conjunto de medidas atabalhoadas, vendidas ao distinto público como algo moderno, mas que prejudicaram o já muito frágil equilíbrio da metrópole.

Tome-se o exemplo do programa "Braços Abertos". No começo deste ano, com o intuito de acabar com uma pequena favela criada na região da Cracolândia — cuja degradação de seus "moradores", uma vez revelada, chocou a cidade —, Haddad sacou esse plano de sua criativa cartola. Era uma solução duplamente mágica: além de desmontar aquele aglomerado de barracos que denunciavam uma grave crise social, o "Braços Abertos" recuperaria os viciados em crack. A "inovação" foi oferecer a esses drogados hospedagem em hotéis da região e um emprego de varredor de rua, com remuneração de R$ 15 por dia, além de assistência médica. A óbvia contrapartida — a de que o viciado fosse obrigado a se tratar — não foi exigida. O resultado é que, em vez de resolver o problema da Cracolândia, a Prefeitura, em nome de uma "nova atitude", acabou financiando indiretamente o consumo de crack.

Irresponsabilidade semelhante norteia a relação entre a Prefeitura e os ditos "movimentos sociais", em relação aos quais o poder público vem se dobrando de maneira inaceitável. A título de "dialogar" com a sociedade, Haddad permite que grupelhos muito bem organizados, cujos objetivos vão muito além dos slogans que gritam, se assenhorem da agenda política municipal, esbulhem a propriedade privada e cassem o direito de ir e vir dos cidadãos — ao bloquear avenidas quando lhes dá na veneta.

Mas nada traduz melhor o improviso dessa administração despreparada do que as faixas exclusivas de ônibus. Pintadas sem critérios outros que não os populistas, elas são vendidas aos paulistanos como a solução para o transporte público. Na visão dos estrategistas eleitorais do PT, as faixas seriam a marca de uma gestão preocupada em valorizar o trabalhador que pega ônibus em detrimento do motorista de carro, identificado por essa propaganda como sendo a "elite". O fato, no entanto, é que as faixas, na média, não representaram ganho significativo de tempo gasto dentro dos ônibus — e nos locais onde elas foram pintadas sem necessidade o resultado foi o caos completo.

Tudo isso se reflete nas pesquisas de opinião. No entanto, para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criador de Haddad, os paulistanos estão sendo ingratos. Com o exagero habitual, Lula disse que "quem está ganhando 40 minutos por dia para chegar em casa", graças às faixas de ônibus, "não está defendendo ele (Haddad)", razão pela qual é preciso "explicar para a população o que está acontecendo" — isto é, apelar para o marketing na tentativa de convencer a maioria dos paulistanos de que, ao contrário do que parece, eles vivem no paraíso.

Editorial do Estadão

Mais trapalhadas das faixas de ônibus

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Se as faixas exclusivas para ônibus são mesmo tudo o que dizem, por que Fernando Haddad e Gilmar Tatto não exibem estudos sérios e confiáveis provando isso?

A cada dia surgem novos sinais de que a implantação — aos trancos e barrancos — de mais de 300 quilômetros de faixas exclusivas de ônibus, no curto espaço de um ano, está muito longe de ser a maravilha que o governo de Fernando Haddad vive alardeando. Os transtornos causados pela faixa do Viaduto Pacaembu, mostrados em reportagem do Estado, são exemplo das consequências de decisões dessa importância tomadas sem estudos prévios. Se existem, permanecem guardados a sete chaves.

Desde que foi inaugurada no final do ano, estava evidente para qualquer observador minimamente atento que era praticamente impossível que aquela faixa trouxesse os benefícios dela esperados. Se fossem mantidas as faixas de rolamento ali existentes, destinando apenas aos ônibus a da esquerda, já por eles usada habitualmente, os resultados seriam no mínimo duvidosos. Com a explicação de que era preciso deixar um espaço para os pedestres, protegido por barreira, as faixas foram reduzidas a três. Como já existia um espaço para os pedestres — e tanto era suficiente que não se conhecem registros de acidentes ali acima da média —, tudo indica que a redução se deve à forma atabalhoada e improvisada com que a Prefeitura vem implantando as faixas.

O resultado da eliminação de uma faixa só poderia ser o afunilamento do tráfego, que dispõe de quatro faixas na Avenida Pacaembu e desemboca no Viaduto. O congestionamento nessa via e suas adjacências é inevitável e vai ficar muito pior com o aumento do tráfego no fim das férias escolares. Como os técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) não viram isso? Ou então eles viram, sim, mas foram atropelados pela pressa e o improviso do secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, e do prefeito Haddad.

Para resolver o problema, a CET diz que "estão sendo desenvolvidos estudos para identificação e efetivação dos ajustes necessários para aumentar a eficiência e a eficácia do sistema de transporte público coletivo e diminuir o impacto gerado pela faixa exclusiva". Deixando de lado a linguagem arrevesada da CET, o que se deseja saber é por que, diabos, esses estudos não foram feitos antes, já que era evidente que o afunilamento aconteceria.

Essa falta de planejamento fica também evidente na mais recente faixa implantada, nas Ruas Cerro Corá e Heitor Penteado. Ela é exclusiva para os ônibus de segunda a sexta-feira das 6 às 9 horas, no sentido centro, e das 17 às 20 horas, no sentido bairro. Nesses horários o comércio se ressente fortemente da limitação, porque, como essas faixas são à direita, os carros não podem nem parar para deixar os clientes.

Além disso, nessas duas ruas os carros dispõem agora de apenas uma faixa naqueles horários, o que está congestionando o trânsito. Chamar a implantação das faixas de Operação Dá Licença para o Ônibus é uma forma demagógica e irresponsável de iludir a população, criando a falsa impressão de que para fugir dos congestionamentos basta trocar os carros pelos ônibus. Seria muito bom que isso fosse verdade, porque a prioridade deve ser mesmo para o transporte coletivo. Mas, já superlotados, os ônibus não têm condições de absorver nem mesmo uma pequena parcela dos usuários de carros, veículos que são responsáveis por um terço dos deslocamentos feitos diariamente na capital.

Se as faixas são mesmo tudo o que dizem, por que Haddad e Tatto não exibem estudos sérios e confiáveis provando isso? Divulgar declarações isoladas de um ou outro usuário contente não significa nada.

A menos que a Prefeitura tenha aderido à tese do SP-Urbanuss, o sindicato das empresas de ônibus, segundo a qual "o ganho maior está relacionado à sensação dos usuários, no que se refere à melhoria da qualidade do serviço e à percepção da importância que as autoridades passaram a dar ao transporte coletivo". Essa tese da "sensação" seria cômica, se não fosse antes uma agressão à inteligência dos paulistanos.

Editorial do Estadão

Fernando Haddad e a demagogia no transporte

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Não passa de demagogia multiplicar faixas exclusivas para ônibus sem planejamento e estudos, com a alegação de que elas e os corredores são a solução do problema da mobilidade na cidade de São Paulo

Cada nova medida adotada por eles nesse caso constitui uma demonstração a mais de que o prefeito Fernando Haddad e seu secretário de Transportes, Gilmar Tatto, estão firmemente decididos a utilizar as faixas e corredores de ônibus com claro objetivo político — seduzir o eleitorado, com a retórica demagógica da prioridade ao transporte coletivo, para ajudar o PT a realizar seu velho sonho de conquistar o governo de São Paulo, há duas décadas sob o controle do PSDB. Mesmo que seja alto o preço a pagar pelo brilho enganador desse fogo de artifício que serve apenas para escamotear os verdadeiros problemas.

O exemplo mais recente disso é a intenção de proibir a circulação de táxis nos corredores de ônibus, que foi autorizada em 2005, no governo de José Serra. Nas faixas exclusivas ela já foi proibida. O argumento a favor da proibição é de que ela deve aumentar a velocidade dos ônibus. Segundo a Prefeitura, um levantamento feito por ela em outubro indica, primeiro, que os passageiros de táxi são menos de 1% do total dos que usam os corredores e, segundo, que a medida aumentará em 25% a velocidade dos ônibus nessas vias — de 16 km/h para 20 km/h.

As críticas do Sindicato dos Taxistas e as dúvidas levantadas sobre a solidez do trabalho da Prefeitura levaram o especialista em engenharia de transportes Horácio Figueira — partidário da proibição, diga-se de passagem — a sugerir que se faça uma nova pesquisa, mais rigorosa, quando terminarem as férias escolares. Os táxis seriam proibidos de circular nos corredores durante 15 dias e autorizados a fazê-los nos 15 dias seguintes. O impacto na velocidade média dos ônibus seria medido com base em dados dos aparelhos de GPS instalados nesses veículos.

_Promotor-Ribeiro-LopesJá o promotor de Justiça de Habitação e Urbanismo Maurício Antônio Ribeiro Lopes parece ter aceitado sem maiores reservas aquele levantamento, porque avisou a Prefeitura que, se dentro de 45 dias, a contar do último dia 17, ela não proibir a circulação dos táxis nos corredores, entrará na Justiça com ação civil pública para tentar obrigá-la a fazer isso. O promotor não hesitou em participar de entrevista ao lado de Jilmar Tatto. "O nosso compromisso único e exclusivo é com a população que usa ônibus na cidade", disse ele na ocasião.

Algumas observações a respeito dessa questão se impõem. A primeira é que este é mais um dos muitos exemplos de promotores — não do Ministério Público como instituição — que se julgam no direito de, com suas ações, tentar interferir na condução da administração pública. Indevidamente, porque para isso não têm mandato. Não confundir isso com seu direito — mais do que isso, com sua obrigação — de agir quando alguma lei está sendo desrespeitada. A segunda é que Tatto, na ânsia de conseguir o que deseja, tenta se valer do apoio de Ribeiro Lopes, fechando os olhos ao fato de que assim apoia um comportamento de promotores que, além de invadir seara alheia, amanhã podem patrocinar ações que contrariam o atual governo.

A terceira é que, nesse caso, as atitudes tanto da Prefeitura como do promotor Ribeiro Lopes têm servido para desviar a atenção do que é realmente importante no problema da mobilidade urbana em São Paulo — a ampliação e melhoria dos sistemas de transporte coletivo. Ninguém discute que essa é a prioridade.

Isso posto, não passa de demagogia multiplicar faixas exclusivas para ônibus — já são 290 km — sem planejamento e estudos — onde estão eles? —, com a alegação de que elas e os corredores são a solução do problema no âmbito da Prefeitura, não importando o impacto que possam ter no transporte individual. Os milhões de paulistanos que usam carro, em vez de lamentar, que passem a utilizar transporte coletivo.

Só que, nas condições atuais, isso é impossível, pois tanto o serviço de ônibus como o sistema metroferroviário estão superlotados, operando no limite de sua capacidade. Todo mundo sabe disso. Mas a essa evidência Haddad e Tatto preferem fechar os olhos, um comportamento que beira a irresponsabilidade.

Editorial do Estadão

Máfia do ISS em SP – O despejo do secretário de Haddad adverte: quem esconde fantasmas em casa não deve procurá-los no porão do vizinho

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Os desdobramentos das investigações sobre a máfia do ISS confirmam que, sempre que coloca testas inimigas na alça de mira, o PT acaba acertando o próprio pé. Desta vez, coube a Fernando Haddad o papel de atirador trapalhão. Decidido a compensar com gestos espetaculosos os estragos político-eleitorais causados pela superlativa elevação do IPTU, o prefeito enfiou-se na fantasia de faxineiro do Planalto de Piratininga e desencadeou a guerra de extermínio contra a multidão de larápios que herdou de Gilberto Kassab. Nesta terça-feira, atropelado por gravações constrangedoras e nomeações muito mal explicadas, o secretário de Governo Antonio Donato teve de deixar o cargo.

É a baixa mais vistosa desde o início dos barulhos. E é só a primeira, previnem as suspeitas que rondam o secretário Jilmar Tatto e outras velharias que cercam aquele que seria, segundo marqueteiros sempre inventivos, um novo homem para um novo tempo. Quem esconde fantasmas no sótão da própria casa não deve procurá-los no porão do vizinho, advertiu o post aqui publicado em maio de 2012. O texto se inspirou na CPI do Cachoeira, planejada em abril daquele ano por Lula e José Dirceu.

Na cabeça da dupla, a operação que mobilizou a base alugada fulminaria com uma bala de prata dois alvos goianos ─ o senador Demóstenes Torres, do DEM, e o governador tucano Marconi Perillo. Deu tudo errado. O projétil ricocheteou no companheiro Agnelo Queiroz, governador de Brasília, provocou ferimentos de bom tamanho no parceiro fluminense Sérgio Cabral e seguiria fazendo vítimas entre os aliados se a CPI não fosse sepultada às pressas pelos pais da ideia de jerico.

Tem sido assim desde janeiro de 2002, quando Altos Companheiros apareceram no velório de Celso Daniel para animá-lo com o jogral das viúvas inconsoláveis. Meses antes, começou o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, panfletos apócrifos distribuídos em São Paulo avisaram que uma organização de extrema direita decidira liquidar fisicamente políticos petistas, mas o governo FHC ignorou os sinais de perigo. Em novembro de 2001, continuou o deputado Aloizio Mercadante, o prefeito Toninho do PT fora morto a tiros numa avenida de Campinas.

O assassinato do prefeito Celso Daniel, concluiu o deputado José Dirceu, confirmou que os extremistas não estavam brincando. Agora era tarde, lastimou em coro a trinca inconformada com a insensibilidade dos tucanos no poder. Já na largada das apurações policiais ficou claro que a misteriosa organização era tão real quanto a transposição das águas do Rio São Francisco. Em seguida, uma enxurrada de evidências comprovou que Celso Daniel fora silenciado por integrantes de um esquema corrupto montado, com o incentivo e a proteção do próprio prefeito, para extorquir empresários do setor de transportes.

Ao descobrir que alguns sócios na roubalheira estavam embolsando o dinheiro que deveria desaguar exclusivamente nos cofres do PT, Celso Daniel comunicou que denunciaria o desvio do desvio. Antes que cumprisse a ameaça, foi eliminado a mando de ex-parceiros que orbitavam em torno da estrela vermelha. Faz quase 12 anos que a força-tarefa coordenada por Gilberto Carvalho tenta transformar em homicídio comum um crime político. Não conseguiu. Nem vai conseguir, alerta a ofensiva do Ministério Público que já conseguiu a condenação de vários acusados e agora fecha o cerco em torno de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra.

A instauração da CPI do Cachoeira provou que a companheirada não aprendera com o assassinato de Celso Daniel. O despejo do principal secretário de Haddad acaba de provar que a lição da CPI do Cachoeira não foi assimilada. Reincidentes de nascença não têm cura.

Augusto Nunes

Bandido de 22 anos é preso por tentar matar coronel durante ato em SP

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Criminoso deverá ser indiciado por tentativa de homicídio doloso e formação de bando e quadrilha. Cinco pessoas, incluindo o agressor, devem ser levadas a Centro de Detenção Provisória

Assistam cenas da horda atacando covardemente o policial

Criminosos travestidos de manifestantes agridem violentamente coronel da PM na noite de sexta-feira (25) em São Paulo

Um comerciário de 22 anos, morador de Perdizes, na Zona Oeste de São Paulo, foi preso e acusado de participar das agressões ao coronel da Polícia Militar Reynaldo Simões Rossi, que teve a clavícula quebrada ao ser agredido por encapuzados durante manifestação realizada pelo Movimento Passe Livre (MPL), para reivindicar tarifa zero no transporte público. O jovem será indiciado por tentativa de homicídio doloso e formação de bando e quadrilha. Outras quatro pessoas também foram detidas e estão no distrito policial, de onde serão levadas para um Centro de Detenção Provisória. No total, 92 pessoas foram detidas durante a manifestação, devido às depredações.

O coronel teve escoriações na cabeça e na face. Durante as agressões, teve a arma e o rádio-comunicador roubados. A arma foi recuperada por um policial, mas o rádio comunicador não. Rossi foi encaminhado ao hospital e passa bem. Já machucado, ele pediu à tropa que fosse com calma, "sem perder a cabeça".

Por volta de 15 horas, a PM já registrava a presença de mascarados no ato, que tinha cerca de 200 pessoas. Pelo twitter, a PM afirmou: "200 pessoas ligadas ao Movimento Passe Livre estão na Praça Ramos. Pelo menos 35 black blocs acompanham o ato." Uma hora antes, às 14h, a PM informara pelo twitter que cerca de 600 manifestantes, entre eles 100 black blocs, já se deslocavam da Praça Ramos para o Largo São Francisco.

O ato do MPL começou na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal, e se deslocou para a Praça da Sé. Os manifestantes carregavam cartazes com as inscrições: “Por uma vida sem Catracas” e “Violência é a Tarifa”. Ao todo, cerca de duas mil pessoas participaram do ato, que a esta altura já incluía protestos contra a violência policial e os governadores do Rio e de São Paulo. Ao chegarem ao terminal, um grupo fez barricada para impedir a ação das forças policiais.

Os passageiros acabaram no meio da violência. Um ônibus foi incendiado, catracas foram quebradas e até mesmo os vidros blindados dos guichês foram estilhaçados. A área mais destruída foi a dos caixas eletrônicos: 18 equipamentos foram destruídos — um deles foi incendiado. Um dos guichês de venda de passagens foi roubado. O equipamento que controla o semáforo para saída de ônibus foi totalmente destruído. Uma loja de recarga de aparelhos celulares foi saqueada. A Subprefeitura da Sé, que fica na região, também foi alvo de depredações.

O governador Geraldo Alckmin visitou o Terminal Parque Dom Pedro para ver de perto os estragos, mas não falou com a imprensa. À tarde, no município de Buri, o governador afirmou que a polícia segue trabalhando para identificar os que participaram de depredações. Imagens gravadas por câmeras de segurança do terminal serão usadas.

Quando começou o tumulto, as ações não foram contidas imediatamente pela Polícia Militar (PM). Algum tempo depois, para dispersar os manifestantes, os policiais dispararam bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo. Depois de depredar o terminal, o grupo saiu em caminhada por ruas do centro. Quatro bancos foram depredados apenas na Rua Boa Vista: Safra, Itaú, HSBC e Santander. A polícia voltou a usar bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes na Praça da Sé, por volta das 21h.

Desde junho, quando conseguiu a revogação do aumento da tarifa do transporte público, o MPL não convocava atos na capital paulista. Desde segunda-feira, o MPL realizou atos na Estrada do M’Boi Mirim, no Grajaú e no Campo Limpo e reuniu milhares de moradores dessas regiões insatisfeitos com os serviços público de transporte em São Paulo.

O Globo Online

Opinião do Estadão: Com Haddad, os camelôs estão de volta

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Lançada no final de 2009, a Operação Delegada conseguiu resultados impressionantes num terreno em que sucessivas administrações só haviam colecionado derrotas
 

Na reportagem de março de 2013, observem a eficiência do trabalho da PM que o petralha pilantra Fernando Haddad está destuindo

O desmonte da Operação Delegada, criada por Gilberto Kassab para combater o comércio ambulante, que está sendo feito pelo prefeito Fernando Haddad, é uma demonstração de que, apesar da tentativa de se apresentar como moderno e dinâmico, seu governo retoma sem nenhuma cerimônia uma das práticas mais condenáveis da velha política brasileira — a de abandonar boas iniciativas só porque foram adotadas pelos adversários. Pouco importa se a população sai perdendo, desde que se satisfaça a necessidade de afirmação do novo governante.

Lançada no final de 2009, essa operação — pela qual policiais militares (PMs) combatem camelôs ilegais em horário de folga, recebendo por esse trabalho extra um adicional pago pela Prefeitura — conseguiu resultados impressionantes num terreno em que sucessivas administrações só haviam colecionado derrotas. O comércio ambulante havia tomado conta de importantes ruas da cidade, transformadas em verdadeiros "camelódromos". Pela facilidade de fugir da polícia, misturando-se com a multidão, esses locais ofereciam condições ideais para a prática de vários tipos de crime.

Sem falar que esse comércio — além da concorrência desleal com o comércio regular, que paga impostos — há muito deixou de ser apenas uma forma de sobrevivência para pessoas desempregadas. A maior parte de seus produtos é contrabandeada ou falsificada, quando não roubada. A situação foi se agravando cada vez mais, à medida que malogravam as tentativas de criar shopping centers populares.

A Operação Delegada começou na Rua 25 de Março e adjacências e logo se estendeu aos principais locais de concentração de camelôs. Diminuíram sensivelmente tanto o número destes como os índices de criminalidade nas regiões em que eles atuavam. A explicação para isso é que o camelô desrespeitava os fiscais e os guardas municipais por saber que, nesse caso, podia apenas ser acusado de cometer infração administrativa. Não fazia e não faz o mesmo com PMs, porque pode ser preso por desacato. O êxito da operação foi tal que a experiência se estendeu a outras 17 cidades do Estado.

É isso que está indo por água abaixo na capital. Haddad quis, de início, dar uma outra orientação à operação, com ênfase não mais no comércio ilegal, mas numa vaga segurança comunitária. Em março, foi assinado um convênio entre a Prefeitura e o governo do Estado para que um terço do efetivo da operação, segundo o desejo de Haddad, fizesse patrulha noturna em bairros distantes do centro, o que não interessou à maioria dos PMs.

A verdade, como se comprova agora, é que Haddad parece determinado a acabar com a operação ou torná-la insignificante. Nos primeiros seis meses do seu governo, o número de PMs que trabalham na operação caiu de 3.439 para 1.853. E, durante audiência na Câmara Municipal, a secretária de Planejamento, Leda Paulani [foto], deixou as coisas bem claras. Sobre o abandono do patrulhamento noturno, disse que "segurança é uma questão do Estado, em que o município contribui na medida do possível". É verdade, e por isso Haddad não deveria ter sugerido tal medida.

Mais importante é o que ela disse sobre os camelôs: "Esse governo não compactua com nenhum tipo de violência policial, seja para retirar invasores das ocupações, seja para perseguir os camelôs nas ruas". O que está de acordo com outra declaração sua, que sintetiza o que pensa sobre a questão: "A Operação Delegada não era uma meta de nossa campanha e não é prioridade do governo".

Falar em "violência policial" contra os camelôs na Operação Delegada é contrariar os fatos. O que Haddad vai fazer então com os camelôs ilegais, já que não admite a tal "violência"? Deixá-los tomar conta novamente das ruas, só por não admitir que outro governante pode também acertar? Aliás, é isso mesmo que já está acontecendo, como mostrou reportagem do Estado (18/8). E, com os camelôs, vem junto, aí sim, a violência, mas dos bandidos que se infiltram entre eles.