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Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

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Derrotados, petistas retomam o embuste e tentam ligar os próprios fracassos à era Fernando Henrique

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FHC, a kryptonita dos petralhas!

Quando Luiz Inácio da Silva, o lobista, e a presidente Dilma Vana Rousseff desembarcaram em Salvador, onde participaram de mais um evento em comemoração aos dez anos do PT no poder central, ambos já sabiam dos resultados prévios da pesquisa CNI/Ibope, que apontou queda de 24 pontos percentuais na aprovação do governo petista, despencando de 55% para 31%.

Apesar de a pesquisa ter sido realizada durante os recentes protestos — essa foi a explicação dada pela CNI —, o grande problema de Dilma Rousseff é a contínua derrota do governo para a inflação, que tem corroído sistematicamente o salário do trabalhador.

No evento realizado na capital baiana, Lula, sempre abusado e embusteiro, tratou do principal fantasma da economia, mas acionou a máquina de messianismo petista e comparou a inflação atual com a da época de Fernando Henrique Cardoso, como se isso explicasse a derrocada do PT.

Ciente de que o partido caiu em desgraça junto à opinião pública, Lula ressuscitou o discurso fanfarrão dos primeiros anos do seu governo, quando insistia em falar na herança maldita. O PT comemora uma década de desserviço ao País, mas não tem coragem de assumir que a herança maldita com que o brasileiro ora convive é resultado da incompetência generalizada que se instalou na Esplanada dos Ministérios, sem contar a lufada de corrupção que varre o Planalto Central.

A fixação do PT em relação a Fernando Henrique Cardoso é tão vexatória quanto doentia, mas será usada à exaustão para tentar salvar o que não tem salvação. Esse comportamento obtuso e repetitivo da cúpula petista em relação aos antecessores é típico de quem não aceita os próprios desvarios, mas qualquer psiquiatra minimamente experiente é capaz de dar fim a essa psicose política.

Para que se avalie a extensão do desatino petista, a tropa de choque, mantida pelo partido para patrulhar a internet, horas depois do discurso de Lula, em Salvador, já atormentava nas redes sociais com a cantilena que não mais convence. A de conectar os seguidos tropeços do PT palaciano com a era FHC.

Ucho.info

Sinal de vida

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Fernando Henrique Cardoso

A condenação clara e indignada, por ministros do Supremo Tribunal Federal, do mau uso da máquina pública revigora a crença na democracia

Tenho dito e escrito que o Brasil construiu o arcabouço da democracia, mas falta dar-lhe conteúdo. A arquitetura é vistosa: independência entre os poderes, eleições regulares, alternância no poder, liberdade de imprensa e assim por diante. Falta, entretanto, o essencial: a alma democrática.

A pedra fundamental da cultura democrática, que é a crença e a efetividade de todos sermos iguais perante a lei, ainda está por se completar. Falta-nos o sentimento igualitário que dá fundamento moral à democracia. Esta não transforma de imediato os mais pobres em menos pobres. Mas deve assegurar a todos oportunidades básicas (educação, saúde, emprego) para que possam se beneficiar de melhores condições de vida. Nada de novo sob o sol, mas convém reafirmar.

Dizendo de outra maneira, há um déficit de cidadania entre nós. Nem as pessoas exigem seus direitos e cumprem suas obrigações, nem as instituições têm força para transformar em ato o que é princípio abstrato.

Ainda recentemente um ex-presidente disse sobre outro ex-presidente, em uma frase infeliz, que diante das contribuições que este teria prestado ao país não deveria estar sujeito às regras que se aplicam aos cidadãos comuns… O que é pior é que esta é a percepção da maioria do povo, nem poderia ser diferente, porque é a prática habitual.

Pois bem, parece que as coisas começam a mudar. Os debates travados no Supremo Tribunal Federal e as decisões tomadas até agora (não prejulgo resultados, nem é preciso para argumentar) indicam uma guinada nessa questão essencial. O veredicto valerá por si, mas valerá muito mais pela força de sua exemplaridade.

Condenem-se ou não os réus, o modo como a argumentação se está desenrolando é mais importante do que tudo. A repulsa aos desvios do bom cumprimento da gestão democrática expressada com veemência por Celso de Mello e com suavidade, mas igual vigor, por Ayres Britto e Cármen Lúcia, são páginas luminosas sobre o alcance do julgamento do que se chamou de “mensalão”.

Ele abrange um juízo não político-partidário, mas dos valores que mantêm viva a trama democrática. A condenação clara e indignada do mau uso da máquina pública revigora a crença na democracia. Assim como a independência de opinião dos juízes mostra o vigor de uma instituição em pleno funcionamento.

É esse, aliás, o significado mais importante do processo do mensalão. O Congresso levantou a questão com as CPIs, a Polícia Federal investigou, o Ministério Público controlou o inquérito e formulou as acusações, e o Supremo, depois de anos de dificultoso trabalho, está julgando.

A sociedade estava tão desabituada e descrente de tais procedimentos quando eles atingem gente poderosa que seu julgamento — coisa banal nas democracias avançadas — transformou-se em atrativo de TV e do noticiário, quase paralisando o país em pleno período eleitoral. Sinal de vida. Alvíssaras!

Não é a única novidade. Também nas eleições municipais o eleitorado está mandando recados aos dirigentes políticos. Antes da campanha acreditava-se que o “fator Lula” propiciaria ao PT uma oportunidade única para massacrar os adversários. Confundia-se a avaliação positiva do ex-presidente e da atual com submissão do eleitor a tudo que “seu mestre” mandar.

É cedo para dizer que não foi assim, pois as urnas serão abertas esta noite. Mas, ao que tudo indica, o recado está dado: foi preciso que os líderes aos quais se atribuía a capacidade milagrosa de eleger um poste suassem a camisa para tentar colocar seu candidato no segundo turno em São Paulo. Até agora o candidato do PT não ultrapassou nas prévias os minguados 20%.

No Nordeste, onde o lulismo com as bolsas-família parecia inexpugnável, a oposição leva a melhor em várias capitais. São poucos os candidatos petistas competitivos. Sejam o PSDB, o DEM, o PPS, sejam legendas que formam parte “da base”, mas que se chocam nestas eleições com o PT, são os opositores eleitorais deste que estão a levar vantagem.

No mesmo andamento, em Belo Horizonte, sob as vestes do PSB (partido que cresce), e em Curitiba são os governadores e líderes peessedebistas, Aécio Neves e Beto Richa, que estão por trás dos candidatos à frente. Em um caso podem vencer no primeiro turno, noutro no segundo.

Não digo isso para cantar vitória antecipadamente, nem para defender as cores de um partido em particular, mas para chamar a atenção para o fato de que há algo de novo no ar. Se os partidos não perceberem as mudanças de sentimento dos cidadãos e não forem capazes de expressá-las, essa possível onda se desfará na praia.

O conformismo vigente até agora, que aceitava os desmandos e corrupções em troca de bem-estar, parece encontrar seus limites. Recordo-me de quando Ulysses Guimarães e João Pacheco Chaves me procuraram em 1974, na instituição de pesquisas onde eu trabalhava, o Cebrap, pedindo ajuda para a elaboração de um novo programa de campanha para o partido que se opunha ao autoritarismo.

Àquela altura, com a economia crescendo a 8% ao ano, com o governo trombeteando projetos de impacto e com a censura à mídia, pareceria descabido sonhar com vitória. Pois bem, das 22 cadeiras em disputa para o Senado, o MDB ganhou 17. Os líderes democráticos da época sintonizaram com um sentimento ainda difuso, mas já presente, de repulsa ao arbítrio.

Faz falta agora, mirando 2014, que os partidos que poderão eventualmente se beneficiar do sentimento contrário ao oportunismo corruptor prevalecente, especialmente PSDB e PSB, disponham-se cada um a seu modo ou aliando-se a sacudir a poeira que até agora embaçou o olhar de segmentos importantes da população brasileira.

Há uma enorme massa que recém alcançou os níveis iniciais da sociedade de consumo que pode ser atraída por valores novos. Por ora atuam como “radicais livres” flutuando entre o apoio a candidatos desligados dos partidos mais tradicionais e os candidatos daqueles dois partidos.

Quem quiser acelerar a renovação terá de mostrar que decência, democracia e bem-estar social podem novamente andar juntos. Para isso, mais importante do que palavras são atos e gestos. Há um grito parado no ar. É hora de dar-lhe consequência.

Fernando Henrique Cardoso é ex-presidente da República

Serra recebe manifestação de apoio de artistas e intelectuais

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José Serra recebeu no começo da tarde desta terça-feira uma grande manifestação de apoio de artistas e intelectuais. O cinema Reserva Cultural, na Avenida Paulista, ficou pequeno para comportar todos que foram participar do encontro com o candidato.

Serra dividiu o palco com ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que abriu o evento falando das qualidades do candidato. “São Paulo precisa de compreensão, de alguém que a conheça bem e também de alguém que tenha amor pela cidade”, disse FHC. “Sei que Serra será o homem que vai cuidar de São Paulo.”

Em seguida, algumas personalidades que estavam na plateia também se manifestaram em favor de Serra, como as atrizes Bruna Lombardi e Beatriz Segall e o ex-ministro Celso Lafer (clique aqui para ler seus depoimentos e de outros intelectuais). “Eu quero ver São Paulo como a cidade que a gente sonha. Ainda está longe disso, mas eu vejo pessoas como o Serra, que repensam a cidade e querem que ela melhore”, disse Bruna.

O ex-ministro José Gregori, hoje secretário de Direitos Humanos da Prefeitura, subiu ao palco e leu um manifesto convocando todos os eleitores a trabalhar pela eleição de Serra. “Se a gente sair do casulo, conseguir que mais gente saia do casulo, Serra será o próximo prefeito de São Paulo”, disse.

Em seguida, Serra iniciou seu discurso alertando que São Paulo “corre o risco de andar para trás” se a administração cair nas mãos de gestores sem propostas. “Destruir uma administração é muito fácil, para reconstruir são dez anos.”

Serra enumerou suas realizações na área de cultura, como o Museu do Futebol e o Espaço Catavento, e lembrou que pretende construir mais três museus na cidade: do Carro, da Música Popular e da Moda.

Falou ainda que pretende construir mais unidades do Centro Cultural da Juventude, expandindo seus benefícios para todas as regiões da cidade, seguindo o modelo bem-sucedido do CCJ Ruth Cardoso, que ele idealizou e foi implantado na Vila Nova Cachoeirinha (na Zona Norte).

Citou as Fabricas de Cultura, a transferência do Museu de Arte Contemporânea (MAC) para o Parque do Ibirapuera e a criação da Companhia de Dança. “Fizemos uma bela reunião, um balanço do que foi feito em São Paulo e vamos continuar nessa linha de trabalho.”

O candidato anunciou ainda um outro plano: “Vamos reproduzir a Biblioteca de São Paulo, que funciona no antigo Carandiru, em outras regiões da cidade. É uma biblioteca totalmente adaptada para pessoas com deficiência, para que possam usufruir dos livros da mesma forma que uma pessoa perfeitamente normal. Nós vamos fazer mais três, vamos fazer na zona oeste, na zona leste e na zona sul, nos mesmos moldes. “

Serra ficou muito satisfeito com o encontro com a classe artística. “Fiquei muito feliz com a presença e as palavras do presidente Fernando Henrique e com tantos amigos aqui."

Este é o texto do manifesto lançado no evento:

São Paulo com Serra

PELA INOVAÇÃO. PELA EXPERIÊNCIA. PELA DEMOCRACIA. ESTAMOS COM SERRA!

A cidade de São Paulo vai escolher nestas eleições um de dois caminhos: o da inovação, que tem a seu favor a experiência e exemplos concretos de mãos limpas, ou o das ideias velhas, mirabolantes e ultrapassadas, somadas à inexperiência e a aventuras.

Estamos com Serra porque ele sempre soube pôr o interesse público acima das divergências pessoais, dos confrontos ideológicos e das rinhas partidárias. E fará isso novamente nos seus quatro anos na Prefeitura.

Estamos com Serra porque, na sua biografia, não há casas de papel, não há creches de saliva, não há trens-bala de festim, não há universidade de propaganda. As obras de Serra têm nome e endereço, têm benefícios concretos, têm verdade.

Estamos com Serra para cuidar de São Paulo por quatro anos. Pelo menos! Com nosso apoio!

Estamos com Serra porque aceitou defender os interesses da cidade quando foi chamado a concorrer ao governo do Estado para que este não caísse em mãos de aloprados, tendo sido o primeiro governador de São Paulo eleito no primeiro turno desde a instituição das duas etapas de votação. Serra honrou os votos que recebeu investindo como nunca na nossa cidade.

Combatemos de forma clara e decidida quem, não encontrando nenhuma mancha na biografia de Serra, o acusa de fazer da cidade trampolim para cargos futuros.

Estamos com Serra porque combatemos a turma do preconceito, do autoritarismo, do obscurantismo, das falsas promessas e dos que usam o poder para fazer negócios e negociatas, muitos já sendo condenados pela mais alta Corte da Justiça.

Estamos com Serra porque não aceitamos o que é velho na política. Velho é explorar as dificuldades do nosso povo só para conquistar votos. Velho é fazer promessas que não vão se cumprir.

Serra é o novo porque não trapaceia para ganhar votos, porque respeita a população – constrói AMAs em vez de explorar os doentes. São Paulo merece a experiência que inova, não a novidade que remete ao velho autoritarismo e ao velho populismo.

Estamos com Serra porque acreditamos nas suas ideias e nos valores éticos que ele representa e porque sua notável trajetória de homem público protegerá a cidade contra projetos autoritários de poder.

Estamos com Serra em nome da democracia, da transparência e do progresso de São Paulo e de seu povo.

Site Serra45

Written by Abobado

18 de setembro de 2012 at 21:40

Deveres a mais

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Dora Kramer, o Estado de S.Paulo

A presidente da República tem todo o direito, senão até o dever democrático, de fazer política. É cidadã na posse de suas prerrogativas como qualquer brasileiro e, assim, livre para se expressar.

Outro dia mesmo achou por bem responder às críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à "herança pesada" legada por Lula no terreno dos costumes e o fez já no limiar do aceitável.

Defendeu os governos de seu partido – o que é justo -, mas o timbre da Presidência da República na nota de desagravo a colocou em dissonância com a majestade do cargo.

Dilma Rousseff não gostou do artigo de FH, quis demarcar terreno para deixar bem claro que não flerta com a oposição e é fiel ao seu campo político.

Pretendeu também reforçar a posição do PT nesses tempos difíceis de julgamento penal do sistema que o partido escolheu para se sustentar no poder logo depois de conquistar a Presidência sem maioria no Parlamento.

A presidente pecou ao não enfrentar o debate tal como FH propunha no texto. Mas, até aí, trata-se de um ponto de vista. Se Dilma considera a ética algo irrelevante, pior para a composição do perfil de austeridade que lhe confere popularidade.

No pronunciamento que fez no dia 7 de setembro, em espaço reservado à chefia da Nação, entretanto, a presidente ultrapassou a fronteira do aceitável e extrapolou de suas prerrogativas ao valer-se do púlpito institucional para pronunciar-se em termos de palanque.

Embora tenha direitos iguais, a presidente da República tem deveres a mais em relação ao conjunto da sociedade cuja maioria a elegeu, mas que não é composta só de correligionários.

Para traduzir o conceito em números e tornar a obviedade ainda mais visível: ao fim da eleição de 2010, Dilma havia contabilizado 55 milhões 752 mil 529 votos e seu oponente José Serra, 43 milhões 711 mil 388. Em porcentuais, 56,05% dos eleitores ficaram com ela e 43,95% preferiram o candidato adversário.

Isso depois de dois mandatos de Lula durante os quais a oposição não fez esforço para se opor e a impressão geral era a de que as forças governistas reinavam unânimes no País.

Não reinam e é ótimo que assim seja. Em nome da pluralidade, da alternância e de todos os primados dos Estados fundados no Direito.

A presidente, porém, nessa sua nova inflexão de gestora para líder política adentra um gramado onde Lula atuou usando e abusando da apropriação do Estado como instrumento de partido.

Com isso contraria o empenho do departamento de propaganda do Planalto em acentuar traços e modos que a distanciam das exorbitâncias do antecessor. Repete o ex-presidente em seus piores momentos.

Em defesa do contraditório

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Editorial do PSDB publicado nesta terça-feira

A democracia brasileira, conquistada a duras penas, pressupõe o contraditório, coisa com a qual o PT não consegue lidar bem. Só isso justifica o grande incômodo provocado no último fim de semana pelo artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no qual ele dá exemplos da herança pesada herdada do governo Lula pela presidente Dilma Rousseff.

Nos causa surpresa, em especial, a reação da presidente Dilma Rousseff, que, cedendo às pressões de seu partido, acabou se excedendo na defesa do legado recebido de seu antecessor. Infelizmente, usando os mesmos métodos utilizados pelo ex-presidente Lula: este sim um especialista em tentar reescrever a história brasileira de acordo com suas conveniências.

Basta lembrar as inúmeras tentativas do ex-presidente Lula e de vários de seus aliados em tentar negar a existência do mensalão. Uma tese, aliás, que o Supremo Tribunal Federal vem derrubando a cada dia com as condenações que já começaram a ser proclamadas.

No afã de defender a herança recebida de Lula, a presidente Dilma incorreu em alguns erros ao ressaltar que seu antecessor havia recebido um país sob “intervenção” do Fundo Monetário Internacional (FMI) do governo FHC.

Esqueceu a presidente de lembrar o pânico gerado, em 2002, nos meios financeiros só com a possibilidade de vitória do candidato do PT, o que chegou a provocar corrida bancária e forte elevação da taxa de juros, além de desencadear pressões inflacionárias.

Estas, sim, foram as razões que levaram o então presidente Fernando Henrique a negociar um acordo com o FMI. Um acordo, aliás, que teve o aval de todos os candidatos à Presidência, inclusive o do PT.

De fato o ex-presidente Lula não cedeu à tentação de disputar um terceiro mandato, como chegaram a pregar muitos de seus correligionários, mas não pestanejou em disputar a reeleição, garantida pelo Congresso Nacional em votações qualificadas e com o apoio majoritário da sociedade brasileira.

O mais curioso é que, mesmo há quase uma década no Poder, o PT ainda insista em atribuir à gestão tucana os males que não conseguiu consertar no país ou que reedite, sem cerimônia, políticas que tanto criticou como a das privatizações, hoje rebatizada como concessões à iniciativa privada.

Pior ainda é que o PT tente atribuir a adversários comportamentos golpistas, enquanto nos bastidores trabalha pela implantação de um projeto hegemônico, através do qual imagina ser possível aniquilar a oposição no Brasil.

Nada nos fará calar diante do que nos parecem erros graves, mas sempre com equilíbrio e sem faltar com a verdade.

A greve da oposição pode estar no fim: na resposta à nota de Dilma, o PSDB ataca Lula, critica o governo e defende FHC

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O Instituto Teotônio Vilela responde a Dilma: ‘O PT detesta ouvir verdades incômodas’

Segue-se a íntegra do texto divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Teotônio Vilela, ligado ao PSDB

O PT adora assacar mentiras contra seus adversários e detesta quando lhe são ditas verdades incômodas. É isso o que explica a reação coordenada entre a presidente Dilma Rousseff e seu tutor às mazelas do governo petista expostas por Fernando Henrique Cardoso no último domingo. Ao rol de realidades desnudadas, os petistas responderam com as mistificações de sempre. O líder tucano está coberto de razão.

Em artigo publicado em O Globo e n’O Estado de S.Paulo, o presidente lista diversos componentes da “herança pesada” recebida por Dilma de seu antecessor. São muitos: a crise moral, o mensalão, a falta de reformas institucionais, o aumento da carga tributária, as iniquidades na Previdência, a ineficiência dos investimentos públicos, os descaminhos da política energética. Examinada a lista, é de se perguntar: há alguma mentira nela? Nenhuma.

Fernando Henrique lamenta a corrosão moral que marcou o primeiro ano da gestão Dilma. Fato: dos 37 ministros que assumiram com a presidente, sete foram defenestrados por suspeitas de corrupção e irregularidades de toda natureza. Não custa lembrá-los: Antonio Palocci (Casa Civil), Carlos Lupi (Trabalho), Alfredo Nascimento (Transportes), Pedro Novais (Turismo), Orlando Silva (Esporte), Wagner Rossi (Agricultura) e Mario Negromonte (Cidades).

Em seguida, o presidente trata do mensalão. Dos 37 réus, dez são do PT. São eles: os já condenados João Paulo Cunha e Henrique Pizzolato; José Genoino e Delúbio Soares, os próximos da lista; o único absolvido Luiz Gushiken; José Dirceu, Silvio Pereira, Paulo Rocha, Professor Luizinho e João Magno de Moura. Mente Fernando Henrique ao denunciar a “busca de hegemonia a peso de ouro alheio” por esta gente? Por tudo o que se viu ao longo das 17 sessões de julgamento realizadas no STF até agora, nem um pouco.

Segundo alguns jornais, Dilma teria ficado especialmente brava com a menção à desastrada política energética que vigora no governo petista. Mas quem, senão a própria atual presidente da Petrobras, ressaltou noutro dia que, desde 2003, a estatal não cumpre suas metas de produção? Quem, senão a própria empresa, deve apresentar nova queda na produção neste ano e registrou, após 13 anos, bilionário prejuízo? Quem vale hoje menos do que valia dois anos atrás, antes de um processo de capitalização embalado em clima de fanfarra eleitoral?

No artigo, Fernando Henrique também aponta os equívocos que transformaram o Brasil de potência na geração de etanol em importador do produto. Os fatos: neste ano-safra, a produção de álcool no país caiu 15% e compramos dos Estados Unidos nada menos que 1,8 bilhão de litros do biocombustível. Em consequência deste desarranjo, as importações de gasolina deverão mais que quadruplicar até o fim da década.

O líder tucano trata, ainda, dos atrasos na Transnordestina e na transposição do rio São Francisco. Quem há de negá-los? A ferrovia só tem um terço das obras prontas, liga nada a lugar algum e já encareceu 50%, bancada por financiamento do BNDES. A transposição tem seis dos 14 lotes com obras suspensas, muitas por suspeitas de irregularidades. Seu término, antes previsto para 2010, já foi estendido para, no mínimo, 2015.

A presidente tentou rebater as sóbrias palavras de Fernando Henrique com uma nota oficial combinada com Lula, segundo revelou o Estadão. Disse, por exemplo, que seu antecessor legou-lhe “uma economia sólida, com crescimento robusto, inflação sob controle, investimentos consistentes em infraestrutura”. Em que país ela está vivendo? Ou, pior: qual país ela pensa que está governando?

“Economia sólida” será a que cresce menos que todos os países latino-americanos e é a quarta mais desigual e injusta do continente? “Crescimento robusto” será aquele que, neste ano, ficará em cerca de metade do que foi o pibinho de 2011? “Investimentos consistentes em infraestrutura” são a paralisia que se vê em estradas, ferrovias, aeroportos, portos e conjuntos habitacionais, e que, na última década, deixou de aplicar quase R$ 50 bilhões em recursos orçamentários? Francamente…

Dilma chama atenção para “os avanços que o país obteve nos últimos dez anos”. Se não fosse tão sectária, mais correto seria dizer dos avanços que vêm sendo construídos por toda a nação desde a transição democrática ─ da qual, aliás, o PT recusou-se a participar no colégio eleitoral. Mais adequado ainda seria falar da completa ausência de avanços institucionais na última década, em que o arcabouço arduamente construído na gestão tucana foi sendo, dia após dia, dilapidado até o osso, até não sobrar nada que permita ao país lançar-se a novos saltos rumo ao futuro.

Para terminar, a presidente da República diz que seu tutor é “um exemplo de estadista”. Sobre isso, não é preciso dizer muito. Basta lembrar que, neste instante, Luiz Inácio Lula da Silva está mergulhado até a alma em disputas eleitorais pelo Brasil “mordendo a canela” de adversários e exalando ódio a quem não lhe diz amém. Enquanto isso, Fernando Henrique dedica-se a apontar erros e elogiar eventuais acertos, buscando colaborar para a melhoria do país. A verdade muitas vezes é incômoda, mas nunca foi tão necessária quanto agora.

Do blog do Augusto Nunes

Mordam a língua, petralhas imundos: Governo muda de rota com plano bilionário de privatização de estradas e ferrovias

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Pacote prevê investimentos de R$ 133 bilhões pela iniciativa privada, mas especialistas dizem que só terá efeito a longo prazo

Sem capacidade para tocar investimentos ambiciosos, o governo abraçou a iniciativa privada e anunciou ontem o maior pacote de concessões em rodovias e ferrovias já feito no País, no valor de R$ 133 bilhões, com a expectativa de impulsionar a economia depois de 2013.

O choque na infraestrutura foi comparado a um modelo de privatização até por empresários presentes à cerimônia no Palácio do Planalto, mas a presidente Dilma Rousseff não só rejeitou o termo como criticou a venda de estatais ocorrida na gestão do PSDB.

"Nós, aqui, não estamos desfazendo de patrimônio público para acumular caixa ou reduzir dívida", disse Dilma, numa referência à privatização de empresas no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). "Estamos fazendo parceria para ampliar a infraestrutura do País, beneficiar sua população e seu setor privado, saldar uma dívida de décadas de atraso em investimentos em logística e, sobretudo, para assegurar o menor custo logístico possível, sem monopólios."

Na avaliação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o programa lembra o "choque de gestão" adotado por administrações do PSDB e criticado por petistas. "O governo não deve ser executor de tudo, nem financiar tudo. O governo tem papel de planejador. Essa é a visão moderna, que já fizemos em São Paulo há 15 anos. Vai dar certo."

As medidas divulgadas ontem integram a primeira etapa do Programa de Investimentos em Logística (PIL), que também contempla portos, aeroportos e energia e passa para o setor privado a responsabilidade por obras de infraestrutura nos próximos 30 anos. Mas o efeito sobre o desempenho da economia – que neste ano poderá crescer menos de 2% – somente deverá ser sentido de forma plena a partir de 2014, ano de eleição presidencial. Dilma quer um crescimento na faixa de 5%. Dos R$ 133 bilhões previstos para estradas e ferrovias, mais da metade (R$ 79,5 bilhões) serão aplicados nos cinco primeiros anos.

Guinada

Ao abrir um volume colossal de concessões à iniciativa privada, Dilma mudou a rota adotada até agora por governos petistas. Defensora de um Estado forte, a presidente tinha, até então, concedido apenas a administração de três aeroportos (Guarulhos, Viracopos e Brasília) e uma rodovia, no Espírito Santo, à iniciativa privada.

Diante de uma plateia formada por dez governadores, ministros, parlamentares e pesos pesados da indústria, Dilma também anunciou a criação da Empresa de Planejamento e Logística. "O nosso propósito é nos unir para obter o melhor que a iniciativa privada pode oferecer em eficiência e o melhor que o Estado pode e deve oferecer em planejamento, gestão de recursos públicos e mediação de interesses legítimos."

Em geral, especialistas elogiaram o pacote, mas levantaram dúvidas sobre sua execução. Uma delas diz respeito ao cronograma, considerado muito otimista se for levado em conta o histórico de concessões. O governo quer licitar as rodovias em abril do ano que vem e as ferrovias em junho. Espera, ainda, fazer o leilão do trem-bala em maio. "São prazos ambiciosos", admitiu o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

O presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, acredita ser possível reduzir prazos de execução das obras. De qualquer forma, ele se mostrou cauteloso quanto às condições de risco, rentabilidade e estabilidade jurídica dos novos negócios.

Houve, porém, reações de entusiasmo. "Agora, baixando o custo da energia, a indústria será mais competitiva ainda. É um kit felicidade para o Brasil", resumiu Eike Batista, presidente do grupo EBX. Eliezer Batista, pai dele e referência em planejamento de infraestrutura no País, foi homenageado na cerimônia.

O Estado de S.Paulo

Após duras críticas a FHC, petralhas assumem a incompetência e se rendem de vez às privatizações

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Logo após se instalar no Palácio do Planalto, em janeiro de 2003, o messiânico Luiz Inácio da Silva lançou a tese da herança maldita, forma que encontrou para transferir a própria incompetência ao antecessor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. E se algum reconhecimento conquistou ao longo dos oito anos em que esteve presidente, Lula deve tal proeza a FHC, que deixou a economia brasileira em condições para que o País pudesse crescer.

Em 2006, temendo os efeitos do Mensalão do PT em seu projeto de reeleição, Lula ordenou à sua tropa de choque que usasse à exaustão a mentirosa teoria de que os tucanos, em caso de vitória na corrida presidencial daquele ano, privatizariam a Petrobras. Na eleição presidencial de 2010, o discurso foi idêntico, mas teve como plataforma de lançamento das falácias um livro que trata das privatizações realizadas na era FHC.

Durante anos a fio o Partido dos Trabalhadores criticou as privatizações patrocinadas pelo PSDB, o que tirou do Estado a responsabilidade de investir em áreas vitais para a economia do País, o que retiraria recursos de áreas também importantes e com mais carência de investimentos. Foram essas privatizações que permitiram que o Brasil avançasse economicamente, mas os petistas custam a admitir esse fato.

Sem ter como manter no ar a bolha de virtuosismo lançada por Lula, o governo do PT se vê obrigado a abrir mão do discurso tacanho e partir para as até então condenadas privatizações. Nesta quarta-feira (15), em solenidade no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff anunciou um plano para recuperar a infraestrutura do País por meio de investimentos da iniciativa privada. Batizado de PAC das Concessões, o plano, que contemplará setores de rodovias, ferrovias e portos, evidencia a incapacidade gerencial de um governo que se preocupa com a partidarização da máquina e a distribuição cada vez maior de esmolas sociais como forma de manter o curral eleitoral e assegurar um projeto totalitarista de poder.

Contudo, chama a atenção que até agora nenhum dos pretéritos críticos de Fernando Henrique Cardoso surgiu para condenar a decisão de Dilma Rousseff de entregar ao capital privado aquilo que em tese é de responsabilidade do Estado. Como disse certa vez o boquirroto Lula, “nunca antes na história deste país”.

Ucho.info

FHC: ‘Expansão de universidades feita pelo PT tem resultado pífio’

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Ex-presidente afirma que nem toda cidade precisa de um câmpus, critica o sistema de cotas e diz que o Bolsa Família fugiu ao controle do governo

Inaugurada em 2006 como marco do Reuni, a Universidade Federal do ABC (UFABC), na Grande São Paulo, ainda não está concluída

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou nesta terça-feira a expansão, sem planejamento, das universidades federais, promovida pelo governo do PT nos últimos dez anos. Para o tucano, da forma que foi feito, o programa resultou em desperdício de dinheiro público e não trouxe avanços para a formação dos universitários brasileiros.

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“Houve no Brasil uma distorção recente da importância de ter universidades. Foram criadas muitas universidades. Eu, quando presidente, fiz algo que me custou caro: vetei a criação de universidades”, afirmou em palestra sobre educação a empresários, em seminário promovido pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), em São Paulo. “Não precisa ter universidade para todo o lado. Senão vira um balcão de empregos. Há muito desperdício do dinheiro público. Estão criando universidades em todos os lugares e o resultado é pífio em termos de formação.”

Problemas na execução do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), do Ministério da Educação, estão no cerne das greves de professores e protestos dos alunos que vêm paralisando as aulas nesse ano. Dezenas de câmpus foram inaugurados sem a menor infraestrutura de funcionamento nos prédios e nas cidades. Há, por exemplo, faculdades de Medicina abertas sem laboratórios ou um hospital universitário.

Para o ex-presidente, não faltam recursos para a educação, mas sim gestão. Ele disse que um eventual aumento do porcentual do PIB destinado para a área – em discussão no Congresso – seria um desperdício. “Nesse debate de aumentar de 5% para 10% o porcentual do PIB para educação, eu fico com as barbas de molho porque isso vai ser um desperdício de dinheiro brutal”, disse. Ele afirmou que, durante o governo do PT, o Ministério da Educação foi aparelhado por integrantes das diversas correntes do partido, o que prejudicou a eficiência do órgão.

Fernando Henrique lembrou que, em seu governo, promoveu ações para aumentar o número de crianças na escola, mas hoje novos desafios estão colocados: aumentar a carga horária do aluno em sala de aula, valorizar o professor, cuidar da gestão da educação e fazer avaliações periódicas dos níveis de aprendizado. “Ninguém gosta de ser avaliado – nem na eleição –, mas é algo importante.” Ele reclamou da oposição dos sindicatos de professores a esse método. “Os sindicatos passaram a ser peças de atraso. Eles não aceitam inovação.”

Fernando Henrique confrontou a época em que os professores da Universidade de São Paulo (USP) davam aulas em francês com o cenário atual, de massificação do ensino superior. “Como dar aula em francês para alguém que mal tem noção de português?”, disse. “Antes havia nichos de excelência, agora há muita gente e a qualidade do ensino é muito baixa.”

Lei de Cotas

Fernando Henrique criticou as cotas em universidades fixadas de acordo com a cor da pele do aluno. Para ele, essa distinção estimula o racismo. “Do jeito que vem sendo feito, você coloca como base do sistema uma ideologia racista. Não pode ter aluno de primeira e de segunda classe”, disse.

Uma proposta aprovada na semana passada pelo Congresso e que seguiu para sanção presidencial obriga as universidades federais a reservarem 50% de suas vagas para estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas. Uma parte das vagas tem de ser destinada a negros, pardos e índios. “Esse sistema corre o risco de enrijecer muito. Sou favorável às políticas compensatórias, mas tem de ter liberdade para a pluralidade de experimentos e não só um molde para o Brasil todo.”

Bolsa Família

O ex-presidente afirmou que a política de concessão de bolsas pelo governo federal, para transferência de renda, começou em sua gestão, com benefícios na área da educação e saúde. A ideia então foi apropriada por Lula quando o petista viu que seu programa Fome Zero não ia decolar. “Ele juntou as bolsas, criou o Bolsa Família e aumentou o valor do benefício”, disse FHC. “É difícil saber se esse dinheiro está sendo bem aplicado ou não. Não temos controle. É simplesmente uma distribuição de dinheiro.”

Veja Online

A oposição oficial insiste em esconder dos milhões de eleitores jovens a história do plano que livrou o Brasil da inflação

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O 18° aniversário do Plano Real, ocorrido neste domingo, não animou a oposição oficial a soltar um único rojão, um só buscapé , sequer um traque de festa junina. A chegada à maioridade da ousadia econômica que domou a inflação só serviu para reafirmar que Fernando Henrique Cardoso, o grande protagonista da façanha, foi vítima de outra molecagem consumada em parceria por adversários boçais e aliados bisonhos. O governo Dilma-Lula fingiu esquecer a data que a oposição oficial jamais soube valorizar.

Se os legítimos herdeiros do legado de FHC fossem menos idiotas, usariam repetidamente a TV para contar, no horário eleitoral e no tempo reservado aos partidos, a história que milhões esqueceram e outros tantos ignoram. Os incontáveis brasileiros com menos 30 anos tinham no máximo 12 em 1° de julho de 1994, quando o Plano Real nasceu. Não são muitos os que sabem o que efetivamente aconteceu, como aconteceu e quem fez acontecer. Como atestam os textos e ilustrações que se seguem, não seria difícil contar o caso como o caso foi.

Em 28 de fevereiro de 1986, acuado pela escalada da inflação, o governo do presidente José Sarney não se limitou a cortar três zeros do cruzeiro, como fizeram vários antecessores. Também aposentou a velha moeda e criou o cruzado.

Três anos depois, ainda no governo Sarney, novamente sumiram três zeros e o cruzado foi substituído pelo cruzado novo.

Em 1990, dois meses depois da posse, o presidente Fernando Collor repetiu o truque: matou o cruzado novo e ressuscitou o cruzeiro ─ com três zeros a menos.

Em agosto de 1993, já com Itamar Franco no lugar de Collor, o governo amputou três zeros do cruzeiro e criou o cruzeiro real.

Em 1° de julho de 1994, último ano do governo Itamar, o real nasceu no bojo do plano com o mesmo nome concebido por uma equipe de economistas comandada por Fernando Henrique Cardoso, nomeado ministro da Fazenda em maio do ano anterior. Passados 18 anos, a moeda continua  exibindo a excelente saúde que faltou às versões anteriores, todas fulminadas pela inflação descontrolada.

Instados a lidar com a maldição cinquentenária, Itamar Franco e FHC dispensaram-se de lamúrias, enfrentaram sem hesitações o inimigo aparentemente invencível e enjaularam a inflação que parecia indomável. Herdeiro de um país financeiramente estabilizado, Lula foi o único presidente, além do antecessor, que não precisou encomendar à Casa da Moeda cédulas com outro nome, zeros a menos ou zeros a mais. Desde 1994, da menor fração em centavos à cédula de 100 reais, nada mudou.

“Recebi um país em péssima situação”, mentiu Lula durante oito anos. “Nós assumimos um país com a inflação descontrolada”, continua mentindo Dilma Rousseff. A permanência, a longevidade e a solidez da moeda são a prova mais contundente de que Lula, beneficiário da herança bendita, tratou a verdade a pontapés para expropriar de FHC a paternidade do histórico ponto de inflexão. O colecionador de fraudes e falácias faz de conta que foi ele que livrou o Brasil do convívio com a inflação mensal acima de dois dígitos.

Em nações mais altivas, pais-da-pátria que assassinam a verdade em público se arriscam a ter a discurseira interrompida por chuvas de dinheiro metálico. Graças a FHC, Lula e Dilma seguem desfiando lorotas sem se expor a tal perigo: desde 1994, ninguém joga fora sequer moedas de 5 centavos. A dupla que inventou o Brasil Maravilha adoraria assumir a paternidade do Plano Real. A família que participou dos trabalhos de parto finge que mal reconhece a criatura admirável.

A performance dos candidatos do PSDB nas campanhas presidenciais de 2002, 2006 e 2010 informa que a oposição oficial nunca enxergou com nitidez a importância histórica do Plano Real. O que houve neste 1° de julho avisa que jamais enxergará.

Augusto Nunes

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