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Na Copa, Dilma foi apenas candidata. Pior para o Brasil

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TRÊS SEGUNDOS
Dilma entrega taça a Lahm com pressa e cara de poucos amigos

Daqui a algumas décadas, quando as imagens do capitão da seleção alemã Philipp Lahm erguendo a taça da Copa do Mundo de 2014 forem exibidas, é possível que poucas pessoas compreendam por que a senhora de verde que entrega o troféu ao jogador parece querer se livrar da taça o quanto antes. Também vai ser difícil entender por que a presidente Dilma Rousseff não exibe um sorriso em um momento tão especial. Pelo contrário: não disfarça seu desconforto com a missão. Aos que se perguntarem no futuro por que estaria Dilma tão frustrada, adianta-se a explicação: quem entregou o troféu a Lahm foi a candidata à reeleição. E não a presidente da República.

A imagem de Dilma ganha contornos ainda mais melancólicos quando comparada às da chanceler alemã Angela Merkel. Se de um lado a presidente brasileira evitava ser vista pelo público, a chanceler alemã passou boa parte do jogo se exibindo, dando entrevistas e acenando a todos os alemães no estádio. Merkel — como sua seleção — exerceu no Brasil o que na diplomacia define-se como soft power, ou poder suave: a capacidade de um país para conseguir o que deseja por meio de sua cultura e de sua imagem, de sorrisos e paciência, em oposição a balas e canhões. Já Dilma demonstrou total falta de fair play: adotou uma postura aquém do que se espera do chefe de Estado de um país-sede da Copa. A presidente não estava ali para agradar aos eleitores, mas representava o país numa cerimônia assistida por cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. E o fez com uma postura mal humorada que contrastou com o que os estrangeiros mais elogiaram nesta Copa: a hospitalidade brasileira.

De fato, até o momento em que Lahm ergue a taça, o estádio foi tomado por vaias e xingamentos a Dilma. A organização do evento, contudo, blindou a presidente de um constrangimento mundial ao abafar os sons com música alta na transmissão televisiva. Se do outro lado do mundo os torcedores não podiam decifrar o abafado xingamento à presidente, o rosto de Dilma entregou o que a Fifa tentava esconder. Se já havia quebrado uma tradição ao optar por não discursar na abertura da Copa, Dilma mais uma vez falhou em seu compromisso como presidente ao segurar a taça por meros três segundos, empurrando-a a Lahm.

Nesta segunda-feira, em Brasília, Dilma voltou a misturar Copa e política. Em nova demonstração de que teme os efeitos eleitorais da goleada sofrida pelo Brasil para a Alemanha, saiu-se com um discurso de superação. "Nós tivemos a Copa das Copas. Tivemos, sem tergiversar, um problema, que foi a nossa partida com a Alemanha. No entanto, eu acredito que tudo na vida é superação. O Brasil demonstrou também uma grande dignidade após sofrer esse revés num jogo. Mostrou que tem dignidade, porque é preciso inclusive atitude para saber perder. O povo brasileiro demonstrou que era capaz não só de fazer a Copa das Copas, mas de enfrentar também esse desafio, o que aconteceu". E associou o sucesso do torneio fora de campo diretamente à sua administração: "Foi uma árdua conquista para o meu governo. Nós todos nos empenhamos para assegurar que a Copa do Mundo trouxesse não só uma grande oportunidade de sediar o mais importante evento de futebol do planeta, como também queríamos demonstrar que o Brasil estava capacitado e tinha todas as condições para assegurar infraestrutura, segurança, telecomunicações, tratamento adequado aos turistas, seleções e a todos os chefes de Estado que viessem nos visitar".

Novamente, Dilma prefere discursar sobre o tema em evento fechado, com público controlado. Fica claro por que a presidente passou quase toda a Copa longe dos estádios: esteve apenas à abertura, onde foi vaiada e hostilizada, e à final, quando compareceu hesitante para cumprir o papel reservado ao chefe do país-sede na cerimônia de premiação.

Veja Online

A Copa que faria meia Argentina morrer de inveja ameaça matar de vergonha e indignação os brasileiros decentes

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Os monumentos à modernidade que fariam do País do Futebol um campeão da mobilidade urbana encalharam na garganta de Lula ou dormem na imaginação de Dilma Rousseff

Em 30 de outubro de 2007, assim que a Fifa anunciou oficialmente a escolha do anfitrião da Copa de 2014, o presidente Lula resolveu animar a festança em Zurique com mais uma discurseira triunfalista. “Vocês verão coisas lindas da natureza e nossa capacidade de construir bons estádios”, vangloriou-se com sete anos de antecedência o camelô de bazófias e gabolices. “Os investimentos em infraestrutura deixarão um legado de melhoria nas condições de vida do nosso povo. Vamos fazer uma Copa para argentino nenhum botar defeito”.

A menos de um semestre do início da competição, muitas arenas padrão Fifa nem foram concluídas e já estão condenadas a agonizar como elefantes brancos no minuto seguinte ao último apito. Os monumentos à modernidade que fariam do País do Futebol um campeão da mobilidade urbana encalharam na garganta de Lula ou dormem na imaginação de Dilma Rousseff. O trem-bala e o terceiro aeroporto de São Paulo, por exemplo, jazem no cemitério das fantasias eleitoreiras que o padrinho criou e a afilhada não para de ampliar. E boa parte do mundaréu de obras prometidas pelos fundadores da potência emergente sucumbiu ao raquitismo congênito.

Nesta quarta-feira, um editorial da Folha reiterou que o “legado da Copa” é só a vigarice mais recente e uma das mais perdulárias forjadas pelos vendedores de vento. Dos 56 projetos divulgados com pompas e fitas em 2010, sobraram 39. O volume de investimentos baixou de 15,4 bilhões para 7,9 bilhões. Conjugadas, a falta de dinheiro e incompetência de sobra adiaram para quando Deus quiser novas linhas de metrô, monotrilhos, estradas, avenidas, trens metropolitanos, reparos nas malhas viárias, reformas em aeroportos ou corredores de ônibus, fora o resto. O legado da Copa pode acabar resumido à apresentadora Fernanda Lima.

Não foi por falta de aviso que o fiasco se materializou. Em julho de 2010, por exemplo, um repórter quis saber de Jerôme Valcke como andavam os preparativos para a Copa do Brasil. “Falta tudo”, resumiu o secretário-geral da Fifa. “Tudo”, repetiu, com a cara de quem acabou de descobrir que lidava havia três anos com tratantes e ineptos. Surpreendido pelo pontapé na canela, Lula tentou um carrinho por trás. ”Terminou uma Copa do Mundo na África do Sul agora e já começam aqueles a dizer: ‘Cadê os aeroportos brasileiros? Cadê os estádios brasileiros? Cadê os corredores de trem brasileiros? Cadê os metrôs brasileiros?’ Como se nós fôssemos um bando de idiotas que não soubéssemos fazer as coisas e não soubéssemos definir as nossas prioridades”.

O troco desmoralizante viria em março de 2012, quando Valcke afirmou que os organizadores da Copa mereciam um chute no traseiro: talvez assim começassem a trabalhar direito. O descompromisso do supercartola com as boas maneiras escancarou o descompromisso da turma no poder com a verdade ─ e comprovou que os governos lulopetistas não sabem mesmo “fazer as coisas” nem “definir as nossas prioridades”. As perguntas desdenhadas pelo palanque ambulante na réplica a Valcke continuavam (e continuam) implorando por respostas. (Como imploram por investigações os incontáveis casos de polícia envolvendo negociatas bilionárias, contratos superfaturados e procissões de propinas).

Inauguradas no Dia da Criação, só escaparam do atraso irresponsável “as coisas lindas da natureza”. Mas o arquivamento dos projetos vinculados a três cartões postais do Rio sugere que não serão vistas tão facilmente as maravilhas evocadas por Lula na Suíça. O Corcovado está onde sempre esteve. Só que a modernização do trenzinho foi adiada para 2015. O tempo de espera na fila do bondinho do Pão de Açúcar não será inferior ao de viagens aéreas intercontinentais. E convém contemplar de longe a baía de Guanabara devastada pela poluição.

É compreensível que Lula, Dilma, Aldo Rebelo, Ricardo Teixeira e outros festeiros de 2007 não tenham voltado a Zurique neste janeiro, para a cerimônia de entrega do troféu Bola de Ouro, durante a qual a Fifa homenageou o anfitrião do próximo Mundial. A cinco meses do jogo de abertura, a turma deve estar concentrada na confecção de álibis marotos e desculpas esfarrapadas. Como já sabe até a grama do Maracanã, a Copa que faria meia Argentina morrer de inveja pode matar de vergonha e indignação o Brasil que presta.

Augusto Nunes

A Copa do atraso, da gastança, da roubalheira…

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O planejamento deficiente e a má gestão produziram mais que o enorme atraso no início das obras da Copa. Elevaram custos, dificultaram o acompanhamento dos gastos e resultaram em várias irregularidades na elaboração e na execução dos projetos

Atraso nas obras, rapidez na resposta: a presidente Dilma Rousseff reagiu prontamente aos comentários do presidente da Fifa, Joseph Blatter, sobre a demora na preparação da Copa do Mundo de 2014. "Amamos o futebol e por isso recebemos esta Copa com orgulho e faremos a Copa das Copas", proclamou a presidente pelo twitter. "É o país mais atrasado desde que estou na Fifa. E foi o único que teve tanto tempo para se preparar", disse o dirigente em entrevista ao jornal suíço 24 Heures. Publicado o comentário, o Ministério do Esporte logo divulgou em nota oficial a promessa de conclusão dos preparativos "a tempo para a Copa" — garantia desnecessária, se o governo houvesse iniciado muito mais cedo os investimentos necessários. Presidente da federação desde 1998, Blatter entrou na organização em 1975, há quase 40 anos. Ele se referiu a esse período, quando afirmou nunca ter visto uma preparação com tantos atrasos.

O governo brasileiro, chefiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu em 2007 o compromisso de organizar a Copa do Mundo programada para sete anos depois. Nada, ou quase nada, foi investido nos quatro anos seguintes. O trabalho ficou para a gestão da presidente Dilma Rousseff.

Só em janeiro de 2010, no começo do último ano de seu mandato, o presidente Lula instalou o comitê responsável pela organização do evento. Ao mesmo tempo, anunciou a destinação de R$ 20 bilhões — do Tesouro Nacional, do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Nessa altura, as estimativas iniciais de custos já estavam estouradas. Em agosto do ano passado, estavam prontos seis dos estádios previstos e continuavam as obras em outros seis. A projeção do investimento havia passado dos R$ 2,8 bilhões anunciados em 2007 para R$ 8 bilhões, com aumento de 285%. O novo valor superava a soma das verbas aplicadas em 12 estádios alemães e em 10 sul-africanos (equivalentes a R$ 6,9 bilhões) para as Copas de 2006 e de 2010.

O planejamento deficiente e a má gestão produziram mais que o enorme atraso no início das obras. Elevaram custos, dificultaram o acompanhamento dos gastos e resultaram em várias irregularidades na elaboração e na execução dos projetos.

Em junho de 2011 o Tribunal de Contas da União (TCU) já reclamava da falta de informações claras e atualizadas sobre as obras de estádios, de mobilidade urbana, de portos e aeroportos e também de programas de segurança e vários outros de natureza organizacional. Em relatórios anteriores, o Tribunal já havia cobrado do Ministério do Esporte informações detalhadas para a montagem do cronograma das auditorias.

Naquela altura, meados de 2011, a Matriz de Responsabilidades da Copa indicava uma previsão de gastos de R$ 23,7 bilhões. A projeção mais recente incluída no Portal da Transparência, do governo federal, indica investimentos de R$ 25,9 bilhões, provavelmente subestimada, segundo analistas. Desse total, projetos no valor de R$ 17,2 bilhões foram contratados e apenas R$ 8,6 bilhões (33,2%) foram executados. Dos R$ 6,7 bilhões previstos para aeroportos, foi contratado R$ 1,8 bilhão e desembolsados R$ 899,6 milhões (13,3%). Dos R$ 7,9 bilhões estimados para mobilidade urbana, foram contratados R$ 6,3 bilhões e pagos (executados) R$ 2,6 bilhões (32,9%).

Para facilitar a contratação de obras, o Executivo foi autorizado pelo Congresso, em 2011, a adotar o Regime Diferenciado de Contratações, menos rigoroso que o sistema normal de licitações. A exceção valeria, inicialmente, para contratos para as Copas das Confederações e do Mundo e para os Jogos Olímpicos. Mas a facilidade foi estendida a projetos do Programa de Aceleração do Crescimento e do Sistema Único de Saúde.

Apesar dessa flexibilidade, a maior parte das obras destinadas à Copa do Mundo continua com grande atraso e os custos finais serão com certeza bem maiores que os estimados inicialmente. Talvez a Lei de Licitações tornasse um pouco mais lentas as contratações. Mas o problema real estava em outra parte — na incompetência gerencial do governo.

Editorial do Estadão

O título da matéria foi editado

Opinião do Estadão: A mais cara de todas as Copas

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A Nação aguarda, com muita ansiedade, que o governo venha a público esclarecer quantos hospitais, escolas ou presídios têm sido construídos e que equipamentos têm sido adquiridos para melhorar nossos péssimos serviços públicos com recursos aportados por torneios esportivos que nos custam os olhos da cara

A Copa do Mundo de 2014 no Brasil será a mais cara de todas. O secretário executivo do Ministério dos Esportes, Luís Fernandes, anunciou que em julho seu custo total chegará a R$ 28 bilhões, um aumento de 10% em relação ao total calculado em abril, que era de R$ 25,3 bilhões. E supera em R$ 6 bilhões (mais 27%) o que em 2011 se previa que seria gasto.

Por enquanto, já se sabe que o contribuinte brasileiro arcará com o equivalente ao que gastaram japoneses e coreanos em 2002 (R$ 10,1 bilhões) mais o que pagaram os alemães em 2006 (R$ 10,7 bilhões) e africanos do sul em 2010 (R$ 7,3 bilhões).

O "privilégio" cantado em prosa e verso pelo ex-presidente Luiz Inácio da Silva, que se sentou sobre os louros da escolha em 2007, e entoado por sua sucessora, Dilma Rousseff, em cuja gestão se realizará o torneio promovido pela Fifa, custará quatro vezes os gastos dos anfitriões do último certame e três vezes os gastos dos dois anteriores.

O governo federal não justifica — nem teria como — este disparate. Mas, por incrível que pareça, os responsáveis pela gastança encontram um motivo para comemorar: a conta ainda não chegou ao teto anunciado em 2010, que era de R$ 33 bilhões. É provável, contudo, que esse teto seja alcançado, superando o recorde já batido, pois, se os custos cresceram 10% em dois meses, não surpreenderá ninguém que subam mais 18% em 12 meses.

Esta conta salgada é execrada porque dará um desfalque enorme nos cofres da União, que poderiam estar sendo abertos para a construção de escolas, hospitais, estradas, creches e outros equipamentos dos quais o País é carente. Como, aliás, têm lembrado os manifestantes que contestam a decisão oficial de bancar a qualquer custo a realização da Copa das Confederações, do Mundial de 2014 e da Olimpíada no Rio de Janeiro em 2016. E, além dos valores, saltam aos olhos evidências de que tal custo não trará benefícios de igual monta.

É natural que, no afã de justificar o custo proibitivo, o governo exagere nas promessas de uma melhoria das condições de vida de quem banca a extravagância. Segundo Fernandes, responsável pela parte que cabe ao governo na organização do torneio, "a Copa alavanca investimentos em saúde, educação, meio ambiente e outros setores". E mais: "Ou aproveitamos esse (sic) momento para o desenvolvimento do País ou perdemos essa (sic) oportunidade histórica".

A Nação aguarda, com muita ansiedade, que o governo, do qual participa o secretário executivo do Ministério dos Esportes, venha a público esclarecer quantos hospitais, escolas ou presídios têm sido construídos e que equipamentos têm sido adquiridos para melhorar nossos péssimos serviços públicos com recursos aportados por torneios esportivos que nos custam os olhos da cara.

Não é preciso ir longe para contestar esta falácia da "Copa cidadã": o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) previu um "legado inestimável" que ficaria da realização dos Jogos Pan-americanos de 2007 na mesma cidade onde será disputada a Olimpíada de 2016. O tal "legado" virou entulho: os equipamentos construídos para aquele fim estão sendo demolidos e reconstruídos e, enquanto não ficam prontos, os atletas simplesmente não têm onde se preparar para disputar os Jogos Olímpicos daqui a três anos.

A manutenção do estádio Green Point, na Cidade do Cabo, que custou R$ 600 milhões (menos da metade dos gastos na reforma do Maracanã, no Rio, e do Mané Garrincha, em Brasília) para ser usado na Copa da África do Sul, demanda, por ano, R$ 10,5 milhões em manutenção, o que levou a prefeitura local a cogitar de sua demolição. Por que os estádios de Manaus, Cuiabá e Natal terão destino diferente depois da Copa?

A matemática revela que o maior beneficiário da Copa de 2014 será mesmo a Fifa, e não o cidadão brasileiro, que paga a conta bilionária. Prevê-se que o lucro da entidade será de R$ 4 bilhões, o dobro do que arrecadou na Alemanha e o triplo do que lucrou na África do Sul. O resto é lorota para enganar ingênuos e fazer boi dormir.

A popularidade da anta: Dilma leva três sonoras vaias no Mané Garrincha, na abertura da Copa das Confederações

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Joseph Blatter, presidente da Fifa, discursou na abertura da Copa das Confederações, no estádio Mané Garricha, em Brasília. O jogo de estreia é Brasil contra o Japão. Estava ao lado de Dilma Rousseff. Tão logo citou o nome da presidente, explodiu uma sonora vaia no estádio. As autoridades brasileiras, definitivamente, se arriscam em situações assim. Lula, que é Lula — transformado no demiurgo nacional —, foi vaiado em pleno Maracanã, na abertura dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Dilma, diga-se, já tinha sido vaiada quando teve o nome anunciado pelo sistema de som e voltou a ouvir a manifestação de descontentamento quando ela própria falou.

Os petistas podem tentar citar Nelson Rodrigues — “Brasileiro vaia até minuto de silêncio” — ou podem achar que está em curso algum desconforto com o governo. E olhem que o jogo se dá em Brasília, não é?, que tem a renda per capita mais alta do país.

A vaia quer dizer alguma coisa e aponta para 2014? Não dá para saber. As pesquisas indicam que a popularidade da presidente é alta, mas está em queda. Lula, como lembrei, foi vaiado em 2007 e, como se sabe, elegeu sua sucessora. Vamos ver.

Veja e ouça a vaia como se estivesse na arquibancada do estádio em Brasília

Texto de Reinaldo Azevedo

Esculhambação petralha: Lei Geral da Copa explicita fracasso da articulação política da presidente

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As habilidosas e competentes ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann garantiram aos líderes da base que o governo não assumira o compromisso com a Fifa de permitir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, vetada pelo Estatuto do Torcedor. A posição destoou do que já havia sido negociado antes, quando o projeto estava na comissão especial. Não tem como dar certo. Essa gente é totalmente sem noção!

Novo líder na Câmara fechou acordo e, horas depois, governo admitiu equívoco e teve de recuar

A fragilidade do diálogo do governo com o Congresso e os descompassos da articulação política da presidente Dilma Rousseff ficaram ainda mais evidentes nos debates que antecederam a tentativa de votação da Lei Geral da Copa. Bastaram 12 horas para a recauchutada articulação política do Planalto entrar em curto com a base e promover um vaivém em relação à proposta de liberação de venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante os jogos da Copa de 2014.

Na noite de quarta-feira, comandado pelo Palácio, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), novo líder na Câmara, bancou a decisão de que o governo vetaria a liberação de bebidas. Um comando que na manhã de quinta-feira, 15, já se tornara letra morta e escancarou uma séria de trapalhadas que começou na Presidência e se estendeu ao Congresso.

O núcleo da confusão envolveu a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e os novos líderes, que buscam um acordo em torno do projeto de Lei Geral da Copa.

As duas ministras garantiram aos líderes da base que o governo não assumira o compromisso com a Fifa de permitir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, vetada pelo Estatuto do Torcedor. A posição destoou do que já havia sido negociado antes, quando o projeto estava na comissão especial. “Ficamos perplexos com a nova situação”, resumiu o relator do projeto, deputado Vicente Cândido (PT-SP).

O novo líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), fechou um acordo com a base para retirar o artigo do projeto que permitia a bebida. Horas depois, uma reunião de emergência na Casa Civil reverteu a orientação. “Só chamando neurologista, um psicólogo para entender o que aconteceu”, reagiu o relator.

O ministro Aldo Rebelo confirmou o compromisso brasileiro com a Fifa. Perante o novo entendimento, o relator confirmou, na quinta-feira, que manterá no texto a permissão para a venda de bebidas. “Foi uma trapalhada”, disse, após ter ouvido a ministra Gleisi admitir que fora “induzida” ao erro por assessores.

Fracasso

O Planalto reconheceu que não passou pelo primeiro teste de sua liderança com a questão da votação da Lei Geral da Copa. “A Casa Civil entendeu tudo errado, achou que poderia mudar este artigo da lei e isso não é possível porque a venda de bebidas faz parte do acerto da Fifa com o Brasil”, disse ao Estado um interlocutor de Dilma.

O episódio se soma ao tropeço do início da semana, quando a presidente destituiu os líderes do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), surpreendendo toda a base.

Logo cedo, Dilma mandou o erro ser imediatamente corrigido. “Contrato é contrato, tem de ser respeitado. Não há o que negociar nisso. A venda de bebidas estava explícita e o Brasil concordou”, disse outro interlocutor.

A presidente rechaçou ainda a existência de crise na base. “Crise, que crise?”, desabafou, em conversa com auxiliares, acrescentando que ela tem o direito de mudar os líderes para oxigenar a relação com o Congresso.

Na quinta à tarde, Aldo, em nota, esclareceu que “não existem nem existirão restrições legais ou proibições sobre a venda, publicidade ou distribuição de produtos das afiliadas comerciais, inclusive alimentos e bebidas, nos estádios”. Nesse vaivém, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), admitiu a dificuldade de liquidar a votação do projeto na próxima semana. Estadão Online

Barcelona leva futebol brasileiro ao divã

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Ex-jogadores, treinadores e dirigentes comentam as lições e consequências do espetáculo protagonizado pelo clube catalão diante do Santos, no Japão

Daniel Akstein Batista, Tiago Rogero – O Estado de S.Paulo

O espetáculo protagonizado pelo Barcelona na final do Mundial de Clubes, contra o Santos, domingo, 18, em Yokohama, deixou muita gente impressionada. A diferença tática e técnica entre o melhor time da Europa diante do melhor da América foi tamanha que resultou em goleada: 4 a 0 para os espanhóis. Mas, afinal, o que explicaria o “passeio” catalão? E quais as consequências deste resultado para o futebol brasileiro?

Para o técnico campeão do mundo, Pep Guardiola, a resposta está no próprio futebol brasileiro. “Não é isso o que o Brasil fazia?”, indagou. “O Barcelona passa a bola como meu pai falava que vocês (brasileiros) faziam”, disparou após o título.

Edu, ex-ponta do próprio Santos na década de 60 e 70, segue a linha de raciocínio do treinador do Barça. “Eles (Barcelona) só estão fazendo o que a gente já fazia. Como as seleções de 1970 e 1982 e o Santos de Pelé”, apontou. "E tem outra coisa: fazia tempo que eles vinham tentando ser o melhor e não conseguiam."

Para Edu, não é questão de alguns brasileiros tentarem imitar o Barcelona. “Sempre deu certo aqui, só nos não percebemos”, disse, criticando alguns esquemas táticos que priorizam a marcação ou as bolas alçadas na área e pedindo a volta do futebol-arte que fez história.

Goleiro campeão do mundo com o São Paulo em 1992, Zetti também espera ver os times jogando pra cima. “Com o Telê (Santana) era assim, ele exigia que jogasse bonito”, lembrou. Mas para Zetti o País ainda tem de aprender algumas coisas com o Barcelona. “Não temos de ter vergonha em copiar o que eles têm de melhor ou ir lá fazer um estágio com eles.”

E esse “melhor” a que Zetti se refere não é apenas na forma de jogar. “É preciso tempo. Em 92 o Barcelona já jogava dessa forma e foi evoluindo. E lá, quando sai um treinador, entra outro com a mesma filosofia.”

Radical, Zetti acha que os clubes brasileiros só vão conseguir se igualar aos europeus quando o calendário daqui se igualar ao de lá. “Perdemos muitos jogadores no meio do campeonato”, acrescentou.

Apesar do amplo domínio do Barcelona no domingo, vale lembrar que muitas outras potências já sofreram o mesmo que o Santos. Há duas semanas, por exemplo, o Real Madrid levou um baile do rival no Santiago Bernabéu. Mas o placar de 4 a 0 em Yokohama não se deve apenas aos méritos do Barça. “Eu esperava mais do Santos, faltou pegada e mais atitude”, apontou Zetti. “Os zagueiros não marcavam em cima.”

O presidente do Vasco, Roberto Dinamite, também reclamou do comportamento do Santos. “O time já entrou em campo esperando e olhando o Barcelona jogar. Ficar o jogo inteiro correndo atrás traz desgaste físico e emocional, tem de marcar e sair para jogar”, ensinou.

O ex-jogador também estranhou a “bondade” dos santistas. “Quando faziam uma falta, os atletas do Santos batiam nas costas do jogador do Barça, pediam desculpas. Meu irmão, você está disputando um título! Deixa para fazer isso no fim do jogo”, falou. “O Barcelona jogou sem nenhum atacante, não tinha ninguém dentro da área do Santos, que mesmo assim jogou com três zagueiros.”

Lição

Mano Menezes, técnico da seleção brasileira, também comentou o resultado. E rasgou elogios ao campeão. “Este grupo do Barcelona veio para fazer história”, disse em comunicado oficial. “Há 35 anos eles decidiram que queriam ser assim, trabalharam incansavelmente nesta direção e o resultado está à mostra para o mundo todo ver.”

Segundo Mano, a derrota santista vai “remeter a uma discussão mais profunda e proveitosa dos verdadeiros problemas do futebol brasileiro”. “Tenho ouvido que sempre vencemos do nosso jeito e os outros estão fazendo da maneira que fazíamos antes. Temos que encarar que essa gente está fazendo algo diferente e temos de aceitar, entender e resolver isso.”

Written by Abobado

20 de dezembro de 2011 at 12:28