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Roubalheira na Agricultura: Wagner Rossi favorece aliados com cargos em setores estratégicos

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Josie Jeronimo, Correio Braziliense

O mapa de influência desenhado pelo ministro Wagner Rossi desde que assumiu o Ministério da Agricultura, em março de 2010, ainda na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, favorece aliados dos municípios de Ribeirão Preto, a 320 km da capital paulista, onde vive com a família, e de Uberaba (MG), a 481 km de Belo Horizonte, cidade de um de seus principais colaboradores. A estrutura montada por Rossi distribui poder para representantes de setores com peso econômico, como de crédito e de agronegócio. O nome mais forte entre os amigos de Rossi é Ricardo Saud, indicado para cuidar das cooperativas agrícolas em fevereiro. Saud é o elo entre o ministro da Agricultura e o Grupo Ourofino — e também é sócio de uma das subsidiárias da companhia. Além de Saud, pelo menos três pessoas de Ribeirão Preto ligadas ao agronegócio despacham na Esplanada.

Ricardo Saud tem sala no oitavo andar do Ministério da Agricultura, ao lado do ministro Rossi. Quando assumiu, fez as indicações dos aliados ribeirãopretanos para cargos no Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários, no Departamento de Inspeção de Produtos de origem animal e no Departamento de Saúde Animal, áreas diretamente ligadas às políticas de combate à febre aftosa — ramo de atividade que multiplicou o faturamento da Ourofino.

A Ourofino Agronegócios, empresa de Ribeirão Preto que instalou parque industrial em Cravinhos (SP) depois da intermediação do deputado estadual Baleia Rossi (PMDB-SP), filho do ministro, já era uma grande empresa antes mesmo de Rossi comandar a pasta. Mas os investimentos na área de biotecnologia aceleraram a expansão da firma, comandada por Jardel Massari e Dolivar Couracci. Além da autorização para o comércio de vacina contra a febre aftosa emitida pela pasta, a Ourofino comprou a empresa detentora da licença do imunizante contra esquistossomose para entrar em mercado inédito no país.

A evolução do capital de duas subsidiárias da firma de agronegócios mostra que a Ourofino Tecnologia e Genética Animal saltou de um capital de R$ 100 mil, em 2004, para R$ 44 milhões atualmente. No mesmo período, a Ourofino Participações e Empreendimentos cresceu de R$ 32 milhões para R$ 150 milhões. As pesquisas da empresa privada também são financiadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, que repassou, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), R$ 38,9 milhões em 2010 e R$ 16 milhões este ano.

Os estreitos laços da Ourofino com o ministro foram revelados na edição de ontem do Correio. Wagner Rossi costumava fazer viagens particulares em um jatinho emprestado pela empresa. A aeronave, localizada no hangar de uma companhia aérea no Aeroporto de Ribeirão Preto, ficava à disposição do ministro e de seus familiares. O filho de Rossi, deputado estadual Baleia Rossi (PMDB-SP), também já usou o avião. Os dois confirmaram as viagens no Embraer modelo Phenom.

Imobiliária

Na “república de Ribeirão”, a disputa pelo poder passa pelo domínio imobiliário. Na cidade, o ministro mantém com os filhos a Grow Incorporação e Desenvolvimento, empresa do ramo imobiliário ligada ao empreendimento do badalado Ipê Golf Clube de Ribeirão Preto, onde produtores rurais, políticos e empresários se encontram.

Ribeirão Preto também se destaca no campo da educação. Marco Flávio Tenuto Rossi, um dos cinco filhos do ministro, é diretor financeiro do Sistema COC de Educação. Um dos sócios do grupo de educação tem controle majoritário do Banco de Ribeirão Preto, que recebeu R$ 14 milhões do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira, do Ministério da Agricultura. No campo da mídia, João Rolando Tenuto Rossi administra a Infinity Design Propaganda e Paulo Luciano Tenuto Rossi, a empresa A Ilha Produções.