Abobado

Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

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E dá-lhe tiro no pé: Palocci se desculpa por mensagem enviada por engano

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Uma mensagem enviada por engano, de computador do Planalto, para deputados e senadores levou o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a telefonar ontem para ex-ministros e ex-presidentes do Banco Central (BC) – alguns deles do governo Fernando Henrique Cardoso – e pedir desculpas. Além disso, a trapalhada provocou a demissão de Luiz Azevedo, subchefe de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais, comandada por Luiz Sérgio.

O texto no qual Palocci justificava seu patrimônio e argumentava que a passagem pelo governo proporciona uma "experiência única" para valorizar os profissionais no mercado, citando exemplos de tucanos, era um tipo de relatório reservado. Foi produzido pelo jornalista Thomas Traumann, assessor especial de Palocci, como subsídio para a articulação política do governo orientar a defesa, no Congresso, do ministro.

Azevedo, porém, enviou a mensagem pelo Sistema de Informações Parlamentares (Supar), que segue para todas as assessorias da Esplanada. O e-mail foi parar nas mãos não apenas de líderes do PT e de outros partidos da base, mas também da oposição. A nota citava ex-presidentes do Banco Central e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como Henrique Meirelles, Armínio Fraga, Pérsio Arida e André Lara Resende, e ex-ministros da Fazenda (Pedro Malan e Maílson da Nóbrega) como exemplos de autoridades que se tornaram consultores.

Aborrecido, Palocci telefonou ontem para os ex-ministros e se desculpou pelo episódio. Disse não ter tido a intenção de causar constrangimento, mas apenas de esclarecer que profissionais com trajetória no governo são prestigiados pelo mercado. Tanto Malan como Armínio, Arida e Lara Resende trabalharam no governo Fernando Henrique. Estadão Online

O Panamericano e os jabutis em cima das árvores

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Não sou do setor financeiro, é claro! Até onde sei, nenhum jornalista é. Se vocês entregarem um banco pra eu tomar conta, é provável que, sem a ajuda da Caixa Econômica Federal, ele vá à falência, embora eu saiba a diferença entre comprar um banco, vender um banco e roubar um banco… Mas conheço pessoas que entendem do setor. E elas me dizem que há um monte de jabutis passeando sobre as árvores. Como não é o habitat natural do bicho, há algo de estranho nisso tudo.

O que essa gente toda não entende, em primeiro lugar (ou entende, mas resiste em chamar a coisa pelo nome), é por que a Caixa Econômica Federal foi se meter num banco com o perfil do Panamericano, que tem, sem dúvida, um perfil “agressivo”. Oferece crédito,  por exemplo, a clientes com histórico de cheque sem fundo. Em compensação, cobra juro maior. Huuummm: juro maior a quem já tem histórico de calote, entenderam? O índice de inadimplência no banco é de 10,9%. Nos bancos comuns, varia, varia de 3,3% a 5%.

Durante a crise financeira, a CEF criou a CaixaPar para ir às compras. Nove meses depois de pensar muito na melhor oportunidade de negócios, decidiu adquirir os 49% do Panamericano — e parou por aí, não comprou mais nada. A operação foi realizada no fim de 2009, um ano pré-eleitoral, e só concluída neste ano. Além daquele perfil “ousado”, o que mais chamava a atenção no Panamericano? Bem, vai ver era o controlador, Silvio Santos, dono também de uma rede de televisão.

No passado, bancos na situação do Panamericano eram simplesmente liquidados pelo Banco Central. “Cabruuuummm!” Desta feita, o empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) decidiu salvar a instituição, tendo o patrimônio do grupo Silvio Santos como garantia. Louvo a confiança do FGC na “avaliação de mercado” das empresas do grupo. Nunca antes na história destepaiz se fez um trabalho tão rápido. O FGC certamente confia nas informações prestadas pelos executivos do grupo… Vamos ser claro? A liquidação do banco, que seria o usual nesse caso, só procura livrar a Caixa Econômica Federal de um vexame, evidenciando o péssimo, para não dizer obscuro, negócio que fez.

“Reinaldo, o FGC não está aí justamente para isso? É que antes ele não existia” O FGC está aí para impedir que a crise numa instituição contamine todo o sistema — é um fundo garantidor de crédito, não de banco quebrado. Nem estou dizendo que se fez isso para livrar a cara de Silvio Santos. É bem provável que ele vá ter de vender patrimônio para saldar a conta. O FGC está é livrando a cara da Caixa Econômica Federal e daqueles que a meteram nesse imbróglio.

Por Reinaldo Azevedo

Opinião do Estadão: Muito cuidado com essa MP

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O governo escolheu o pior caminho para editar a Medida Provisória (MP) 443, que autoriza o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal a comprar participação, com ou sem controle acionário, em instituições financeiras públicas ou privadas, de todos os tipos. Todas as suspeitas são justificáveis diante do procedimento adotado pelas autoridades. Na terça-feira, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, estiveram na Câmara dos Deputados durante mais de seis horas, em depoimento encerrado às 21h43, bem depois, portanto, do fechamento da Bolsa de Valores. Falaram longamente sobre a crise financeira e em nenhum momento mencionaram a MP. Os parlamentares souberam da novidade na manhã de ontem, pelo Diário Oficial, e têm todos os motivos para se julgar enganados e desrespeitados pelo Executivo.

Com seu comportamento furtivo, o governo apenas conseguiu evitar um debate aberto sobre a MP em preparação. Não conseguiu, com isso, nenhuma vantagem. Ao contrário: alertou os políticos, os participantes do mercado financeiro e todos os demais interessados para que examinem com o máximo cuidado e o mínimo de confiança as inovações propostas no documento, além de investigar, é claro, as motivações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus auxiliares. Também agravou a inquietação no mercado, assolado ontem por boatos e ações especulativas.

Para prevenir danos irreversíveis, os parlamentares devem começar com a máxima urgência o exame crítico da MP e apressar sua votação. As motivações de fato, não explicitadas no texto, são fundamentais para a avaliação da proposta. Há instituições em perigo – talvez bancos pequenos ou médios? O discurso do governo sobre a solidez do sistema será exagerado? Que instituições poderão estar em grave dificuldade – talvez fundos de previdência ligados a estatais? Qualquer pergunta é pertinente.

Os parlamentares deverão investigar, com muito cuidado, por que se decidiu dispensar de licitação a venda de participação acionária em instituições financeiras públicas. Pode ser para facilitar o socorro a alguma instituição encalacrada. Ou pode ser para simplificar uma operação de outro tipo, como, por exemplo, a venda do banco paulista Nossa Caixa ao Banco do Brasil – e, de fato, o vice-presidente de Finanças do BB, Aldo Luiz Mendes, afirmou que, nesse caso específico, “a MP reduz o desafio de encontrar uma forma de pagamento em 50%”. No mínimo, seria uma forma de evitar o aborrecimento de uma contestação judicial.

Da forma como está redigida, a MP 443 pode servir a propósitos muito diferentes. Pode facilitar o socorro oficial ao setor financeiro numa situação de perigo. Nesse caso, o BB e a Caixa estariam equipados para realizar intervenções semelhantes àquelas programadas pelas autoridades financeiras americanas e européias. Poderiam, portanto, realizar a tarefa nobre de preservar o razoável funcionamento do mercado num momento de perigo. Mas a MP pode servir, também, para ampliar a participação da União no mercado financeiro por meio da aquisição de bancos.

Convém, portanto, que os parlamentares, se estiverem dispostos a aprovar a MP 443, acrescentem a seu texto cláusulas de segurança, como, por exemplo, a obrigação dos bancos oficiais de revender as ações compradas e prazos para a retenção desses ativos. Também será preciso analisar com o máximo cuidado a criação da Caixa – Banco de Investimentos S. A., proposta no mesmo documento. Se for, como admitiu o ministro da Fazenda, um instrumento de capitalização de construtoras, será preciso pensar nas condições em que esse tipo de intervenção será aceitável. É preciso evitar o risco de simplesmente socializar perdas causadas por atos empresariais mal calculados.

A MP também autoriza o BC a realizar operações de swap de moedas com instituições similares de outros países, nos limites e condições fixados pelo Conselho Monetário Nacional. É um estranho dispositivo. Operações desse tipo foram realizadas entre os bancos centrais dos EUA e da Europa, em situações em que era preciso, com urgência, dar liquidez a bancos de dimensão internacional. O Brasil não vive nenhum problema semelhante e não precisa de operações de swap que envolvam reais e dólares – não, pelo menos, por motivos conhecidos pelo público. O governo deve uma explicação convincente à sociedade.

Written by Abobado

23 de outubro de 2008 at 09:08

Desgoverno agora vai socorrer construtoras, mas segue com a marola de que está tudo bem com o Brasil

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Jorge Serrão

Aos empreiteiros e banqueiros tudo. Na lógica de sempre, sob a desculpa da crise internacional, o desgoverno agora vai mexer nas regras de uso da poupança a fim de liberar recursos para financiar as necessidades de capital de giro das construtoras. Uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) ou uma medida provisória de sua majestade Lula permitirá à Caixa Econômica Federal destinar R$ 2 bilhões ao setor. A taxa de juros ficará em torno de 9% ao ano, mais a TR.

Atualmente, os bancos são obrigados a aplicar 65% do montante captado com a caderneta para setor, mas só o fazem com financiamento direto ao mutuário ou para as empresas durante a fase de construção de moradias. Em princípio, o desgoverno alega que a medida valerá apenas para a Caixa Econômica Federal. Mas não há quem descarte que os bancos, para compensar ausência de ganhos em outros negócios, entrem no lucrativo esquema do Sistema Financeiro da Habitação.

Na gestão da crise, a equipe de Lula continua marolando. O presidente Henrique Meirelles, do Banco Central, informou ontem, no Plenário da Câmara, que, ao todo, o BC já movimentou US$ 22,9 bilhões com as diversas modalidades de venda de câmbio durante a crise. Mas Meirelles , alega que o valor ”não é quase nada" perto da injeção efetiva US$ 595 bilhões dos sistemas financeiros americano e europeu.

Segundo Meirelles, até a última segunda-feira, o BC vendeu US$ 12,9 bilhões em swaps, US$ 3,7 bilhões em linhas, US$ 1,5 bilhões em não-rolagem de swap reverso, US$ 1,6 bilhões no primeiro leilão para linhas de comércio exterior, realizado ontem, e US$ 3,2 bilhões no mercado à vista.

O presidente do BC voltou a afirmar que a crise mundial é severa, mas que o Brasil tem condições de enfrentá-la bem. Segundo ele, o Brasil é um dos países com melhor desempenho econômico neste período de crise internacional de crédito. Durante sua apresentação no plenário da Câmara, Meirelles afirmou que o principal diferencial desta crise em relação às anteriores é o fato de outras instituições financeiras, além das bancárias, estarem sofrendo impactos intensos da falta de crédito.

Reunismo

Lula da Silva convocou, para as 14h da próxima segunda-feira, uma reunião extraordinária do Mercosul (ou será da turma do Foro de São Paulo?) para discutir a crise financeira internacional.

O encontro marcado por Lula, que está exercendo a presidência do bloco comercial, está marcado para o Palácio do Itamaraty, em Brasília.

O objetivo é avaliar os impactos da crise financeira mundial em cada país do bloco e possíveis mecanismos que permitam atenuar os efeitos da crise nas nações do Mercosul e dos impactos provocados pela quebra de grandes bancos nos Estados Unidos. Alerta Total

Written by Abobado

22 de outubro de 2008 at 11:35

Meirelles irrita Lula que não consegue entender o tamanho real da crise em que grandes bancos correm riscos

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Por Jorge Serrão

O chefão Lula perdeu a paciência ontem com o presidente Henrique Meirelles, do Banco Central. Tudo porque o verdadeiro condutor da política econômica não consegue lhe explicar, de maneira convincente, o que realmente acontece nesta crise global. Talvez, até, porque nem Meirelles queira entender de verdade para explicar. A Bolsa de Valores e Mercadorias de São Paulo já acumula perdas de 37,2% no ano com os sucessivos tombos dos últimos dias. Assim, a marolinha dos discursos oficiais se transforma em tsunami nas tensas reuniões fechadas do núcleo duro desgoverno.

Se pudesse, Lula detonaria Meirelles. Se tivesse condições, Meirelles já teria deixado o Banco Central há muito tempo. Seu plano é dar uma parada agora e se preparar para se candidatar ao governo de Goiás em 2010. Mas o agravamento da crise lhe obriga a permanecer onde está, mesmo a contragosto. A situação dos bancos no Brasil, apesar da retórica oficial em contrário, não é totalmente confortável. O BC acompanha tudo atentamente.

Nesta quarta-feira, uma providencial greve geral dos bancários, por tempo indeterminado, no Rio de Janeiro e São Paulo, evitará uma corrida aos bancos que precisam de uma parada interna para recuperação ou revisão de táticas de investimentos ou posições a serem cobertas imediatamente. Três grandes bancos brasileiros (Banco do Brasil, Bradesco e Itaú) teriam altos compromissos a fechar com o sistema do Western Union (tradicional instituição financeira que transfere dinheiro on line ao exterior. Os compromissos a serem honrados imediatamente variam de US$ 600 milhões a US$ 4 bilhões.

O chefão Lula pediu aos brasileiros que mantenham seus hábitos de consumo inalterados: “Durante muitas semanas vai se falar em crise no mundo. A bolsa vai subir e vai descer. Não se abalem, porque esse país se encontrou com seu destino. Continuem fazendo as mesmas coisas que vocês faziam”. O problema é que, na contramão do que recomendou Lula, os bancos e financeiras já retraíram o crédito pessoal e se mostram mais seletivos ainda na hora de liberar algum empréstimo novo.

Tudo indica que o aperto no crédito levará a uma queda na procura por imóveis e veículos. Os juros nos financiamentos imobiliários tendem a subir. Os prazos para pagamento devem diminuir. Tal crise deve afetar as construtoras e incorporadoras que hoje erguem imóveis com dinheiro emprestado. Se a construção civil for desaquecida, cria-se mais uma fonte de demissões e desemprego. O mesmo acontece com a indústria automobilística, onde as montadoras dão férias coletivas para diminuir a produção que não se sabe como será absorvida.

Em pleno segundo turno eleitoral, o chefão Lula aloprou ontem porque o dólar disparou até R$ 2,31. Foi a maior cotação desde maio de 2006. Os dois leilões cambiais realizados pelo Banco Central não foram suficientes para conter a disparada das taxas. Trabalha-se com o cenário de que o preço da moeda norte-americana frente ao real pode atingir R$ 2,40 no curto prazo. Ninguém conseguia comprar ou vender dólares com facilidade ontem. A equipe econômica também perde o sono porque o aumento abrupto do câmbio representa risco para o controle da inflação.

A lógica especulativa dessa crise é perversa. Grandes empresas exportadoras perderam o crédito. Algumas foram fortemente abaladas a correm risco de concordata por causa de operações malsucedidas de venda futura de dólar. É enorme o risco de não honrarem contratos. As empresas sem crédito apelam para o resgate de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) emitidos por bancos de menor porte. Aí começa outro problema. Os bancos pagam e ficam sem recursos. Precisam apelar ao redesconto do Banco Central para segurar o caixa.

Não foi à toa que o chefão Lula assinou na noite de segunda-feira, uma Medida Provisória autorizando o Banco Central a adquirir carteiras de crédito de bancos no Brasil por meio de operações de redesconto. O BC retomou os leilões de swap cambial tradicional, mas não consegue baixar a cotação da moeda norte-americana. Especuladores forçarão o BC a queimar as reservas. Até agora, o Banco Central optou por não atuar diretamente no mercado de câmbio à vista, mas pode mudar de tática a qualquer momento e intervir vendendo reservas para diminuir a desvalorização do real frente ao dólar.

Quem vai ganhar a queda de braço? Eis a questão.

Written by Abobado

8 de outubro de 2008 at 09:44

Publicado em Opinião

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