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Opinião do Estadão: Para que serve essa TV?

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TV Brasil: alguém sabe qual é o canal da bagaça?

Depois de um ano de funcionamento e ao volumoso custo inicial de R$ 350 milhões – arcado inteiramente com dinheiro do contribuinte -, a TV Brasil atinge menos de 1% da audiência do País e apenas 52 dos 5.564 municípios brasileiros. A esse valor inicial deve somar-se outro igual em 2009, acrescido de cerca de R$ 20 milhões de patrocínios e prováveis R$ 80 milhões da Contribuição para a Comunicação Social, deduzida do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), a ser regulamentado. Na TV Brasil trabalham 250 dos 1.440 funcionários da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). E, apesar do investimento de R$ 100 milhões só em equipamentos e de a presidente da EBC, jornalista Tereza Cruvinel, ter dito que “não gosta da palavra traço”, é com audiência traço – isto é, que não atinge nem 1 ponto de audiência – que sua TV já se acostumou a operar, tais como as muitas TVs comunitárias espalhadas pelo País (que têm a vantagem, em relação à TV Brasil, de não custarem nada aos cofres públicos).

É claro que não se exige que uma televisão pública mantenha as mesmas grandes audiências – arregimentadas graças a programas de forte apelo popular – das redes de TV comerciais, de canal aberto. As TVs educativas têm por missão precípua a elevação do nível educacional e cultural da população, o ensino e o estímulo à apreciação da arte e, como resultado de tudo isso, a formação da consciência crítica dos cidadãos. Aí, de fato, a qualidade importa bem mais do que a quantidade. Mas há que se considerar o mínimo de audiência desejável, sob pena de as programações das emissoras de televisão estatal se tornarem um serviço inócuo de comunicação social – quando não, apenas um eletrônico cabide de empregos.

A razão alegada para que se criasse a logo batizada “TV Lula” seria, justamente, a necessidade de oferecer à população de todo o território nacional programações não atreladas a interesses comerciais de patrocinadores, nisso servindo à sociedade com maior independência e melhor nível do que as outras emissoras de televisão. Desde que foi criada, porém, não se percebeu no que foi levado ao ar pela emissora estatal federal de televisão nada que mostrasse qualidade melhor ou mesmo equivalente aos programas de melhor nível das outras emissoras, de canal aberto ou por assinatura. O que houve, nesse período, foram divergências internas relacionadas ao viés do oficialismo da comunicação – que, segundo a experiência histórica, não costuma dar certo. Saíram diretores divergentes, um editor que denunciou a prática de censura e houve greve de funcionários.

Criada com a fusão da estatal Radiobrás – egressa do sistema militar – com a TV Educativa, que tinha canais no Rio e no Maranhão, a nova emissora começou transmitindo para essas praças em VHF, UHF e emissoras a cabo. Levou um ano para montar uma estrutura que lhe permitisse colocar no ar seu sinal aberto em São Paulo. No começo, preencheu sua grade mantendo muitos programas de suas antecessoras. “Tivemos resultados bastante críticos no primeiro semestre” – reconheceu a diretora Tereza Cruvinel. Não apenas pela parca audiência – acrescentaríamos. É que, depois da incorporação, divergências levaram à saída de Orlando Senna do cargo de diretor-geral e de Mário Borgneth, da diretoria de Relacionamento e Rede. Além disso o jornalista Luiz Lobo, então editor-chefe do Repórter Brasil, foi demitido e denunciou pressões vindas do Palácio do Planalto para censurar matérias sobre temas que desagradavam ao governo.

No fim de outubro funcionários da EBC (principalmente ex-integrantes da Radiobrás) fizeram greve de um dia, mas permaneceu o problema que a gerou: a diferença salarial entre os empregados de carreira da antiga estatal e os contratados já pela nova empresa, com ganho três vezes maior. Uma comissão de empregados ainda discute a questão com a direção da EBC. Mas, problemas trabalhistas à parte, pelo que já mostrou – e gastou – a nova rede de comunicação eletrônica oficial, cabe inteiramente a simples questão: para que serve, mesmo, essa dispendiosa TV?

Written by Abobado

3 de dezembro de 2008 at 12:26

Enchentes em Santa Catarina – A superficialidade da grande mídia

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Só uma tragédia como essa que assolou o nosso Estado de Santa Catarina pra reunir tanto caco ao mesmo tempo. Haja lama!

Por Heitor Reis

Que a grande mídia é superficial no trato de questões de interesse público e profundamente analítica e crítica em casos que defendam seus interesses políticos e particulares é notório!

Mais uma vez isto ocorre no caso de Santa Catarina, como em outras desgraças desta natureza. A ênfase é quase absoluta na solidariedade para envio de alimentos aos desabrigados, mas insignificante em medidas que possam evitar que o fato se repita.

Por receberem gordas verbas publicitárias do governo federal, não deram a devida relevância a um fato, curiosamente divulgado exatamente pela Agência Brasil e TV Brasil, ambas estatais, as quais merecem nossos mais efusivos elogios por este exemplo de independência ou de rebeldia, após a greve dos funcionários da empresa.

O governo Lula aplicou apenas 13% da verba que se destinava à prevenção de tragédias, o que, certamente, permitiu maior amplitude do desastre, sendo responsável por uma parte considerável do desastre.

"Uma tragédia esperada"

Também não vi, nas várias matérias sobre o assunto, qualquer coisa sobre a responsabilidade do governador do estado em ter reduzido a área de proteção vegetal do solo.

Quanto à ocupação desordenada do solo, foi mencionada superficialmente, como sempre acontece.

Mas, tendo em vista as freqüentes e constantes tragédias anteriores, em Santa Catarina e em outras cidades do país, o que não se vê por aqui é uma cobrança sistemática das autoridades por parte dos meios de comunicação da adoção de medidas que realmente impeçam ou, pelo menos, atenuem os problemas das chuvas que se repetem, com maior ou menor intensidade, a cada ano.

A cumplicidade da grande mídia em ocultar os verdadeiros responsáveis por estes problemas e por não denunciarem tamanho descaso pela vida humana, é o mesmo que impede o Ministério Público de processar estes criminosos.

Era uma tragédia esperada!… Como serão as próximas que aumentarão o interesse da população pelas notícias, proporcionando lucro com a desgraça alheia. Talvez por isto não queiram realmente fazer algo para pressionar as autoridades a resolverem definitivamente este problema…

A mãe de todas as calamidades

Paradoxalmente, os mesmos bandidos do colarinho branco que contribuíram para a tragédia aparecem, nestes momentos, como salvadores da pátria e solidários às suas próprias vítimas, encontrando a mais absoluta e ingênua repercussão de sua hipocrisia na imprensa escrita, falada e televisiva.

Mas ninguém vai preso por isto. A culpa é sempre da natureza! E mais uma vez constatamos que o crime compensa.

Num país com 74% de analfabetos e semi-analfabetos, onde raros conseguem enxergar um milímetro à frente do nariz e os jornalistas, diplomados ou não, têm suas consciências vendidas aos seus patrões, tudo pode acontecer.

A ética e a qualidade da informação fazem parte da mesma lama que assassina, destrói e humilha a população, que também nada faz para merecer um tratamento melhor, tanto dos políticos, quanto da mídia. Cada povo tem o governo, a mídia e a lama que merece…

Quem sabe as entidades de direitos humanos não poderiam pressionar o Ministério Público para processar os verdadeiros culpados pela mãe de todas as calamidades, a nossa administração pública?

Quem sabe a opinião pública possa forçar os deputados a manterem os móveis antigos em seus apartamentos e comprarem 1,5 milhões de reais em mobília nova para os órfãos catarinenses do Estado brasileiro?

Heitor Reis, engenheiro civil, militante do movimento pela democratização da comunicação e em defesa dos Direitos Humanos, membro do Conselho Consultor da CMQV – Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida e articulista

Observatório da Imprensa

Written by Abobado

2 de dezembro de 2008 at 20:41