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Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

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Roubalheira petralha sem limites

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A roubalheira na Petrobrás expôs a desfaçatez com que ferrenhos defensores da manutenção da maior empresa brasileira sob controle estatal dilapidaram o seu patrimônio. O propinoduto do Incra no Maranhão joga no lixo um dos discursos mais corretamente políticos do ideário petista

A Polícia Federal (PF) prendeu o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Maranhão, Antônio César Carneiro de Souza, e mais 22 servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da secretaria do Meio Ambiente do Estado. Segundo a Polícia Federal, que investiga o crime, Souza é suspeito de chefiar um grupo de servidores públicos da área ambiental maranhense que arrecadava cerca de R$ 2,5 milhões por mês em propinas pagas por madeireiras ilegais que cortam clandestinamente madeira nas reservas indígenas do Alto Turiaçu, Awá-Guajá e Caru, onde há aldeias isoladas.

Comparado com o esquema investigado pela Operação Lava Jato, o propinoduto do Maranhão resulta em algo que pode ser comparado com troco para esmola. Só o ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco já confessou às autoridades que está disposto a devolver quase US$ 100 milhões (R$ 260 milhões) do produto das propinas que recebia como assessor do ex-diretor da petroleira Renato Duque. Mas este caso chama a atenção por dar uma ideia de como, infelizmente, o impacto provocado pela condenação de altos dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) e do primeiro escalão do primeiro governo Lula não parece ter desestimulado nem o aparelhamento da máquina pública pelo partido no poder federal nem o apetite pantagruélico de malfeitores que assumem postos na administração do Estado, seja em que setor for, seja qual for o tipo de serviço por eles prestado.

O caso do Maranhão não é comparável com o petrolão. Mas exibe as mazelas da falta de compostura e de limites morais de militantes do partido que reelegeu a presidente da República que, na campanha, apontava o combate à corrupção como tema prioritário de gestão.

A roubalheira na Petrobrás expôs a desfaçatez com que ferrenhos defensores da manutenção da maior empresa brasileira sob controle estatal dilapidaram o seu patrimônio. O propinoduto do Incra no Maranhão joga no lixo um dos discursos mais corretamente políticos do ideário petista. Souza, o agora ex-superintendente do Incra preso, foi indicado pelo PT em 8 de outubro, depois do primeiro turno das eleições, e cobrava propina para fazer vista grossa para dois pecados mortais para a militância: a devastação da natureza e a agressão aos índios.

Segundo o delegado Felipe Soares Cardoso, responsável pela Operação Ferro e Fogo, os 23 servidores presos cobravam de R$ 8 mil a R$ 12 mil para autorizar o corte de madeira em áreas indígenas e fraudar notas para "esquentar" a madeira extraída ilegalmente. Souza, o chefe do esquema, é funcionário estadual e foi nomeado subsecretário da Secretaria do Meio Ambiente pela governadora Roseana Sarney. Depois de preso, ele foi exonerado pelo Incra, que tentou se eximir de responsabilidade por sua ação delituosa. Em nota oficial, "o Incra reitera que a nomeação do servidor, que pertence aos quadros do governo do MA e foi cedido ao governo federal, seguiu os trâmites legais para esse tipo de função comissionada, e nada foi apontado que desabonasse a conduta do servidor e sua consequente condução ao cargo".

Funcionários do Incra também são acusados de ajudar um grupo de fazendeiros e empresários que, mediante ameaças físicas contra assentados, compravam áreas destinadas à reforma agrária no Mato Grosso por um valor inferior ao do mercado. Na Operação Terra Prometida, que calcula os prejuízos públicos causados pelo esquema em R$ 1 bilhão, a PF prendeu 40 suspeitos, entre os quais Odair e Milton Geller, irmãos do ministro da Agricultura, Neri Geller, do PMDB. O próprio ministro foi citado por testemunhas ouvidas pelos federais, mas só será investigado se o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar, pois goza de foro privilegiado.

Não há, pois, limites politicamente corretos para a corrupção, que dilapida recursos públicos sem poupar nada: meio ambiente, índios ou trabalhadores sem-terra contemplados com lotes da reforma agrária.

Editorial do Estadão

Roubalheira no governo petralha: Investigações em 5 ministérios apontam desvios de R$ 1,1 bilhão

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Além de derrubar cinco ministros este ano, as investigações de desvio de recursos públicos em órgãos federais identificaram ao menos 88 servidores públicos, de carreira ou não, suspeitos de envolvimento em ações escusas que acumulam dano potencial de R$ 1,1 bilhão. Esse valor inclui recursos pagos e também dinheiro cuja liberação chegou a ser barrada antes do pagamento. A recuperação do que saiu irregularmente dos cofres públicos ainda dependerá de um longo e penoso processo, até que parte desse dinheiro retorne ao Erário.

Os desvios foram constatados em investigações da Controladoria Geral da União (CGU) e dos cinco ministérios cujos titulares foram exonerados — Transportes, Agricultura, Turismo, Esporte e Trabalho. Outros dois ministros — da Casa Civil e da Defesa — caíram este ano, mas não por irregularidades neste governo. Antonio Palocci (Casa Civil) saiu por suspeitas de tráfico de influência antes de virar ministro, e Nelson Jobim (Defesa), após fazer críticas ao governo.

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A contabilidade exclui investigações ainda não encerradas pela Polícia Federal, que apura se houve ou não pagamento de propina a servidores, apontados como facilitadores dos esquemas de corrupção em Brasília e nos braços estaduais dos órgãos federais. Somente nas últimas semanas, a Polícia Federal desmontou três esquemas de corrupção intimamente ligados às denúncias.

No dia 14 de dezembro, por exemplo, 40 agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no Instituto ÊPA, uma ONG de Natal, que, comprovadamente, desviou R$ 1 milhão do Ministério do Trabalho, de acordo com a Polícia Federal. Ao todo, o grupo ligado à ONG recebeu R$ 28 milhões, em convênios com pelo menos três órgãos federais.

Nos Transportes, são 55 funcionários sob suspeita

Os casos apurados em 2011 são fraudes que prosperaram silenciosamente durante o governo Lula, sem que nada fosse feito. Um "autismo" gerencial, de acordo com o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB).

— A presidente Dilma Rousseff deu sorte. Como todos os casos envolviam práticas ou ministros que vieram do governo Lula, o ex-presidente ficou com o ônus, e a presidente ficou com o bônus da chamada faxina. Assim, ela também conseguiu espaço para se impor politicamente, mesmo sem ter ligação estreita com nenhum dos grupos políticos que compõem o atual governo — disse Leonardo Barreto.

Entre os flancos abertos para furtar o Erário, nada se compara à superestrutura que se enraizou nos gabinetes que decidiam a orientação de recursos para obras em estradas e ferrovias, muitos deles ocupados por filiados ou indicados pelo PR, do ex-ministro e senador Alfredo Nascimento (AM). Ao menos 55 funcionários — quase todos afastados de suas funções — são investigados em 17 sindicâncias ou processos disciplinares instaurados para apurar a sangria no Ministério dos Transportes.

A faxina foi inaugurada na sede e nas superintendências do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e na Valec, a empresa pública das ferrovias. O rombo potencial, somente nos Transportes, alcançou, em setembro, R$ 662,3 milhões. Porém, em novembro, duas operações da Policia Federal, em Pernambuco e Rondônia, derrubaram dois superintendentes do Dnit e contabilizaram um buraco adicional de R$ 97 milhões, em obras superfaturadas ou em favorecimento a empresas do ramo da construção civil. Ainda assim, não ocorreram mudanças no comando em outras superintendências do Dnit, algumas sob investigação.

Na Agricultura, pagamento indevido a empresas

No Ministério da Agricultura e na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), bastaram denúncias de que o ex-ministro Wagner Rossi (PMDB) favorecia o lobista Júlio Fróes para detonar uma investigação imediata que detectou prejuízo potencial de R$ 228 milhões, apenas em pagamentos indevidos a empresas que fraudaram leilões de subvenção. Outros R$ 16 milhões foram pagos irregularmente a empresas que prestavam serviços ao ministério.

Até pequenos produtores rurais perderam dinheiro, vítimas dos esquemas verificados no Ministério da Agricultura. Depois de passar um pente-fino, pressionada pelas revelações de malfeitos, a CGU abriu três sindicâncias e apontou o suposto envolvimento de 20 pessoas nas irregularidades. O Globo Online

Confirmado: Mendes Ribeiro será o novo ministro da agricultura

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Diego Abreu, Correio Braziliense

O presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), confirmou na madrugada desta quinta-feira que o deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) será o novo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Ele vai ocupar o cargo de Wagner Rossi, que pediu demissão após as denúncias feitas pelo Correio Braziliense, que revelaram que o então ministro e um dos seus cinco filhos, o deputado estadual Baleia Rossi (PMDB-SP), utilizaram um jatinho pertencente à Ourofino Agronegócios para viagens particulares.

A declaração foi feita a 0h45 após Raupp deixar o Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente da República, onde se reuniu com Michel Temer e com o futuro ministro, que atualmente é líder do governo na Câmara. O encontro durou quase duas horas.

De acordo como o presidente do PMDB, a indicação foi costurada ao longo do dia pela bancada peemedebista junto com a presidente Dilma Rousseff. A posse, segundo Raupp, deve acontecer na segunda ou terça-feira da próxima semana. No lugar de Mendes Ribeiro assumirá a cadeira da Câmara o gaúcho Eliseu Padilha (PMDB-RS) que, durante a campanha do ano passado, não apoiou a candidatura de Dilma.

“Está confirmado. Vamos aguardar a data da posse, que deverá ocorrer entre segunda e terça-feira. É mais provável que seja na terça. O vice-presidente Temer conversou com ela (Dilma) e confirmou que será o Mendes mesmo”, afirmou Valdir Raupp. Mendes Ribeiro deixou o Palácio do Jaburu sem dar entrevistas.

Roubalheira na Agricultura: Wagner Rossi favorece aliados com cargos em setores estratégicos

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Josie Jeronimo, Correio Braziliense

O mapa de influência desenhado pelo ministro Wagner Rossi desde que assumiu o Ministério da Agricultura, em março de 2010, ainda na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, favorece aliados dos municípios de Ribeirão Preto, a 320 km da capital paulista, onde vive com a família, e de Uberaba (MG), a 481 km de Belo Horizonte, cidade de um de seus principais colaboradores. A estrutura montada por Rossi distribui poder para representantes de setores com peso econômico, como de crédito e de agronegócio. O nome mais forte entre os amigos de Rossi é Ricardo Saud, indicado para cuidar das cooperativas agrícolas em fevereiro. Saud é o elo entre o ministro da Agricultura e o Grupo Ourofino — e também é sócio de uma das subsidiárias da companhia. Além de Saud, pelo menos três pessoas de Ribeirão Preto ligadas ao agronegócio despacham na Esplanada.

Ricardo Saud tem sala no oitavo andar do Ministério da Agricultura, ao lado do ministro Rossi. Quando assumiu, fez as indicações dos aliados ribeirãopretanos para cargos no Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários, no Departamento de Inspeção de Produtos de origem animal e no Departamento de Saúde Animal, áreas diretamente ligadas às políticas de combate à febre aftosa — ramo de atividade que multiplicou o faturamento da Ourofino.

A Ourofino Agronegócios, empresa de Ribeirão Preto que instalou parque industrial em Cravinhos (SP) depois da intermediação do deputado estadual Baleia Rossi (PMDB-SP), filho do ministro, já era uma grande empresa antes mesmo de Rossi comandar a pasta. Mas os investimentos na área de biotecnologia aceleraram a expansão da firma, comandada por Jardel Massari e Dolivar Couracci. Além da autorização para o comércio de vacina contra a febre aftosa emitida pela pasta, a Ourofino comprou a empresa detentora da licença do imunizante contra esquistossomose para entrar em mercado inédito no país.

A evolução do capital de duas subsidiárias da firma de agronegócios mostra que a Ourofino Tecnologia e Genética Animal saltou de um capital de R$ 100 mil, em 2004, para R$ 44 milhões atualmente. No mesmo período, a Ourofino Participações e Empreendimentos cresceu de R$ 32 milhões para R$ 150 milhões. As pesquisas da empresa privada também são financiadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, que repassou, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), R$ 38,9 milhões em 2010 e R$ 16 milhões este ano.

Os estreitos laços da Ourofino com o ministro foram revelados na edição de ontem do Correio. Wagner Rossi costumava fazer viagens particulares em um jatinho emprestado pela empresa. A aeronave, localizada no hangar de uma companhia aérea no Aeroporto de Ribeirão Preto, ficava à disposição do ministro e de seus familiares. O filho de Rossi, deputado estadual Baleia Rossi (PMDB-SP), também já usou o avião. Os dois confirmaram as viagens no Embraer modelo Phenom.

Imobiliária

Na “república de Ribeirão”, a disputa pelo poder passa pelo domínio imobiliário. Na cidade, o ministro mantém com os filhos a Grow Incorporação e Desenvolvimento, empresa do ramo imobiliário ligada ao empreendimento do badalado Ipê Golf Clube de Ribeirão Preto, onde produtores rurais, políticos e empresários se encontram.

Ribeirão Preto também se destaca no campo da educação. Marco Flávio Tenuto Rossi, um dos cinco filhos do ministro, é diretor financeiro do Sistema COC de Educação. Um dos sócios do grupo de educação tem controle majoritário do Banco de Ribeirão Preto, que recebeu R$ 14 milhões do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira, do Ministério da Agricultura. No campo da mídia, João Rolando Tenuto Rossi administra a Infinity Design Propaganda e Paulo Luciano Tenuto Rossi, a empresa A Ilha Produções.

Roubalheira na Agricultura: Rossi fez viagens particulares em jatinho de US$ 7 milhões

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Wagner ‘teco-teco’ Rossi, o probo ministro da Agricultura, diz que viajou, sim, mas só um pouquinho

Estadão Online

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e um de seus filhos, o deputado estadual Baleia Rossi (PMDB), utilizaram um avião pertencente à empresa Ourofino Agronegócios para viagens particulares, revelou reportagem divulgada nesta terça-feira, 16, pelo jornal Correio Braziliense.

Sediada em Ribeirão Preto (SP), – cidade onde mora o ministro e a família – a empresa recebeu autorizações da Agricultura para obter patentes de medicamentos e registrou crescimento de 81% após sua entrada na campanha de vacinação contra a febre aftosa, iniciada em novembro de 2010. Segundo o jornal, a empresa foi liberada pelo ministério para comercializar a vacina em outubro, o que a tornou pioneira no setor.

Funcionários do aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto, relataram à reportagem que o ministro e seu filho são vistos com frequência desembarcando no jatinho da Embraer, modelo Phenom, pertencente a Ourofino Agronegócios.

Um dos sócios da empresa é Ricardo Saud, assessor especial do ministro e diretor da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura. A reportagem indicou que, na certidão de fundação da Ethika Suplementos e Bem Estar, subsidiária do Grupo Ourofino, ele é citado como sócio responsável por “agir de forma a legalizar a sociedade junto aos órgãos municipais, estaduais, federais e autarquias” e para atuar “junto à Universidade de Uberaba, para representação dos interesses e do objeto social da Ethika”.

Ainda segundo a reportagem, em setembro de 2007, à época em que era secretário de Desenvolvimento Econômico em Uberaba, Saud autorizou doação de terreno de 226 mil metros quadrados para a Ourofino instalar unidade industrial. De acordo com despacho municipal assinado por Saud, a Ourofino também foi beneficiada com isenção de Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) por 10 anos.

Resposta

O ministro divulgou nesta terça-feira, 16, nota de esclarecimento sobre as denúncias, na qual informa que “em raras ocasiões” utilizou “como carona o avião citado na reportagem” e descarta favorecimento à empresa.

Roubalheira na Agricultura: Para servidor, Ministério de Rossi está ‘corrompido’

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José Ernesto Credendio e Andreza Matais,  Folha de S. Paulo

O funcionário que denunciou a distribuição de propinas por um lobista numa sala que fica a 30 passos do gabinete do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse que o ministério foi "corrompido" após a chegada de Rossi. Ex-chefe da comissão de licitação do ministério, Israel Leonardo Batista afirmou à Folha que o ministro "desarranjou" o setor nomeando pessoas que "vão assinar o que não devem". Ele reafirmou que o lobista Júlio Fróes lhe entregou um envelope com dinheiro dentro do ministério depois da assinatura de um contrato milionário da pasta com uma empresa que o lobista representava. Israel disse que as fitas do circuito interno da pasta podem comprovar se Rossi conhece ou não o lobista. Segundo ele, o ministro irá atrapalhar as investigações se permanecer no cargo.

Folha – Por que o sr. saiu do Ministério da Agricultura?
Israel Leonardo Batista
– Foi questão de perseguição…

O sr. chegou a sofrer assédio para que assinasse documentos que julgava incorretos?
Sempre trabalhei de acordo com o que a lei determina. Não aceito interferência. Me senti incomodado com certas coisas. Sofri retaliações por ser honesto.

O que mudou no setor de licitação sob Wagner Rossi?
Foi todo desarranjado. O pessoal do quadro não permaneceu. Somente o pessoal terceirizado.

Qual é o problema de licitações serem conduzidas por pessoas alheias à pasta?
Não têm conhecimento, vão assinar o que não devem.

Como está o setor hoje?
Está corrompido, no sentido de que pessoas não têm preparo.

Como conheceu Júlio Fróes?
Na frente de todos os servidores da comissão de licitação. Ele chegou com a Karla [Renata França Carvalho, chefe de gabinete da secretaria-executiva] e o Milton Ortolan [ex-secretário-executivo]. Ela [Karla] pediu para dar apoio para ele [lobista], pediu para arrumar um computador e uma mesa para ele fazer um trabalho. Logo, entendi que fosse um assessor.

Disseram que era assessor?
Disseram dr. Fróes, entendi como assessor. Pedi para funcionária se retirar [de uma mesa] para ele fazer esse trabalho [texto de convênio].

Sem conhecimento de Rossi?
Se o chefe de gabinete do ministro sabia, se o secretário-executivo sabia… As câmeras vão dizer.

O ministro conhecia Fróes?
É só divulgar as imagens [do circuito interno da pasta].

É possível que o ministro desconhecesse Fróes?
As câmeras vão dizer quem está mentindo e quem está dizendo a verdade.

Em tantos anos no governo, o sr. já havia passado por isso?
Nunca. É fácil o ministro, o chefe de gabinete chegar lá e dizer: "Realmente, não aconteceu nada". É fácil. Mas realmente aconteceu. Se pegar as filmagens, vão ver tudo que estou falando.

O sr. se sente ameaçado?
Acho que corro risco porque jamais na minha vida passei por uma situação desta. Tenho certeza de que Dilma precisa de apoio na Câmara e no Senado, mas que tenha apoio de pessoas equilibradas, que respeitem leis.

O sr. poderia descrever como Fróes lhe entregou dinheiro?
Me ligaram do 8º andar, eu fui. Me ligou a Isabel [Roxo], chefe de gabinete [da assessoria parlamentar]. Quando eu cheguei lá, ele me cumprimentou e me entregou.

Onde ele estava?
Ele estava na sala da chefe de gabinete. Cheguei, anunciei e entrei.

Abriu o envelope na hora?
Não.

O sr. não estranhou?
Era um envelope do ministério. Era uma pasta e dentro tinha um envelope. Não sabia o que tinha dentro. Desci e vi o que era. Liguei para ele e ele foi na minha sala. Eu disse que não aceitava.

Havia várias pastas como a que o sr. recebeu de Fróes?
Sim, algumas pastas.

O que ocorreu quando recusou o dinheiro de Fróes?
Ele falou: "Você não quer, tem umas pessoas lá que o Milton pediu pra ajudar, que é a Karla e a Girleide [dos Santos Sousa, que coordena a administração de material].

Era muito dinheiro?
Não contei.

Depois desse episódio, o sr. passou a sofrer pressões?
Várias perseguições. Muitas vezes saía para trabalhar e dizia à minha família que não sabia se voltava vivo.

Como foi seu afastamento?
Karla falou que eu não estava ajudando em nada e iria voltar para a Conab, estava tudo pronto, os papéis prontos. Quando cheguei na Conab ninguém me queria lá: ia assumir a comissão de licitação da Conab. Não deixaram.

O que achou quando ela disse que não estava ajudando?
Que não estava andando do jeito que eles queriam. E, para andar do jeito que queriam, não funciona comigo.

O sr. conversou com ministro Rossi alguma vez?
Ele disse que não me conhece, mas, como diretor da associação dos funcionários [da Conab], fiz reuniões com ele com outras pessoas junto.

Fróes falava em nome do ministro, agradecia por algo em nome do ministro?
Não. Se eu dissesse isso estaria mentindo. A única coisa que vi foi ele no telefone na minha sala dizendo: "Já falei com o chefão número 2 e queria falar com o chefão número 1". Aí ele falava com o chefão número 1 no telefone.

A saída de Ortolan é suficiente para pôr fim a esses casos?
Dilma falou que seria incorruptível e que todo ministro seria investigado. Se é para ser investigado, o ministro não deve estar no cargo, tem de se afastar porque vai atrapalhar as investigações.

Outro lado

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, não comentou as suspeitas de irregularidades na pasta levantadas pelo servidor Israel Leonardo Batista em entrevista à Folha.

Disse, no entanto, que ele deve apresentar mais nomes e provas sobre pessoas envolvidas no esquema.

Suspeitas

O Ministério da Agricultura é alvo de suspeitas de irregularidades desde que ex-presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Oscar Jucá Neto, irmão do líder no governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), afirmar em entrevista à revista "Veja" que "há bandidos" no órgão e sugerir que o ministro Wagner Rossi participava de esquemas de corrupção.

Em entrevista, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse que as denúncias contra sua pasta podem ser fruto de disputas entre grupos rivais dentro do ministério e da Conab.

Wagner Rossi, o colecionador de problemas

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A casa de Wagner Rossi, em Ribeirão Preto avaliada em 9 milhões de reais: Em 30 anos de política, o ministro da Agricultura deixou um rastro de histórias esquisitas por onde passou (foto: Manoel Marques, Veja)

Revista Veja

O ministro Wagner Rossi, da Agricultura, gastou a semana passada tentando convencer a presidente Dilma Rousseff e o Brasil inteiro de que não tinha ligações com as interferências do lobista Júlio Fróes nos negócios da pasta que comanda, como havia sido revelado por VEJA. Apesar da demissão de Milton Ortolan, segundo na hierarquia e seu braço direito há 25 anos, e das provas de que Fróes tinha sala dentro da Comissão de Licitações da Agricultura, Rossi posava de marido traído. Chamado ao Congresso para dar explicações, disse que Ortolan era ingênuo, e que ele, como ministro, não podia controlar a portaria do ministério para impedir a entrada de Fróes. Sobreviveu uma semana, mas vai precisar de muito mais do que frases de efeito se quiser continuar na cadeira de ministro.

A edição de VEJA que chega às bancas neste sábado mostra que Wagner Rossi, paulistano de 68 anos, é um colecionador de problemas, um daqueles políticos que costumam deixar um rastro de histórias esquisitas por onde passam.

A primeira história relatada por VEJA remonta ao tempo em que Rossi presidia a Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, vinculada ao ministério da Agricultura. No final de 2007, a estatal doou 100 toneladas de feijão para a prefeitura de João Pessoa, então comandada por Ricardo Coutinho, do PSB, hoje governador da Paraíba. O feijão deveria ser distribuído entre famílias de baixa renda, mas como havia uma eleição municipal em 2008, o prefeito decidiu guardar parte do estoque. Funcionário da Conab há 25 anos, Walter Bastos de Moura descobriu a irregularidade e a denunciou diretamente a Wagner Rossi, em abril de 2008. Rossi prometeu tomar providências.

Como nada aconteceu, Walter Bastos passou a vigiar a mercadoria estocada. Em setembro, a poucos dias eleição, ele recebeu a informação de que o feijão seria enfim distribuído e acionou a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral. Para evitar o flagrante, diz ele, a prefeitura decidiu sumir com as provas e despejou 8 toneladas de feijão no aterro sanitário de João Pessoa. A cena do lixão inundado por grãos foi registrada no vídeo abaixo.

A história chegou a ser explorada como denúncia contra o prefeito, mas era muito mais grave: tratava-se de um flagrante do uso político da Conab para favorecer aliados do governo federal. Num acesso de sinceridade, o ex-presidente da empresa Alexandre Magno Franco de Aguiar, que sucedeu Rossi na empresa e hoje é seu assessor especial no ministério, confessou a VEJA que o próprio Rossi usou o expediente de distribuir alimentos para conseguir votos, inclusive para favorecer eleitoralmente o filho, Baleia Rossi, deputado estadual e presidente do diretório do PMDB de São Paulo.

Já no cargo de ministro da Agricultura, para o qual foi nomeado em março de 2010 por Lula, Rossi não tardou a implantar seu método de lidar com a coisa pública. Em 8 de dezembro do ano passado, a Comissão de Licitação do Ministério da Agricultura estava reunida para abrir as propostas técnicas de quatro empresas que disputavam um contrato para prestar serviços de comunicação à pasta. Um dos representantes de empresas ali presente fez uma denúncia grave. Disse, em alto e bom som, que aquilo era um jogo de cartas marcadas e que já estava acertado um “pagamento de 2 milhões de reais ao oitavo andar”. No oitavo andar, fica o gabinete do ministro.

O presidente da Comissão de Licitação, Israel Leonardo Batista, disse que registraria a acusação em ata e a encaminharia à Polícia Federal. Não demorou para que fosse chamado à sala da então coordenadora de logística do ministério, Karla Carvalho, onde recebeu a ordem de não tomar nenhuma atitude. Karla já era, na época, figura de confiança de Rossi. De lá para cá, só subiu na hierarquia da pasta. Até a semana passada, era a poderosa secretária-executiva do ministério. Trabalhava diretamente com Milton Ortolan, demitido horas após a última edição de VEJA chegar às bancas com as revelações sobre Júlio Fróes.

Não bastassem as suspeitas que rondam seu gabinete na Agricultura, o ministro ainda deve esclarecimentos sobre sua atuação na Companhia Docas de São Paulo (Codesp), cargo ao qual chegou também pelas mãos do amigo Michel Temer. Quando presidia a Codesp, uma estatal, Rossi descobriu que empresas contratadas pelo Porto de Santos deviam 126 milhões de reais à Previdência. Em vez de exigir que acertassem as contas, decidiu pagar ele mesmo a fatura – com dinheiro público da Codesp, é claro. A lista de beneficiários do dinheiro público inclui 99 empresas privadas que jamais quitaram os débitos assumidos pela estatal. Em 2005, seis anos depois do acordo, apenas 20.000 reais haviam sido ressarcidos à empresa.

Amigo há 50 anos e leal servidor do vice-presidente Michel Temer, Wagner Rossi entrou para a política em 1982, quando concorreu pela primeira-vez a deputado federal. Até então, levava uma vida modesta de professor universitário. Morava em uma casa de classe média em Ribeirão Preto, tinha uma Kombi, uma Belina e um Fusca Laranja, com o qual fez a campanha. “Ele não tinha dinheiro nem para bancar os santinhos”, lembra João Gilberto Sampaio, ex-prefeito de Ribeirão Preto. Depois de dois mandatos como deputado estadual, dois como deputado federal, a presidência da Codesp, da Conab e dois anos como ministro (funções cujo salário máximo é de 26 mil reais), sua ascensão patrimonial impressiona.

O homem do fusca laranja e sua família são, hoje, proprietários de empresas, emissoras de rádios, casas e fazendas. Wagner Rossi mora numa das casas mais espetaculares de Ribeirão Preto, no alto de uma colina, cercada por um bosque luxuriante, numa área de 400 mil metros quadrados. Adquirida em 1996, quando ele era deputado, a mansão é avaliada hoje em 9 milhões de reais. Tudo, nas palavras do ministro, conquistado com o esforço de 50 anos de trabalho e uma herança recebida.