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Eleição em SP: pistolagem jornalística, risco Russomanno e as creches de saliva de Fernando Haddad. Ou: A maior cidade do país sob risco

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A pistolagem jornalística petisteira disfarçada de “rigor isento” está dedicada a destruir a candidatura do tucano José Serra para assistir a um segundo turno entre Celso Russomanno (PRB), o homem do “bispo” Edir Macedo, e Fernando Haddad (PT), o homem do “bispo” Luiz Inácio Apedeuta da Silva. Não deixaria de ser, como diria o poeta, o estreitamento de um abraço insano: o PT sempre foi a Igreja Universal da ideologia, com sua retórica milagreira, e o a Igreja Universal sempre foi o PT do pentecostalismo, com sua heterodoxia doutrinária. Macedo, afinal, é aquele capaz de recorrer ao Eclesiastes para justificar a abominação do aborto. Diz que a prática é endossada pela Bíblia. É mentira! Por “isenção” se deve entender falar mal de Serra — assim, ninguém será patrulhado pela Al Qaeda eletrônica. Por “rigor” se deve entender a publicação de todas as tolices e bobagens que seus adversários dizem sobre a cidade.

Em certas áreas dedicadas ao “Delenda tucanada” — os tucanos devem ser destruídos —, começo a notar certa apreensão. Começou a haver uma ligeira desconfiança de que a certeza de que um Haddad bateria fatalmente Russomanno num eventual segundo turno é pura feitiçaria e torcida. “Ah, Lula e Dilma juntos seriam imbatíveis.” Será mesmo? A cidade elegeu até hoje apenas dois prefeitos petistas: Luíza Erundina (quando a eleição se dava em um único turno) e Marta Suplicy, que recebeu o apoio do PSDB no segundo turno contra Paulo Maluf — que agora está com o PT. Falta pouco mais de um mês para a eleição, e Russomanno tem mais do que o dobro das intenções de voto de Haddad.

O que quer mesmo esse rapaz, cheio de explicações dadas e a dar à Justiça, para a cidade? Entre as suas ideias mais elaboradas está a integração de vigias, que fazem parte de forças privadas de segurança muitas vezes informais, ao trabalho de policiamento. Trata-se de uma tese ridícula, estapafúrdia, delirante. Sua postulação, no fundo, não difere da de Fernando Haddad — “tudo o que há aí está errado” —, só que com menos elaboração, menos, como direi?, “dialética embutida” e submarxismo para gáudio da mentalidade colegial de boa parte da imprensa paulistana. Russomanno fala, enfim, uma linguagem mais compreensível para as massas.

Sim, claro! Um eventual segundo turno entre os representantes dos dois bispos poria em ação a máquina petista que pauta a imprensa. A aposta é que o representante de Macedo não resista a duas semanas de campanha. Já o representante de Lula seria poupado de sua própria obra. Se Russomanno se eleger prefeito, é claro que terá sido uma escolha do povo, a exemplo de qualquer outro. Mas será também, sem dúvida, fruto de um momento de notável acanalhamento da cobertura jornalística, que considera que o tal rigor isento consiste em encostar Serra contra a parede e deixar que os outros digam suas bobagens à vontade. Querem ver?

A caso das creches
Chega a ser constrangedor para o jornalismo a proteção dispensada ao candidato petista, que fala o que bem entende, no horário eleitoral e nas entrevistas, sem que seja confrontado com os fatos, com os números. Enviam-me aqui o vídeo de sua entrevista ao SPTV. Com a cara mais limpa do mundo, com aquele arzinho de primeiro aluno da sala que leva maçã para a professora, afirmou que, em 2000, as creches atendiam a 9% das crianças que delas necessitavam. Ao deixar o governo, disse, esse índice já era de 23%.

Não faço críticas a esse ou àquele em particular. Falo de procedimentos gerais da profissão. Se é fatal que, numa entrevista, se vá tratar de creches, por exemplo, então os jornalistas precisam ter os números à mão. Vejamos esse caso. O que está Haddad a dizer? Que ele, no Ministério da Educação, fez elevar em 14 pontos percentuais o número de vagas. Foi mesmo?

Vamos aos fatos. Existe um programa federal de creches, o tal Pró-Infância. Prometeu criar 6 mil creches e entregou, no máximo, 200. Criaram-se, estimando com boa vontade, 20 mil vagas. Em oito anos de gestão Serra-Kassab, em São Paulo, foram criadas, vejam só, 148 mil vagas. Esses números não são fruto da minha vontade. Sim, eu vou votar no Serra — ninguém tem o direito de duvidar disso —, mas os números são esses. Desonesto é não declarar o voto e fazer de conta que os números não existem para, na prática, queiram ou não, privilegiar Haddad.

O próprio petista admite que a cobertura de creches no Brasil é de 23% — na cidade de São Paulo, é de 48%. Deveria ser de 100%? Deveria, sim! Mas no Brasil inteiro, não é? Quando Serra chegou à Prefeitura — e isso também é fato —, havia 60 mil vagas apenas. Cobra-se a existência de crianças ainda sem vagas em creches como se fosse essa uma realidade apenas paulistana. Não! O fato de a realidade da capital ser muito melhor do que a da média brasileira não deve levar ao conformismo, não! Mas é irrelevante que se tenha criado em oito anos 2,5 vezes mais vagas do que em toda a história da cidade? Não interessa! Haddad fala e vale por um “magister dixit”.

No caso da Saúde, então, a situação é ainda mais assombrosa. O sistema municipal só é sobrecarregado porque o SUS vive um verdadeiro descalabro. Haddad, aliás, é responsável direto pela crise nas universidades federais, o que levou à paralisia dos hospitais universitários. Não obstante, promete operar na cidade o milagre da saúde sem que se lhe cobrem nada pela atuação no Ministério da Educação.

Serra no pau de arara
Serra concede entrevistas, e não se nota um só óbice à sua atuação como administrador, como gestor, nada! Até porque tem as obras feitas — sempre insuficientes, sabemos, numa cidade como São Paulo. Tentam encostá-lo à parede com três vigarices político-intelectuais, que ganharam, é evidente, partes consideráveis da opinião pública: acusam-no, em forma de pergunta, de 1) ter “abandonado a cidade” em 2006, 2) ser o responsável pela gestão Kassab e 3) ter a intenção secreta de se afastar da Prefeitura. Vamos ver.

1 – O padrão mental Gilberto Dimenstein conseguiu fazer de um direito político legítimo, democrático e legal um crime, a saber: a renúncia a um cargo para disputar outro. Fica parecendo que ele foi nomeado para a nova função — no caso, o governo de São Paulo. Não! Ele foi eleito. E com mais votos na cidade do que teve como prefeito.
2 – Kassab também foi eleito vice-prefeito e assumiu o cargo de titular segundo a lei. Mas não só isso: o verdadeiro padrinho de sua eleição em 2008 foi o povo, não Serra. Tratar o atual prefeito como se fosse mero preposto deixado pelo tucano é delinquência intelectual explícita.
3 – A ilação de que Serra venha a deixar de novo a Prefeitura já parte para o banditismo intelectual. Desconsideram-se, com ela, várias realidades a um só tempo: a) Alckmin é o candidato natural à reeleição ao governo de São Paulo pelo PSDB; b) se os tucanos tiverem candidato próprio à Presidência, deve ser Aécio Neves. Eu até acho, pessoalmente, que tudo conspira para que o atual senador leve em conta “a realidade mineira” e decline da tarefa, convidando algum outro tucano a perder para Dilma já no primeiro turno. Mas o nome certamente não será Serra, especialmente se eleito prefeito. Porque também ele estaria a abrir mão de um cargo que teria para tentar conquistar outro que não teria de jeito nenhum! Ainda que a sua palavra não merecesse crédito, o que é um absurdo, há a lógica elementar.

NOTA À MARGEM – “Como você fala que é um absurdo? E o papel assinado do Dimenstein?” Aquela era uma armadilha para tentar garantir, de antemão, a eleição de um petista para o governo de São Paulo. A tramóia era bem urdida. Se Serra não assinasse, começaria a onda de que iria abandonar a Prefeitura — e a cidade cairia em mãos petistas. Se assinasse, como assinou, criava-se um constrangimento para o governo de São Paulo em 2006. Como se criou. Constrangimento que o povo, com o voto, se encarregou de debelar.

Ocorre que a máquina petista infiltrada na imprensa não se deu por satisfeita e encruou a questão, com a mesma teia de falácias intelectuais, políticas e morais.

Poupando Haddad de si mesmo
Assim, nas entrevistas, Serra é levado a ficar se explicando sobre fantasias que só reforçam o preconceito contra a sua candidatura. Não é o seu trabalho passado na Prefeitura e no governo de São Paulo que é evocado. E com Haddad? Ah, com Haddad é diferente!

Li e vi as várias entrevistas que deu. Se pode falar as bobagens mais estupefacientes sobre creches, por exemplo, sem que seja contraditado nem confrontado, sua grande obra no Ministério da Educação, por exemplo, é simplesmente ignorada. Em 2011, as universidades federais ficaram mais de quatro meses em greve; em 2012, mais de três. Sim, há as reivindicações salariais dos professores e coisa e tal, mas não é só isso que está em questão. A expansão das universidades federais se fez à revelia da qualidade. Há campus em que o esgoto corre a céu aberto. Boa parte dos campi avançados não tem nem prédio construído para receber alunos. Em alguns, faltam banheiro, a luz elétrica — sim, isso mesmo! — é deficiente e há problemas com abastecimento de água. Em muitos, faltam laboratórios. Os hospitais universitários vivem a pior fase de sua história. E não! Nada disso é apresentado a Haddad, que se oferece, não obstante, para promover a mesma revolução na cidade.

Lixo educacional
Sobre o kit gay, então, nem pensar! A imprensa não trata desse assunto porque, afinal, progressista que é, era a favor da iniciativa, ainda que o conteúdo fosse, como era, coisa de aloprados, de vigaristas da educação, que tiveram a ousadia de fazer filmes para apresentar a crianças e adolescentes em que a bissexualidade, por exemplo, era tratada como um diferencial positivo porque, assim, dizia-se, o indivíduo tem mais chances de ter com quem ficar no fim de semana. Segundo os energúmenos, “50% de chances a mais”. O certo matemático, dentro do erro ético, é 100%! Pior: o filme dizia que o aluno havia aprendido a fazer essa conta numa aula de probabilidade. Lixo!!!<

Ah, mas tocar no assunto, vejam que coisa!, é considerado uma “baixaria”, uma “violência”. E olhem que a própria Dilma vetou o material! O MEC gastou alguns milhões com essa porcaria de suposto “kit anti-homofobia” — que era, de fato, “kit proselitismo” —, e não se indaga Haddad a respeito. Até o TCU cobra a prestação de contas. Mas não o jornalismo.

E as trapalhadas do Enem? Também elas sumiram da biografia de Fernando Haddad. São tratadas como contratempos inerentes ao processo. Entre outras delicadezas com o candidato, despreza-se que a empresa contratada para fazer o exame do ano passado não precisou nem mesmo passar por uma licitação. Foi escolhida por notória especialização. O custo, na comparação com o exame do ano anterior, subiu 400%. Eis o grande gestor.

Encerrando
Não! Não estou a cobrar que a imprensa passe a tratar bem o candidato em que vou votar e mal os candidatos que considero piores. Estou a cobrar um mínimo de equilíbrio nas reportagens, quem sabe até um pouco de vergonha na cara. Com que então Haddad pode levar em sua propaganda eleitoral o falso testemunho de um doente de catarata — se o paciente sabia que estava mentindo ou não, isso é irrelevante —, que estaria dois anos à espera de uma cirurgia, e a Secretaria de Saúde não pode nem mesmo contar a verdade do prontuário? Não era catarata! Ele não estava na fila! Tinha sido encaminhado para o atendimento adequado. A imprensa inteira, vejam que espetáculo!, considerou a mentira de Haddad normal e ainda acusou a Prefeitura de quebra do sigilo médico. Norte moral: o sigilo médico deve proteger as mentiras do PT.

Por Reinaldo Azevedo

O patriarca condenado à impunidade perpétua não escapou do castigo público

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Fortalecida pelo engavetamento da Operação Boi Barrica por uma turma do Superior Tribunal de Justiça, a certeza de que vai morrer em liberdade animou o senador José Sarney a reiterar que só deixará a vida pública sobre um carro do Corpo de Bombeiros. “A política só tem porta de entrada”, disse neste sábado. Repetida desde a metade do século passado, a falácia recitada à tarde foi implodida à noite, já na abertura da apresentação da banda Capital Inicial no Rock in Rio. Como atesta o vídeo, o vocalista Dinho Ouro Preto e o coro que juntou milhares de vozes precisaram de apenas quatro minutos para ensinar a Sarney que a política não tem porta de saída só em grotões atulhados de eleitores que, tangidos pela dependência financeira e pela anemia intelectual, validam nas urnas o jugo de um coronel de jaquetão.

Depois de fustigar “as oligarquias que parecem ainda governar o Brasil, que conseguem deixar os grandes jornais censurados por mais de dois anos, como o Estado de S. Paulo“, Dinho informou que tipo de castigo público seria aplicado ao símbolo do país da impunidade: “Essa aqui é para o Congresso brasileiro, essa aqui é pro José Sarney. Isso aqui se chama Que país é esse?”  Entusiasmada, a multidão esbanjou convicção na resposta ao refrão que repete quatro vezes a pergunta do título: Que país é esse? Conjugada com o desabafo improvisado pela plateia durante o solo do guitarrista, a réplica entoada 16 vezes comunicou ao presidente do Senado que, pelo menos no Brasil que não se rende ao primitivismo, a política não tem uma porta só.

Também existe a porta de saída. É a dos fundos e, entre outras serventias, presta-se ao despejo de Sarney. O problema é que vive emperrada nas paragens que ignoram a diferença entre um prontuário de uma folha de serviços. Se tivesse nascido em qualquer lugar civilizado, o patriarca só veria a Famiglia reunida num pátio de cadeia. Aqui, prepara em sossego a celebração dos 82 anos de nascimento, enquanto vigia a lista de convidados com o olhar atento do punguista: não pode ficar fora da festança nenhum dos figurões que o aniversariante infiltrou nos três Poderes.

Depois do acasalamento com Lula, que lhe conferiu o título de maior ladrão do Brasil até descobrir que haviam nascido um para o outro, Sarney expandiu notavelmente os domínios da capitania hereditária. Incorporou o Amapá ao Maranhão, anexou ao latifúndio do Ministério de Minas e Energia o sempre útil Ministério do Turismo, expropriou mais cofres do segundo e terceiro escalões. Valendo-se da carteirinha de Homem Incomum, assinada por Lula, anda prosperando como nunca no Executivo. Com o amparo das bancadas do Sarney e o amém pusilânime da oposição oficial, tornou-se presidente vitalício do Senado e faz o que quer no Legislativo.

A afrontosa operação de socorro consumada há poucos dias atestam que os tentáculos estendidos ao Judiciário já alcançaram o Superior Tribunal de Justiça. Nenhuma surpresa. Magistrados a serviço de Madre Superiora agem há tempos em muitas frentes. O Tribunal Superior Eleitoral cassou o mandato de João Capiberibe, senador pelo Amapá, acusado de ter comprado dois votos e de ser adversário confesso de Sarney. O TSE também afastou o governador maranhense Jackson Lago, acusado de abuso de poder econômico e de hostilidade aos donatários da capitania (e instalou Roseana Sarney em seu lugar). Ambos foram punidos pelo segundo crime.

Quando começaram a vazar as descobertas da Boi Barrica, o juiz Dácio Vieira, plantado por Sarney no Tribunal de Justiça do Distrito Federal, ressuscitou a censura e proibiu o Estadão de publicar as verdades colhidas pela Polícia Federal. Agora, a sensação de perigo induziu o comandante supremo da organização criminosa a mobilizar amigos acampados no STJ. Para garantir o direito de ir e vir de parentes e agregados do clã, todos metidos em negociatas de bom tamanho, o ministro Sebastião Reis Júnior resolveram que a escuta telefônica autorizada por juízes da primeira instância não estavam bem fundamentadas.

Em seis dias, produziu um papelório de 54 páginas concebido para resgatar os soterrados pela montanha de provas acumuladas em três anos de investigações. Uma reunião da turma bastou para que Reis e mais dois ministros forjassem o espantoso desfecho da operação de socorro. O presidente do Senado, seu filho Fernando e todos os outros componentes do bando estão certos. Além do Estadão, são culpados os juízes que autorizaram a escuta telefônica, os integrantes do Ministério Público que monitoraram a Boi Barrica e a Polícia Federal.

O triunfo dos bandidos sobre os xerifes confirma que o sobrenome inventado por José Ribamar Ferreira de Araújo Costa é sinônimo de riqueza, poder, impunidade. Mas o canto de guerra que animou a noitada no Rock in Rio avisa que um dia vai virar estigma. É irrelevante saber quando a sentença começará a ser cumprida. O que importa é constatar que a prole foi condenada, sem direito a recurso, a tentar sobreviver num Brasil em que Sarney será o outro nome da infâmia.

Augusto Nunes