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Odeio petralhas | Raça de sangue ruim; corruptos, bandidos, oportunistas, picaretas, malandros…

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O petralha incompetente e sua revolução

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O prefeito Fernando Haddad parece encantado com as suas ideias, com a sua visão de cidade, e esqueceu de que governar uma cidade é muito mais do que pintar ruas e calçadas

A cidade de São Paulo tornou-se refém de um prefeito que parece brincar de governar, e pelo jeito não gosta de brincar sozinho. Convidou agora três amigos do filho a participarem da brincadeira. Fernando Haddad ainda não se deu conta de que São Paulo é uma cidade com quase 12 milhões de habitantes e enfrenta situações complexas que exigem mais do que slogans. Exigem competência administrativa. Mas para Fernando Haddad tudo isso não passa de uma crítica barata, de gente que ainda não entendeu as mudanças que a sua gestão vem promovendo na cidade. Mudanças estruturais, de concepção de cidade, de cultura urbana, de modo de vida – nada mais nada menos que uma verdadeira revolução.

A mais recente novidade do prefeito foi a nomeação de três bacharéis em Direito, recém-formados, para trabalhar em cargos comissionados da Prefeitura. Segundo a Prefeitura, os profissionais são "de renomadas universidades, com experiência profissional de estágio em escritórios de advocacia e atuação em entidades representativas estudantis". De fato, os três têm ampla participação no movimento estudantil, e dois deles presidiram o Centro Acadêmico 11 de Agosto, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Mas eles têm também outro ponto em comum em seus currículos — são amigos do filho do prefeito. Interessante essa revolução de Haddad…

Outra novidade para o ano que começa é que, aproveitando a sua experiência como prefeito, Fernando Haddad irá dar aulas na USP. Serão seis aulas sobre a cidade e a elite, o desenvolvimento capitalista, a urbanização e a dominação não legítima. Temas sem dúvida muito interessantes, que caem como uma luva no objetivo da disciplina: investigar a dinâmica atual do desenvolvimento urbano. Naturalmente, não deixa de ser motivo de orgulho para a cidade ter um prefeito professor. Além do mais, por que desprezar a possibilidade de que a preparação dessas aulas seja ocasião para que o prefeito se aproxime ao menos um pouco dos reais desafios da cidade?

Mas não são apenas os alunos da USP que estão precisando de Fernando Haddad. Os 12 milhões de habitantes da cidade estão à espera de um prefeito. Estão à espera de uma gestão que enfrente corajosamente os problemas e os desafios da cidade.

Nenhum prefeito, por menor que seja o seu município, pode ignorar a gestão da coisa pública e se contentar em fazer retórica. Mas, infelizmente, parece que isso vem ocorrendo no maior município brasileiro. O prefeito Fernando Haddad parece encantado com as suas ideias, com a sua visão de cidade, e esqueceu de que governar uma cidade é muito mais do que pintar ruas e calçadas.

Se de fato o prefeito tem a pretensão de realizar alguma melhoria na cidade nos próximos dois anos, o trabalho da Prefeitura precisa alcançar outro patamar de qualidade. O ano de 2014 foi pródigo em projetos lançados com estardalhaço pela Prefeitura, mas que logo depois foram suspensos pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). Para ter uma ideia, em outubro de 2014 os recursos somados de todas as obras suspensas pelo TCM chegavam a R$ 6,3 bilhões. Nesse montante estavam obras e reformas em prontos-socorros, creches e escolas, a compra de radares e câmeras de monitoramento e fiscalização do trânsito, a construção de um data center para o Bilhete Único e para a inspeção veicular, além de uma das meninas dos olhos do prefeito: a construção de 150 km de corredores de ônibus. A cidade de São Paulo merece mais da sua administração, especialmente de uma que se proclama revolucionária e inovadora.

Pela frequência com que fala sobre esse tema, Fernando Haddad parece mesmo acreditar que a sua gestão será lembrada no futuro como um marco na história da cidade. Só o tempo dirá, ainda que faixa pintada no asfalto não tenha em geral grande durabilidade. Até agora, o presente tem dado sinais noutra direção. De que simplesmente será lembrado como o último poste de Lula. São Paulo não é para amadores, mesmo aqueles que se graduaram nas melhores universidades.

Opinião do Estadão

Isso é que é popularidade – Rejeição à gestão Haddad passa de 36% para 47%, aponta Datafolha

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O petralha incompetente também alcançou a terceira pior avaliação negativa em relação a outros prefeitos com o mesmo tempo no cargo

Após um ano e seis meses de mandato, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), atingiu o pior índice de reprovação já registrado desde o início da sua gestão.

Pesquisa Datafolha realizada nesta semana mostra que a insatisfação com a administração de Haddad passou de 36% para 47% entre junho e julho deste ano. Até então, a pior avaliação negativa havia sido registrada após os protestos de junho de 2013, quando 40% dos entrevistados consideravam a administração municipal ruim ou péssima.

Agora, o índice de reprovação voltou a crescer. Segundo a pesquisa, o governo Haddad é considerado bom ou ótimo por 15% dos entrevistados — percentual próximo ao registrado nos três levantamentos anteriores, quando 17% tinham avaliação positiva sobre o prefeito. Já o índice dos que consideram a avaliação regular diminuiu de 44% para 37%. A taxa dos que não souberam responder é de 2%.

O Datafolha ouviu 1.047 pessoas entre 15 e 16 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Reprovação

A pesquisa aponta que a avaliação negativa de Haddad cresceu entre entrevistados de diferentes idades, níveis de renda e escolaridade. A reprovação cresceu, por exemplo, entre os mais ricos (de 34% para 53%), homens (de 35% para 50%) e entre aqueles que têm renda familiar mensal de dois a cinco salários mínimos (de 34 para 49%).

Haddad também alcançou a terceira pior avaliação negativa em relação a outros prefeitos com o mesmo tempo no cargo. O índice fica atrás apenas dos registrados por Jânio Quadros (66%) e Celso Pitta (54%). Em queda, a nota média da administração também atingiu seu valor mais baixo — de 4,8 em junho, passou a 4,1 neste mês.

A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número: SP-00010/2014.

Folha Online

A bandidagem no poder – Petista é acusado de fraude em ônibus em SP; irmão teria ido a reunião do PCC

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Vereador Senival Moura — irmão do deputado estadual Luiz Moura (PT), flagrado em ação do Deic — é apontado pelo MPT por burlar o cadastro da SPTrans com o uso de ‘laranjas’ e por atuar como empresário paralelo

O vereador Senival Moura (PT) é acusado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) de usar "laranjas" em uma cooperativa de ônibus em São Paulo para atuar como empresário paralelo do sistema. Os veículos eram registrados em outros nomes, mas seriam dele. O suposto esquema fraudava o sistema de cadastro da São Paulo Transporte (SPTrans), empresa da Prefeitura atualmente presidida por Jilmar Tatto, seu aliado político.

O vereador foi procurado pelo Estado por dois dias para comentar o caso. Na noite desta quinta-feira, 19, informou que falaria sobre o assunto nesta sexta, pois antes precisaria conversar com seu advogado.

Pelas regras municipais, cada integrante das cooperativas de ônibus tem direito à permissão para trabalhar com um veículo. "A fraude fica comprovada a partir do momento em que é utilizado um falso cooperado ‘laranja’ para adquirir um veículo em seu nome, mas ele não será o real proprietário, pois o dinheiro para a compra vem do cooperado contratante", diz o relatório do MPT sobre o processo. Os indícios de crimes foram reportados aos Ministérios Públicos Estadual e Federal.

Cada perua recebe, em média, R$ 25 mil por mês da Prefeitura. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apura "laranjas testas de ferro" que receberiam até R$ 2 mil por mês para emprestar seus nomes.

As acusações constam em uma ação civil pública do Ministério Público do Trabalho apresentada em 2012, antes de o PT assumir a Prefeitura. No fim de 2013, a gestão Fernando Haddad (PT) firmou um acordo para alterar os editais de contratação das cooperativas de lotação da cidade.

Motoristas reclamavam seus direitos, após trabalhar sem registro em carteira nas cooperativas. Segundo eles, Moura exigiu que os profissionais financiassem em seus nomes os veículos das cooperativas. Mas era a empresa que pagava pelos veículos. Os processos não mostram de onde vinha o dinheiro.

Em uma das ações, de 2008, o empregado disse que "foi Senival Moura quem o contratou para ser motorista de micro-ônibus e foi ele quem comprou o veículo", mas o parlamentar teria usado o nome do empregado. Outro processo, de 2005, agora em fase de pagamento, teve as mesmas características. Em ambos os casos, Moura teria feito acordo com os motoristas. Segundo o advogado de um deles, que pediu para não ser identificado, pelo acordo, o veículo foi transferido para uma terceira pessoa, que manteve a posição de laranja.

As duas fraudes ocorreram em ônibus da Cooperativa de Trabalho dos Condutores Autônomos (Cooperalfa), que na época atuava em linhas da zona leste e foi substituída em outras licitações. Em março, a juíza Eumara Lyra Pimenta, da 40.ª Vara do Trabalho de São Paulo, condenou a SPTrans a fornecer somente o Certificado de Qualificação de Motorista, chamado "Condubus", quando houver certeza sobre a propriedade do veículo e quando os empregados estiverem registrados. A SPTrans não se manifestou.

PCC

Moura é irmão do deputado estadual Luiz Moura (PT), que participou, em 17 de março, na garagem de uma cooperativa da zona leste, de uma reunião com perueiros e nove suspeitos de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC). A reunião foi flagrada por investigadores do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). O deputado afirmou que não sabia que havia pessoas da facção no encontro.

O departamento havia aberto inquérito para apurar ligação do PCC com queima de ônibus na capital. Durante a investigações, policiais encontraram indícios de que a fação lavava dinheiro por meio das peruas que trabalham para a SPTrans.

Estadão Online

Jilmar Tatto financiou petista que se reuniu com membros do PCC

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O PREFEITO INCOMPETENTE E O SECRTETÁRIO BANDIDO
Petralhas Fernando Haddah e Gilmar Tatto, em coletiva, tentando explicar o caos em que transformaram a cidade de São Paulo

O secretário municipal de Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, bancou quase um terço da campanha a deputado estadual de Luiz Moura (PT) em 2010. O parlamentar, que explora o serviço de transporte na capital, foi flagrado pela polícia num encontro com integrantes da facção criminosa PCC na sede da cooperativa da qual faz parte, a Transcooper. A investigação foi revelada pela Folha. Sozinho, o secretário de Fernando Haddad (PT) fez 23 doações à campanha de Moura, totalizando R$ 201 mil — ou 29% de tudo o que a sua candidatura arrecadou naquela campanha. O petista elegeu-se com 104.705 votos.

Procurado, Tatto se limitou a dizer que sua resposta era a mesma enviada na quinta-feira (22) pela Secretaria de Transportes.

"A relação política que o secretário Jilmar Tatto tem com o deputado Luiz Moura ocorre no âmbito institucional e democrático, da mesma forma que com os demais parlamentares do PT e de outras legendas", diz a nota.

O deputado participou de uma reunião, em março, em que estavam presentes ao menos 13 membros da facção criminosa PCC, segundo investigações da Polícia Civil. À TV Band o deputado negou que soubesse da presença de criminosos. "Graças a Deus, eu nunca tive ligação com nenhuma facção criminosa. Isso eu posso falar com a maior tranquilidade do mundo", disse.

O ANIVERSÁRIO DO DEPUTADO BANDIDO E A PRESENÇA DO CANDIDATO
Luiz Moura (primeiro à esquerda) comemorou aniversário com a presença de Alexandre Padilha (de camisa azul), candidato petralha ao Governo do Estado de São Paulo. Tamos bem pra caramba!

A polícia investigava a série de atentados a ônibus ocorridos na cidade. O petista afirmou que o encontro tinha o objetivo de impedir uma greve no setor. "Estava prestando um serviço à população […] O que estão tentando atribuir à mim é perseguição política."

A operação policial foi revelada pelo subsecretário estadual de Comunicação, Márcio Aith, na quarta-feira durante programa de José Luiz Datena, na TV Band. Entre os suspeitos do PCC no local, havia um dos ladrões do Banco Central no Ceará, em 2005 –solto por ordem da Justiça.

Desses 13 suspeitos do PCC, 11 não tinham ônibus ou ligação formal com a cooperativa e, assim, para a polícia, não tinham razões para estarem em reunião que, em tese, estaria discutindo interesses da categoria.

Moura faz parte do conselho administrativo da cooperativa, segundo dados da Junta Comercial de São Paulo, embora sua assessoria diga que ele está afastado. A cooperativa tem três permissões de transporte público na capital.

Moura, ex-presidiário por assalto a mão armada no Paraná em 1991, contribuiu na administração Marta Suplicy (2001-2004) na organização do transporte coletivo na capital, quando havia uma série de conflitos da prefeitura com perueiros clandestinos. Em 2012, Marta, então candidata ao Senado, fez uma doação de R$ 35 mil a Moura.

Folha Online

O tiro do prefeito no pé

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É de perguntar ao prefeito o que ele imaginava que as suas caneladas pudessem produzir para resgatar o seu governo que fechou o ano aprovado nas pesquisas por apenas 18% dos munícipes paulistanos

Agora não por atos, mas pelas palavras, o prefeito paulistano, Fernando Haddad, acaba de superar as já elevadas marcas alcançadas em 14 meses de mandato na modalidade tiro no pé. Frustrados os seus planos mirabolantes de transformar a cidade numa Xangai, como apregoa — ou porque a Justiça o impediu de onerar os paulistanos com um aumento abusivo do IPTU (de 20% a 35%) ou porque em boa hora a presidente Dilma Rousseff desistiu de apoiar o projeto que muda o indexador da dívida do Município com a União —, Haddad resolveu partir para cima da "elite econômica paulistana", culpando-a por seus dissabores.

Quando o seu mentor Luiz Inácio Lula da Silva desancava o "preconceito" das elites contra os pobres como ele — e como os que o ouviam nos palanques da reeleição e, depois, da candidatura Dilma —, a apelação podia ser o que se quisesse, menos irracional. Era um meio para um fim; como tal, funcionou. E seguramente ele tornará a se valer disso na campanha deste ano, para discriminar os adversários da presidente. Mas Haddad se saiu com uma diatribe que só serve para acrescentar mais críticas às tantas que o seu deplorável desempenho já fez por merecer.

Candidato, Haddad era um "poste" eleitoral. As suas luzes só se acenderam porque, além da força do patrocínio lulista nos redutos do PT, a sua imagem de bom moço lhe deu os votos da classe média que fizeram diferença no segundo turno. Prefeito, o tríplice diplomado pela USP (em direito, economia e filosofia) e ex-ministro da Educação revelou-se um neófito em política e um voluntarista na administração. Apesar dos protestos de junho contra o aumento das tarifas de transporte, ele só tirou os R$ 0,20 das passagens depois de ouvir uma advertência do seu colega do Rio, Eduardo Paes, que já desistira da majoração, e uma ordem de Lula.

Foi também o voluntarismo, o "fazer na marra", embebido dessa vez em caldo populista, que o incentivou a criar da noite para o dia as faixas exclusivas para ônibus, sem uma avaliação minimamente consistente dos seus efeitos para o trânsito de uma cidade por onde circulam cerca de 6 milhões de veículos, ou, por baixo, 1 para cada 2 habitantes. A mistura tóxica de insuficiente senso político e excessiva crença no poderio pessoal está decerto na origem da sua verrina contra as elites, por sinal numa entrevista ao site da BBC Brasil — que não há de ser propriamente o mais acessado pela maioria dos eleitores que lhe deu a vitória em 2012.

Os paulistanos "muito ricos", investiu, padecem de "miopia" e "pobreza espiritual". Essa elite é amesquinhada e muito conservadora, "a começar pelos meios de comunicação" — estes, evidentemente, porque ousaram discordar das políticas do professor-doutor. Para ele, a elite míope, acumpliciada com a mídia, sabota a cidade ao pressionar o Congresso para que não aprove a troca do indexador da dívida paulistana. Faltou-lhe, a essa altura do xingatório, a coragem de afrontar a verdadeira responsável pelo congelamento do projeto — a presidente da República. Ela se deu conta de que, se expurgasse R$ 24 bilhões do débito municipal de R$ 54 bilhões, não só transgrediria a Lei de Responsabilidade Fiscal, como ainda criaria um precedente que, ao ser imitado, levaria à ruína as contas nacionais.

É de perguntar ao prefeito o que ele imaginava que as suas caneladas pudessem produzir para resgatar o seu governo que fechou o ano aprovado nas pesquisas por apenas 18% dos munícipes. Será que eles mudarão de ideia ao ouvir de Haddad que são outros — as elites, a imprensa, o Congresso — os culpados por seus problemas? Extremando a comparação, a última vez que um mandatário quis virar a mesa acusando "forças terríveis" de impedi-lo de governar foi em 1961, quando o presidente Jânio Quadros tentou o fracassado golpe da renúncia.

E como ele quer que as elites reajam, depois de prometer, com arrogância, "educá-las a olhar a cidade com outros olhos"? Ainda é tempo de Haddad fazer isso em relação à Prefeitura. O Orçamento do Município para este ano, de R$ 50,6 bilhões, é o maior da história. Sabendo gastar, em vez de falar em conspirações e "crise financeira", não é pouco o que isso permite realizar.

Editorial do Estadão

Mais trapalhadas das faixas de ônibus

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Se as faixas exclusivas para ônibus são mesmo tudo o que dizem, por que Fernando Haddad e Gilmar Tatto não exibem estudos sérios e confiáveis provando isso?

A cada dia surgem novos sinais de que a implantação — aos trancos e barrancos — de mais de 300 quilômetros de faixas exclusivas de ônibus, no curto espaço de um ano, está muito longe de ser a maravilha que o governo de Fernando Haddad vive alardeando. Os transtornos causados pela faixa do Viaduto Pacaembu, mostrados em reportagem do Estado, são exemplo das consequências de decisões dessa importância tomadas sem estudos prévios. Se existem, permanecem guardados a sete chaves.

Desde que foi inaugurada no final do ano, estava evidente para qualquer observador minimamente atento que era praticamente impossível que aquela faixa trouxesse os benefícios dela esperados. Se fossem mantidas as faixas de rolamento ali existentes, destinando apenas aos ônibus a da esquerda, já por eles usada habitualmente, os resultados seriam no mínimo duvidosos. Com a explicação de que era preciso deixar um espaço para os pedestres, protegido por barreira, as faixas foram reduzidas a três. Como já existia um espaço para os pedestres — e tanto era suficiente que não se conhecem registros de acidentes ali acima da média —, tudo indica que a redução se deve à forma atabalhoada e improvisada com que a Prefeitura vem implantando as faixas.

O resultado da eliminação de uma faixa só poderia ser o afunilamento do tráfego, que dispõe de quatro faixas na Avenida Pacaembu e desemboca no Viaduto. O congestionamento nessa via e suas adjacências é inevitável e vai ficar muito pior com o aumento do tráfego no fim das férias escolares. Como os técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) não viram isso? Ou então eles viram, sim, mas foram atropelados pela pressa e o improviso do secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, e do prefeito Haddad.

Para resolver o problema, a CET diz que "estão sendo desenvolvidos estudos para identificação e efetivação dos ajustes necessários para aumentar a eficiência e a eficácia do sistema de transporte público coletivo e diminuir o impacto gerado pela faixa exclusiva". Deixando de lado a linguagem arrevesada da CET, o que se deseja saber é por que, diabos, esses estudos não foram feitos antes, já que era evidente que o afunilamento aconteceria.

Essa falta de planejamento fica também evidente na mais recente faixa implantada, nas Ruas Cerro Corá e Heitor Penteado. Ela é exclusiva para os ônibus de segunda a sexta-feira das 6 às 9 horas, no sentido centro, e das 17 às 20 horas, no sentido bairro. Nesses horários o comércio se ressente fortemente da limitação, porque, como essas faixas são à direita, os carros não podem nem parar para deixar os clientes.

Além disso, nessas duas ruas os carros dispõem agora de apenas uma faixa naqueles horários, o que está congestionando o trânsito. Chamar a implantação das faixas de Operação Dá Licença para o Ônibus é uma forma demagógica e irresponsável de iludir a população, criando a falsa impressão de que para fugir dos congestionamentos basta trocar os carros pelos ônibus. Seria muito bom que isso fosse verdade, porque a prioridade deve ser mesmo para o transporte coletivo. Mas, já superlotados, os ônibus não têm condições de absorver nem mesmo uma pequena parcela dos usuários de carros, veículos que são responsáveis por um terço dos deslocamentos feitos diariamente na capital.

Se as faixas são mesmo tudo o que dizem, por que Haddad e Tatto não exibem estudos sérios e confiáveis provando isso? Divulgar declarações isoladas de um ou outro usuário contente não significa nada.

A menos que a Prefeitura tenha aderido à tese do SP-Urbanuss, o sindicato das empresas de ônibus, segundo a qual "o ganho maior está relacionado à sensação dos usuários, no que se refere à melhoria da qualidade do serviço e à percepção da importância que as autoridades passaram a dar ao transporte coletivo". Essa tese da "sensação" seria cômica, se não fosse antes uma agressão à inteligência dos paulistanos.

Editorial do Estadão

Debilidade mental crônica: Haddad, agora, admite que ação policial não atrapalhou seu programa na Cracolândia

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Prefeito volta a elogiar "parceria" com a Polícia Militar e o governo do Estado depois de ter feito duro ataque à ação policial do Denarc para prender traficantes

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), voltou a dar sinais nesta quarta-feira de que se arrependeu dos ataques contra a ação da Polícia Civil para prender traficantes na Cracolândia, no centro da capital paulista, na semana passada. Após a ação, que terminou em confronto entre policiais e usuários de crack, Haddad adotou um discurso beligerante contra a polícia e disse que a ação sabotava seu programa recém-implantado para viciados. No dia seguinte, o tom já era outro: o petista afirmou que era preciso retomar a "grande parceria" com o Estado. E nesta quarta admitiu: "Não houve prejuízo na continuidade do programa”.

“Estamos há dez dias trabalhando em conjunto para o sucesso dessa operação. [Após o conflito] Nós não perdemos a confiança dos beneficiários. Não houve prejuízo na continuidade do programa”, disse o prefeito ao apresentar um balanço do programa "Braços Abertos" — para ser beneficiado com a hospedagem em um hotel e receber 15 reais por dia, o viciado deve trabalhar quatro horas no serviço de varrição das ruas do Centro.

Haddad também voltou a elogiar a atuação da Polícia Militar: “Trata-se de agir nas duas pontas do processo, no ponto de vista do usuário em relação à sua recuperação, e no trabalho permanente e bem sucedido que a Polícia Militar vem executando com a prefeitura, usando a inteligência para proceder nas prisões em flagrante. Isso só é possível com essa parceria inédita”.

O secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella, disse que o atrito entre a administração municipal e o governo estadual está “superado”. Segundo ele, cem pessoas foram presas na Cracolândia em janeiro – 66 detenções foram efetuadas pela Polícia Civil, e 44 restantes pela Polícia Militar.

A prefeitura informou que até agora já cadastrou 370 viciados no programa, mas apenas 53 aceitaram frequentar os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), onde os dependentes químicos recebem tratamento médico para se livrar do vício.

Relembre a nota divulgada por Haddad na semana passada:

A administração municipal foi surpreendida pela ação policial repressiva realizada hoje na região da Cracolândia pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Policia Civil. A prefeitura repudia esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química. A “Operação de Braços Abertos” é uma política pública municipal pactuada com o governo estadual, que preconiza a não violência e na qual a prisão de traficantes deve ser feita sem uso desproporcional de força. Agentes da Prefeitura trabalham há seis meses para conquistar a confiança e obter a colaboração das pessoas atendidas. A administração reafirma seu empenho na solução deste problema da cidade e manifesta sua preocupação com este tipo de incidente, que pode comprometer a continuidade do programa. E expressou essa posição diretamente ao Governo do Estado.

Veja Online